segunda-feira, 15 de novembro de 2010

REPÚBLICA DO VER O PESO

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a res publica reclama educação patrimonial continuada e cultura pública avultada para a democracia popular sair das margens do grande discurso políticamente correto e entrar, de fato, na justa e perfeita prática da vida quotidiana de uma cidade moderna solidária e sustentável.

em Belém da Amazônia em marcha para os 400 anos, a comuna do Ver O Peso, por exemplo, desafia a imaginação política da cidade morena como lugar de cultura popular paraense, por excelência.

quando se fala de cultura popular e Ver O Peso juntos levantam-se logo polêmica das mais caudalosas tal qual o volume do rio Amazonas. Políticos populistas não perdem oportunidade de fazer média com os conformistas da hora e intelectuais de elite, que raramente vão à feira e reclamam do trânsito e da bagunça, correm a dizer que se trata do "cartão postal" de Belém; lugar "imexível" que nem templo sagrado. do qual a falta de tratamento da coleta de lixo, mazelas sociais, malandragem e a paisagem com indefectíveis urubus, enfim, tudo isso faz parte da "cultura" popular.

ora, com homenagem ao carnavalesco Joãozinho Trinta, povo gosta de luxo quem gosta de lixo é falso intelectual... Popular não é sinônimo de mau gosto. O Ver O Peso, certamente, pode casar arquitetura de tradição e modernidade na mais absoluta fidelidade de uma república popular, como ainda não se viu na região. 


a modernização conservadora do centro histórico de Belém elegeu, naturalmente, outros lugares que não o Ver O Peso para lazer da elite donde o povo é barrado pela simples razão de que o poder de consumo é o mais efetivo limite entre classes sociais assalariadas e donos de renda. 

desde que se tenha em funcionamento o novo terminal pesqueiro, há que se imaginar função nova para o mercado do peixe. O que não será difícil de transformar talhos de venda "in natura" para quiosques de peixe frito e outras iguarias da gastronomia popular paraense à base de frutos de rio e mar.


o mercado Bolonha prestes a terminar a revitalização pelo programa Monumenta, para acompanhar a mudança de função do Mercado de Ferro, também precisará se adatar para venda de churrasco, notadamente de carne de búfalo.
O mais difícil era a construção de terminal pesqueiro funcional, que parece definido.


o bicho de sete cabeças (feira do açaí, praça do Relógio, doca, mercado do peixe, Solar da Beira, mercado da carne e feira propriamente dita), então, seria "domesticado" como pontão de cultura, turismo e lazer para todos, o pobre e o rico. 

o casario do entorno se tornaria uma empresa imobiliária público-privada com incentivos fiscais e amparo para investimento por "pool" de bancos como o BNDES. Uma usina de engenharia e arquitetura restauradora, mercado de trabalho da construção civil, oficina de estágio e especialização em parceria com universidades e instituições nacionais e estrangeiras.


é certo que estamos falando, neste aniversário da República brasileira, de uma utopia urbana. E as utopias servem para dar rumo à história. São os cidadãos de Belém que decidem se vale a pena ou não repensar e repaginar o velho e novo Ver O Peso como espaço autogestionário de referência para reforma urbana da capital do estado e mais cidades ribeirinhas amazônicas, onde a ciência e a tecnologia serão chamadas a socorrer o meio ambiente e apressar a inclusão social.

Um comentário:

  1. Muito boa idéa camara! Não sou da área das "ciencias urbanas" mas dou meu apoio para a construção dessa idéia maravilhosa.
    Mãos a obra!!!
    Soc

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