terça-feira, 2 de novembro de 2010

no dia dos mortos da nossa felicidade

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no dia dos mortos me lembrei da frase de Chico Buarque - "os mortos da nossa felicidade" -, se não me engano, dita em referência à revolução cubana. O Brasil também tem mortos da felicidade pátria e mátria. Muitos mortos! Também temos revolução que, apenas há três dias, confirmou nas urnas a vontade popular em eleger a filha de um imigrante búlgaro sucessora do migrante nordestino do interior de Pernambuco no Palácio do Planalto, a primeira mulher Presidente do Brasil. Claro que estamos falando do longo percurso do povo até Lula e Dilma lá!


os mortos da nossa felicidade estão vivos na mente e no coração desta gente. São os Ajuricabas e Zumbis dos Palmares que estão presentes na festa do Kuarup democrático. São cabanos e farroupilhas, guerrilheiros do Araguaia, que trocaram a resistência armada pela arma sagrada do voto democrático que está transformando a América do Sul no centro de um novo mundo possível, onde a liberdade, igualdade e fraternidade da República deixa de ser discurso de bacharel para se tornar em prática no dia a dia. 

por mais que as elites mazombas ainda queiram imponhor o silêncio da censura e toque de recolher nas ruas, até as pedras gritarão e não vão mais conseguir abafar a voz dos rios na solidão amazônica que denuncia o crime de lesa humanidade cometida pelos adeptos do "espaço vazio". Os cabocos ribeirinhos não estão aí para contar uma nova história. Mas, ao contrário, para expressar a velha história, tantos séculos sufocada na garganta e estrangulada na consciência do bravo Povo Brasileiro. 


A destruição e abandono da original civilização amazônica de mais de 1500 anos de idade, a partir da primeira cultura complexa da Amazônia, a célebre Cultura Marajoara; exposta em museus estrangeiros fora do contexto histórico e geográgico que lhe deu nascimento; escondida nos campos alagados da ilha do Marajó, malmente revelada a seus pobres habitantes pelo incrível e teimoso MUSEU DO MARAJÓ que os brancos de Belém e Brasília não querem ver nem pintado na internet.


a gente, sem eira nem beira, quer fazer renascença da arte primeva do Brasil, parida pela necessidade da fome do índio paleolítico e o acaso da piracema no ecossistema fluviomarítimo, onde as Amazônias verde e azul contracenam no maior teatro natural do planeta! Oh, gigante adormecido, desperta!

as metas do Milênio combinadas com a ONU terminam em 2015: quem, na direita ou na esquerda, já parrou para pensar que neste dito ano a invenção da Amazônia lusa vai completar 400 anos? Pois foi com a tomada do Maranhão aos franceses (1615) e fundação de Belém do Grão-Para (1616), que se começou a gestar a Amazônia brasileira.


quem está vendo o fato de que o Projeto Nossa Várzea de regularização fundiária (dentro do Plano Marajó e programa Territórios da Cidadanis) é a concretude democrática da velha luta dos índios, negros escravos e camponeses de costa a costa do Pará, que levou à Cabanagem (1835-1840) com seus 40 mil mortos e não faltou de fornecer combustível revolucionário à guerrilha do Araguaia, com o paraense João Amazonas, em avançada idade, no comando?


qual o motivo da luta popular no Pará velho de guerra? Imaginem o Brasil colonial confinado pela linha de Tordesilhas para o litoral marítimo até Laguna-SC ao sul, e Belém-Pa ao norte. Sem índios Tupinambás em conquista da terra dos Tapuias e mamelucos nordestinos, os poucos e denodados portugueses não teriam jamais passado da ilha do Marajó para dentro do rio das "amazonas" e expulsado a holandeses e ingleses.


Cultura Marajoara, Ajuricabano e comemoração dos 400 anos da Amazônia são peças que se encaixam entre o passado e o futuro. Mas, é no aqui/agora da História que o milagre da ressurreição (como o Sebastianismo nos ensina) tem sua verdadeira efetividade cultural e política.
Está claro, sem a morte e mitificação do rei dom Sebastião Portugal teria sido engolido por Espanha e o Brasil não seria o país que nós conhecemos. Que então poderia ter sido a nossa Amazônia pode-se imaginar quando se olha mais a oeste e ao norte...







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