domingo, 26 de fevereiro de 2012

O AÇAÍ É NOSSO!

 
cultivo de açaízeiro em agricultura familiar




Palácio Lauro Sodré, na Praça D. Pedro II - Cidade Velha -  Museu de História do Estado do Estado.

Símbolo do poder estadual, o antígo palácio que leva o nome do líder repúblicano conserva a memória dos grandes acontecimentos históricos no rio Amazonas desde a fundação de Belém do Pará. 

Sirva este monumento ainda mais para animar os governantes do Brasil e Pará a estabelecerem uma vigorosa política de defesa do desenvolvimento econômico justo e sustentável da Amazônia beneficiando, em primeiro lugar, os habitantes da região. A fracassante e centenária história da Borracha - apesar da venturosa belle époque com seu rico patrimônio material - pesa como uma advertência incontornável.

Agora o açai se apresenta como uma chance para o desenvolvimento econômico e social sustentável para vastas camadas da população sempre marginalizadas e pobres. Não é, certamente, um substituto da Hevea nem faz sombra às exportações minerais. Todavia, é um recurso natural renovável com potencial industrial e comercial notável. Urge pois uma política nacional para o açaí como foi o caso do Instituto Brasileiro do Café (IBC) e do Banco de Crédito da Borracha (BCA), que hoje é o Banco da Amazônia. 

É preciso começar, com urgência, uma campanha O AÇAÍ É NOSSO!





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INTEGRAÇÃO SOLIDÁRIA DA AMAZÔNIA MARAJOARA

Feliz coincidência fará com que, neste ano, a Conferência da ONU Rio+20 aconteça no transcurso dos 100 anos da crise econômica da borracha da Amazônia. Oportunidade para balanço sobre o extrativismo dos recursos naturais nas regiões amazônicas: dos seringais aos açaizas, o Pará conta uma história de esperanças e fracassos do desenvolvimento justo e sustentável.

No momento, a espécie nativa Euterpe oleraceae Mart. (produtora do açaí) emerge na pauta comercial depois séculos de consumo quase exclusivo das populações tradicionais. A que se deve o "boom" do mercado do açaí? À pesquisa científica sobre as propriedades naturais do fruto desta palmeira de dispersão espontânea e enorme concentração nas várzeas do estuário. O que faz do Estado do Pará o maior produtor mundial deste recurso vegetal.


Mas, junto com a euforia vem a concorrência comercial e o perigo da exploração sem freios da natureza e mão-de-obra. Surto do mal de Chagas revelou que o desequilíbrio ecológico em áreas extensas de açaizais das Ilhas, com extração descontrolada de palmito principalmente, estaria aumentando a populações de vetores ("barbeiros") do Trypanosoma cruzi e as más condições sanitárias de preparo do 'vinho" e seu largo consumo pelas classes de baixa renda ameaçava transformar o açaí em vilão da saúde pública no Pará. O mesmo fator econômico também foi acusado da elevação de casos de malária entre a população rural do Marajó e o aumento da demanda fez subir o preço do produto afetando milhares de famílias pobres das cidades da região, inclusive Belém e Macapá; tendo no açaí um dos principais componentes de alimentação diária. Claro que o fenômeno tem repercussão sistêmica no corpo da sociedade regional e requer atenção política nacional.

Neste panorama contraditório o caso da ilha do Marajó se destaca. Célebre pelo esplendor da Cultura Marajoara na antiguidade pré-colombiana e pela pobreza na idade contemporânea, a região insular do Marajó deposita no turismo e no mercado nacional e internacional do açaí, principalmente, suas maiores esperanças.

Todavia, o secular abandono da região estuarina da maior bacia fluvial da Terra pelos poderes públicos e o declínio da pecuária extensiva, insegurança, isolamento, falta de energia firme e de transportes e comunicação, colocam o Marajó em condição de ultraperiferia de um estado complexo e estratégico, como é o caso do Pará. Ele mesmo decaído de uma situação geográfica privilegiada em relação aos maiores mercados da América do Norte e Europa, entre fins do século XIX e começos do século XX; para experimentar recentemente um novo ciclo de desenvolvimento para o qual a população local não foi preparada, passando os grandes projetos desde os anos 70 configurar para os paraenses em geral uma "recolonização". Basta consultar as conclusões da SBPC sobre a Amazônia para compreender do que se está tentando dizer nesta postagem do blogue da APF.

A comunidade marajoara, com a redemocratização do País depois de esperar em vão pela concretização de dispositivo específico da Constitituição estadual sobre a proteção ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social das populaçõe ribeirinhas (parágrafo 2º, VI, art. 13); começa timidamente a reagir com a extensão do campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) através dos núcleos universitários de Breves e Soure donde dez encontros em defesa do território e da gente marajoaras se realizam entre 1985 e 1995, culminando com a edição da Carta do Marajó-Açu, assinada em Ponta de Pedras, em 30/04/1995. 

Desde então, o que de tempos em tempos eram gestos e gritos dispersos em nome oras de um segmento em particular ou de um munícípio competindo com os mais; começou a esboçar por parte da sociedade civil tendência à integração de todos municípios, já enunciada pela iniciativa de prefeitos com a criação da "Associação de Municípios da Ilha do Marajó" (AVIM) e acentuada com a fundação da "Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó" (AMAM) (23/03/1995).


Em 1999, a Diocese de Ponta de Pedras e Prelazia do Marajó emitem documento eclesial denunciando as condições de indigência da maioria do povo das ilhas. Apesar disto, a resposta ansiosamente aguardada não se fez notar pela população. Em 2003 na reunião preparatória à primeira Conferência Nacional de Meio Ambiente, a sociedade civil representada na cidade de Muaná pede que Marajó passe a ser reconhecido internacionalmente como reserva da biosfera, no programa "O Homem e a Biosfera - MaB/UNESCO". Com grande relutância o Governo estadual anota o pedido e somente com sinais da própria UNESCO, através de publicação do MaB, de interesse sobre assunto, notadamente a conservação de manguezais; a partir do lançamento do "Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável do Arquipélago do Marajó" (PLANO MARAJO), em 2007, e do programa Território da Cidadania Marajó, em 2008, começa de fato procedimentos para formalizar a candidatura.

O chamado "Grupo em Defesa do Marajó" (GDM) que havia coordenado a elaboração e divulgação da Carta do Marajó-Açu apoiou explicitamente o documento eclesial católico de 1999 contra o ínfimo IDH da população marajoara. Com base no mesmo documento, em 2006, os bispos do Marajó são recebidos pela Presidência da República e a Casa Civil fica encarregada de constituir e coordenar o Grupo Executivo Interministerial (GEI-Marajó) para acompanhar ações de governo (federal, estadual e municipal) de emergência para combate à malária, regularização fundiária e elaborar em participação com a socieade civil local um plano de desenvolvimento.


Nunca dantes na história destas ilhas se havia chegado a algo semelhante ao PLANO MARAJÓ, com seu desdobramento no programa Territórios da Cidadania - Marajó e o inovador e premiado projeto NOSSA VÁRZEA - Sustentabilidade e Cidadania na Amazônia Brasileira.


Todavia, todo este encaminhamento de 23 anos que vai do dispositivo para criação da Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó, em 1989 até o dia de hoje; expõe as contradições do processo de integração territorial e desenvolvimento regional com exclusão das comunidades tradicionais ribeirinhas. Os povos das águas ainda são os grandes desconhecidos nesta história toda. E quanto o voraz mercado global espicha os olhos cheios de cobiça sobre os açaizais nativos do estuário amazônico, esta gente se levanta cheio de medo de que a história da borracha venha a se repetir outra vez aqui.


  
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Espécie monocotiledônea nativa da várzea da região amazônica, especificamente dos seguintes países: Venezuela, Colômbia, Equador, Guianas, e Brasil (estados do Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão, Rondônia, Acre e Tocantins ), assim como em Trinidad e Tobago e nas bacías do Pacífico na Colômbia e no Equador.[5] A Festa da Juçara do Maranhão refere-se ao açaí.[6]
O açaí é um alimento muito importante na dieta dos nortistas do Brasil,[5] onde seu consumo remonta aos tempos pré-colombianos. Hoje em dia, é cultivado não só na Região Amazônica, mas em diversos outros estados brasileiros, sendo introduzido no resto do mercado nacional durante os anos oitenta e noventa.[7] No Brasil, o estado do Pará é o maior produtor mundial da fruta, sendo responsável por mais de 85% da produção mundial. O açaí considerado, por muitos, uma iguaria exótica, sendo apreciada em várias regiões do Brasil e do mundo.
O açaizeiro é semelhante à palmeira-juçara (Euterpe edulis Mart.) da Mata Atlântica, diferenciando-se porque cada planta de juçara tem somente um caule mas os açaís crescem em touceiras de 4 a 8 estipes[8] (troncos de palmeira) cada um de 12 m de altura e 14 cm de diâmetro ponto-médio[9] e podendo chegar até uns 20 metros.[5]

Usos

O açaí é muito consumido como suco ou pirão e cujo gomo terminal constitui o palmito. Assim, pode ser consumido na forma de bebidas funcionais, doces, geleias e sorvetes. O fruto é colhido por trabalhadores que sobem nas palmeiras com auxílio de um trançado de folhas amarrado aos pés - a peconha.
Para ser consumido, o açaí deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente (depois de ficar de molho na água), para que a polpa se solte, e misturada com água, se transforme em um suco grosso também conhecido como vinho do açaí.
Na Amazônia, o açaí é consumido tradicionalmente junto com farinha de mandioca ou tapioca geralmente gelado.[10] Há quem prefira fazer um pirão com farinha e comer junto com peixe assado ou camarão, ou mesmo os que preferem o suco com açúcar.
Além do uso de seus frutos como alimento ou bebida, o açaizeiro tem outros usos comerciais. As folhas podem ser feitas em chapéus, esteiras, cestos, vassouras de palha e telhado para casas, e madeira do tronco, resistentes a pragas, para construção civil.[11] Os troncos da árvore podem ser processados para produzir minerais.[12] O palmito é amplamente explorado como uma iguaria.[13]

As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato.[14]
Nas demais regiões do Brasil, o açaí é preparado da polpa congelada batida com xarope de guaraná, gerando uma pasta parecida com um sorvete, ocasionalmente adicionando frutas e cereais. Conhecido como açaí na tigela, é um alimento muito apreciado por frequentadores de academias e desportistas, já que as propriedades estimulantes presentes no fruto, são semelhantes às encontradas no café ou em bebidas energéticas. O açaí também ajuda na eliminação de resíduos do corpo, garantindo saúde para seus consumidores. [15] [16]

Importância comercial

O açaí é de grande importância para a sua região de cultivo em virtude de sua utilização constante por grande parte da população, principalmente os ribeirinhos. Nas condições atuais de produção e comercialização, a obtenção de dados exatos é quase impossível, devido à falta de controle nas vendas, bem como à inexistência de uma produção racionalizada, uma vez que a matéria-prima consumida se apoia pura e simplesmente no extrativismo e comercialização direta. No Pará, principal produtor, o consumo de açaí, em litros, chega a ser o dobro do consumo de leite.

Neste sentido, constitui-se num item de alimentação fundamental para muitas pessoas. Entretanto, a exportação em larga escala tem acarretado uma diminuição significativa na qualidade do suco consumido pela população de baixa renda que para consumir o fruto com uma qualidade razoável necessita pagar mais caro. O que torna-se inviável do ponto de vista da renda financeira que possuem. Consumindo um suco fino que as pessoas denominam de chula.

A mistura com água e outros ingredientes, promovida fora da Região Norte do Brasil,reduzindo a participação efetiva de açaí na mistura, é devido ao alto custo que seria exportar açaí do Norte, sobretudo do Pará, para outras regiões do país. Para se tornar econômicamente viável, comerciantes passaram a misturar o açaí original, adquirido a alto custo, com outros elementos de menor valor econômico, viabilizando a venda. O detalhe é que isso gerou uma distorção na concepção de consumo da fruta: muitos brasileiros não sabem que o fruto é nativo do Norte ou que é consumido puro. Na Região Norte, tanto humildes ribeirinhos (moradores tradicionais das margens dos rios) como as classes econômicamente mais favorecidas dos grandes centros urbanos consomem açaí sem os artifícios comumente empregados em outras regiões do país, considerando o açaí de duas classes: o açaí integral, sem tais artifícios, e o açaí misturado, que é aquele no qual se acrescenta água para dar mais volume e muitas das vezes até amido com intuito de obter mais consistência, comercializado com frequência em todo o país.

Informação Nutricional

Açaí Puro
(valor nutritivo por 100g)[17][18]
água: 48,0g
resíduos totais: 1,58 g
fibras: 16,9 g
lípidos: 17 g
glícidos: 1,5 g
potássio: 932 mg
magnésio: 174 mg
fósforo: 124 mg
cálcio: 286 mg
sódio: 56,4 mg
zinco: 7 µg
ferro: 1,5 µg
cobre: 1,7 µg
vitamina C: 0,01 mg
vitamina B1: 11,8 µg
vitamina B2: 0,32 µg
vitamina B3: 1738 µg
vitamina B5: 1389 µg
vitamina B6: 257 µg
vitamina B9: 0 µg
vitamina B12: 0 µg
vitamina A: 146 UI
retinol: 0 µg
vitamina E: 2,07 µg
Apesar do alto teor de gordura do açaí, trata-se em grande parte de gorduras monoinsaturadas (60%) e poliinsaturadas (13%),[17] também presentes no abacate. Estas gorduras são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim (LDL, melhoram o HDL, contribuindo na prevenção de doenças cardiovasculares como o infarto do coração e previnem, até mesmo obesidade, problemas de memória e fraqueza física. A antocianina, pigmento que tinge os dentes com a cor arroxeada, possui grande capacidade de combate aos radicais livres, moléculas que destroem as células sadias do nosso corpo.[19]



Ceará fatura alto com exportação do açaí paraense

Apesar do potencial, o Pará não consegue se projetar como grande fornecedor de açaí no mercado

Que o nosso açaí já conquistou o Brasil e agora está conquistando o mundo, para deleite de consumidores em alguns dos mais exigentes mercados do planeta, todos os paraenses (ou quase) já sabem. O que poucos sabem, por aqui, é que o Pará, também neste caso – como em tantos outros –, não está conseguindo se projetar como grande fornecedor no mercado internacional.

O Estado do Ceará, que não tem plantada uma única palmeira da espécie – a não ser, talvez, como peça ornamental de algum jardim doméstico –, já é hoje o maior exportador brasileiro de suco de açaí para o exterior. A polpa congelada vai para uma indústria cearense, em tambores e embalagens plásticas de 25 kg. Lá o produto é processado industrialmente, adicionado a outros sabores, acondicionado em embalagem própria e a seguir embarcado para importadores dos Estados Unidos,

da União Europeia e do Oriente Médio.

A informação é da presidente do Sindicato das Indústrias de Frutas e Derivados do Estado do Pará (Sindfrutas), Solange Mota. De acordo com a dirigente sindical, a indústria “Dafruta” é hoje a principal cliente dos produtores paraenses de açaí em polpa. E esse é um negócio que só tende mesmo a crescer, já que a indústria cearense compõe hoje, depois de sua fusão com uma antiga concorrente, a maior empresa do setor no mercado brasileiro.

O que aconteceu foi que a Maguary, antiga líder de mercado de sucos concentrados, juntou-se com a Dafruta, que era a vice-líder. Dessa união resultou a EBBA, Empresa Brasileira de Bebidas e Alimentos S/A, uma empresa que já nasceu com o maior mix de sabores de sucos concentrados do mercado brasileiro. Unificadas, elas decidiram ampliar os investimentos no mercado e no desenvolvimento de novos produtos.

Nesse novo cenário, o açaí tem uma posição de destaque. Ele está presente no portfólio da EBBA/Dafruta compondo a embalagem Premium de um litro que a empresa exposta em dez diferentes sabores. Sete deles são puros: manga, goiaba, laranja, caju, pêssego, uva e maracujá. Os outros três misturam diferentes sabores, sendo um de laranja com acerola, o outro de caju com laranja e, por fim, o açaí com guaraná e banana – algo que, para o paladar bem paraense, deve soar como uma espécie de heresia.

Apesar de ter a sua produção direcionada em boa parte para o mercado cearense, o açaí continua sendo, mesmo assim, o carro-chefe da fruticultura em suas operações com o mercado internacional, respondendo por mais de 90% do volume exportado, segundo dados de 2009. No ano passado, segundo o Sindfrutas, as exportações do Pará em polpas de frutas somaram US$ 27,9 milhões, para um volume comercializado de 11,3 mil toneladas. O Estado fechou o ano em terceiro lugar. Em segundo, com US$ 28,1 milhões, ficou Sergipe e, em primeiro, com avassaladora superioridade, o Estado de São Paulo, com US$ 1,7 bilhão.

Fruticultura local se mantém incipiente

O Estado do Pará, de acordo com Solange Mota, tem uma extraordinária potencialidade para o desenvolvimento da fruticultura, mas essa atividade se mantém incipiente e continua sobrevivendo às duras penas por uma série de fatores. A pequena representatividade do sindicato dá bem uma ideia da fragilidade do setor. Embora respondam por mais de 70% de toda a produção, apenas 15 empresas estão hoje associadas à entidade.

De acordo com Solange Mota, a produção comercial do açaí no ano passado alcançou a casa de 709.159 toneladas. Os principais municípios produtores são Igarapé-Miri, Cametá, Abaetetuba e Ponta de Pedras. De abacaxi o Pará produziu 240.693 toneladas, destacando-se como principais áreas de produção Floresta do Araguaia (maior produtor nacional), Salvaterra, Santo Antônio do Tauá, Castanhal e Concórdia do Pará. A seguir, com volumes comercialmente pouco expressivos, vieram cupuaçu (41.247 toneladas), maracujá (26.313) e acerola (3.908). O muruci e o taperebá, cada um com cerca de 120 toneladas, a goiaba (restrita a Dom Eliseu) e o bacuri, com volume ainda muito pequeno, compõem a cesta de principais produtos da fruticultura paraense.

No caso específico do açaí, a dirigente sindical destacou que mais de 90% de toda a produção paraense tem origem nos açaizais nativos, típicos das várzeas e especialmente abundantes nas nossas ilhas. Só recentemente começou a ser produzido no Pará o açaí de terra firme colhido em áreas de plantio nos municípios de Santa Isabel do Pará, Tomé-Açu e Santo Antônio do Tauá. O açaí plantado começa a frutificar com três anos e entra em produção plena aos sete anos.

ALTERNATIVA

É com base nessa experiência, aliás, segundo ela, que o Sindfrutas vem se empenhando, com apoio da Embrapa e das Federações das Indústrias e da Agricultura, em obter mudanças na legislação para permitir o desenvolvimento da fruticultura nos projetos de reflorestamento para recuperação de áreas degradadas. Além do açaí, seriam utilizadas também outras espécies com grande aceitação no mercado, como a acerola e o cupuaçu.

Solange Mota observou que a produção de açaí é pequena no primeiro semestre (cerca de 20%), que coincide com o período chuvoso na região, e cresce bastante no nos meses finais do ano, quando são colhidos 80% ou até mais de todo o volume produzido. Se a oferta abundante faz os preços caírem durante o verão, a entressafra que acontece no inverno traz como resultado a escassez e, com ela, a disparada dos preços, para desgosto dos consumidores.

A Embrapa, que vem colaborando com o sindicato e com os produtores de açaí, realizando estudos para orientar o plantio em terra firme, sem perdas de qualidade ou de produtividade, deverá contribuir para o que se espera venha a ser o fim dessas oscilações. A expectativa, segundo Solange Mota, é que venha a se estabelecer no futuro uma situação de equilíbrio entre a oferta e a demanda. “Com isso podemos esperar a estabilidade dos preços, o que será muito bom tanto para a indústria quanto para os consumidores”, acrescentou.

Poder público não incentiva fruticultor no Estado

A falta de políticas públicas direcionadas para o setor, dificuldades de crédito e logística precária, quando não inexistente, compõem alguns dos gargalos que inibem o pleno desenvolvimento da fruticultura no Pará, apesar das extraordinárias potencialidades que o Estado oferece. “Infelizmente, o fruticultor não tem no Pará nenhum tipo de incentivo ou atenção do poder público”, afirma a dirigente sindical.

Ela lembra que, ao contrário do que acontece com os demais produtos agrícolas, a maior parte dos frutos precisa ser processada, embalada e congelada, o que eleva substancialmente os custos financeiros de sua comercialização. Para cobrir esses custos, as indústrias instaladas das demais regiões brasileiras dispõem de duas linhas de financiamento, a Linha Especial de Crédito (LEC) e o Empréstimo do Governo Federal (EGF), ambas operadas inclusive pela rede bancária privada.

Criadas em 2004 – há seis anos, portanto –, essas linhas praticam os menores juros do mercado nacional, ficando abaixo inclusive das taxas do FNO, e oferecem seis meses de carência. No Pará, as indústrias do setor já tentaram, em vão, obter o mesmo tratamento, através de gestões junto a instituições oficiais, como o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia.

Ao contrário dos seus concorrentes de outras regiões, a indústria paraense é obrigada a bancar com recursos próprios o pagamento de fornecedores e os custos em todas as etapas do processo industrial, para depois vender o produto geralmente a prazo, quase sempre com um mínimo de trinta dias para recebimento. “Nós enfrentamos uma disparidade brutal de condições em termos de competitividade”, dispara a presidente do Sindfrutas.

Ela aponta ainda, como fatores adversos, as terríveis dificuldades para o escoamento da safra na época das chuvas, as invasões de propriedades, a insegurança jurídica, o ambientalmente institucionalmente hostil ao empreendedorismo no Pará, as deficiências de capacitação da mão de obra envolvida no setor e a baixa capacidade de investimentos em inovações tecnológicas pela cadeia produtiva da fruticultura, em seus diversos segmentos. (Diário do Pará)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

VER O PESO DA ECONOMIA SOLIDÁRIA: PROJETO AÇAIZAL LEGAL

Solar da Beira/ Foto: Blog da Joana Vieira




Como tudo na vida, a paisagem cultural Belém-Marajó está sempre evoluindo desde as suas origens com a primeira cultura complexa da Amazônia - a Cultura Marajoara - há 1500 anos. No caso do centro histórico da cidade das mangueiras (a completar 400 anos em 2016), seu meio ambiente abraça a região das Ilhas desde o Guajará até o Marajó: a face oculta do Ver O Peso onde vive, labuta e morre a Criaturada grande de Dalcídio Jurandir que vem se revelar na cidade inteira até aos subúrbios da região metropolitana. Como diria o filósofo popular Joãozinho Trinta, quem gosta de miséria é intelectual... Noves fora intelectual orgânico, dizemos nós, que nem os fundadores da ACADEMIA DO PEIXE FRITO. Ao contrário da demagogia barata, que mistura cartão-postal com pitiú de peixe estragado na Pedra e catinga de urubu mas nunca vai à feira; a gente casa tradição e modernidade e sabe que turista inteligente curte lugar que em primeiro lugar é agradável e rentável às pessoas que aí trabalham e vivem diariamente. O resto é marquetingue da pior espécie...

A cidade grande do Pará cresceu de costas para o rio e, desgraçadamente, produziu uma das burguesias mais alienadas do planeta. Exagero? Talvez, mas um estudo de 'case' mostraria que salvo exceções de praxe a produção acadêmica e artística paraense só muito recentemente deu mostras de ter captado a mensagem dos modernistas da revista "Belém Nova", tendo à frente  o poeta da negritude amazônica Bruno de Menezes e seus confrades da inovadora ACADEMIA DO PEIXE FRITO nos anos 30 e 40... Isto é, em plena crise econômica mundial que levou à II Guerra e determinou o colapso do monoextrativismo da seringa amazônica.

Belém da belle époque da Borracha deixou um patrimônio imobiliário formidável e uma dívida social histórica além do complexo de frustração que se tornou o fantasma de todos governantes do Pará. Nesta metrópole em trânse a construção rodoviária desde a Belém-Brasília e a Transamazônica veio dar o golpe final à aspiração de hegemonia da elite paraense iludida com a efêmera fortuna extrativista sobre as cinzas fumegantes da Cabanagem abafada algumas décadas antes pelos gritos patrióticos da vitória imperial na Guerra do Paraguai conforme pode ser testemunhado, por flaneria diletante, em um passeio pelo bairro do Marco. Belém empiriquitada pra inglês ver se esconde do turista disavisado e oculta dos próprios habitantes seus bairros temáticos, como o Umarizal da Adesão à Independência; o Jurunas velho de guerra com suas tribos perdidas... Perdemos oportunidade para criar roteiros turisticos do patrimônio imaterial e revelar a cidade invisível, historicamente falando, mais importante de todas as Amazônias...

Então, não estamos falando de saudades nem duma paisagem cultural fóssil, mas sim do futuro que já começou com a própria emergência do Brasil potência internacional com os BRICAS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e a integração da América do Sul e Caribe. Coudreau e Eidorfe Moreira nos deram régua e compasso... Mas o caminho pelo mundo deste "país que se chama Pará" ainda não foi feito como é preciso.  Revitalizar é preciso, "desenvolver" custe o que custar não é preciso... Porém sem mudar a mentalidade imperante de nossas elites locais, regional e nacional podem vender ou privatizar o Ver O Peso: porque o tal cartão-postal e o restante patrimônio da obra-prima da Amazônia, para o povo paraense, não vale nada!

O viajante da Amazônia ao chegar em Belém do Pará se não for ao Ver O Peso é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa... Aqui na feira o papa é o açaí grosso das Ilhas, fresco e tirado na hora! O que o povo adora e toma com farinha d'água para acompanhar o peixe frito. Apanágio da Academia do Peixe Frito ela mesma ignorada pela mídia papa-chibé e a elite paraense.

 O AÇAÍ É NOSSO!

PROVOCAÇÃO CABOCA PARA UM PROJETO AÇAIZAL LEGAL

O bendito fruto pretinho da palmeira Euterpe oleracea, cujos verdejantes açaizais bordam as margens dos rios e igarapés do maior arquipélago fluviomarítimo da Terra: candidato ao reconhecimento da UNESCO como reserva da biosfera; tornou as várzeas antes deixadas ao deus dará com suas populações ribeirinhas abandonadas em menina dos olhos do desenvolvimento sustentável. O popular açaí comida e bebida dos pobres outrora, agora é o elixir da juventude dos ricos... Ganhou o mundo! É o xodó dos bem nascidos em Nova Iorque e Paris. Quem diria! Mas aí, dona Maria, é onde mora o perigo...

A bordo de uma cuia de açaí ralo mastigando um rabo de mapará assado, caboco olha o jito no colo da mulher e pensa: quando este um crescer ainda terá sua beira de igarapé, comerá peixe frito com pirão de açaí parau, será? Será que a varja não irá a leilão cair na mão de um gringo barão ou voltar de novo ao patrão da velha pobreza de sempre?... São angústias novas misturadas com maltratos antigos. E o consumidor alienado, na cidade, não pensaria em salvar o seu rico nutriente cuidando de ajudar a promover o IDH dessa gente ribeirinha que provê a matéria-prima da gastronomia típica? Antes da história da Borracha se repetir enquanto o Diabo pisca um olho maroto.


Amigos e amigas 'açaizeiros' não joguem fora o voto de 2012! Votem em candidatos à Prefeitura e à Câmara Municipal comprometidos com a indústria cultural e do turismo tendo a revitalização patrimônio como insumos econômicos para geração de emprego e renda da população. Sem risco para nossas tradições, carece dar adeus aos urubus do Ver O Peso... Apressar o novo terminar pesqueiro com tudo que tem direito uma moderna indústria com responsabilidade social e ambiental à pesca artesanal e esportiva. Liberar o velho Mercado do Peixe para revitalização da gastronomia paraense sem precedentes e o Mercado Bolonha vir ainda ser adaptado à venda de churrasco de búfalo verde (orgânico), com seus talhos transformados em quiosques. Onde também se encontre o queijo do Marajó, certificado como deve ser. Este novo milagre econômico em potência precisa do voto e militância dos 'açaizeiros' para se tornar realidade.


No Ver O Peso vejam a cidade que se esconde das ilhas e usem o poder político que a Lei confere aos cidadãos como instrumento de desenvolvimento sustentável compartilhado, de modo justo e perfeito, com a Criaturada grande (populações tradicionais). Nós, da ACADEMIA DO PEIXE FRITO, podemos garantir que um açaí assim temperado com responsabilidade socioambiental é o melhor que há com autêntico sabor marajoara.


 CONSUMIDOR RESPONSÁVEL EXIGE SELO 
DO AGROEXTRATIVISMO FAMILIAR.


 

Foto: Oscar Lameira Nogueira / EMBRAPA

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O RIO DA MINHA TERRA


foto by Helly Pamplona



Graças ao progresso cientifico e técnico presente, toda vez que eu ligo meu computador a tela de proteção que eu mesmo coloquei nele por uma suposta escolha de inteligência emocional reproduz retrato de paisagem ribeirinha dos verdes anos de minha vida... A eletrônica, que possibilita o milagre da comunicação à distância, em potencial, sempre esteve disponível desde o Big Bang. Quem sabe, antes até no coração da eterna matéria escura, invisível aos nossos olhos orgânicos ou eletrônicos... Todavia, faltava antes a natureza mãe da biosfera evoluir no espaço-tempo relativo numa espécie especializada dotada de cérebro complexo. Capaz de criar uma mente cognitiva e inventiva – ao longo de processo de descobertas e inventos por necessidade e acaso – até certo indivíduo Homo sapiens selecionado por acertos e erros próprios e de outrem fabricar a primeira câmera fotográfica e outros indivíduos e instrumentos de toda mais parafernália eletrônica: até me chegar confortavelmente em minha casa, via internet, a referida imagem que me enfeita a vista e enche-me de recordações boas e más na luta pela sobrevivência neste rincão do mundo tropical.

Pronto, está feita a conexão eletrônica do “meu” sistema neuronal ao sistema computacional do vasto mundo ataviado de satélites artificiais, foguetes de lançamento orbital, supercomputadores, cursos de engenharia, empresas multinacionais, extração de matéria-prima a preço de banana por trabalhadores de terceiro ou quarto mundo. Quanta alienação para um relampejo de consciência social como um corisco em meio à escuridão!...

Hoje qualquer criança pode brincar com telefone celular à mão, tirar fotografias e distribuí-las pela rede mundial de telecomunicação. Para o bem e para o mal, muita gente hoje pode fazer o que antigamente pareceria prodígio de bruxos. Mas, imagine (sic) como a humanidade fazia para transmitir suas impressões e imaginações ao tempo dos faraós do Egito, por exemplo... Imagine aqui e agora como foram geradas na mente arcaica as tradições dos maiores acontecimentos da humanidade; tais como a história da Criação, o Dilúvio e a construção da torre de Babel, etc. Como estas interpretações da infância da espécie humana se propagaram por diversas gerações através da história oral na Mesopotâmia até as primeiras apropriações escritas sob ditado das necessidades da época e a primitiva sistematização dos livros formadores da Torá mosaica, donde provém a Bíblia cristã e o Corão islâmico.

Ou seja, a originalidade destes textos sagrados deve ser buscada mais atrás no tempo e no espaço do patrimônio comum de toda Humanidade. Sem esquecer as religiões mais antigas, escritas ou não, que desaguaram recentemente nas motivações profundas da Convenção da Diversidade Cultural adotada pela ONU, depois de uma longa luta contra restrições, preconceitos e perseguições por parte de comunidades judaicas, cristãs ou mulçumanas. Pouca gente sabe, mas eu e meu velho computador não podemos nos esquecer que, neste fim de mundo da América do sol, conflitaram entre si e coexistiram durante certo tempo o sebastinismo, a utopia antropofágica do Bom Selvagem tupinambá, crenças da pajelança tapuia e ritos de vóduns e orixás africanos; até se confundir via sincretismo entre chuvas e esquecimento, noutra coisa vagamente chamada cultura popular amazônida.

O mito primitivo da Arca de Noé, por exemplo, segundo o historiador de religiões Mircea Eliade, era em sua origem uma representação de construção cerâmica para depois vir a evocar a arte de construção de barcos de madeira e então simbolizar a salvação de todas criaturas diante da ira do Pai Eterno contra os pecados do Homem rebelde aos ditames de sua natureza divina (um mito ambíguo e poderoso como o próprio mundo moderno contraditório em suas esperanças e terrores). Tão vasto como a pletora de interpretações metafísicas do mito é o arsenal de estudos não-religiosos sobre as motivações humanas diante de fenômenos naturais não explicáveis no tempo de seu acontecimento real ou imaginário. Além disto, o homem ocidental moderno saído dos descobrimentos marítimos e do iluminismo não se contenta mais do ditado religioso antigo... Mas, o homem arcaico habita o inconsciente coletivo da modernidade: é isto que eu penso quanto contemplo na tela de meu computador a imagem do rio de minha velha aldeia marajoara – curiosa representação do rio de Heráclito –  transportada pela corrente de elétrons da internet.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

DIA DO MARAJÓ: UM CONVITE À INTELIGÊNCIA AMAZÔNIDA





sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012


Dia do Marajó debate plantio de arroz em larga escala

O Intituto Peabiru tem a satisfação em Convidá- lo (la), para o Dia do Marajó deste mês, com o tema:
De Roraima ao Marajó: a cultura do arroz em larga escala e as populações tradicionais.

Este Dia do Marajó tratará dos plantios de arroz em larga escala no município de Cachoeira do Arari e seus possíveis impactos ambientais e sociais naquela região do Marajó.
Data: 28 de Fevereiro de 2012, às 18:30h, no SESC Boulevard. Entrada franca.

 DIVULGAÇÃO
Academia do Peixe Frito
Grupo em Defesa do Marajó (GDM)

 CONTRA FORÇA HÁ RESISTÊNCIA

A gente sabe que é ingenuidade da nossa parte esperar que, de fato, os arrozeiros de Roraima liderados pelo Deputado Federal Paulo Cesar Quartiero (DEM-RR) tenham vindo ao Marajó pensando em se emendar e praticar o bem a favor do povo marajoara necessitado de empregos e renda decentes.

A gente sabe, pelos jornais, do rastro de problemas da mecanização de plantio de arroz de larga escala desde o Rio Grande do Sul, no extremo sul, até Roraima, no extremo norte.

Mesmo assim, a gente gostaria de dar crédito de confiança a essa gente cabeça dura e arrogante com dificuldade de entender os outros. No Marajó, santo desconfia de esmola grande... Queira Deus com rogos do Glorioso São Sebastião que aqueles que convidaram ou aceitaram sem cuidados preventivos os arrozeiros de Roraima não se arrependam mais tarde depois que Inez esteja morta e nosso sofrido Marajó ter que arcar com mais uma...

Quem não é destas paragens marginalizadas entre chuvas e esquecimento, talvez não saiba que, de forma nenhuma a produção de arroz é novidade em Marajó. 

Temos até arroz selvagem na região de campos naturais, que é o chamado "arroz de marreca"... De Ponta de Pedras já sairam muitas canoas de arroz de sequeiro em casca produzido na colônia de Mangabeira em agricultura familiar para beneficiamento em usina em Belém: ao tempo do prefeito Fango Fontes (avô do atual reitor Edson Ary Fontes do IFPA) havia beneficiamento local na "usina de luz" da cidade movida a vapor com queima de lenha extraída da mata pública que existiu no município e hoje é baixada de palafitas. Ou seja, a usina local usava biomassa que hoje até poderia aproveitar a palha do arroz para gerar eletricidade, caso não tivesse sido abandonada para consumo de petróleo exclusivmente para iluminação. Breves produziu arroz de várzea...

Portanto, não venham nos dizer que geração de emprego e renda local pelo cultivo de arroz é uma grande novidade no Marajó. A novidade é a mecanização com plantio comercial de larga escala... E aí é que a porca torce o rabo! Pois a larga experiência mostra que o controle de pragas pedirá em breve agrotóxicos que hão de contaminar as águas superficiais e o lençol freáticos e a produtividade comercial e industrial exigida reclama fertilizantes artificais, que roubarão oportunidade de ostentar propaganda de produto "verde". Então, adeus paraíso ecológico e ecoturismo que a gente sonhava!!!...

Por que tonta afobação neste caso movido a máquinas poderosas se o PLANO MARAJÓ se arrasta a trote de búfalo? Cadê o parecer dos universitários? Cadê o EIA/RIMA da coisa? Começou mal o grupo do Deputado Quartiero aparecendo na foto de costume como reis dos atropeladores do desenvolvimento sustentável por via dos fatos consumados... É isto cheira a problema e confusão como a fama de Roraima...

Tomara, meu Deus tomara, com as benções do Glorioso São Sebastião os arrozais dos campos de Cachoeira terminem sendo um "case" de sucesso fazendo o bem tanto a gregos quanto aos troianos.  

FAZENDO A COISA CERTA:
TRANSVERSALIDADE DA INTELIGÊNCIA PARA O "PLANO MARAJÓ" NA PERSPECTIVA DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL DA AMAZÔNIA E CARIBE.

Nenhum homem é uma ilha... Tampouco a chamada "ilha" do Marajó que, de fato, é a região Amazônia Marajoara fazendo parte da área cultural das Guianas a par do Amapá e Baixo-Amazonas. Para que se não nos acusem de "encrenqueiros" radicais, digamos logo que os arrozeiros de Roraima ainda poderão ser bem-vindos ao Marajó se eles e seus aliados fizerem a coisa certa... Começa, todavia, que um termo de ajuste com o governo do Pará faria bem a todas as partes.

Principalmente para que o linhão de energia elétrica do PLANO MARAJÓ - responsabilidade da estatal ELETRONORTE em parceria com a privatizada Rede-CELPA - cumpram imediatamente seu compromisso assumido de levar conexão elétrica para Cachoeira do Arari (ou Salvaterra) a fim da empresa arrozeira instalar a sua usina de beneficiamento de arroz no Marajó e não em Icoaraci onde instalou devido a pressa com o Deputado Quartiero começou sua aventura marajoara.

Um termo de ajuste desta natureza deveria ter visão de conjunto e não apenas "quebrar galho" pontualmente... Chamando a Rede-CELPA a cumprir seu compromisso com o PLANO MARAJÓ, por consequencia outros produtos que estão esperando pela boa vontade da concessionária teriam ajuda que está faltando, como o queijo por exemplo, Então, dum ácido limão galego a gente faria uma limonada: outros segmentos socioambientais começariam a ter vantagem com a presença dos arrozeiros migrantes de Roraima. Depois toda a cadeia produtiva do arroz marajoara se tornaria viável.

Resolvida a questão ambiental quase 100%, conviria convidar a EMBRAPA e o SENAR a entrarem na roda a fim de estudar a equação do ARROZ ORGÂNICO como mais valia dos campos do Marajó casando agricultura familiar e empresa-âncora (no caso o grupo Quartiero + fazendas de arrendamento do projeto) para distribuição da produção e venda através da rede de supermercados credenciadas pelo programa Brasil sem Miséria, fazendo jus ao selo oficial da agricultura familiar.

Assim, fazendas com terras improdutivas poderiam aderir ao projeto ARROZ ORGÂNICO nos termos acima sugeridos; arrendando parcialmente terreno com aval de fundo público específico já com vistas à futura reserva da biosfera Marajó-Amazônia chancelada pela UNESCO. Além do arroz, a piscicultura notadamente de tamuatá deveria ser incluída sob parceria da FAO, criação de aves (patos principalmente), carne "verde" de búfalo, fazendas de jacaré, etc. Permitica captura sob manejo de muçuã, pirararucu, marreca para uso exclusivo e controlado em turismo com base em comunidade tradicional integrada a fazendas tradicionais e arqueologia marajoara (leia-se Museu do Marajó).

Feita a lição de casa, esta Amazônia Marajoara -- nacionalmente reconhecida e amparada -- estaria pronta como plataforma produtiva integrada anexa à ZPE Macapá-Santana visando, pelo menos, o mercado das Guianas (Guiana francesa, Suriname, Guiana e Venezuela) e Caribe. Falando disto, pensamos da "carne verde" e do queijo de búfala em primeiro lugar, mas também do açaí e do pescado... Utilizando a ponte do Oiapoque além de outros meios de transporte.

Mas, então, isto é utopia? É sim, muito utópico no sentido que não existe ainda... porém pode existir se houver vontade política e boa vontade de todas as partes envolvidadas. A realidade está na cara e dispensa comentários.... vejam a seguir, como exemplo a ser adaptado às condições da região, como o SENAR e a empresa Perdigão contemplaram a produção de leite no Rio Grande do Sul. Vale para o leite como para qualquer outro produto em parceria empresa-comunidade-extensão rural. Marajó não valerá uma missa? Tal qual Paris...

Senar-RS firma parceria com Perdigão para garantir qualidade do leite

Programa de treinamento pretende repassar conhecimento técnico e aprimorar a profissionalização dos produtores de leite

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, Senar-RS, firma, nesta sexta-feira (05/09), às 17 horas, parceria com a empresa Perdigão para a realização de Programa de Formação Profissional de Fornecedores de Leite. O termo de cooperação será assinado na Casa da Perdigão (quadra 26), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

O programa a ser desenvolvido pelo Senar-RS é composto de treinamentos voltados à profissionalização e capacitação de produtores parceiros, transferindo conhecimentos técnicos que, incorporados ao sistema produtivo, agregam valor ao produto final e, conseqüentemente, aumentam a competitividade. Serão beneficiados 21 municípios gaúchos. O público-alvo são os fornecedores de leite da Perdigão, que participam do programa de fidelização da empresa.

O principal objetivo deste programa é garantir a produção de leite com qualidade, de forma sustentável e competitiva. Para a Perdigão a capacitação de produtores é fundamental para o aperfeiçoamento da atividade leiteira. Dentro deste foco, a empresa buscou parceria com o Senar-RS, que é referência em aprendizado rural e informação para trabalhadores e produtores em geral.

Dividido em três módulos, sendo o primeiro “Encontro técnico para nivelamento de conceitos”, o programa alinhará as diretrizes estratégicas de cada parceiro, fazendo com que os participantes conheçam o sistema de trabalho do Senar-RS e da Perdigão. Nesta etapa, também serão nivelados os conceitos técnicos do plano de trabalho permitindo maior coesão e fundamentação para as ações.

Já o segundo módulo, “Treinamentos de Capacitação Técnica Para a Produção Leiteira”, transmitirá aos produtores conhecimentos técnicos necessários à área, como: nutrição do gado leiteiro, reprodução e melhoramento genético de bovinos e manejo de ordenha e qualidade do leite. Esses três pontos vão ao encontro da demanda feita pela Perdigão, que solicitou a abordagem de outros temas como: contagem bacteriana, células somáticas, incremento na porcentagem de gorduras e proteínas.

O terceiro módulo, “Reunião Técnica para Avaliações de Resultados”, consistirá na apresentação e avaliação dos resultados observados ao longo de todo o desenvolvimento dos trabalhos. Para se inscrever no programa é preciso ter, no mínimo 16 anos, e ser alfabetizado.

Expointer - O Sistema Farsul (Farsul, Senar-RS e Casa Rural) estará promovendo uma série de atividades, nesta sexta-feira, 5/9, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio:
9 horas – Reunião de coordenadores do Programa Alfa
Local: Auditório do Senar-RS
14 horas – Inauguração Oficial da Expointer 2008
17 horas - Senar-RS e a empresa alimentícia Perdigão assinam termo de cooperação para a realização de programa de formação profissional voltado a produtores rurais que desenvolvem a atividade leiteira.
Local: Casa da Perdigão (quadra 26)
20 horas – Entrega de Prêmios Farsul - Banrisul
Local: Auditório da Farsul

Mais informações: Assessoria de Comunicação do SENAR-RS – (51) 9914.9221
    Assessoria de Comunicação da FARSUL – (51) 9987.3818


DALCIDIO JURANDIR: UMA CRITICA ABERTA ÀS UNIVERSIDADES

Nós somos gratos ao Instituto Peabiru com o Programa VIVA MARAJÓ, que vem preenchendo uma lacuna deixada pelo conjunto de estabelecimentos superiores de educação e pesquisa com atuação em Marajó, no que concerne ao debate das questões mais importantes da atualidade para as populações dos 16 municípios da mesorregião. Oxalá que, de modo formal, a UFPA, UEPA, UFRA,  IFPA, Museu Goeldi e EMBRAPA venham se somar ao VIVA MARAJÓ levando a extensão as populações locais de maneira efetiva, inclusive com os modernos recursos eletrônicos hoje disponíveis. Vejam o que o grande escritor marajoara declarou sobre o assunto, em seu tempo:

"A responsabilidade que têm os professores do Pará, sobretudo os universitários, eu considero como dramática. Já imaginou um professor dando aula na Faculdade de Filosofia sobre Platão ou os Pré-Socráticos, quando essa mesma Faculdade se encontra cercada de milhares de pessoas que não sabem nem ao menos as primeiras letras; isso faz lembrar as Universidades Medievais. Mas naquela época tinha explicação.
(...) Aproveito a sua pergunta para observar que a nossa Universidade devia ser uma Universidade especificamente amazônica. Ela não deveria produzir diplomados que exibissem os títulos como simples prendas. A Universidade devia produzir, aqui, geógrafos, etnógrafos e economistas, seguindo a tradição dos sábios que estiveram na Amazônia.
Sabemos grande coisa da Amazônia pela obra dos estrangeiros. Estes tinham a cultura que adquiriram nas suas Universidades, para poder observar a Amazônia não apenas do ponto de vista científico, mas com o ponto de vista de sua sensibilidade. Tenho medo de que a Universidade faça pequenos monstros livrescos e não homens da Amazônia, equipados para interpretar a gente e a terra".

(Dalcídio Jurandir, Entrevista concedida a Agildo Monteiro, para um jornal do Pará, não identificado e sem data. In: Nunes, B., Pereira, R. e Pereira, S. R. (Orgs.), Dalcídio Jurandir. Romancista da Amazônia. Belém: SECULT, 2006, p. 159).