quarta-feira, 27 de julho de 2011

MESTIÇAGEM METE MEDO

*Igor Natusch*

Em um manifesto publicado na internet, o terrorista norueguês Anders Behring
Breivik usa o Brasil para justificar os ataques que mataram 76 pessoas na
Noruega na última sexta-feira (22). Trechos do documento de cerca de 1600
páginas, no qual constam informações sobre a ideologia de Breivik e os
preparativos para os ataques, retratam o Brasil como um exemplo do que
poderia acontecer na Europa caso não fosse evitado o “genocídio das tribos
nórdicas” por meio da “diluição” de seu genótipo em outras etnias. Para o
terrorista, o Brasil vive uma “revolução marxista” e sofreu um processo de
“bastardização”.

Atirador norueguês vê bastardização¹ do Brasil como risco à Europa
 umanovaculturapolitica@googlegroups.com


não lembrarei da 'besta loura' de Nietzsche nesta hora de xenofobia e ódio glacial na Europa branca de olhos azuis e adjacências.

Porém recordo Franz Fanom (psiquiatra, militante comunista na guerra anticolonial na Argélia, negro da Martinica), quando ele escreveu:

"falarei com toda serenidade, por que há muito tempo o grito partiu de minha vida; mas falta dizer: existem imbecis demais no mundo"...
["Les damnés de la Terre", trad. livre do Zé]

o perigoso filhote norueguês de Hitler não está só neste mundo pós-moderno. Como ele, até abaixo do equador e na África do Sul, muitos outros imbecis não sabem que são descendentes da mãe África e que sem as Índias e a mestiçagem global; a partir da antiga civilização do Egito e do helenismo greco-romano; as tribos germânicas, provavelmente, ainda estariam mergulhadas em barbárie, como informa a saga dos Vinkings. O pior de tudo é que - por incrível que pareça - existem neonazistas mulatos e até alguns mamelucos metidos a besta!

Porém o que mais os ameaça não são mestiços marxistas do Brasil na Ámerica Latina, mas a loucura das máquinas industriais movidas a combustível fóssil, petróleo à frente; donde o reino da Noruega tira a maior parte de seu sustento do fundo do Mar do Norte.

Boa sorte para eles, mas já há algum tempo "nossa" Petrobras (cheia de mestiços criativos e produtivos) não lhes ficam atrás... Além do mais, quando já que apenas cinco milhões de noruegueses iriam consumir tanto bacalhau 'made in Noruega' (gerando lá emprego e renda nacional) competindo com o bacalhau do avozinho Portugal, sem o arraigado costume gastronômico das ex-colônias, notamente o Brazil zil zil? 


Sem falar que o generoso Amazonas, com suas águas quentes, através da corrente das Guianas e da 'Gulf Stream" vai levar calor às águas geladas do Ártico, com que a vida se tornou possível naquelas frias paragens da Terra, inclusive cardumes de "
Gadus morhua", com que fabricar e exportar bacalhau.

Imbecis semelhantes ao paradoxal
terrorista da Noruega (digamos assim, com todas as letras, diante da compreensível hesitação da mídia do Patropi alinhada) deviam ter mais noção da vida real do planeta Terra e maior respeito ao exterior de suas respectivas nações!

Como se tudo isto não bastasse, o próspero e pequeno reino da Noruega (população menor do que a do Pará e território equivalente ao Amapá, p.ex.), num movimento de mercado entre a para-estatal
Norsk Hydro e a empresa privada Vale) tornou-se controladora da ALBRAS/ALUNORTE na cadeia global do aluminio. Onde do Pará bauxita barata e mão de obra mestiça mal assalariada (em Barcarena dizem à meia voz para não perder emprego, que existem cerca de 400 operários acometidos de doenças do trabalho....) vai, além mar, produzir riqueza e bem-estar nórdico sob o governo "marxista" de Oslo (causa permanente de inveja de conservadores em Pindorama).


Em 26 de julho de 2011 13:43, Célio Turino escreveu:

Respondemos com Darcy Ribeiro: MESTICO QUE E BOM!
Celio Turino

sexta-feira, 22 de julho de 2011

NÃO ao separatismo! Pará que te quero Grão-Pará!


É legítimo e justificável o movimento para criação dos estados do Tapajós e de Carajás, como também do território federal do Marajó. Este, entretanto, sendo o mais prejudicado de todos e o que pediu primeiro sua emancipação, deveria logo querer se estado como os dois outros pretendem. Se passasse a território federal, que Deus não permita; seria pior emenda do que o soneto chamado PLANO MARAJÓ / Território da Cidadanis. Pois mais agravaria a dependência com exemplo das sequelas deixadas pelos tais ex-territórios federais (ninho de políticos biônicos pré-fabricados de fora pra dentro), hoje transformados em estados com enormes dificuldades, com destaque ao vizinho Amapá que se debate ainda numa herança neocolonial maldita e, paradoxalmente, ostentando o ilustre Presidente do Senado Federal como "seu" representante.

O que não é justo, em geral, na partilha da Amazônia pelas forças neocoloniais de dentro e fora do País; é o oportunismo do movimento que se abate agora sobre o Pará velho de guerra como uma presa de caça, com nítido cunho eleitoral e engodo das legítimas aspirações dos municípios do Baixo Amazonas, do Sul do Pará e das Ilhas. 

Uma mistura de interesses multinacionais de mercado de matéria-prima, commodities e mão de obra barata com clientelismo político de uns poucos caciques improvisados aproveitando os justos reclamos populares contra o centralismo de uma elite provinciana encastelada em Belém desde prisca belle époque da Borracha. 

Será que não percebem? O Pará barbaramente dizimado no genocídio da Cabanagem, apesar de tudo, levantou a cabeça com o ciclo da Borracha para logo entrar em depressão na briga entre os Estados Unidos e a Inglaterra e seus agentes no eixo metropolitano Rio-Sampa-Minas. Depois do já teve, viemos nos recuperando do colapso e isto é insuportável a herdeiros do Império do Brazil. Eis as forças ocultas que exploram ressentimentos internos entre amazônidas e, mais especificamente paraenses, na prática do axioma romano: divide e impera!

Como a memória da província é fraca e nosso povo mal tem dinheiro para o chechelento ônibus e não tem hábito de leitura além das páginas de esporte e de polícia, talvez não lembrem do pito público em editorial de um grande jornal local tendo grande mineradora entre seus principais clientes; quando o governador pensou alto sobre oportunidade de transferir a Capital do estado da margem do Guajará para as alturas do rio Xingu, perto do famigerado Belo Monte de confusões...

Ah, pra quê! Como diria minha avó... O dito jornal geralmente cordial com o governo tal governador soltou os cachorros e mandou-lhe calar a boca em recado assinado pelp próprio do dono do jornal.  Já pensou? Uma voz mais alta, por certo, ditou a insolente mensagem e o pasmo é maior quando se vê que o grupo não era de oposição. Pelo contrário e devia notórios favores ao governo...

Claro, os bravos belensenses se achando donos eternos do pedaço xingaram o governador e ele meteu viola no saco. A universidade que deveria levantar a questão ficou na sua ostra de sempre... Então, como que por acaso, passado algum tempo veio novamente Belo Monte goela abaixo, e a grita pelos estados do Tapajós e Carajás, como por acaso, entrou em debate... O pobre Marajó sem minério e nem hidrelétrica, mas cheio de pobres até o talo foi convidado a fazer claque ao separatismo. Por que será? Esmola grande o santo desconfia...

Portanto, a hora é sim de INTEGRAÇÃO SOLIDÁRIA das 12 regiões do nosso grande Pará! NÃO à divisão esperta... Mas é preciso virar o jogo, não basta o porradal entre o SIM x NÃO... O plebiscito de 2011 deve servir como comço de um novo grande Pará com uma emenda constitucional competente no quadro federativo vigente, de modo que cada região estadual possa gozar de ampla autonomia política pela integração e desenvolvimento territorial dos respectivos municípios que a compõem. Uma descentralização verdadeira e não um faz de contas com discurso, foguete e bebida e na hora do vamos ver está tudo como dantes no quartel de Abranches...

Considerando-se totalmente ultrapassado o esquema das atuais associações de municípios (de fato, entidades representativas de direito civil congregando prefeitos), o movimento popular contra a divisão do Pará pode pressionar o Palácio Cabanagem e o Palácio dos Despachos no sentido de uma alternativa de mudança do regime político-administrativo de integração e desenvolvimento regional, assegurando efetiva autonomia às regiões dentro da Constituição do Estado do Pará com desconcentração de poderes.

Na base de tal mudança, tomaria realce no Pará o pacto federativo entre a União, Estado e Municípios e em vez de R$ 5 bilhões para cada novo estado equipar novos aparelhos estaduais para os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, um fundo federativo equivalente para investimento em Saúde Pública, Educação, Transportes e Comunicação  concluindo por verdadeira erradicação da pobreza extrema.

Evidentemente, isto reclama PEC à Constituição do Estado do Pará acatando principalmente as demandas do movimento autonomista do Tapajós, Carajás e Marajó todavia sem quebra da carta magna paraense. De modo a se estender automaticamente às mais regiões de integração. Em vez das velhas associações de prefeitos, efetivos consórcios tripartites (prefeitos, vereadores e representação da sociedade civil) de direito público e competência de superintendência com participação da Secretaria de Estado de Integração Regional e do Ministério dos Transportes com delegação de poderes específica.

Com apoio da bancada paraense no Congresso Nacional, em vez de uma precipitada e odiosa separação que, além de alterar precocemente o equilíbrio federal no Senado e Câmara Federal ainda iria fomentar mais rivalidades e competição entre os estados da Amazônia Legal; o Plebiscito não seria inútil. Resultando numa maior descentralização e integração territorial das regiões amazônicas em geral, e especialmente do Estado do Pará como referência a um renovado debate sobre as causas profundas do mal estar da população.
 
§§§

prevista para às 9 horas do dia 21 de agosto, da sede dos Estivadores em direção à Praça da República, em Belém-PA; a 1ª Marcha Popular contra a Divisão do Pará; poderia ser antecida no dia 15 de Agosto vindouro (dia da Adesão do Pará à Independência) de uma grande manifestação através de redes sociais e mídia em geral de discussão sobre o assunto.




http://movimentoemdefesadopara.blogspot.com/2011/07/1-marcha-popular-contra-divisao-do-para.html?spref=tw

BANDEIRA DO ESTADO DO PARÁ

            A bandeira que representa oficialmente o Estado do Pará foi aprovada pela Câmara Estadual em 3 de junho de 1890, por proposta apresentada pelo deputado Higino Amanajás.
            Ela tremulou, pela primeira vez, por ocasião da adesão do Pará à República do Brasil, em 16 de novembro de 1889, como símbolo do Clube Republicano Paraense. Alguns meses depois, no dia 10 de abril de 1890, o Conselho Municipal, por proposição do seu presidente, Artur Índio do Brasil, aprovou projeto fazendo do distintivo do Clube, a bandeira do município de Belém.

            O decreto que finalmente transformou a bandeira municipal em bandeira do Estado, manteve os mesmos simbolismos, e teve o seguinte teor:

            "O Congresso Legislativo do Estado do Pará decreta:

            Art. 1º - Fica considerada como Bandeira do Estado do Pará a que servia de distintivo ao Clube Republicano Paraense, antes da proclamação da República, e que em sessão de 10 de abril de 1890 foi adotada como Bandeira do Município.
            Art. 2º - Renovam-se as disposições em contrário"

SIMBOLISMO
            A faixa branca é a faixa planetária e representa o Zodíaco "projetada como um espelho horizontal". Lembra o nosso equador visível e o gigantesco Rio das Amazonas.
            A estrela pertence à constelação da Virgem e é de primeira grandeza. Chama-se Spica, e simboliza o destaque do Pará na linha equatorial, visto que, na Bandeira Nacional, o nosso Estado goza de situação privilegiada sobre a faixa "Ordem e Progresso".
            O vermelho é a força do sangue paraense, que corre nas veias como um verdadeiro espirito de luta harmonizada, dando provas da dedicação dos nossos patriotas nas causas da adesão do Pará à Independência e à República, realizadas em 15 de agosto de 1823 e 16 de novembro de 1889, respectivamente.
            A autoria da bandeira é atribuída ao republicano Philadelfo Condurú.

(informações gentilmente cedidas, em 09/01/2001, pela Assessora da Coordenadoria de Comunicação do Governo do Estado do Pará)
cf. http://www.brasilrepublica.com/bandeirapara.htm

quinta-feira, 14 de julho de 2011

um marajoara na pesca do Pará

A confraria "Academia do Peixe Frito" cumprimenta o novo Superintendente Federal da Pesca e Aquicultura no Para, Engº Carlos Alberto Leão; fazendo votos de que entre Belém e Brasilia se estabeleça diálogo produtivo com que o enorme potencial de águas interiores e marítimas da Amazônia brasileira passe a ser objeto de uma visão estratégica, verdadeiramente inovadora para as próximas décadas, notadamente na perspectiva das metas do milênio da ONU.
Brasília, é sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), capital federal do maior país amazônico do mundo; tendo oportunidade o Ministério da Pesca e Aquicultura de realizar a vocação econômica a mais notável das regiões amazônicas com transversalidade aos mais setores.

BRASÍLIA: CANTORIA DE PEIXE E ÁGUAS EMENDADAS

O Ministério da Pesca e Aquicultura criou o projeto Amazônia Aquicultura e Pesca – Plano de Desenvolvimento Sustentável. O objetivo é estimular a produção em cativeiro de peixes e ordenar a pesca de forma a equilibrar a captura das espécies nativas.  Essa alternativa também reduzirá a pressão sobre a floresta, causada pela extração da madeira e pela pecuária extensiva, principais meios de renda de milhares de trabalhadores.
As ações desenvolvidas na Amazônia seguem as diretrizes do Plano “Mais Pesca e Aquicultura” que está sendo implantado no país e visa aumentar em cerca de 40% a produção brasileira de pescado, hoje, de um milhão de toneladas ao ano.
As várias ações do Amazônia Aquicultura e Pesca contam com a colaboração entre os Estados para consolidação das políticas voltadas ao desenvolvimento da aquicultura e pesca. O plano prevê ainda a implantação de um modelo de gestão que permite a participação dos países integrantes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).


Navegando pelo Lago Paranoá
"... o mar de Brasília é o céu" Lúcio Costa
por Aldo Tedesco
Uma das maiores expressões do urbanismo moderno, esta é Brasília.
Fundada em 1960, ainda encontra-se em construção


O lago artificial na bacia do Rio Paranoá

O botânico Glaziou, integrante da Missão Cruls, foi quem primeiro especulou sobre a possibilidade da criação de um lago artificial na Bacia do Rio Paranoá. Entretanto, os primeiros registros oficiais que apontam para a efetiva criação de um lago, para compor a paisagem da nova capital, vêm dos estudos realizados pela Comissão de Localização da Nova Capital do Brasil, mais especificamente da Subcomissão de Planejamento Urbanístico, em 1955. Desses estudos resultou a proposta de implantação de um lago em torno da cidade, por meio da construção de uma barragem no Rio Paranoá.
 
A formação do Lago Paranoá

Iniciada com o fechamento da barragem, em 12 de setembro de 1959, fez com que as águas das nascentes situadas a montante da cidade, propícias para o abastecimento, passassem a encontrar um lago no caminho, onde antes existiam as corredeiras do Rio Paranoá, situadas a jusante. Inicialmente essas corredeiras haviam sido consideradas adequadas para o lançamento dos esgotos tratados e das águas servidas. Entretanto, a idéia do lago, além de contemplar a função de diluidor de efluentes, abriu as possibilidades de lazer, recreação, esporte, turismo, geração de energia e composição paisagística de Brasília. Ao integrar as condicionantes do projeto urbanístico, passou a ser considerado como o maior patrimônio ambiental da escala bucólica da cidade.






Um marajoara na Pesca do Pará.


Nada mais justo que um marajoara, de Cachoeira do Arari, ser nomeado para Superintende Federal da Pesca e Aquicultura no Estado do Pará.

Muitas vezes o acaso faz coisas admiráveis. Certamente, na imensidade de interesses e correlações políticas que tecem a rede federativa entre Belém e Brasília, faltam tempo e percepção para os detalhes.

Não há dúvida de que a escolha ministerial pelo o engenheiro elétrico Carlos Alberto da Silva Leão, nosso Albertinho Leão; vem ao encontro da capacitação profissional e da representação política que este goza e acumula.

Porém o que é de frisar neste ato é a oportunidade para um homem do Marajó, estar situado numa área vital para o desenvolvimento sustentável de um setor sensível e controverso, como a pesca regional. Como sempre, o potencial acende as imaginações e a realidade prima pelas contradições: Mais do que a experiência técnica, aqui é a capacidade de diálogo, compreensão e o arrojo para mostrar novos caminhos que se fazem necessários.

Estamos certos de que o Ministro pode confiar e aguardar uma boa safra de ações do Superintendente Regional e que também muitos amigos e companheiros do Albertinho, inclusive os que nem sabem que o simples caboclo cachoeirense é Oficial de Marinha Mercante e Engenheiro com Pós-graduação em gestão pública pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA/UFPA); estão prontos para ajudá-lo a cumprir a missão.

Esta não será uma tarefa fácil. Temos aí a população mais vulnerável e tradicional do Pará - os ribeirinhos da pesca tradicional. Existe um "Apartheid Social" antigo que dispensa comentários. Mas a cooperação com a pesca industrial terá que ser feita em nome da produtividade e da responsabilidade socioambiental do setor.

Historicamente, o Pará até metade do século XVIII era movido pela pesca dos chamados "gados do rio" (peixe-boi, tartarugas, pirarucu). A moeda corrente eram arrobas de peixe seco e defumado na falta de sal; de modo que a devastação dos recursos da pesca seja ela lacustre, de estuário ou rios, sofreu um impacto extraordinário que vem se agravando no mundo inteiro.

Naturalmente, o Ministério da Aquicultura e da Pesca, criado pelo Presidente Lula, é uma resposta efetiva a este estado de coisas e o Pará, mais do que outra unidade da federação tem muito a oferecer ao Brasil, e quiçá ao mundo, em crise de alimentos, na medida em que políticas, investimentos e pesquisas forem direcionados ao setor.

Sobre o incentivamento para haver a modernização da pesca industrial: não podemos nos esquecer da proteção devida às comunidades artesanais. Estas, na base da pirâmide social devem ser orientadas com seu saber tradicional a dialogar com a ciência e tecnologia, inclinando-se para fazendas e cooperativas de aquicultura.

Nada disto, porém será possível se comunidades da pesca, empresários, políticos, gestores, pesquisadores e o público em geral não se der conta dos urgentes avisos que a FAO está emitindo, agora felizmente sob direção do cientista brasileiro José Graziano da Silva; que por certo o Pará se unir acima de suas históricas divergências para fazer brilhar a estrela solitária do equador atrairá atenção nacional e internacional a fim de que se possa fazer a diferença.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

CULTURA CABANA EM TEMPO DE PAZ




O Cabano Paraense. Pintura de Alfredo Norfini, 1940. Museu de Artes de Belém.

parto da manhã: Cabanagens
Por José Varella


Antes que os lusíadas descobrissem o caminho das Índias
em santa ignorância a ultrapassar a mortal zona tórrida
das Antípodas da antiga teologia
que nem anjos de fogo guardavam as portas do Éden;
na inocência do rio Babel tapuias amazonas teciam história
e coziam barro pra conservar a memória da primeira noite do mundo
na cerâmica marajoara.

O gigante adormecido em berço esplêndido
colecionava lendas ao pôr do sol no porto Araquiçaua,
rio Arari: Jurupari
(o espírito que fala e ri pela boca dos pajés)
iniciava caraíbas aos mistérios da amazonidade.

A gente desta terra já descobrira o caminho da vida
a ser diferente do reino dos bichos nossos parentes:
não havia pecado original ou mortal nem ganância e lucros
extraídos do suor do mísero lumpem-proletariado
abaixo do equador.

Sequer os teólogos tinham inventado o limbo e o purgatório
pra atazanar a existência humana talvez por inveja dos imortais,
mas o velho mundo já era o inferno medieval
gemendo e chorando num vale de lágrimas
na sofrida expectativa do céu depois da morte.

Nestas paragens os trópicos úmidos não eram tristes como depois,
guerra e paz eram dois termos de um simples modo d’existir:
a passagem dos inocentes da esfera da animalidade à humanidade.

O guerreiro conquistador de renome do invejado inimigo,
a ser vencido em combate e eucaristicamente devorado pela tribo,
levava a gente a habitar junto ao herói a desejada Terra sem Mal:
lugar sagrado neste mundo onde todo sofrer da lida rude
converte-se em bem e preguiça de eterna maravilha,
que nem a mais avançada das avançadas civilizações
não imaginou jamais.

Viver é lutar até o sol da liberdade raiar pra nós todos:
Por isto
nunca peças a um índio que diga seu nome de guerra
ou a um cabano que revele a senha de combate,
ele se fechará mudo como caramujo uruá e nada te dirá
(paresque a Terra mãe gentil, no rito do Jurupari, guarda seus arcanos
à estulta curiosidade dos filhos e filhas ingênuas).

Segredo-mestre da vida que faz negro da terra ou da Guiné
dar no pé
ou cheio de manha suportar cativeiro até o fim das candeias:
luta libertária das malocas, quilombos e mocambos ‘Maravilha’
(codinome paresque d’escravos moçambiques cabanos
extraídos do lago Malawi e libertados por moto próprio no Curuá,
Pará, até passar as montanhas e varar no rio Maroni, Suriname),
imigrante clandestino, degredado ou refugiado irmanados
pelo arco revolucionário da espiral evolutiva:
grande Cabanagem até os últimos dias da luta de classes.

Conquista final da internacional Terra livre de todas opressões.

Tupã em confraria com Cristo Oxalá e orixás da boa morte dos heróis
fez da animalidade mãe da humanidade em marcha para a divindade
(que nem a escada de Jacó a espiral evolutiva subindo pra riba)
gente tirada por milagre do bucho da cobragrande-canoa boa,
pela qual a brava gente voltará a ser íntima dos ancestrais
e conquistar as estrelas do infinito futuro.
Donde o direito universal do Homem vem a par da divina preguiça,
graça que nem greve geral contra a desumanização do trabalho.

O homem veio ao mundo pra dormir e sonhar até o dia raiar:
sonho planetário da Terra sem Mal mãe de todas utopias,
a que há de todos nos salvar pela invenção do amanhã na lição do Kuarup.

Eis por que enquanto houver fome, escravidão, doença, velhice
e morte
em qualquer canto do mundo haverá Cabanagem.
Coisa de muita antiguidade: velhas matriarcas da ilha do Marajó,
tempos da vela quadrada de jupati avó das igarités motorizadas
segredos da vida e da morte com que transformavam
veneno em remédio e vice-versa.

O nome secreto do índio é última fronteira contra a Invasão,
a cultura cabana é resistência à exploração do homem pelo homem.

O bom selvagem é a sombra antiga do guerrilheiro cabano,
a Cabanagem marca a revolta do homem feito em fogo, suor
e sangue pelo arco das gerações em toda terra de males sem fim:
revolução na evolução pela seleção natural...
Cabanada norte-nordestina desde as Alagoas,
anima guia de Frei Caneca na confederação do Equador,
Tiradentes na Inconfidência Mineira,
a revolta dos malês na Bahia de todos santos,
o tropel dos Farrapos nas estâncias gaúchas,
vóduns benfazejos de Toussaint l’Ouverture na libertação do Haiti,
revoltas camponesas na Europa feudal,
barricadas ardentes da Comuna de Paris, a queda da Bastilha;
Coluna Prestes sertões adentro do Brasil até a Bolívia,
prestes a plantar a pedra fundamental
da união das nações sul-americanas;
a chama imortal em Cuba de José Marti iluminando o Caribe,
o exército crioulo de Simon Bolívar libertando a pátria grande,
a Grande Marcha com o camarada Mao à frente na venerável China,
trincheiras proletárias de Leningrado,
campos de sangue Jacobino regando flores da Democracia...

Neste passo acesso na memória do mundo em movimento,
não se há de negar que o espírito cabano pegou em armas no Araguaia!
E tudo isto por que, então; senhor meu mano?

Pergunta aos mortos da Cabanagem e o vento e a maré respondem
nas úmidas madrugadas do rio das Amazonas:
memória do fogo sobre águas ardentes daqueles dias sete de janeiro.
Quando, primeiramente, o índio humilhado levantou-se com fúria
contra a louca opressão do estúpido colonizador do país do El-Dorado, depois, o guerrilheiro da aldeia Murtigura (Vila dos Cabanos)
na ilha das Onças atravessou o Guajará
e pintou o sete com as vivas cores da bandeira do Pará.

Haja, pois, o Kuarup memorial no resto da primeira noite do mundo
pra acordar o galo da verdadeira democracia tecendo a manhã
sobre campas e campos no parto do novo dia esperado desde sempre.


no portal da Fundação Maurício Grabois
http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=53&id_noticia=6118

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O BICHO, MEU ZEUS, ERA UM HOMEM!

Zé, de Belém do Pará, manda bilhete a Vilmar, em Niterói:

Prezado amigo Vilmar,

muito oportuna campanha do Portal do Meio Ambiente para coleta seletiva do 'lixo' que não é lixo... Entretanto, estes últimos tempos que antecedem a corrida às urnas municipais de 2012, mais do que antes, estão mostrando certa fadiga do debate ambiental para um lado e da questão social para outro.

isto me faz lembrar que aqui no Pará, entre as décadas de 1930 até 1950, tivemos um grande poeta amazônico da negritude que foi Bruno de Menezes - homenageado neste blog - que se notabilizou, entre outras facetas, por ser nosso pioneiro do Cooperativismo.

O cooperativismo na Amazônia padece de maré contra, desde então, muito embora as culturas locais indígena, quilombola e caboca sejam elas cooperativistas por natureza. Bruno lançou-se à educação socioambiental (unindo no mesmo balaio questão social e meio ambiente) de corpo e alma. A feira do Ver O Peso com a celebração sincrética de São Benedito da Praia e a militância da Academia do Peixe Frito foi o seu QG à frente duma confraria cívico-literária que, segundo recentes pesquisas, antece o Modernismo no país.

Pois bem, se a cultura de mutirão (inata em comunidades indígenas, quilombolas e rurais de modo geral) não houvesse sido torpedeada pelo sistema colonial-exportador, uma simples campanha como esta para dar tratamento ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável ao Lixo; nem precisaria de tamanho esforço... O nosso Bruno se valia da imagem dos 2 burrinhos amarrados um ao outro por uma corda curta, de modo que cada um deles puxava para o seu lado e impedia o outro de caminhar para ir pastar em lugar diferente... Até que, depois de uma luta interminável, os dois burros porfim se davam conta de que caminhando juntos na mesma direção ambos sairiam satisfeitos da história.

no caso do nosso Lixo urbano me parece que os burros somos nós, metidos em movimentos separados por etiquetas de diversos títulos e cores que se atrapalham uns aos outros, sem preceber que se praticassemos a CULTURA DO MUTIRÃO nossas ruas e bairros achariam "solução"...

rastreando, p. ex., o destino daquela garrafa pet da festinha das crianças ou aquele velho sofá roto; a gente poderia ver que além do meio ambiente danado, nós mesmos estamos contribuindo para manutenção da triste condição social dos chamados "catadores de lixo" aos quais o poeta Manuel Bandeira dedicou um poema que é como um soco no estômago após a lauta janta...

O BICHO

VI ONTEM um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
 
 
mal cheiro
"Todos sabemos dos problemas estéticos e de mal cheiro dos lixões, posto que, segundo levantamento da ONU em outubro de 2003, cerca de 16 milhões de brasileiros não possuem coleta domiciar de lixo. O mais grave é que cerca de 64% dos municípios no Brasil depositam o lixo coletado em lixões a céu aberto, como o da foto." (copiado da internet).
 
 
 
 



Nós sabemos que o meio ambiente burro quer o paraíso ecológico donde o homem é expulso como Adão e Eva do jardim do Éden... E o socialismo burro pouco está ligando para a natureza da Natureza (Edgar Morin), crente de que saciado o homem tudo mais se resolverá como que por milagre. Ledo engano! Lá vem a chuva, o ciclone, a enchente e leva tudo...

não carece fazer curso superior para resolver problema de lixo desde o lar, o bar, a rua, o rio, o bairro ou o rincão; viva-se a CULTURA DE MUTIRÃO. Agora que o governo (em suas três "esferas") decidiu priorizar o combate à pobreza extrema, a prática cooperativa solidária entre desvalidos e arremediados poderia topar a parada.

Comunidades carentes, rapidamente, por força da necessidade; estão aprendendo a reciclar lixo que não é lixo e tratar lixo orgânico em pequena escala ("small is beatifull", lembram-se?) para alquimia verde de alimentos sem agrotóxicos e carestia, prontos para consumo local... Adquiridos com moeda$ local (garantida por lastro monetário oficial em projetos de responsabilidade socioambiental de bancos e grande empresa). Tudo isto já existe em teoria e papel...

Não faltam experiências de sucesso, nem conhecimento, nem dinheiro, nem vontade política. Mas, falta "meu Zeus!" educação popular e cultura.

fica em paz irmão e bola pra frente nessa pregação.

domingo, 3 de julho de 2011

BANHO DE CHEIRO: TIRANDO CATINGA ANTICOMUNISTA

A propósito da "CONFERÊNCIA NEUTON MIRANDA" 
14ª Conferência do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)do Estado do Pará
de 1º a 3 de julho de 2011
Parque dos Igarapés, Belém-PA, Amazônia-Brasil

A fim de justificar seus crimes contra a humanidade, o anticomunismo espalhou infâmias de diferentes procedências contra o movimento comunista estigmatizando a Foice e o Martelo como se o símbolo do trabalho camponês e operário fossem sinais do Mal e não, na verdade, a fonte da vida social e econômica. 

Dentre outras mentiras capitalistas assacadas para refrear a marcha da História, a falsa propaganda e contra-informação dada como verdade pura dizendo que o ateísmo era obrigatório na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). De fato, a revolução soviética implicou em conflito com a velha hierarquia da igreja romana, que fora pilar da aliança entre o Trono e o Altar, enquanto a igreja ortodoxa convivia com o regime de Moscou. 

Em Cuba, apesar de alguns atritos, o catolicismo e cultos afroamericanos como a Santeria convivem ainda com a revolução socialista caribenha. Enquanto na China, o taoismo e o budismo continuam coexistindo separadamente ao estado laico da república popular chinesa.

Não poderia ser diferente no Brasil multicultural com sua religiosidade sincrética, onde desde o fim do Império estado e religião estão politicamente separadas, mesmo quando as relações entre religiões não são exatamente o mar das traquilidades... Sobretudo, não se pode dizer que o comunismo é ateu, holístico, agnóstico ou teista, pois como se deve saber o Comunismo nunca jamais foi testado em nenhum país do mundo. 

Entretanto, historicamente formado e estudado por diversos métodos a partir da base teórica formada por Marx e Engels sobre o materialismo histórico do desenvolvimento econômico e semelhantemente ao pioneirismo de Freud, Jung e Adler no campo da psicologia humana; chegou-se à autocompreensão da humanidade por ela mesma, constituindo marco entre o "socialismo utópico" e o "socialismo científico".


Mas, isto ainda é convencional e parte do debate dialético em busca do real em constante transformação sob o peso da História.No campo Ciência, os linguístas nos advertem sobre a Babel das línguas e linguagens além da miragem da fronteira do pensamento científico: o "mapa não é o território"... 

Ou seja, as palavras representam a realidade tal ela nos parece, mas não são o mundo real: ademais um geógrafo marxista avançado, como foi o caso do brasileiro de Brotas de Macaúbas-Bahia, Milton Santos; ensina a ver a geografia humana dos lugares, dotada de especificidades e singularidades extraordinária por todas as partes. Com isto já vou chegando aonde eu queria chegar, fazendo coro com o italiano Gramsci: um entre outros facilitadores da interpretação marxista do arquipélago Brasil. Então, por aí começamos a devassar aos poucos a espessa cortina do verde vago mundo amazônico - Rio Babel - com sua dialética específica entre "civilização" e "barbaridade". Que dizer, entre colonização e resistência.

No plano global, muitos ateus ou agnósticos convictos jamais aceitaram ou aceitariam a teoria "comunista atéia", visto que suas fortunas e segurança individual repousam profundamente na alienação básica do sistema capitalista, que Marx denunciou como sendo a condição sine qua non para exclusão social e acumulação primitiva (pra não dizer a desnaturação da Natureza e desumanização do Humano), como é caso, por exemplo, de certos aristocratas e plebeus liberais na revolução industrial na Inglaterra a par de piedosos senhores de escravos e fiéis sinceros das religiões de Moisés, Jesus Cristo e Maomé. Prova de que fé religiosa e política podem às vezes se confundir mas não são exatamente as mesmas coisas.

Não espanta, pois, que militantes comunistas possam ter ou não ter uma religião, mas são por definição politicamente engajados na luta internacional pelos Direitos Humanos universais e a proteção do Meio Ambiente para todos, principalmente para as pessoa e mais seres vivos de um mesmo ecossistema reprodutivo. Opostos à idolatria alienante tal como o santuarismo que expulsa do paraíso ecológico o homem ("animal político" de Aristóteles, no direito canônico), tal qual a lenda bíblica de Adão e Eva no jardim do Éden. 

Como, então, os comunistas amazônidas discutirão isto, na periferia da Periferia do trópico úmido; sem uma visão local que dialogue com o global em termos mínimos para a igualdade e integração nacional solidária?

É certo que Karl Marx, fundador teórico da filosofia comunista (igualitária) a partir do contraditório da dialética de Hegel, criticou definitivamente o "ópio do povo" como principal fato de alienação da consciência social. Mas, nas condições históricas concretas da América Latina colonizada e oprimida durante as ditaduras da Guerra-Fria, do seio das próprias igrejas cristãs surgiu a contracorrente como a teologia da libertação, o pentecostalismo social e a união de igrejas pelos direitos humanos. 

Antes do materialista ateu Marx, o nobre agnóstico Voltaire havia dito que o mundo só acharia paz quando se tivesse enforcado o último rei com as tripas do último padre... Porém uma tal declaração de guerra filosófica não confunde no mesmo balaio fé e poderio eclesiástico. Imaginem, então, o que não se diria de Marx se ele houvesse empregado a mesma agressividade verbal do prócer liberal do Iluministmo contra o poder secular da Igreja! 

Mas, ninguém alega ser ateu o liberalismo por definição. Na verdade, a exemplo de Lutero que protestou violentamente contra os abusos do papismo; não foram contestados por Voltaire nem Marx o direito humano de crer ou não crer numa dada religião, mas o poder absoluto dos reis e sacerdotes do "ancien régime".

Portanto, tanto Voltaire quando Marx deveriam ser interpretados nos respectivos contextos históricos, na Europa respectivamente do século XVIII e XIX. Do mesmo modo, recuando no passado tanto quando o revolucionário bolivariano Hugo Chávez pode hoje afirmar que "Jesus Cristo foi o primeiro comunista do mundo"; o arguto investigador do materialismo científico pode concordar com o jesuíta evolucionário e descendente da velha nobreza francesa Pierre Teillard de Chardin, quando este dizia que "a matéria tem espiritualidades sublimes". 

Um cientista darwiniando como Daniel Dannett, autor de "A perigosa idéia de Darwin", conclui não saber se devemos rezar à natureza, mas reconhecer que este mundo é sagrado. Estas linhas tortas servem para virar a página da Guerra Fria e do mito do "fim da História": como diz o livro sagrado do Hinduismo, "há auroras que ainda não brilharam"!


Nem o socialismo é um método infalível, nem o comunismo jamais se experimentou, exceto em suas formas primitivas ou em alguns conventos e monastérios. O Brasil, que até há pouco era o país do Futuro, traz em suas origens pré-coloniais a utopia selvagem da "Terra sem Males" (um lugar mítico procurado do extremo-sul até o extremo-norte de nossa pátria, onde não existe fome, trabalho escravo, doença, velhice e morte). Os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras são, em maioria, descendentes de diversos povos buscadores de utopias semelhantes ao empolgante mito da América do Sol, que no fim da história da exploração do homem pelo próprio homem; convergem para esperança de todos e qualquer um dos povos de uma Terra sem males para todos. 

Nós, na margem esquerda da História, somos construtores da Utopia de uma sociedade planetária livre, igualitária, sem classe e sem guerras a qual chamamos o Comunismo.


Camaradas!

O Parque dos Igarapés (Distrito de Icoaraci, Município de Belém do Pará), em pleno primeiro domingo de férias, sediou nosso velho PCdoB de guerra e recomeçou às 8 hs do dia de hoje, o terceiro e último dia da 14ª Conferência Estadual do PCdoB-Pará, cujo patrono é nosso imortal Comandante NEUTON MIRANDA.

Ontem a camarada Leila Mourão repetiu Neuton quando ele dizia: "para cada camarada que cai no caminho, mil outros se levantam"...

Esta metáfora se concretiza em diversas partes do mundo neste momento, onde a luta de classes e a crise congênita do Capitalismo estudada e prevista por Marx e Engels, em fins do século XIX e, pela primeira vez na história mundial, provada -- sob liderança histórica de Lênin -- sua alternativa para o Socialismo, na Revolução Soviética de 1917; desdobrada em diversos e diferentes contextos nacionais, notadamente na China, Vietnã e Cuba.

No Grão (grande) Pará, o axioma de Neuton Miranda está se confirmando mais uma vez: como a Fênix simbólica, o PCdoB-Pará está renascendo das próprias cinzas nesta data desde já histórica.

No exato momento em que o grande Pará se vê ameaçado de tornar-se o pequeno e fanado Pará pela oportunista e mal pensada divisão territorial para criação de novos estados do Norte, cuja viabilidade é muito duvidosa para além do justo sonho de emancipação e desenvoltimentos de todas as regiões amazônicas: a este desafio oxalá o coletivo responda com o discernimento político da camarada Luzia Canuto, do Sul do Pará, a qual sabiamente declarou preferir em primeiro lugar a DIVISÃO DAS RIQUEZAS DO PARÁ a seu precoce esquartejamento a fim atender o apetite voraz de lucro dos acionistas nacionais e estrangeiros do modelo minerário extrativista exportador. A matemática financeira, desafortunadamente para os ingênuos crentes do desenvolvimentismo, ensina que não existe outra equação diversa de baixo valor agregado e salários arrochados para manter a "competitividade" de mercado.


Trocado em miúdos, são as regiões periféricas condenadas a bancar o titã Atlas da mitologia para sustentar o primeiro mundo sobre as costas dos povos pobres...

Enquanto comunista da região mais pobre das 12 regiões estaduais do Pará - o Marajó, falado e cantado em prosa e verso - faço minhas as sábias palavras da camarada Luzia Canuto.

O que o Povo Paraense todo inteiro, com seus 7 milhões de brasileiros e brasileiras amazônidas precisam; não é responder simplesmente SIM ou NÃO ao plebiscito de novembro próximo. Mas, votar NÃO para dizer sim, na verdade, a um novo modelo de desenvolvimento tal qual o PCdoB luta para todo Brasil, na integração solidária da América Latina e do Caribe, como também no resto do mundo.

DAÍ o sentido de uma Moção de nossa Conferência manifestando votos de saúde e pronto restabelecmento ao Presidente da República Bolivariana da Venezuela, companheiro Hugo Chávez. Posto que o comandante da Revolução Bolivariana representa, na atualidade dos países amazônicos um baluarte prestes a ingressar, além da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), no MERCOSUL o que, por serto, servirá de abertura para efetiva participação do Norte brasileiro no Mercado Comum do Sul.

O Pará um "colosso tão forte" que perdê-lo deveríamos mil vezes preferir a morte; significa um espaço amazônico do Brasil com um passado e uma natureza que tem sido de poucos senhores, deles nem todos verdadeiramente paraenses de nascimento ou coração. O PCdoB-Pará mais unido, revigorado e renascido da Cabanagem e da Guerrilha do Araguaia há que pensar antes no Brasil para realizar mais completamente o destino deste estado "do Brasil sentinela do Norte".

Assim, o PCdoB-Pará pelo manifesto coletivo de seus militantes há de reverter a ameaça do separatimo precoce a favor do soerguimento dos compromissos solenes nas estrofes do HINO OFICIAL DO ESTADO DO PARÁ e nas cores da Bandeira Paraense, tinta pelo sangue dos Cabanos e assinalada pela Faixa Equatorial representando o maior rio do mundo; e a estrela solitária azul no céu da Pátria no instante da Proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889.

CONSEQUENTEMENTE, os comunistas paraenses unidos hão de contestar a perpetuídade do regime neocolonial, cujo indicador geral parece ser a famigera Lei KANDIR, e mais:

+ o arreganho do Latifúndio homicida, com a impunidade de assassinos e mandantes do crime;

+ tráfico de seres humanos, que envergonha a mãe gentil Pátria Amada Brasil;

+ devem ser dirimidas as dúvidas que, porventura, ainda persistem sobre o Código Florestal, refreando a ansiedade de pescadores de águas turvas;

+ a incógnita para o povo a respeito dos reais impactos e promessas de Belo Monte;

+ a subreptícia manobra de representantes do Latifúndio e do nefando Populismo enganador expressa na PEC 53 e outras do mesmo objetivo, de "desfederalizar" terras da União para suposta municipalização da regularização fundiária: quando a realidade aponta, infelizmente, em sentido contrário; haja vista a demanda popular pela FEDERALIZAÇÃO DOS CRIMES CONTRA MILITANTES DOS MOVIMENTOS SOCIOAMBIENTAIS NA AMAZÔNIA...

muito pelo contrário das veladas intenções da PEC 53 e congêneres, o que o Povo Paraense ribeirinho e de áreas urbanas de invasão necessitam é a consolidação de políticas FEDERATIVAS, tais como o PROJETO NOSSA VÁRZEA constante do PLANO MARAJÓ/Território da Cidadania; pois é mentira que os Municípios ficam de fora, tanto os municípios quanto o Estado estão dentro da REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA posto que esta se realiza através do pacto federativo...

os patrocinadores da PEC 53 e congêneres, na verdade, querem EXCLUIR a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), que os incomodou quanto ela, com Neuton Miranda à frente da gerência regional no Pará; foi ao encontro das comunidades ribeirinhas e moradores de periferia urbana, sim, MARGINALIZADOS há século por auto intitulados "donos" de terras públicas sob leniência de governos estaduais e municipais dominados por interesses de uns poucos a custa da desgraça da gente mais desvalida...

a PEC 53, longe em desejar mais autonomia aos municípios, visa continuar a inexorável expulsão dos tradicionais moradores extrativistas das várzeas... É talvez um plano oculto de PRIVATIZAÇÃO das várzeas de açaizais e ocupação da orla urbana pela especulação imobiliária.

Exatamente, acelerar o êxodo rural com que as cidades se "ruralizam" e a violência no campo e nas cidades aterroriza os mais fracos e desorganizados, votantes eternos de currais eleitorais para fábrica de mandatos populistas reacionários que a crônica política mostra-nos todos os dias...

na arrogância e vaidade individual desses senhores endinheirados, os propagandistas da exclusão da SPU não exergam, entretanto, que a literatura socioambiental de Dalcídio Jurandir e a obra sui generis de Giovanni Gallo através do Museu do Marajó, beneficiando o DESENVOLVIMENTO CULTURAL da "criaturada grande" (populações tradicionais) é o caminho mais curto para o chamado DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL, principalmente em Belém do Grão-Pará pressionada pela migração do campo para a cidade...

+ O PCdoB provocado talvez pelos comunistas do Pará deve pressionar o governo de centro-esquerda para integrar a luta contra a pobreza extrema distribuindo também os benefícios da Comunicação eletrônica, no Plano Nacional de Banda Larga... Não basta as empresas de telefonia privada oferecerem internet barata nas sedes munícipais... 


É preciso ousar muito mais, nas ilhas do Pará e Amapá (onde o tráfico de seres humanos campeia e os piratas "deitam e rolam"; falam-se até em coisas hodiondas, como venda de crianças para transplante de órgãos e tecidos no exterior!!!!!... E preciso um plano B de banda larga, inteiramente público, para fazer chegar além do e-mal vulgar também recursos da telemedicina, a segurança pública e o ensino à distância... Em Marajó, por exemplo, são mais de 500 comunidades isoladas... muitas delas distantes da sede municipal por quase um dia inteiro de viagem de barco sem outra alternativa...

É DISTO QUE SE ESTÁ FALANDO quando, nas reuniões do PCdoB-Pará, evocamos a memória de Dalcídio Jurandir, João Amazonas, Pedro Pomar, Neuton e muitos outros heróis ou mártires do povo paraense.

POR ISTO muito nos anima a chegada de várias jovens promessas de novos camaradas "Neutons": a Luta continua...

Olhando para 2012 - ANO DO 90º ANIVERSÁRIO DO PCdoB - esta conferência vibrante, plena de juventude e sob inspitação da primeira mulher Presidenta da República Federativa do Brasil, a companheira DILMA, se assemelha à Fênix civilizacional.

saudações Marajoaras!

de Julho de 2011 - 7h02
14ª Conferência Militantes comunistas na luta