segunda-feira, 29 de agosto de 2011

AMAZÔNIA MARAJOARA MANDA LEMBRANÇA PARA RIO+20


Rio + 20: Conselho promove reunião sobre desenvolvimento sustentável em São Paulo Rio + 20

CDES vai ouvir sociedade para elaborar propostas para a Rio+20


O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) vai ouvir especialistas e representantes da sociedade civil para ajudar a construir a proposta brasileira para a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho de 2012.

Vinte anos depois da Rio 92, ambientalistas do mundo inteiro vão voltar ao Brasil para um novo encontro da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre meio ambiente. Mais do que um balanço sobre a implementação de compromissos estabelecidos na conferência de 1992 - como a Agenda 21 e a criação das convenções-quadro da ONU sobre Mudança do Clima e Biodiversidade - a Rio+20 tentará avançar em uma proposta de economia verde que concilie crescimento econômico com baixas emissões de carbono.

Ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República; o CDES, mais conhecido como Conselhão, está elaborando uma proposta para subsidiar o posicionamento do governo brasileiro na conferência e, para isso, vai reunir empresários, líderes sindicais, acadêmicos, pesquisadores e organizações não governamentais em um debate que leve a sugestões para uma economia sustentável. Entre os temas, estão energia, mudanças climáticas, inclusão social e combate à fome.

MUNDO DEVERIA SABER QUE É MELHOR FALAR DE REGIÕES E PAÍSES AMAZÔNICOS DO QUE DUMA VERDE E VAGA AMAZÔNIA CARTOGRÁFICA.
O mapa não é o território... A Amazônia somos nós, um mundão de gente espalhada no mato sem cachorro por campos, florestas e cidades desde o Alto Amazonoas até as ilhas do boqueirão do Rio-Mar com seus duzentos e tantos quilômetros de largura, entre o Amapá e Pará. Nossas terras são cobertas de grandes florestas, entretanto tão rico quanto o subsolo nossos mananciais enchem os olhos do mundo de cobiça. É claro que o maior país amazônico do mundo - o nosso Brasil -, tem suas mais fundadas esperanças de futuro na Amazônia brasileira. Portanto, os cidadãos brasileiros desta região devem ser os primeiros a estar preparados para proteger a biodiversidade e os recursos naturais e culturais da Amazônia.
Se os brasileiros, bolivianos, peruanos, equatorianos, colombianos, venezuelanos, guianeses, surinamenses e guianenses (da região ultramarina francesa) não defenderem a Amazônia, quais outros povos poderão fazê-lo, estes últimos sem o conhecimento vivido dos séculos? Logo a Amazônia sustentável que o Brasil quer e o mundo precisa, há de ser sempre sustentáda pela natureza, com certeza, todavia contando com o saber continuado da gente amazônica de todos seus biomas e ecossistemas, incluindo cidades e campos. 
Se o mundo quer saber, nós podemos dizer que o primeiro passo no caminho para a Rio +20 é ter presente o ponto de partida no passado recente, a Rio 92. Especialistas estão cansados de repetir, mas a gente do povo ainda não parou de correr atrás de emprego e de viver a vida para entender o discurso do tal desenvolvimento sustentável. Na contramão às mudanças requeridas esbarram no dito, que diz: "não existe maldade, o que há é ignorância". Porém a força da ignorância excede talvez à força da inércia, posto que esta acontece pela lei física e a falta de boa vontade multiplica por mil a potência da má fé para se agarrar ao uso e abuso do cachimbo, que põe a boca torta...
Tal é no curto prazo, no dia a dia - a final de contas atravessa décadas e chega, por exemplo, em 2015 devendo o compromisso com as Metas do Milênio - , a força compulsiva e enebriante da palavra "desenvolvimento", carregada de desejo e cobiça em ter, crescer e aparecer... Todo mundo quer ser desenvolvido, fato que de longe revela traço destacado da natureza humana. Como, então, uma pessoa de cultura "desenvolvida", citadina; beneficiária da civilização industrial avançada; teria condições de pregar desprendimento e desambição a uma pequena população ribeirinha vivendo sem recursos e isolada do mundo? Como um especialista com aposentadoria certa por tempo de serviço, seguro de saúde em hospital de primeiro mundo, iria aconselhar a um índio que o melhor é confiar cegamente no xamã de sua aldeia? Desde 1970 líderes mundias advertiram sobre os maiores problemas ambientais e sociais que hoje o mundo está enfrentando com a mudança climática. Na medida que os mesmos países que constituiram a vanguarda ambientalista continuam as práticas desaconselhadas em 1992; tornam ociosas discussões como ultimamente no Japão, Dinamarca e México sem chegar a verdadeiro consenso, se não sobre alguns princípios voluntários.

Estados Unidos, Europa e Japão com maiores possibilidades e problemas também, longe de liderar a economia verde cantada em prosa e verso, se tornaram conservadores e reféns ao mesmo tempo do sistema superado que precisaria ser trocado. Adotam comportamento duplo, como se eles quisessem dizer: 'façam o que eu mando mas não façam o que eu faço'... Estes são os principais obstáculos para enfrentar a mudança climática, que eles dizem uma vez ser irreversível e logo adiante adotam atitude contrária colocando em dúvida aquilo que acabaram de dizer. Reina uma esquizofrenia geral. E, então, como exigir que outros não façam o que os grandes estão fazendo sem impedimento real?

A Rio 92 colocou, em tese, a sociologia no debate ecológico. Até então, o Homem estava teoricamente exilado do Meio Ambiente, lugar privilegiado da política mundial de presevação da fauna e da flora: aí, quando havia lugar, era para um hipotético "homem natural" incapaz de alcançar maioridade mental (índio, quilombola; no máximo, uma vaga noção de população tradicional mestiça...).

O que, afinal, teria o dom de mobilizar e transformar o "status quo" em crise, e botar a caminho novo paradigma de produção e consumo? O pacto principal da Rio + 20, face ao panorama fracassante dos últimos encontros abençoados pela ONU, ela também em erosão de autoridade; deveria ser sobre o consumo sustentável... Certo, o atual padrão das camadas mais exigentes da sociedade, como informa a FAO, é absolutamente insustentável. Isto se pode observar de cara nas grandes metrópoles... Todavia, não existe grande cidade que não seja, na verdade, um conjunto de pequenas cidades: os bairros. Uma cidade sustentável seria aquelas em que os seus bairros fossem autossustentados e atuantes mediante formas de gestão participativa efetiva.

Cada região geográfica do planeta deveria ter, ao máximo, parques industriais próprios com produção, transporte, distribuição e consumo democraticamente pactuados... Não faz sentido atravessar o oceano para levar minério e voltar com máquinas e utensílios que podiam ser fabricados e consumidos bem mais perto dos clientes. Não se está a falar de produção artesanal, mas de máquinas-ferramentas que podem ser implementadas junto a consumidores, Quer dizer, a tecnologia a serviço de melhor qualidade de vida no centro ou na periferia...  É claro que chegamos ao impasse atual porque a famosíssima "mão invisível" fez mão boba ou, então, perdeu o sentido das coisas. Há que se estabelecerem pactos constantemente, sem  cláusulas pétreas ou leoninas... Já vimos que uma sociedade democrática que pactua com opressores e/ou demagogos, está explorando povos oprimidos ou mentindo a seus próprios cidadãos. De um modo ou outro, é só figuração e faz de conta... Portanto, não se sustenta.

Só caindo na real do consumo sustentável será possível diminuir a pressão e especulação financeira sobre matérias-primas e depressão de empregos e salários embutidos no preço das "commodities" vitais para as regiões periféricas. Consequentemente, as faixas intermediárias rural-urbanas no entorno de grandes cidades deveriam receber um "boom" ecológico-econômico com reflexos diretos na qualidade de vida e padrão de consumo da população geral, a fim de que se opere a passagem a menos traumática possível, do velho desenvolvimentismo ao novo desenvolvimento sustentável. Uma passagem de longo prazo, certamente, mas que precisa levar em conta as últimas décadas como começo do mapa do caminho. 

Inovação tecnológica para reciclagem e geração de energia alternativa deverão ser carros-chefes desta nova economia... Centros urbanos históricos passariam a ser revitalizados com mais intensidade como lugares para educação, cultura, lazer e turismo com seus respectivos serviços... Geração de emprego e renda local, evidentemente. Construções inteligentes seriam requeridas com vantagens e incentivos à indústria verde, o que iria acelerar o desenvolvimento da economia de serviços.... A segurança alimentar local não isentaria edifícios e apartamentos de produção de hortas, jardins, criação de aves e animais de pequeno porte como se fossem "chácaras e quintas suspensos"...

O campo também deveria ter que ser modernizado e sustentável. O meio rural será sustentável ou não haverá cidade sustentável... Ele é a base de suprimento urbano, desta maneira a agricultura orgânica familiar deverá receber tratamento estratégico, com auxílio destacado de extensão tecnológica e fomento de crédito solidário. Entre o grande e o pequeno capital rural poderá existir uma trégua necessária para invenção do novo paradigma socioambiental e não podemos nos enganar quando a necessidade do socialismo democrático e do cooperativismo para operar tais mudanças, cuja oposição tem tornado o parto da história ainda mais difícil do que deveria ser.

Áreas protegidas devem ser consideradas produtivas, pois são dedicadas à conservação da natureza e observação científica. Assim, unidades de conservação fazem parte dos recursos de sobrevivência de todos seres vivos do planeta, incluindo o homem. Evidentemente, populações tradicionais são guardiãs da natureza e, por princípio, elas devem ser também protegidas pelo estado democrático e remuneradas por prestação de serviços ambientais, com direitos coletivos assegurados sobre conhecimentos e saberes adquiridos por povos tradicionias. Indivíduos de tais culturas, entretanto, devem ser incentivados a adquirir conhecimentos e títulos acadêmicos modernos, sem abandono de sua cultura original, de modo a facilirar o diálogo entre culturas modernas e tradicionais, entre a ciência e o conhecimento popular...


O maior desafio para tudo isto será sair de conceitos gerais, vagos e não raro abstratos ou servindo de reforço à hegemonia de segmentos privilegiados e predominantes da sociedade sob chancela global; que ocorre a fim de manter dominação do centro sobre a periferia que compõe o complexo tecido da biosfera planetária.

Já a oportunidade que se apresenta é o substancial aumento de consciência de que os danos pela insustentabilidade do padrão de consumo, dito "global", (na verdade, imensa disparidade entre os extremos da população da Terra, em torno das duas quinas partes mais rica e mais pobre) são, desde há pouco, mais rigorosos e mais frequentes. Com secas prolongada, inundações, falta de abastecimento de água potável, alimentos, migração em massa, conflitos locais e internacionais violentos levando a guerras devastadoras. Neste cenário, nada animador, a oportunidade vai no sentido de uma maior mobilização social em torno do desenvolvimento sustentável para a paz.

     O atores principais do cenário são as mídias, empresas, centros de inovação tecnológica e de      educação para o novo paradigma . Na verdade, o mundo é como uma mais vasta e desconhecida Amazônia e a Amazônia são vários e diversos mundos... Não se trata apenas de salvar a biodiversidade da Amazônia, mas também a sua diversidade cultural e geográfica feita de planícies, vales, montanhas... O Brasil tem seu ponto mais alto, o Pico na Neblina, na regiã amazônica da bacia do Rio Negro, por exemplo. A partir da Rio+20 o mundo deve se acostumar a falar de uma certa Estratégica Amazônica como paradigma de Ciência Tropical com ênfase no Trópico Úmido... Onde os doutores são populações tradicionais, mestres em ciência de sobrevivência local, inventores e produtores que vem sendo vítimas preferencias de biopirataria, há séculos. Enfim, como profetizou um pajé Ianomami, os índios hão de salvar os civilizados de seu próprio modo de vida suicida... Mas esta estratégia amazônica aplicada a todas regiões parasitadas do planeta tem custo elevado, não necessariamente financeiro; porém político e civilizacional. O qual será razoável discutir se, de fato, o mundo está pronto a pagar.

domingo, 28 de agosto de 2011

"APINAGÉS PARA SEMPRE": SENHA PARA MUDANÇA DE ATITUDE

CMB vai mal para os 400 anos da Cidade: poderá ser salva com a iniciativa "Apinagés Para Sempre"



o "affaire" Apinagés demonstra o despreparo dos edis de Belém sobre o sentido histórico da Capital do Estado, com louváveis exceções. Para não deixar tontos os carteiros já se inventou o CEP que terá ainda que acrescentar algarismos ou letras como placa de automóvel, de maneira que cada residência tenha número postal à prova da inconstância dos legisladores municipais de cada cidade.

Brasília se preveniu com suas superquadras, blocos e apartamentos para gratidão eterna dos carteiros. Mas não é só para localização que um dia se pretendeu dar nome a ruas, praças e avenidas. A história dos lugares faz parte da identidade do território. Na geografia urbana o nome das ruas faz parte da alma da cidade.

Belém deveria tombar certos bairros (com exemplo do IPHAN, que tombou no patrimônio cultural nacional os bairros da Campina e da Cidade Velha) de função temática, tais como o Jurunas [memória das etnias indigenas do Pará, algumas já extintas, como os Tamoios e outras vivas e participativas, como os Tembés], o bairro do Marco da Légua [ registro da participação paraense na guerra do Paraguai], Umarizal [com a galeria de heróis da Adesão do Pará à Independência do Brasil], tem ainda, na Marambaia, o Conjunto Médice que poderia ser chamado das municipalidades, dado os nomes de suas ruas, Ananideua, Abaetetuba, Baião, Muaná, etc, para ficar só com estes exemplos... Sem esquecer ainda que a Cidade Velha, tem lá ainda a sua Gurupá, Alenquer, Óbidos, Monte Alegre... e a Sintra, que um dia foi aldeia de Maracanã, recebeu batismo português e fez questão de retomar a toponímia nativa...

O álibi dos vereadores é a displiscência dos professores de História que não se fazem ouvir pela sociedade. Em vão o mestre Benedito Nunes morreu resistindo à troca do nome da travessa da Estrela para Mariz e Barros... O povo não tomou partido e assiste a tudo, "bestificado", como na Proclamação da República. O "embroglio" da recém nomeada e já trocada avenida Dalcídio Jurandir por Centenário (para atender a pressões de pastores da igreja Assembleia de Deus) é outro escorregão que deixa má impressão não apenas dos vereadores da atual legislatura, mas do Poder Legislativo de Belém ao longo de sua história.

Oxalá a reação dos moradores da Apinagés não acabe sendo só um arroubo epidérmico e logo caia no esquecimento com um arrando "ad hoc" qualquer. A iniciativa APINAGÉS PARA SEMPRE deverá passar para as escolas da rede municipal e estadual, despertando nos alunos, professores e pais de alunos a sensibilidade para a preservação do patrimônio. Esta falta permite uma enorme ignorância para o fato, que os pesquisadores estão cansados de lembrar, sobre a CULTURA MARAJOARA ser a primeira cultura complexa (sociedade de clases) da Amazônia (portanto, do Brasil). Simbolo maior da cultura paraense - sem desmérito da belíssima Tapajônica e da importância da cultura Maracá - o patrimônio arqueológico da ilha do Marajó deveria ser o ícone principal para que fatos lamentáveis com este não se repitam nunca mais.

A propósito, quem eram os Apinayé? Ainda existem? Que tal a campanha com apoio da CMB oferecer prêmio em concurso de estudantes?


 


Mudança de nome da Apinagés causa polêmica PDF Imprimir E-mail
A denominação de Jerônimo Rodrigues para a antiga Travessa Apinagés, no bairro do Jurunas, tem causado polêmica entre a população e vereadores na Câmara Municipal de Belém. Na sessão de hoje, 22, o vereador Marquinho do PT levantou a questão, afirmando que a população do bairro não está satisfeita com a aprovação do projeto do vereador Gervásio Morgado, que mudou o nome daquela artéria.
Marquinho disse que o principal protesto da população é sobre um abaixo-assinado que teria sido assinado pelos moradores daquela rua, os quais contestam afirmando que jamais assinaram tal documento. O vereador afirmou ter sido procurado pelos moradores que reivindicam a anulação da votação pela Câmara, uma vez que segundo eles, o referido abaixo-assinado não corresponde à verdade.
Um critério mais rigoroso com projetos visando mudanças de nomes de ruas deve ser tomado pela Câmara Municipal de Belém para não criar transtorno à população. A observação foi feita pelo vereador Sahid Xerfan (PP) encampando as criticas dos moradores da Tv. Apinagés, destacando ele que a mudança de nome tem criado uma série de problemas para os moradores locais além de que, todas as ruas do Jurunas tem denominação indígena histórica que não deve ser alterada.
Xerfan deu como exemplo a TV. Padre Eutíquio que tentaram mudar de nome e não conseguiram devido à reação popular. Citou também a Roberto Camelier, outrora denominada de Rua do Jurunas a qual, ao mudar de nome para homenagear um dos fundadores da Rádio Clube, teve que emprestar o nome ao bairro que passou a denominar-se bairro do Jurunas. Xerfan lamentou a falta de novas obras públicas para homenagens, o que evitaria a mudança de nomes de ruas.
O nome original de Tv. Apinagés deve voltar após aprovação de um projeto do vereador Carlos Augusto (DEM) que deu entrada em agosto deste ano, pedindo o retorno do nome original. Carlos Augusto que havia se manifestado contrário ao projeto de Gervásio Morgado não se encontrava em plenário quando da aprovação da matéria.
Ele concorda com o pensamento do vereador Xerfan, sobre critérios rigorosos na denominação de ruas e logradouros públicos e, se manifesta contrário a mudanças que venham obscurecer a história de Belém e do Estado do Pará. Carlos Augusto acredita que a Câmara Municipal deve diligenciar para saber sobre a veracidade do abaixo-assinado, apresentado quando da apresentação do projeto que mudou o nome da Apinagés.
O projeto de Carlos Augusto tem amparo regimental tendo em vista que o projeto de Gervásio foi aprovado em 2010 e o dele (Carlos Augusto) deu entrada em agosto deste ano, portanto em outra legislatura. O Regimento da CMB não permite a apresentação de projetos similares na mesma legislatura.

FEIRA DO LIVRO, FESTA AMAZÔNIDA DA LITERATURA

Evento internacional de Belém do Pará e quarta de sua categoria em todo país, a Feira Pan-Amazônica do Livro a partir deste ano passa a explorar vôos mais altos tornando-se, sobretudo, uma festa da literatura a caminho do modelo FLIP, de Paraty-RJ, talvez. O casamento da feira com o projeto "Terruá Pará" nos parece imprescindível, foram feitos um para o outro. Ler http://www.feiradolivro.pa.gov.br/noticia_detalhes.php .  

Todavia, o Turismo e a Cultura são o verdadeiro par Romeu e Julieta, contrariados pelas respectivas famílias e fadados a se suicidar. Aí parece ser a falta de integração estratégica entre os os dois segmentos brigando como burrinhos teimosos, cada um a lado oposto do pasto impedindo o outro de se dar bem na célebre charge criada por Bruno de Menezes para educação cooperativa. Isto se reflete intra muros, inclusive o absurdo do "Hangar  Convenções & Feiras da Amazônia" continuar separado da estão oficial do turismo. Com a empresa PARATUR no terceiro escalão de governo, enquanto o trade espera, pacientemente, pela vontade política de governo para criar uma tardia secretaria de estado, aparentemente exilada para as calendas gregas. 

Diga-se logo, a bem da verdade, que neste aspecto pelo menos PT e PSDB não têm que falar mal um do outro. Mas a sociedade tem, sim, fundadas queixas de ambos! Porém, o caboco que vos fala é daqueles que prefere acender uma lamparida do que ficar falando mal da escuridão. Ou melhor, admira o provérbio chinês, que diz: "não importa a cor do gato, contanto que ele mate o rato". 

No caso, o indesejável gabiru além de corrupto como sempre, daqueles que infestam a vida pública de patifarias e chicanas jurídicas faça sol ou faça chuva; é a Pobreza ratazana da felicidade da gente do Povo. Acima de tudo a pobreza de espírito, mãe de todas carências mais urgentes. Não me custa nada falar o que se passa em minha cabeça e no coração, só tenho a perder as minhas decepções de todas cores do arco-íris. Se isto chatear alguém, paciência, faz parte do jogo democrático. Se servir a arregimentar gente indignada a fim de fazer avançar o processo de políticas públicas, muito bem.... O melhor seria se, por acaso, algum assessor inteligente topar a parolagem na blogsfera e levar a peito sensibizar o sistema a providenciar necessários avanços no terreno ganho para o desenvolvimento dito sustentável, geração de empregos e distribuição de renda com a economia criativa da cultura e a inclusão social do turismo. Assim, não haverá risco de ninguém dormir sobre os louros da vitória, nem se deixar ninar com as sabidas adulações partidárias e interesseiras de costume.


Falei da pobreza deste estado de potencial tão rico e em risco de loteamento para criação de outros pobretões, por que a transversalidade econômica da cultura e do turismo é tamanha para remediar os antigos males da desigualdade social e da devastação ambiental; que não se pode calar diante da irresponsabilidade das elites da Capital com suas picuínhas, sua mediocridade congênita ou, às vezes, megalomania compensatória de complexos de inferiodade manifesto na saudade da belle époque da Borracha em prejuízo da integração solidária do vasto interior. 

O que, para mal dos pecados dos paraenses, se o Tapajós com Carajás e, finalmente, o Marajó pegar porteira aberta e cair fora ou se bandear para o lado do Amapá; isto seria um merecido castigo da soberba miope dos caciques belenenses. Pior, que certos destes extremados amantes da cidade das mangueiras, amigos do peito da Capital (ou seria apenas do capital?) serão eles mesmos os primeiros a passar de mala e cuia em busca da riqueza dos novos estados da República Federativa...

Sem dúvida, a XV Feira Pan-Amazônica do Livro acontece em destacado momento da política do Estado do Pará velho de guerra. Era o caso do marquetingue convocar turistas aos gritos: VENHAM, ANTES QUE O GRÃO PARÁ ACABE!... Mas, felizmente, ainda há tempo e bastante espaço do potencial amazônico paraense a ser conquistado. Sobretudo no aspecto político. 

O governo anterior bem que tentou inovar a Feira do Livro para se descolar do formato original dado pelas mesmas autoridades que o voto popular fez retornar ao posto, mas lhe faltou imaginação criadora, pernas e mais tempo de maturação. Contudo, experimentou uma tímida interiorização que deveria ser aprofundada. A realidade nos diz que, neste caso, independente de vontade e criatividade de qualquer que seja o gato de plantão, o formato necessário para atingir às expectativas não se pode fazer de ano em ano. Teria o novo formato, que se converter em evento bienal intercalado com a Feira Internacional de Turismo (FITA), também ela programada a cada dois anos. Ambas tendo gestão única e comando superior com visíbilidade do próprio chefe de governo, seja lá quem for e da cor que tiver, homem ou mulher... Onde fosse levaria, fanaticamente, a propaganda das duas principais bienais do Parazão, como se fosse a Copa do mundo. Devemos aprender com os erros: se o triunfo pode ser solitário e fulanizado sobre ombros da equipe, a derrota é melhor de ser suportada coletivamente a fim de garantir a revanche.



Para os intelectuais e produtores culturais paraenses o evento, apesar de já ter alcançado uma saudável adolescência, ainda não se tornou a atividade sócio-econômica que todos sonhamos.  De todo modo, este modesto e teimoso blogue deseja êxito a todos promotores, convidados, expositores, participantes e visitantes da Feira do Livro. Espera que, no futuro, ela combinada com a FITA leve a Literatura Paraense pra frente a conquistar lugar ao sol no país e no exterior, a fim de mostrar o valor do nosso "terroir" parauara-amazônico. Mas, principalmente, que se interiorizem ambos eventos para incentivo de novos talentos junto com a gastronomia tradicional, o artesanato e a cultura local como turismo literário amazônico de categoria nacional e internacional. Mediante eventos simultâneos e integrados, por exemplo, em Bragança, Breves, Cametá e Óbidos num país chamado Pará mais unido, mais rico, maior e mais forte do Brasil sentinela do Norte. 

Pronto, falei e disse!

Orla da cidade de Bragança-Pará, rio Caetés: 400 anos de história do "bon sauvage" tupinambá.




segunda-feira, 15 de agosto de 2011

DATA MAGNA DO PARÁ


Pará, 15 de Agosto de 1823: data magna?

A principal fonte bibliográfica acerca dos acontecimentos na Província do Pará até a Adesão à Independência não endossa opinião geral a respeito da data de 15 de agosto de 1835 – aliás, sequer cita este dia –, como evento máximo do processo de separação do Pará colonial do reino de Portugal para incorporação ao Brasil independente.

O ato que se comemora com o feriado estadual de 15 de agosto, ocorreu de fato na reunião palaciana de 11 de agosto a fim de deliberar, sob ameaça de bombardeio da cidade; a respeito da intimação do almirante Lorde Cockrane trazida pelo capitão-tenente John Pascoe Greenfell, da marinha inglesa. Ou, então, cinco dias depois, dia 16, na assinatura do termo de obediência ao imperador Pedro I.

Haveria outra explicação para a data de 15 de agosto? Ela não se acha na obra de Domingos Antônio Raiol. Minucioso e prolixo, Raiol não esqueceria. Ele desce a detalhes quanto aos antecedentes e quanto às conseqüências imediatas da adesão da Província do Pará ao Império do Brasil. Vê-se que o povo paraense, pela vontade da maioria, manifestou-se pela separação de Portugal de modo insofismável, a 14 de abril de 1835 em Belém. Sendo, entretanto, seus líderes aprisionados continuou a luta em Muaná, ilha do Marajó, sob comando de José Pedro de Azevedo, informa o historiador, que com contingente de aproximadamente 200 militantes “proclamou naquela vila, no dia 28 de maio, a independência do Brasil, sob a dinastia de D. Pedro I.”

Malgrado, condenação à morte de 271 nacionalistas presos e diversas internações de líderes paraenses para lugares longínquos, a adesão do Pará estava tomada desde então. Restava, todavia, derrotar a força militar colonial que se mantinha fiel ao regime constitucionalista português, para o que dom Romualdo Coelho fora eleito deputado às cortes e envidado a Lisboa.

Mas, a desumana ocupação colonial sofreu golpe mortal, quando o dito deputado, a exemplo de Patroni, voltou de Lisboa com mãos abanando e ainda mais com a grave notícia de que se tinha restabelecido o antigo regime absolutista com o fechamento do parlamento. No cristalino depoimento de Raiol: “Não existia, portanto, motivo algum, que pudesse justificar qualquer disposição hostil à independência. Os ânimos deviam ser-lhe favoráveis, e qualquer impulso estranho bastaria d’ora em diante para fazê-la abraçar”. É dizer, desfizera-se a quimera constitucionalista em Portugal e, no Pará, o partido português se reduzia a uns poucos comerciantes e militares coloniais.

Raiol diz mais, que diante da nova situação a junta provisória de governo, no dia 5 de agosto, convocou reunião de um grande conselho formado por todas autoridades provinciais para adotar conduta geral da Província.  O qual concluiu para manter o status quo até esclarecimento final pela metrópole e apenas substituiu na presidência Romualdo de Seixas, que seguiu a Lisboa para assumir cargo no conselho de estado; pelo tio deste, Romualdo Coelho, que acabava de retornar a Belém com a infausta notícia.

Mas, acrescenta: “De nada, porém, serviu o acordo tomado neste conselho. Cinco dias depois resolveu-se reconhecer a independência política do império no meio da aquiescência geral do povo paraense” (“Motins”, pag. 40).

No dia 10 de agosto fundeou na barra de Belém o brigue de guerra Maranhão, comandado pelo capitão-tenente John Pascoe Greenfell, com a missão de apoiar pelas armas o partido da independência. Ora, o partido da independência não podia ser outro do que aquele que, congregando civis e militares, se manifestara em 14 de abril e proclamou a adesão do Pará em 28 de maio! Nada mais havia a fazer, se não remover o único obstáculo que faltava e era, precisamente, parcela da tropa portuguesa hostil à vontade política dos paraenses.

algo obscuro aconteceu entre o agente inglês e o governo colonial

Em todo caso, a decisão da junta provisória foi uma rendição vergonhosa sob ameaça mais grave, que Cockrane enganava a todos esperando no Maranhão o retorno de Greenfell. Em contraste ao movimento popular 14 de Abril, descoberta a farsa a palhaçada da “data magna” encenada em conluio com o oficial inglês e a tal junta espúria iria terminar, em outubro, com atentado à vida do agente imperial, terrorismo deste para amedrontar o povo, humilhação pública do líder Batista Campos apeado do cargo e preso à boca de canhão; fuzilamentos aleatórios culminando na tragédia do brigue “Palhaço”, na morte de 252 patriotas asfixiados no porão do navio-prisão.   

Eis aí a traição que deu curso aos motins políticos com lances de guerrilha até eclosão, doze anos mais tarde, da revolução popular de 1835. Domingos Antônio Raiol, Barão de Guajará; autor do clássico “Motins Políticos ou História dos Principais Acontecimentos Políticos da Província do Pará desde o ano de 1821 até 1835” (1865-1868, reeditado em 1970) é justificadamente reconhecido como o historiador da Adesão do Pará à Independência do Brasil até a Cabanagem. Trata-se de uma obra pioneira sobre acontecimentos terríveis, onde o autor cujo pai pereceu nos tumultos extremos é inegavelmente membro da elite local. Ressalta assim seu esforço pessoal em busca de fontes fidedignas a respeito daquele período de transição nacional onde ele não trepida de acusar os responsáveis de provocar a ira dos miseráveis.

O historiador rememora o fato essencial de o povo paraense repugnar o regime colonial e a indispensável escravidão que o amamenta: pelo que, desde as primeiras notícias independentistas pelos irmãos Vasconcelos e a menção abolicionista disseminada pelo primeiro manifesto de Felipe Patroni de regresso de Lisboa, fazendo coro à independência americana e ao movimento federalista pernambucano; suscitou nítidas esperanças às classes ínfimas da população e fundados receios à elite colonialista.

Hoje, aos 188 anos após a Adesão, a releitura dos “Motins Políticos” nas vésperas do plebiscito a respeito do projeto de divisão territorial do Estado do Pará para criação de dois novos estados; deve servir aos paraenses para recuperar a consciência política perdida e o sentimento de luta e amor à terra natal, que nossos antepassados nos legaram. Inspiração segura para votar não à separação do Baixo Amazonas paraense e do Sul do Pará, em memória dos mortos da nossa plena união federativa ao Brasil republicano e independente.

Da mesma maneira, como os coloniais logo se deram conta do logro da frota imaginária do almirante Lorde Cockrane supostamente fundeada na barra ao largo de Salinas, que lhes havia intimado a render-se ao império do Rio de Janeiro; a sociedade paraense agora há de perceber a falsidade historiográfica da “data magna” em sua vã tentativa de enganar toda gente durante todo tempo, contrariando a sábia lição de Lincoln, que dizia: “pode-se enganar todo tempo alguma gente; algum tempo toda gente. Mas, não se pode enganar todo tempo toda gente”.

Raiol situa as origens dos motins do Pará entre 1821 e 1823 no contexto do conflito europeu entre republicanos e monarquistas, tendo a França e Inglaterra como principais beligerantes mundo afora. A opção de Portugal pela proteção da monarquia inglesa contra a França napoleônica é óbvia: motivo da transferência da sede do reino de Lisboa para o Rio de Janeiro, em 1808, elevando a colônia à categoria de Vice-Reino.

Na Europa o bloqueio continental ao Reino Unido, por Napoleão, com a invasão da Península Ibérica não deixaria de fazer seu percurso. Monarquistas da Espanha e Portugal sob a asa tutelar da Inglaterra se agarram à América do Sul com unhas e dentes: Dom João VI, com a corte no Rio de Janeiro, em 1809, mandou tropas do Pará sob comando militar inglês e administração portuguesa invadir e ocupar a colônia francesa da Guiana: fato que traria conseqüências no Pará, de 1817 em diante, com o regresso das tropas “contaminadas” pelo ideais da República e informados da revolução dos escravos libertados por Toussaint L’Ouverture, no Haiti.

Se antes a dependência de Portugal a Inglaterra era patente, a partir da capital do reino no Rio de Janeiro a essa mesma se acentuou com a “abertura dos portos” às nações amigas (leia-se o Reino Unido). Assim, o Vice-Reino do Brasil se tornou o principal dique sul-americano para conter o ‘tsunami’ republicano desde a Inconfidência Mineira, condenação e morte de Tiradentes (1798).

A especificidade do estado-colônia do Grão-Pará e Maranhão (1751-1823) com seu regime de ventos e correntes marítimas no transporte entre o Pará e Lisboa, antiga metrópole; tornava muito difícil o governo da província pela nova metrópole brasileira. O Pará desde o povoamento inicial foi extensão ultramarina dos Açores, ilha da Madeira e do norte de Portugal com habituais migrantes da Galiza através do Minho. Os lisboetas iam para a Bahia e depois para o Rio de Janeiro. Não espanta, portanto, esta continuidade estranheza da Amazônia acrescido ainda do enorme desconhecimento do “rio das amazonas” e do clima equatorial pelos emigrantes, inclusive em Belém e Manaus.

Começa aí a incompreensão e incompatibilidade histórica que castigou os paraenses nativos desde a conquista e levou ao rompimento do regime colonial do Reino e depois à resistência armada aos desmandos do Império do Brasil, com a série de motins até insurreição paraenses de 1835/1936, sua repressão genocida com 40 mil mortos numa população de 100 mil habitantes e anistia de 1840, com o governo de Bernardo de Souza Franco, o primeiro paraense a governar a província rebelde. 





Uma foto de VICTOR
Solar do Barão de Guajará - sobrado de azulejos portugueses construído em 1873, estilo colonial, sede do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP) paça D. Pedro II s/nº, Cidade Velha.
Fonte: Pará: Brasil: Turísticos, Ecológico e Cultural. São Paulo: Empresa das Artes, 2006.


O caldo de cultura neocolonial da “data magna” do Pará

A ocupação anglo-portuguesa da colônia francesa da Guiana (1809-1817) está na origem da luta popular no Pará pela abolição da escravidão e pela autonomia regional. Ela deriva do nativismo independentista e do confronto entre monarquistas e republicanos na Europa, que se transferiu às colônias na África, América e Ásia até a independência e a instituição das repúblicas contemporâneas. Esta luta dilacerante do velho mundo se transferiu ao novo continente, onde os republicanos se impuseram aos monarquistas com Washington nos Estados Unidos e Bolívar na Grã-Colômbia (Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia).

A independência monarquista do Brasil, em 7 de setembro de 1822; foi contragolpe assestado pelo maçom azul (monarquista) José Bonifácio à independência republicana concertada por Gonçalves Ledo através da maçonaria vermelha (republicana), em 20 de agosto do mesmo ano. É dizer, nas lojas maçônicas, as velhas potências imperiais na Inglaterra e na França pelejaram para manter controle sobre a ordem emergente na América do Sul.

Raiol informa as condições externas em meio às quais iria ocorrer a “adesão” do Pará: na verdade, falsa rendição dos coloniais em Belém do Pará no seguimento da rendição portuguesa na Bahia e no Maranhão à força naval do Lorde Cockrane, almirante inglês posto a serviço do auto-intitulado imperador do Brasil, Príncipe herdeiro do reino de Portugal, Dom Pedro I. É certo que o teatro da guerra na Europa iria se complicar com a cisão entre monarquistas absolutistas e liberais por uma parte, e republicanos radicais e moderados por outra; no Brasil o “grito do Ipiranga” produziu breve trégua com a convocação da assembléia constituinte de 1824, que iria novamente se agravar até a abdicação de Dom Pedro I e seu retorno a Portugal deixando o infante Pedro II, praticamente refém da oligarquia luso-brasileira no Rio de Janeiro.

Diz ele: “Proclamada a independência do império no Rio de Janeiro, era preciso fazê-la proclamar nas outras províncias. A evacuação das tropas portuguesas de todos os pontos do território brasileiro era indispensável para completar a obra da emancipação política do Brasil” (ob. cit. p. 11, tomo I)... o imperador, a instâncias de José Bonifácio. Criou uma armada, convidando para comandá-la o Lorde Cochrane por intermédio de Antônio Manuel Correia, cônsul brasileiro em Buenos Aires”.

O “convite” a que Raiol se refere; admite hoje outras palavras indo desde à pura “submissão” ao império britânico a simples “contrato” de mercenários como era costume antigo. Todavia, como Lorde Cochrane ele mesmo não poderia ser classificado de mercenário, cabe investigar o que ele fazia na guerra do Pacífico a fim de tomar Valdívia (Chile) e “dar” a independência do Peru aniquilando a esquadra espanhola.

Quando a mercenários propriamente ditos, no caso das guerras da Independência, certamente contratava-os o próprio Cockrane para os fins queridos por quem ele servia, sem nenhuma dúvida. A missão da armada de Cockrane era insofismável e se manifestou claramente na Bahia, no Maranhão e Pará. No desfecho, não faltou o episódio de tráfico de armas pelo navio mercante “Clio”, assaltado pelos cabanos em Salinas e motivo para pressão militar inglesa e sondagem para o governo cabano passar ao lado da Inglaterra, proclamando a independência da Amazônia! Canto de sereia prontamente repelido pelo presidente Eduardo Angelim.

Com o exemplo do passado, acautelem-se os paraenses sobre a criação dos estados de Carajás e Tapajós ou o território federal do Marajó com falsas promessas de progresso e emancipação “pra inglês ver”... : a tal “data magna” tem muito para nos fazer pensar.

sábado, 6 de agosto de 2011

AMAZONAS E NILO: DOIS BERÇOS DA CIVILIZAÇÃO PLANETÁRIA

O Nilo é o mais famoso rio do mundo antigo pela civilização que floresceu nele desde a profundeza da África Negra, notadamente na Etiópia; e seu esplendor no Egito. Através deste, mestiçando-se com tribos semitas, bérberes e indu-europeias difundiu-se no mar Mediterrâneo com apogeu na Grécia e Roma. 

O Amazonas - ao longo do Peru, Colômbia e Brasil - é o maior rio do mundo em extensão e volume com sua enorme bacia hidrográfica irrigando a Floresta tropical úmida que caracteriza a Amazônia, na América do Sul, compartilhada pelo Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e região ultramarina francesa da Guiana.

O estudo comparativo dos dois maiores rios da Terra e seu aproveitamento prático para o desenvolvimento humano sustentável, dentro das relações Sul-Sul; é algo que requer certa urgência em meio à crise econômica, ambiental e humanitária global onde o nome Amazônia aparece constantemente, oras com exageradas esperanças, oras com infundado pessimismo. Mas, de todo modo, sendo um patrimônio extraordinário tanto para os países-membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), como também em geral para a comunidade internacional no sistema da ONU, mas principalmente às populações amazônicas estimadas em torno de 25 milhões de pessoas.


Neste contexto, Belém do Pará metrópole da Amazônia Oriental deve rever sua história desde a invenção da Amazônia, ocorrida em meio a disputas mortais entre monarquias da velha Europa em torno do "testamento de Adão"; com a fundação da "França Equinocial" no Maranhão em 1612; a completar 400 anos em 12 de janeiro de 2016.


Capital do estado-colônia do Grão-Pará e Maranhão, desde 1751, por determinação do célebre Marquês de Pombal; Belém criada como "boca de sertão" (base militar para conquista do rio das Amazonas, com ajuda indispensável do Bom Selvagem tupinambá, caboclizado e desmemoriado sem eira nem beira no fim da história...) cedo revelou sua cegueira ultramarina congênita de caçadores de tesouro. Incapaz de ver a amazônidade manifesta há mais de mil anos de civilização neotropical. Como ficou patente no célebre "Sermão aos Peixes" do Padre Antônio Vieira, proferido em São Luís-MA, 1654 a caminho de Lisboa quase clandestino para demandar ao rei a lei de 1655, de abolição do cativeiro indígena. 

E, portanto, não há dia que os jornais não deem notícia de trabalho escravo na Amazônia...


Nossos colonizadores, longe de se deixar conquistar pelo novo impuseram a ditadura do velho mundo... Fato compreensível para época, porém intolerável para nós em plena segunda décado do século XXI! "Belém da Amazônia" deve ser a nova metrópole que o Rio-Mar requer face à decadência de "Belém do Grão-Pará" e o complexo de inferioridade do "já teve" na "belle époque" da Borracha...


O Estado do Pará cedo ou tarde será desmembrado para dar lugar a novos estado brasileiros na Amazônia em transe nas imperiosas contradições entre o desenvolvimento econômico e a preservação da natureza. No plebiscito para criação dos estados de Carajás e Tapajós, em dezembro próximo, enfrentaremos o mais duro teste da história do Pará, depois da Cabanagem. Caso ocorra a divisão que há poucos meses parecia improvável o grande Pará se verá a braços com uma crise sócio-econômica devastadora, e por outro lado longe do povo dos dois novos estados ver realizadas suas justas esperanças; não haverá milagre nenhum possível.


O exemplo do estado do Tocantins, com exceção da euforia urbana da nova capital em Palmas; o povo do interior terá que pagar o pato da aventura de novas elites semelhantes à incompetência e centrismo vesgo da elite belenense da qual se queiam há muitas décadas...


Oxalá, no plebiscito prevaleça a razão dando maioria ao NÃO à divisão!... Porém, tal decisão não pode ser senão no sentido de adiar o prazo da separação. E esta não deve se limitar apenas ao Tapajós e Carajás, tampoco há de iludir o eleitorado sobre qual cidade será a capital do novo estado... Marabá, Redenção ou Parauapebas devem ser a capital de Carajás? Santarém tem direito líquido é certo sobre Oriximiná ou Altamira, por exemplo? Os pescadores de águas turvas tem pressa em fisgar o peixe dos votos de 2012, e não estão se importando em repartir a pobreza em vez do tesouro do El-Dorado, com que desde o princípio da invenção da Amazônia foram iludidos os colonos da França Equinocial e do Maranhão e Grão-Pará com o genocidio dos índios e o cativeiro do negros para dar remédio a exportação das misérias do velho mundo...


Ao contrário, se Belém do Grão-Pará desde cedo houvesse entendido a mensagem do "Sermão aos Peixes" já teria assumido, de fato, seu direito de primogenitude de "rainha das águas quentes da América do Sul", que Eidorfe Moreira explorou em sua obra "Belém e sua expressão geográfica" baseado no vaticínio de Henri Coudreau, em "L'Avenir de la capitale du Pará".


Deste modo, ou Belém a capital do Pará teria migrado para o Xingu para zelar mais de perto o território do tamanho de um país rico e diverso como a África do Sul. Ou bem, teria aprofundado sua função metropolitana incentivando ela mesma a criação de novos estados na hinterlândia...


E portanto, para quem entende do que se está a falar aqui, vem a calhar a geminação entre a velha Belém da Palestina e a nova Belém da Amazônia, olhando para a história comparada do Nilo e Amazonas como plataforma de invenção do futuro pelos caminhos da paz para o desenvolvimento humano sustentável.


Por acaso, existe em Belém do Pará uma Cátedra da UNESCO para a Cooperação Sul-Sul e ainda a Associação de Universidades da Amazônia (UNAMAZ): infelizmente, entre estas e o Ver O Peso com sua imaterial "academia do peixe frito" resta distância maior que de Machu Pichu, no Peru, até Afuá, no Marajó.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Amazonas

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Nilo