domingo, 28 de agosto de 2011

FEIRA DO LIVRO, FESTA AMAZÔNIDA DA LITERATURA

Evento internacional de Belém do Pará e quarta de sua categoria em todo país, a Feira Pan-Amazônica do Livro a partir deste ano passa a explorar vôos mais altos tornando-se, sobretudo, uma festa da literatura a caminho do modelo FLIP, de Paraty-RJ, talvez. O casamento da feira com o projeto "Terruá Pará" nos parece imprescindível, foram feitos um para o outro. Ler http://www.feiradolivro.pa.gov.br/noticia_detalhes.php .  

Todavia, o Turismo e a Cultura são o verdadeiro par Romeu e Julieta, contrariados pelas respectivas famílias e fadados a se suicidar. Aí parece ser a falta de integração estratégica entre os os dois segmentos brigando como burrinhos teimosos, cada um a lado oposto do pasto impedindo o outro de se dar bem na célebre charge criada por Bruno de Menezes para educação cooperativa. Isto se reflete intra muros, inclusive o absurdo do "Hangar  Convenções & Feiras da Amazônia" continuar separado da estão oficial do turismo. Com a empresa PARATUR no terceiro escalão de governo, enquanto o trade espera, pacientemente, pela vontade política de governo para criar uma tardia secretaria de estado, aparentemente exilada para as calendas gregas. 

Diga-se logo, a bem da verdade, que neste aspecto pelo menos PT e PSDB não têm que falar mal um do outro. Mas a sociedade tem, sim, fundadas queixas de ambos! Porém, o caboco que vos fala é daqueles que prefere acender uma lamparida do que ficar falando mal da escuridão. Ou melhor, admira o provérbio chinês, que diz: "não importa a cor do gato, contanto que ele mate o rato". 

No caso, o indesejável gabiru além de corrupto como sempre, daqueles que infestam a vida pública de patifarias e chicanas jurídicas faça sol ou faça chuva; é a Pobreza ratazana da felicidade da gente do Povo. Acima de tudo a pobreza de espírito, mãe de todas carências mais urgentes. Não me custa nada falar o que se passa em minha cabeça e no coração, só tenho a perder as minhas decepções de todas cores do arco-íris. Se isto chatear alguém, paciência, faz parte do jogo democrático. Se servir a arregimentar gente indignada a fim de fazer avançar o processo de políticas públicas, muito bem.... O melhor seria se, por acaso, algum assessor inteligente topar a parolagem na blogsfera e levar a peito sensibizar o sistema a providenciar necessários avanços no terreno ganho para o desenvolvimento dito sustentável, geração de empregos e distribuição de renda com a economia criativa da cultura e a inclusão social do turismo. Assim, não haverá risco de ninguém dormir sobre os louros da vitória, nem se deixar ninar com as sabidas adulações partidárias e interesseiras de costume.


Falei da pobreza deste estado de potencial tão rico e em risco de loteamento para criação de outros pobretões, por que a transversalidade econômica da cultura e do turismo é tamanha para remediar os antigos males da desigualdade social e da devastação ambiental; que não se pode calar diante da irresponsabilidade das elites da Capital com suas picuínhas, sua mediocridade congênita ou, às vezes, megalomania compensatória de complexos de inferiodade manifesto na saudade da belle époque da Borracha em prejuízo da integração solidária do vasto interior. 

O que, para mal dos pecados dos paraenses, se o Tapajós com Carajás e, finalmente, o Marajó pegar porteira aberta e cair fora ou se bandear para o lado do Amapá; isto seria um merecido castigo da soberba miope dos caciques belenenses. Pior, que certos destes extremados amantes da cidade das mangueiras, amigos do peito da Capital (ou seria apenas do capital?) serão eles mesmos os primeiros a passar de mala e cuia em busca da riqueza dos novos estados da República Federativa...

Sem dúvida, a XV Feira Pan-Amazônica do Livro acontece em destacado momento da política do Estado do Pará velho de guerra. Era o caso do marquetingue convocar turistas aos gritos: VENHAM, ANTES QUE O GRÃO PARÁ ACABE!... Mas, felizmente, ainda há tempo e bastante espaço do potencial amazônico paraense a ser conquistado. Sobretudo no aspecto político. 

O governo anterior bem que tentou inovar a Feira do Livro para se descolar do formato original dado pelas mesmas autoridades que o voto popular fez retornar ao posto, mas lhe faltou imaginação criadora, pernas e mais tempo de maturação. Contudo, experimentou uma tímida interiorização que deveria ser aprofundada. A realidade nos diz que, neste caso, independente de vontade e criatividade de qualquer que seja o gato de plantão, o formato necessário para atingir às expectativas não se pode fazer de ano em ano. Teria o novo formato, que se converter em evento bienal intercalado com a Feira Internacional de Turismo (FITA), também ela programada a cada dois anos. Ambas tendo gestão única e comando superior com visíbilidade do próprio chefe de governo, seja lá quem for e da cor que tiver, homem ou mulher... Onde fosse levaria, fanaticamente, a propaganda das duas principais bienais do Parazão, como se fosse a Copa do mundo. Devemos aprender com os erros: se o triunfo pode ser solitário e fulanizado sobre ombros da equipe, a derrota é melhor de ser suportada coletivamente a fim de garantir a revanche.



Para os intelectuais e produtores culturais paraenses o evento, apesar de já ter alcançado uma saudável adolescência, ainda não se tornou a atividade sócio-econômica que todos sonhamos.  De todo modo, este modesto e teimoso blogue deseja êxito a todos promotores, convidados, expositores, participantes e visitantes da Feira do Livro. Espera que, no futuro, ela combinada com a FITA leve a Literatura Paraense pra frente a conquistar lugar ao sol no país e no exterior, a fim de mostrar o valor do nosso "terroir" parauara-amazônico. Mas, principalmente, que se interiorizem ambos eventos para incentivo de novos talentos junto com a gastronomia tradicional, o artesanato e a cultura local como turismo literário amazônico de categoria nacional e internacional. Mediante eventos simultâneos e integrados, por exemplo, em Bragança, Breves, Cametá e Óbidos num país chamado Pará mais unido, mais rico, maior e mais forte do Brasil sentinela do Norte. 

Pronto, falei e disse!

Orla da cidade de Bragança-Pará, rio Caetés: 400 anos de história do "bon sauvage" tupinambá.




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