domingo, 28 de julho de 2013

GOLFÃO MARAJOARA MISTURA AMAZÔNIAS AZUL E VERDE NAS ÁGUAS SALOBRAS DA UNIVERSIDADE DA MARÉ.

PESCA ARTESANAL AMAZÔNICA
"A Região Norte do Brasil por apresentar a maior bacia hidrográfica do mundo, aproximadamente 7 milhões de quilômetros quadrados, dos quais cerca de 4 milhões estão em terras brasileiras e uma extensa área costeira, os mares e rios acabam representando uma das mais importante fonte de alimento e emprego para o povo da Amazônia." (Nadson Oliveira). Foto: Nadson Oliveira®


A VER NAVIOS

A antiguidade da Criaturada grande das águas de rio e mar é um fato incontornável. Sem ela ficaremos eternamente a boiar na maré dos acontecimentos da dependência exterior conforme os ventos dos interesses de mercado global soprar. Para nos orientar nesta vida de concorrência desumana carece ter um norte no horizonte. Para saber da Amazônia profunda conservando a grande floresta densa com sua biodiversidade há que se mergulhar no vasto mundo aquático e oceano da memória ancestral, descobrir a diversidade cultural do planeta amazônico guiado pela tradicional gente ribeirinha. Econômica, política, ecológica, cientificamente falando...

Todavia, entre chuvas e esquecimento, a brava gente permaneçe até hoje a ver navios às margens plácidas das ricas e cobiçadas Amazônias azul e verde, desde a invenção das "amazonas" amazônicas (icamiabas) ou mesmo antes do descobrimento do Brasil lusitano. 

Deve-se advertir que o Brasil brasileiro, de fato, não começou antes do primeiro centenário da Independência, com a revolta dos Tenentes, a marcha da coluna Prestes, a Semana de Arte Moderna de 1922 e a República de 1930... O movimento modernista no Pará chegou com uma turma braba em torno da revista Belém Nova e da poesia da negritude, com Bruno de Menezes e a auto-intitulada Academia do Peixe Frito pelas barracas da feira do Ver O Peso. Mais tarde, desaguou em Manaus com o Clube da Madrugada dando marcha ao ajuricabano ainda em curso: aqui a antropofagia ritual virou ictiofagia cultural, mais importante que pescar e comer o peixe é assimilar o "Sermão aos Peixes" (Padre Antonio Vieira) e resgatar velha hidrologia e oceanografia da universidade da maré, na pesca de gapuia, que inventou a ecocilização amazônica mais conhecida como Cultura Marajoara, de mil e 500 anos de idade.


A IDADE DA TERRA TAPUIA

Na Amazônia brasileira, 5000 anos paleolíticos do delta-estuário nos contemplam... Mas nós nos tornamos brasileiros há apenas 190 anos. Todavia, a bem dizer, ainda na velha Europa medieval não circulavam as lendas das ilhas Afortunadas, a ilha do brazyl (pigmento mineral vermelho) do lendário país de São Brandão inventado por mercadores da Irlanda; a Antilha, etc.; e já nossos antepassados Aruak e Karib faziam a guerra e a paz do mar das Caraíbas buscando nas migrações do legendário Anakayuri, por exemplo, o país do Cruzeiro do Sul (Arapari), através da ilha de Trinidad para a costa da Guiana venezuelana.

Se, por acaso, o Pará é a obra-prima da Amazônia, o Marajó é a joia da coroa. E o mar territorial ou Amazônia azul desde o delta do Orinoco, ao norte; e as Reentrâncias Maranhenses ao sul; constitui o vasto estirão da Amazônia Atlântica em sua dimensão maior. Aí a contracosta da África expede suas férteis águas através da corrente equatorial que se reparte na Corrente Brasileira para o hemisfério sul e na Corrente das Guianas, desde a contracosta do Marajó, para o hemisfério norte com a torrente fluvial do Pará e Amazonas juntando-se à corrente do Golfo do México para levar vida e calor ao extremo-norte do planeta.

É injusto que os povos tradicionais da Amazônia, por 400 anos de colonização, padeçam de tão desconforme alienação. Portanto, as regiões das chamadas Reentrâncias Maranhenses, a Amazônia Atlântica paraense; Amazônia Marajoara, Amapá junto com as mais Guianas; merecem atenção especial de seus respectivos estados nacionais e do sistema mundial, notadamente quanto a riquezas importantes da plataforma marítima, como petróleo e gás; ciência e tecnologia do mar; pesca, biodiversidade de áreas de mangue; turismo de sol e praia; navegação marítima e outras atividades costeiras que se anunciam. 

Não basta falar apenas em inclusão social como se isto fosse esmola aos marginalizados da Conquista e destruição das Índias. É preciso defesa efetiva de direitos humanos, compensação histórica para real empoderamento do território pelas populações remanescentes. De maneira que a face perversa do capitalismo se converta em feição humana e solidária no justo e perfeito compartilhamento do bem comum pela humanidade inteira. Bem sabemos o quanto isto ainda representa uma utopia, mas é preciso gritar e lutar até o fim.

A moderna Amazônia brasileira repousa sobre a ruína étnica e demográfica da "Tapuya tetama" (terra Tapuia). Isto se deve, fundamentalmente, à busca guerreira da mítica "Yvy marãey" (terra sem mal) pela brava nação Tupinambá. 

Sem a demanda do Bom Selvagem tupinambá em aliança de armas com os portugueses subjugados aos castelhanos na "União Ibérica" (1580-1640), a história seria outra. Como também seria outra esta região amazônica sem a proclamação de Muaná, de 28 de Maio, assentada sobre a Paz de Mapuá (Breves), de 27 de Agosto de 1659.

O continuum histórico da Amazônia brasileira não é observado corretamente nos compêndios de historiografia do Brasil. Professores e estudantes não sabem que, por acaso, estes fatos mal e porcamente documentados, deram termo à guerra hereditária entre a Nação dos Tupinambás e a confederação dos Nheengaíbas, em vista da pacificação do Grão-Pará em 44 anos de conflito para expulsão dos estrangeiros desde a tomada do Maranhão e a restauração da independência do reino de Portugal em vista da ruptura do Tratado de Tordesilhas (1494), entre os reinos da Espanha e Portugal. Não se trata de reinventar a história, mas sim de operar novas leituras sobre os mesmos fatos vistos pelas diferentes lentes das épocas passadas... Para uns belas épocas, para outros a visão do inferno verde.

Quando, segundo certos historiadores, os índios do Maranhão e Grão-Pará viram passar as caravelas de Duarte Pacheco Pereira (em viagem secreta para observar a linha de Tordesilhas, em 1498, a fim de saber ao certo se a costa brasileira ficaria de fato na posse de Portugal) e de Vicente Yañez Pinzón (piloto e sócio de Colombo, em 1500, que tocou terras do Ceará, fez 36 "negros da terra" na ilha do Marajó, capturou uma mucura com filhotes e rumou ao Oiapoque antes de velejar de retorno as Antilhas). Pinzón está morto, mas seus descendentes provavelmente hoje pensam diferente. Como os parentes dos primeiros "negros da terra" (índios escravos) poderiam também contar esta história se tivessem notícia dela (conservada a sete chaves nos arquivos coloniais de Espanha até recentemente).

Quarenta e dois anos depois do assalto de Pinzón, os dois bergantins da aventura de Francisco de Orellana, vindos com a lenda da mulheres guerreiras importada da Capadócia a bordo, passaram entre as ilhas do Marajó debaixo de nuvem de flechas envenenadas, talvez resultado do ataque dos espanhóis para aprisionar índios para escravidão ou por que já havia notícia da guerra de conquista do Caribe. Os aventureiros do alto Amazonas saíram ao Mar-Oceano e, seguindo a corrente das Guianas, foram se refazer da acidentada jornada na ainda selvagem ilha Maragarita (costa da Venezuela) donde seguiram para Hispaniola (Haiti) e depois a Espanha. 

APOCALYPSO ADVERTE: CONSUMA COM MODERAÇÃO PRESEPADA PARAFOLCLÓRICA DO BREGA E OUTRA TRAGÉDIAS DO BRIGUE PALHAÇO.

Além do dito aparecimento dos brancos europeus nestas paragens do "rio Babel" (no dizer do Padre Antônio Vieira, um século depois da presepada amazônica de Orellana e Carvajal e vinte anos após a viagem de Pedro Teixeira e seus mil e 200 remadores tupinambás aos confins do Equador), um relato curioso conta que negros africanos passaram pelas bocas do Amazonas, cem anos antes de Colombo descobrir o novo continente. Como é possível falar tão pouco disto, se o próprio Napoleão Bonaparte durante a campanha do Egito teria levado a novidade para arquivos da França imperial junto com outras coisas tomadas ao país dos faraós?

Noves fora a célebre lenda do país de Ofir, que diz que madeiras do templo de Salomão, construído por Hiran, rei de Tiro (Fenícia); teriam sido extraídas no Brasil (Amazonas). Aquela história estúrdia saiu da cidade do Cairo quando o imperador do antigo Mali foi em peregrinação a Meca com grande caravana e carregamento de ouro de tal monta que provocou a primeira inflação conhecida na Idade Média.

Trata-se da suposta expedição do rei Abu Bakari II com uma flotilha de dois mil caiaques, precedida por duzentos precursores dos quais apenas retornaram dois deles, supostamente tragados por grandes ondas num rio de água doce... Para comentaristas deste relato, o desaparecimento dos precursores de Abu Bakari II se deve ao fenômeno da pororoca na foz do Amazonas. 

Se algo parecido aconteceu de fato, isto teria coincidido como o começa da invasão dos belicosos Aruã através das Guianas, para o Cabo Norte e as ilhas Caviana e Mexiana antes de expulsar os Iona (Joanes) e outras etnias mais antigas da ilha do Marajó, cerca do ano de 1300, dos centros da ilha grande para a costa da baía de mesmo nome. O iluminismo despótico que decretou a "civilização" dos índios e a expulsão dos Jesuítas para implante do "Diretório dos Índios" (1757-1798) fez escola no Império do Brazil e este, apesar da República; continua latente nas elites e oligarquias que ditam a educação e cultura do povo brasileiro. Explica-se assim a razão pela qual a historiografia oficial predomina sobre a história dos Brasis...

A lenda da pororoca fala do fenômeno como o surgimento de três vagas que vem do mar para dentro do rio: sobre cada uma delas um pretinho, como que surfando e fumando cachimbo... A palavra "pororoca" é tupi e significa "grande estrondo". Todavia, seu conhecimento terá sido muito mais antigo do que a presença dos Tupinambás vindo de longe, do Chaco (Paraguai), pelo litoral do Nordeste até o Maranhão e Grão-Pará. Inimigos hereditários, aruaques e tupis, lutaram entre si ao longo da costa norte e nas ilhas rio acima. Há pelos menos cinco mil anos os tapuias ou "nheengaíbas" (falantes de línguas de tronco aruaque) ocuparam a Amazônia. 

No teatro amazônico, pela guerra e a paz, tupis e tapuias certamente trocaram conhecimentos, os primeiros comeram as virtudes bélicas do inimigo invejado pelo rito antropofágico; e finalmente os catequistas apagaram línguas e culturas da babel amazônica, para imposição da língua-geral ou nheengatu, que afinal foi a desgraça dos padres frente a diretores dos índios pelo triunfo da língua portuguesa do Oiapoque ao Chuí, da Paraíba até os confins do Acre.

Conta-se que Abu Bakari II cismava em querer descobrir a outra margem daquele grande rio salgado que é o oceano Atlântico... Por isto ele teria planejado a tal viagem... a remo. Segundo o relato do Cairo, o imperador mandinga jamais retornou e não se sabe o que aconteceu além da partida no rio Gâmbia. A corrente equatorial marítima e a prática de pesca tradicional africana em alto mar com uso de caiaque conferem ares de verossimilhança ao relato. Contam que Colombo ao chegar na ilha Hispaniola (Haiti) teria visto estranhos "índios pretos" que usavam lanças com ponta de cobre. Aduzem que talvez esses indígenas estranhos fossem remanescentes da expedição mandinga, depois de seguir a corrente das Guianas e rodar para as Antilhas, conforme o conhecido caminho dos índios.

De qualquer maneira, muitas suposições são suscitadas pelo encontro do Mar Oceano e do Rio-Mar... Bacia onde as águas barrentas e quentes dos rios Amazonas e Tocantins, através do Rio Pará ou braço meridional do dito Amazonas, vêm se misturar no Oceano à corrente equatorial marítima que atravessa o Atlântico, de leste a oeste, trazendo águas da contracosta africana para se dispartir com a rotação da Terra em frente ao Salgado Paraense, formando assim a Corrente das Guianas para o norte e a Corrente Brasileira para o sul do continente.

Aqui a ver o peso da geografia na história e na cultura: mais do que caravelas e colonos, navios encantados, caraíbas, caciques, pajés-açu, lendas, mitos, vóduns e orixás em profusão... 

Mais do que ciência, arte e intuição. Universidade da maré. A oceanografia brasileira tudo deve a este singular fenômeno hidrográfico, antes mesmo da Ciência existir ou dos navegadores portugueses, em busca do caminho oriental das Índias, visitar a costa marítima do país do pau-brasil pela primeira vez. 

Embora nossa historiografia oficial seja avarenta com respeito à história e geografia pré-colonial dos povos originais, a Cultura Marajoara despontou cerca do ano 400 da era cristã após cinco mil anos, aproximadamente, de ocupação humana do delta-estuário tendo principalmente várzeas, campos alagados e mangues como fornecedores de alimento. Esses povos nômades deixaram dez mil anos de vestígios ao longo da calha amazônica e deram início à civilização amazônica, intimamente vinculada com as ilhas do Caribe.

O monumento natural do Rei Sabá, em São João de Pirabas, com seus ritos e cultos da pesca tradicional é um marco da distância que reina entre as elites e o conhecimento popular. Um fato político que reclama novas abordagens do Brasil democrático emergente.




sexta-feira, 26 de julho de 2013

O POVO DO RIO E SEU DIREITO DE IR E VIR NA CIDADE DAS MANGUEIRAS.


debate sobre transporte público fluvial em Belém do Pará.


GENTE DAS ILHAS E PENÍNSULA DE BELÉM QUER MOBILIDADE HIDROVIÁRIA TAMBÉM.

É um espanto a cegueira dos políticos da metrópole fluviomarinha da Amazônia em matéria de transportes coletivos. A verde cidade das mangueiras, contemplada desde a margem esquerda do Guajará; é uma beleza incomparável na paisagem cultural do Guamá. Casamento perfeito entre natureza e meio ambiente urbano. Mas, de perto; parado no meio do trânsito engarrafado e da histeria coletiva, ninguém merece...

Já se sabe, por exemplo, que o cartel de donos de ônibus somado ao conformismo peculiar do povo que tudo reclama mas não toma atitude coerente; sequer por hipótese discute projeto de metrô de superfície na região metropolitana. 

As poucas exceções que, às vezes, aparecem trazem as mais pueris explicações para não debater metrô em Belém. Enquanto alhures protestos da população contra a imobilidade urbana se avolumam e as autoridades locais correm ao BNDES com projetos em mão pedindo financiamento de metrôs. 

No Pará velho de guerra, pilhado de suas antigas estradas de ferro (Belém-Bragança e do Tocantins); deu branco total na lembrança da Maria Fumaça e ainda a discussão passou de velhas locomotivas a óleo Diesel quando alguém pensa em trem de passageiros... O Pará exportador bruto de energia hidrelétrica nunca pensou em tirar fumaça de ônibus do trânsito a troco de energia limpa. Dizem até que no solo urbano do Pará não há mais espaço para trilhos. Entretanto, o prolongamento da avenida João Paulo II rumo a Marituba e os mais municípios da região metropolitana está dando sopa à imaginação dos engenheiros de trânsito.

Todavia, o que os geógrafos regionais e planejadores de Belém não conseguem ver mesmo é que a maior concentração urbana do Pará se assenta sobre a vasta península com entorno no arquipélago do Guajará e Guamá. A região metropolitana feita de cidades-dormitórios banhadas pelo rio e a grande baía como um vasto mar de água doce, dias e noites, se comprime e se expande como sanfona ao longo do eixo viário peninsular rumo ao centro histórico de Belém e pára nas horas mais críticas para ir e vir do trabalho entre o Entroncamento e o Centro. 

Passando de São Brás até a Cidade Velha tudo foi traçado antigamente na belle époque para o tempo do bonde elétrico dos ingleses e antes até para carroças puxadas a burro. E hoje no mesmo espaço saturado haja automóvel, espigões para apartamentos e falta de estacionamento... À espera de quê? Que a ilha de calor chegue ao infarto e que a bolha imobiliária vá ao estouro.

Tudo isto já deu... A cidade cresceu de costa para o rio. Mas era preciso integrar a cidade das águas com a paisagem ribeirinha e pensar os 400 anos de Belém como espaço orgânico rural-urbano. Conservar a Cidade Velha e inventar a Cidade Nova sem contradições (uma metáfora arquitetônica e urbanista para uma grande cidade amazônica ribeirinha, a ser desdobrada em bairros-cidades e aldeias autogestionárias em harmonia com as ilhas do estuário). Ainda há lugar para remos e velas na paisagem cultural do grande mar que se chama Pará.

Um metrô de superfície entre Castanhal e Belém seria verdadeiro papa-fila das estradas até São Brás. De São Brás aos bairros periféricos a volta do bonde ou ônibus híbrido (elétrico e biocombustível) daria conta do recado. Sem esquecer o uso massivo de bicicletas e ciclovias exclusivas. O BRT de Icoaraci, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara não ficaria estranho ao sistema viário integrado de Belém. A malha rodoviária complementar passaria a contar com frota de ônibus e micro-ônibus movida a biocombustível. Para isto a extração de azeite de dendê. Ou vamos, mais uma vez, ficar a ver navios?

E por falar em navios: o litoral da península belenense deveria ser servida de transporte hidroviário coletivo de "primeiro mundo". A Orla sendo um grande espaço público, finalmente, como foi e deve voltar a ser. Tudo fazendo parte de empresa público-privada de transporte capaz de integrar a Capital e as ilhas do delta-estuário. Cadê o Movimento Belém Livre que faz escarcéu por dez réis, mas não vê coisas que nem esta? 

Livre pensar é só pensar. Os técnicos e universitários que queimem pestanas para oferecer soluções, que para isto uns são pagos e outros incentivados a sempre inovar. Está na cara que a expressão geográfica de Belém - como diria Eidorfe Moreira - foi ferozmente violentada e a coisa já foi longe demais. Urge concertar os espíritos e consertar os malfeitos do passado para inventar o futuro melhor para todos.




segunda-feira, 22 de julho de 2013

MANIFESTO ICTIOFÁGICO

“O peixe foi um dos primeiros símbolos do cristianismo, porque a palavra peixe em grego é ICTIS, iniciais de "Iesus Christós Théos Ios Soter'=Jesus Cristo Filho de Deus Salvador. Os cristãos usavam o peixe para se identificar e não serem perseguidos.”


Manifesto ictiofágico

No princípio era a Fome (lei da Gravidade e lei do Homem), 
uma fome desconforme sem nome
do tamanho do mundo e o novo mundo nascente
não havia fronteiras nem fim, que nem enormíssimo tabuleiro
de desova de tartarugas e viveiro de outros gados do rio.

Em riba do céu sem nuvens brilhava o sol sem descanso
um olho aceso que tudo vê até o âmago do coração da gente
era, diz-que, sempre meio-dia panela no fogo barriga vazia
sapo seco da beira da baía: ciência da vida e da morte
o disco solar pairava sobre o Nilo, Gânges e o primitivo Amazonas
ou Paraná-Uaçu, aliás Guiene...
Arte primeva marajoara na universidade da maré
mestrado da cobra Jararaca no invento da zarabatana vingadora
e a guerrilha metafísica dos caruanas revoltados
contra a destruição da natureza da terra e dos filhos da terra,
Criaturada grande sempre esperta: 
que nem saracura na reponta da maré...

"Deus quanto quer matar primeiro dementa", diziam os antigos: 
modernamente eis o Apocalypso 
ou a patuscada do "fim da História" 
revelação supimpa da Mu/dança climática 
e outras baratarias performáticas.

Ditadura da água e do trabalho filho da dura labuta
naquele tempo pré-histórico, paresque, não havia acontecido ainda
a primeira noite do fim do primeiro dia do mundo
aquela coisa estúrdia no fundo do rio
guardada secretamente dentro dum caroço de tucumã
magia da cobragrande Boiúna a dar como dote de casamento
 da filha dela com um certo índio protegido do espírito Jurupari
ser encantado que fala e ri pela boca do pajé:
passagem da mãe Natureza para a riqueza da Cultura
no ventre da noite grande
e a fome era tanta que a gente comia tudo que aparecia pela frente:
foi aí antão que o peixe do mato foi a salvação da lavoura.
 
Aleluia, peixe frito no prato e farinha na cuia! Piracema
e Mandioca utilíssima, dança do peixe... Pirapuraceia,
contação de estória e reprodução da humanidade,
a aldeia em vésperas de vir a ser feira e cidade
no Ver O Peso da vida ribeirinha das ilhas filhas da Pororoca.

Sem eira nem beira a gente andava tão-só atrás do de comer
cinco mil anos contemplam a velha estória sem outra escrita
que não seja a memória desta gente debuxada no espingarito das estrelas
pela escada da terra ao céu pelas gerações armoriais
e a pintura rupestre na aba das serras nos confins na recriação do mundo.

Canoa, remo e pari estavam ainda no cerne da árvore da imaginação
pra vir a ser inventados pela necessidade mãe de todas invenções
os sonhos mais que esperavam a vinda da primeira manhã
após a primeira noite do mundo
trazendo libertação do império do trabalho segundo a lei do Jurupari
pelo direito à Preguiça ou o ócio com dignidade para os eleitos de Tupã
anunciado em segredo na Casa dos Homens verdadeiros ou abaetés.

Apesar da grande grandeza da fome no mundo da humanidade
filha da animalidade
não é verdade que a gente coma gente pra encher o bucho e matar a fome...
a santíssima antrofagia é uma coisa sagrada: eucaristia do bom Selvagem
cheia de mistério e respeito profundo pelo inimigo invejado
trata-se da sublimação da fome original pelas virtudes da guerra
até que o venerável Tempo, o ancião e senhor da razão
disse basta e inventou maneiras outras
de competição natural em busca da infinita paz da Terra sem mal
(utopia de bem-aventuranças: onde não há Fome, trabalho escravo,
doença, velhice e morte): 

“venha a nós o vosso reino”... o comunismo final igual
ao que era nos princípios da Terra mãe original
depois daquele dia infernal e do purgatório 
da Primeira noite do mundo.

Eis a razão oculta pela qual a ictiofagia é o progresso santificado
da antropofagia através da espiral evolutiva do enlace
entre o acaso e a necessidade: encontro da fome com a vontade de comer.

E não foi sem porém que um dia por vias tortas
chegou a desconforme notícia entrando como vento pelas portas
que, paresque, grandes igaras do mar traziam males infinitos
com falsas promessas de bonança desde as ilhas do Caribe
lá fora onde o Pará tem seu mais antigo porto que era seguro.
Quando o repiquete branco estrondou com os canhões do Presépio
esta gente já estava escolada...

Deixa estar que mesmo assim a gente carecia aprender falar
com os inimigos: o preço da aula foi enorme...
e já que não os podíamos vencer nos juntamos a eles.
Portanto, juntos e misturados aos bravos tupis 
e aos negros da Guiné
"fizemos Cristo nascer na Bahia ou em Belém do Pará"
agora vamos ver o peso da mistura e saber onde tudo isto vai dar.



sábado, 13 de julho de 2013

Criaturada ocupa Brasília


povo brasileiro ocupa o Congresso em Brasília.



REMANDO CONTRA MARÉ PRA VENDER O PEIXE DA CRIATURADA GRANDE DE DALCÍDIO.

Os cabocos ribeirinhos no extremo-norte brasileiro somos filhos e netos da ralé judia e da massagada árabe malmente cristianizadas nos guetos da Europa e enxotadas pra colonizar as Américas, descobertas por acaso a caminho das Índias. Nós somos gado humano arrancado do seio da mãe África e transportado em navios negreiros a fim de ser braço escravo dando utilidade econômica ao comércio do Grão-Pará e Maranhão, que sem nós não valeria uma pataca... Nós somos desterrado rebento de casais dos Açores enganados por falsas promessas do paraíso encontrado nas terras virgens do Maranhão. Ilhéus da saturada Ilha da Madeira, camponeses sem terra espancados pela pobreza e aterrorizados por infinitas guerras de fronteira, servindo de bucha de canhão no norte de Portugal e na Galiza. Poviléu sem eira nem beira, tangido para ocupar a mentira do "espaço vazio" e colonizar o mistério da Amazônia lendária... 

Mas, nós somos sobretudo, além da patuleia importada de fora, a gentinha miúda mais pé no chão dos sítios "extraídos do mato" - caá boc através do Nheengatu e da catequese da cristandade - mediante engenho e ditadura do Diretório dos Índios (1757-1798), juntos e misturados a índios brabos e destemidos pretos de mocambo (quilombo): fonte perene de resistência Nheengaíba à invasão da Tapuya tetema (terra Tapuia) e mãe da Cabanagem cultural permanente. 

Nós somos a  "Criaturada grande de Dalcídio" no dizer imortal de Eneida de Moraes, da primeira geração da Academia do Peixe Frito, nos idos da revolução nacionalista de 1930 e do movimento Modernista de 1922. Apesar de poucos, nós nos multiplicamos em vários e estamos dispersos no mundo, agora mais que nunca, com a revolução das comunicações, a fazer através da Ciência e Tecnologia das fraquezas forças indomáveis, e das derrotas triunfo admirável! 

Nós, por diferentes modos de produção; resistimos valentemente à destruição da natureza e da cultura tradicional em muitas aldeias ou localidades das regiões amazônicas, todavia mais concentrados na Amazônia Marajoara e nos subúrbios de Belém do Pará e Macapá, tendo como república emblemática e espaço econômico capital a feira do Ver O Peso, por nós ocupada desde os primeiros dias da Cidade grande do Pará. 

Nós somos modernidade e tradicionalidade ao mesmo tempo: fazemos parte distinta da negritude geral, que reúne "negros da terra" e "negros da Guiné" no vasto mundo sem fundo dos trabalhadores da Terra. 

E, portanto, devoramos e assimilamos a utopia da "Terra sem Mal", do bom selvagem Tupinambá que aqui chegou em guerra de conquista e acabou conquistado pela paz de Mapuá, em 27 de Agosto do ano de 1659: depois de 44 anos de guerra e 1000 e tantos anos da invenção da Cultura Marajoara, nossa primeira universidade pés descalços.

Se o Brasil emergente não sabe ou não quer saber, pior para o bravo povo brasileiro. Não será nossa culpa amanhã perante o tribunal da consciência coletiva da Humanidade. Portanto, é nosso dever, sim, alertar a Nação brasileira de que, em vez de ocupar a Amazônia custe o que custar, como tem sido feito ao longo de 400 anos pelos donos do mundo e seus sócios nas capitanias hereditárias; melhor será ocupar Brasília até o gigante da América do Sul despertar completamente e escutar o grito desta gente.

DESCOBRIMENTO DO NORTE DO BRASIL PELO ROMANCE DO CHAMADO ÍNDIO SUTIL DE AMADO

Precisou, talvez, de duas grandes guerras mundiais com o abominável Holocausto do povo judeu e o terror indizível da hecatombe atômica da população civil de Nagazaki e Hiroxima; para o mundo despertar a respeito dos horrores da guerra. E, ainda assim, a Guerra Fria continuou a sina do homem lobo do homem e a América Latina sofreu a demência da tortura e a censura da Ditadura anticomunista; para descobrir enfim o valor insubstituível da Justiça e da Paz cujo caminho incontornável é a Democracia em seu continuou caminhar e reinventar. 

E já se sabe que não existe democracia sem Povo. Assim sendo é patente que toda vez que o Povo grita é por que o sapato aperta e a política se desviou do bom caminho. Como saber a verdadeira História do Brasil desconhecendo a história do Povo Brasileiro em suas diferentes épocas e regiões, que são diversos Brasis no pacto dos estados da República Federativa do Brasil? E o "país que se chama Pará" o que diz? África do Sul na região norte brasileira, o Pará ainda tem que abolir seu apartheid socioambiental. E a verdade é que já tivemos o nosso Mandela, que era poeta e se chamou Bruno de Menezes... A soberania popular, hoje consagrada na Constituição-Cidadã, faz eco no Congresso Nacional, em Brasília, recebendo os ventos de todas direções do país-continente trazendo noticias das revoluções da Independência com as agitações dos balaios, malês, farroupilhas, cabanos e tantos outros insurgentes que fizeram os sobrados e casas-grandes acordar da longa sesta colonial.

***
No ano de meu nascimento, 1937, o mundo marchava para a segunda grande Guerra. No fim do mundo sentíamos os efeitos do conflito. E em Belém do Pará, o índio sutil Dalcídio Jurandir, nascido na vila de Ponta de Pedras, na ilha do Marajó, filho de uma mulher negra admirável e de um sábio homem branco; se encontrava preso numa cela da cadeia São José, devido ao crime político de participar da Aliança Nacional Libertadora (ANL). O Presídio São José (hoje Polo Joalheiro São José Liberto) estava sito à praça Amazonas; a qual foi no passado o lugar chamado "Comedia do Peixe-Boi".  Comedia, lugar de pastagem onde os bichos vão comer.

Faz tanto tempo, que a gente quando calha de ler considera erro de ortografia e que o certo seria "comédia" do peixe-boi. Até podia ser. Caso a toponímia amazônica antes não escondesse a tragédia histórica das populações tradicionais que, há milhares de anos, viviam da pesca de "gados do rio". Infinidade de peixes-boi, tartarugas e pirarucus que estão à base da história econômica da Amazônia. Hoje, praticamente extintos, carecem de proteção ambiental com leis de defeso quase sempre desrespeitadas e dando margem à reprodução de escândalos duma fajuta representação política (salvo exceções de praxe) nos três níveis federativos.

Demorou, mas a teoria histórica política contemporânea depois de abrir as portas de seus castelos fortificados a outros conhecimentos paralelos, tais como a arqueologia e antropologia; terminou apelando ao Folclore e à Literatura como inestimáveis instrumentos de prospecção. Nós outros desta "academia" anti-acadêmica por excelência se ainda não fomos representados no Congresso Nacional, em Brasília, e outras "Casas do Povo", todavia estamos na rua praticando o sítio aos nobres representantes do povo, conforme a imagem supra e a mídia em geral mostra a todo momento.

Graças à TV Senado a gente vê um inusitado movimento de senadores preocupados com os destinos do Estado Democrático e nos chamou atenção, particularmente, o importante discurso político do Senador do Amapá, ex-Presidente da República e acadêmico da Academia Brasileira de Letras, José Sarney. Muitas críticas justas e injustas são lançadas todos os dias contra o representante do povo amapaense e ilustre filho do estado do Maranhão; porém não se pode negar que ele tem, como costuma dizer, o "sentido do mundo" e consciência plena da história do Brasil.

Escrevi este estúrdio texto depois de ouvir o discurso de Sarney na tribuna do Senado no dia de ontem. Dentre outras coisas chamou atenção o fato de que ele repudia a chamada "terceira idade" e se assume simplesmente como "velho" sem rendição aos sonhos e ideais de juventude. Crente da grandeza do Brasil sem ser ufanista: descrente do mito do "brasileiro cordial" ele deplora que nosso país seja o mais violento do mundo, onde morreram assassinados mais do que a soma de mortos em todas as guerras conhecidas no mundo!!!...

Muita coisa poderia ser dita a respeito da fala de Sarney no dia de ontem, no entanto fiquei a pensar se o autor de "Maribombos de fogo" e outros romances já ouviu falar, por acaso, do primeiro romance sociológico brasileiro ("Marajó", apud Vicente Salles, último confrade da Academia do Peixe Frito em sua primeira geração) ou do primeiro romance proletário do Brasil, "Linha do Parque", obras escritas por Dalcídio Jurandir, primeiro autor amazônico ganhador do Prêmio Machado de Assis.

Tenho certeza de que se acaso a bancada da Amazônia em Brasília, a começar do estadista José Sarney (pode-se não gostar nem um pouquinho do longevo e controvertido sucessor do cacique Vitorino Freire no Maranhão quatrocentão, mas para não faltar com a verdade não se pode dizer que ele não entende do riscado) houvesse, por ventura, conhecimento da literatura do "índio sutil" amigo e camarada de Jorge Amado; mais depressa os nobres reprentantes entenderiam a mensagem que vem das ruas neste instante, pelo menos provindas das margens plácidas do extremo-norte brasileiro.

sábado, 6 de julho de 2013

UM PAÍS QUE SE CHAMA PARÁ




UMA LUZ NA ESCURIDÃO DO MAR TENEBROSO

Com a guerra nas estrelas, a torre de Babel elevou-se muito acima das nuvens a bordo de foguetes e satélites artificiais e se chamou internet. Como tudo na vida isto é uma arma de dois gumes.  Ainda tribos da antiga Mesopotâmia vagavam sobre a terra com seus sonhos misteriosos e profecias conservadas pela literatura oral antes que se escrevesse a Biblia e talvez nesta beira do Atlântico índios escreviam junto às estrelas do céu suas memórias e traçavam rumos de navegação para descoberta do país ao qual chamavam Arapari (constelação do Cruzeiro do Sul), mais tarde Brasil pelos nautas lusíadas.

Entretanto, aquilo que era antes da História seja pela crença do 'fiat lux' ou através da teoria do 'big bang' continua sendo o que de fato sempre foi e será: mas, nada disto aparentemente será como dantes neste e noutros mundos e fundos do vasto mundo de Drummond.

Há apenas 2000 anos, desde a singela região da Galiléia, no Oriente Médio; a humanidade está realizando a maior revolução da história geral: fazer do bicho-homem, tirado do barro da Terra durante milhões de anos; o animal político de Aristóteles - filho do Homem sapiens - sobre o qual a civilização do amor e da paz edificará o Futuro à luz do primitivo manifesto comunista dos Terapeutas ou seita dos Essênios de João Batista e do Sermão da Montanha do rabi da Galiléia. 

Isto é curioso sob todos pontos de vista: posto que a revolução humana através da espiral evolutiva da História; vinha da periferia apesar da antiguidade e majestade das velhas civilizações da época na Índia, no Egito, na Grécia e Roma que se digladiavam entre si e repercutiam pelas margens dos caminhos das caravanas inquietando aldeias e cidades levando riquezas como também pobreza e sofrimentos a homens, mulheres e crianças. 

É preciso o combustível da fé para mover o veículo da razão na travessia do grande sertão (pode chamar de Utopia a esta perigosa travessia e não estará muito distante da verdade).

Desde o coração selvagem da mãe África a humanidade filha da animalidade se dispersou pela face da Terra. Através da Ásia os primeiros humanos chegaram a América, há mais ou menos uns 11 mil anos (certo que pelo extremo-sul populações negróides, de maior antiguidade do que os asiáticos; deixaram vestígios em Minas Gerais e talvez até o Piauí, mas não há evidências de que tenham sobrevivido).

"Última fronteira da Terra", sob ponto de vista arqueológico das primeiras diásporas; a chamada "Amazônia" (país das mitológicas mulheres guerreiras importadas da Capadócia) viu nascer a primeira aldeia (sociedade sedentária complexa) bem mais tarde que na Europa. Na ilha do Marajó, entre os anos 400 e 500 da era cristã.

Então a civilização amazônica amanhecia na América do Sol, quando no velho mundo o império de Roma começava a entrar no ocaso. Agora, com a era da internet (ou seja, a Inteligência Coletiva), o vasto mundo assiste ao que se pode chamar terceira onda da mesma revolução universal assinalada pelo nascimento de Jesus Cristo, em Belém (Palestina). 

Se o catecismo judeu-cristão ensina que a Natividade aconteceu na província do Império Romano chamada Judeia; a contra-cultura antropofágica brasílica faz Cristo nascer na Bahia, país afrocescendente; ou em Belém do Pará, metrópole morena. 

Mestiçagem obriga...

PORTO CARIBE

A mundialização, em curso no presente, integra o Planeta pela cúpula das nações e inventa o futuro da humanidade. Ao mesmo tempo, num processo sumamente dialético; ela revolve o passado de diversas regiões da Terra em busca das diferenças e identidades territoriais perdidas fragmentando e dividindo o espaço global. 

Este movimento de libertação das mentalidade é essencial ao progresso dos povos e fundação de uma época de justiça e paz para todos como reza a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU), a cabo das duas grandes Guerras Mundiais e custo do Holocausto e da hecatombe atômica de Hiroxima e Nagazaki dentre outras atrocidades de parte a parte.

Deste modo, à margem da História o grande Pará - região amazônica ancestral, organizado em estado da República Federativa do Brasil - se acha a bordo da união da América do Sul e Caribe com a potencialidade de um renascimento da primeira civilização da Amazônia. 

Entretanto, para operar um tal resgate seria preciso os próprios paraenses, através de suas universidades e entidades políticas e culturais; rever a imperfeita descolonização do Brasil que vitimou o povo paraense, de tal ordem que passados 190 anos da Adesão do Pará à Independência do Pará a falsificação desta história resta a ser devidamente denunciada para triunfo da verdade histórica. 

Neste momento em diversas cidades do Estado do Pará agitam-se as pessoas com as injustiças sociais, disfunções políticas, que se refletem nas infra-estruturas urbanas caóticas após a violência no campo e o êxodo rural invadir a região metropolitana principalmente. Há apenas um ano um plebiscito submetia o povo à votação para dividir o Pará a fim de criar os estados de Carajás e Tapajós, no Congresso em Brasília um projeto de criação do Território Federal do Marajó reflete mal-estar advindo dos anos de 1960 sobre a forma como a coisa pública é tratada no Norte brasileiro.

A Comissão da Verdade busca nos arquivos mortos da Ditadura os crimes mais recentes. Naturalmente, a transparência não interessa aos Corruptos nem a verdade aos criminosos da Guerra-Fria.

Todavia, como as boas novas da revolução de Jesus anunciaram ao mundo oprimido pelos impérios desde os tempos de Moisés no Egito, "verdade vos salvará"... A verdade, o que é a verdade? Indagou o cônsul romano Pilatos ao torturado Jesus de Nazaré. Esta tremenda pergunta pesa sobre a consciência do mundo.

O que é a Verdade?

Para os pobres do mundo a verdade nua e crua é que a História tal como a conhecemos está indo a pique, que nem o "Titanic", batendo de encontro com a realidade do Homem à margem da história. E o homem amazônico já estava aqui enquanto Cristóvão Colombo com seus parentes cristãos-novos suportavam na Europa perseguições que viriam a se abater contra milhões de indígenas e depois negros escravos arrastados da África em navios negreiros.

O Pará com seu porto antigo no Caribe é a obra-prima da Amazônia e o Marajó é a joia da coroa brasileira. Quem não vê está cego, como disse o Padre Antônio Vieira, no Maranhão em 1654, no "Sermão aos Peixes". E a verdade verdadeira é que também o "payaçu dos índios" não viu tudo isto que é patente aqui e agora no bojo da mundialização.