sábado, 20 de novembro de 2010

SALVE 20 DE NOVEMBRO! SALVE BRAVA GENTE DO MARAJÓ!

Viva a Cultura Marajoara!

devido à notável ignorância da sociedade brasileira e míngua de interesse público dos donos do poder, assim que de barões da mídia; já foi dito que o símbolo da maior ilha marítimofluvial do mundo é o búfalo.  

o búfalo amigo é prestimoso animal de trabalho nos campos alagados do Marajó, importado da Índia, para salvar a pecuária como produtor de carne e leite. Todavia, como símbolo cultural nosso estimado búfalo está longe de se comparar à arte primeva da Amazônia brasileira representada pela cerâmica marajoara de 1500 anos de idade, dispersa em grandes museus das principais cidades mundiais, tais como Paris, Londres, Nova Iorque, Estocolmo e outras, inclusive Rio de Janeiro e São Paulo.


sem esquecer a obra pioneira do fundador do Museu Paraense Emílio Goeldi, Ferreira Penna; e a importante coleção de cerâmica marajoara em Belém do Pará, além da teimosia heroica do Museu do Marajó inventado por Giovanni Gallo na pequena Santa Cruz do Arari (1972) e trasladado, contra chuvas e tempestades, para Cachoeira do Arari (1983). 

de maneira que a arte primeva marajoara, sob proteção da UNESCO no exterior, seria ela mesma a melhor embaixada cultural do Brasil se "o Pará do Brasil sentinela do Norte" colocasse Marajó ao lado da estrela que simboliza nosso Estado no alto do pavilhão nacional.

Forte coincidência entre o dia da Cultura Marajoara e o Dia Nacional da Consciência Negra pelas razões que já se disse neste blog e noutros meios de comunicação social, que o analfabetismo político não deixa ver o peso da cultura do povo na construção do País a fim de dar espaço ao domínio colonial. Quem não sabe? Existe sutil conexão entre a fome do nômade e a piracema que, no passado distante, levou o peixe nosso de cada dia a provocar o pescador primitivo de gapuia a se tornar arquiteto e engenheiro da primeira aldeia suspensa na nossa várzea de inundação e depois sobre campos alagados onde aconteceu, cerca do ano 400 da era cristã, a invenção da civilização amazônica construída à mão com o barro dos começos do mundo. Tal qual Jorge Amado falou ao saudar seu camarada Dalcídio Jurandir, na entrega do prêmio Machado de Assis de 1972, ano da fundação do Museu do Marajó.

mas, se a intelligentsia do maior país da América do sol ainda não entendeu do que se está falando - de Florentino da Silveira Frade (1756) até Denise Schaan (2010) -, então fica muito mais difícil ao povo se libertar do complexo do búfalo amigo. Impossível estabelecer as conexões entre o achado do teso do Pacoval (1756) e os "cacos de índio" coletados por marginalizados "ladrões de gado", por necessidade e acaso, para criação do ecomuseu do Padre Gallo (1972) e sua conturbada transferência (1983) à antiga freguesia de Nossa Senhora da Conceição da cachoeira do rio Arari (1747), fundada na sesmaria do capitão Florentino da Silveira Frade.

eis o descobridor do teso do Pacoval e autor do relato e mapa da Ilha Grande de Joannes ao qual o naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira ("Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes, ou Marajó", 1783) se refere como o inspetor da ilha do Marajó e guia da excursão a Marajó do sábio da "Viagem Philosophica".


desde o dia 20 de Novembro de 1756, há 254 anos, houve notícia do encontro por acaso do famoso teso [sítio arqueológico] do Pacoval sito à boca do lago Arari. O primeiro de tantos outros (cf. "Noticia da Ilha Grande de Joannes dos rios e igarapés que tem na sua circumferência, de alguns lagos que se tem descoberto e de algumas couzas curiozas", autor anônimo, in "O Novo Éden: a fauna da Amazônia brasileira nos relatos de viajantes e cronistas desde a descoberta do rio Amazonas por Pinzón (1500) até o Tratado de Santo Idelfonso (1777)" / Nelson Papavero... [et al.] - Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 2002, 2ª ed. p. 333).

o sítio do Pacoval, segundo José Coelho da Gama Abreu (Barão de Marajó) em "As regiões amazônicas: estudos chorographicos dos Estados do Gram Pará e Amazônas", entre 1870 e 1871 sofreu cinco importantes extrações em nome da Ciência, para atender à demanda oficial para exposição etnográfica de Chicago (EUA) e do Museu Nacional (Rio de Janeiro). Já nesta época saques e pilhagens clandestinas arruinavam o mais famoso sítio arqueológico da ilha do Marajó, cujos restos deram fama também ao incrível Museu do Marajó.


o governo do Presidente Lula fez pelo povo marajoara, notadamente através do Projeto NOSSA VÁRZEA o que nenhum outro fez neste país. A Governadora Ana Júlia Carepa e os 16 prefeitos do arquipélago também fizeram a sua parte no pacto federativo chamado PLANO MARAJÓ. O bravo povo marajora é grato por tudo, mas ficou o sentimento da falta do princípal: o reconhecimento oficial de que o símbolo maior da ilha não é o irmão búfalo dos cabocos, mas sim a magnífica arte primeva do Brasil, nossa velha e única CULTURA MARAJOARA de 1500 anos de idade!

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