segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

DIPLOMACIA CABOCA: UMA DEMANDA ESTÚRDIA

sou mil vezes grato à minha professora de alfabetização, ALDA NATÁLIA GONÇALVES DOS SANTOS, filha do casal dona Carolina e senhor Vicente Gonçalves, da ilha da Madeira (Portugal); que me ensinou o be-a-bá na distante vila de Itaguari (Ponta de Pedras, na ilha do Marajó).

Sem ela eu não poderia ter assumido, voluntariamente, papel de porta-voz dos que não sabem ler nem escrever: "estrageiros", ou pior, párias no próprio país natal. Com esta gente sem eira nem beira compartilho as linhas tortas que as ondas da internet levaram à Ouvidoria do Minc.


Dedico estas letras estúrdias, meio aluadas; à minha professora de infância, em cuja memória quero homenagear a todas mulheres da minha vida. Oxalá a gente tenha uma boa resposta de parte da Ministra Anna de Hollanda, em nome da Presidenta que, como muita esperança, nós escolhemos.

Quem for de reza reze forte, de batuque batuque até o galo cantar; ou faça que nem Chico Buarque, mano da Ministra; do qual arremedo na canção: eu que não creio, peço a Deus por minha gente, a gente humilde...

Será agora que Marajó desencanta? Tomara! 
Vão desculpando alguma coisa: não foi por mal...

Zé Varela
/////


Belém-PA, 28 de fevereiro de 2011
À ESPECIAL ATENÇÃO DA OUVIDORIA DO MINISTÉRIO DA CULTURA
Cópia à Procuradoria da República denuncia@prpa.mpf.gov.br e Assessoria de Comunicação Social IBRAM
Isabela.Fonseca@museus.gov.br

Assunto: Museu do Marajó www.museudomarajo.com.br
Cultura Marajoara www.marajoara.com // www.dalcidiojurandir.com.br

Exma. Senhora Anna de Hollanda,
Ministra de Estado da Cultura.
Brasília – DF


Senhora Ministra:

Eu, José Maria Varella Pereira, brasileiro, natural do Estado do Pará, 73 anos de idade, casado, servidor do Ministério das Relações Exteriores (categoria Oficial de Chancelaria, aposentado), cédula de identidade nº 5146 MRE/DF, CPF 03839800110, domiciliado e residente na cidade de Belém-PA, à Rua Benfica, 34 Marambaia, Conjunto Médici II CEP 66620-090, telefone (91) 9997-5765; na qualidade de cidadão brasileiro nos termos da Constituição Federal, elevo à especial atenção de Vossa Excelência as seguintes questões e sugestões para eventual solução relativas à necessidade de conservação, educação patrimonial, aproveitamento socioambiental e econômico da Cultura Marajoara como base à profissionalização institucional do denominado “Museu do Marajó”, associação comunitária com sede na cidade de Cachoeira do Arari, ilha do Marajó, no Estado do Pará:

1.     Como poderá mandar averiguar pela Delegacia do Ministério da Cultura no Pará em colaboração com o Ministério Público Federal; a referida associação é sucessora de 40 anos de uma incrível história de luta e fiel dedicação começada pelo padre italiano Giovanni Gallo e colaboradores, diante do vácuo da União (compreendendo governo federal, estado e municípios) como poder titular das águas e margens do grande lago Arari, assim que dos sítios arqueológicos os quais testemunham 1500 anos da CULTURA MARAJOARA – a primeira cultura complexa da Amazônia (cacicado, cf. Denise Shaan).
2.     Sofrendo incompreensões e perseguições, como a autobiografia “O homem que implodiu” revela, Giovanni pagou alto preço pela sua naturalização brasileira diante da indiferença das autoridades públicas e da intelligentsia brasileira ignorante voluntária da CULTURA MARAJOARA, com raras exceções.
3.     Com o falecimento do fundador do Museu do Marajó http://pt.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Gallo , um pequeno grupo de amigos correu a prestar socorro urgente para que a obra não se perdesse e o sui generis museu não fechasse as portas. De 2003 a 2008 o Museu do Marajó sobreviveu, malmente, correndo com pires à mão mas, felizmente, conseguiu mostrar algum serviço. Muito embora longe de realizar seu potencial e a vontade do Gallo para gerar emprego e renda local através de um artesanato em economia solidária e turismo inteligente.
4.     Algumas parcerias deram notoriedade ao Museu do Marajó nunca dantes angariada. Como exemplo a construção de reserva técnica para apoio à pesquisa em arqueologia com ajuda da Petrobras e a escolha pela sociedade civil para assumir função de contratante de Articulador no comitê gestor integrado do Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável do Arquipélago do Marajó (PLANO MARAJÓ), coordenado pela Casa Civil da Presidência da República; e o programa Territórios da Cidadania – Marajó, coordenado pelo MDA.
5.     O aparentemente sucesso, entretanto, foi perdição dos dirigentes do museu, pois levantou-se dentro da própria associação mantenedora oposição tacanha, apesar de suas boas intenções. O amadorismo marcou a história do museu até agora e foi sua força enquanto Giovanni Gallo viveu. Mas, na falta deste passou a ser a maior fraqueza sobretudo por falta de criatividade e despreparo de quadros. Colaboradores com competência profissional não puderam se dedicar por falta de tempo, voluntários como maior disponibilidade de tempo não tinham competência e antes precisariam achar emprego para sustento da família.
6.     Debalde umas poucas vozes – dentre as quais este teimoso signatário – clamavam para que o Governo estadual assumisse o museu ou, pelo menos, a Associação de Municípios do Arquipélago do Marajó (AMAM) assegurasse meios para transformá-lo em fundação conforme última vontade de seu criador (cf. “Motivos Ornamentais de Cerâmica Marajoara”).
7.     Nada disto, infelizmente, comoveu àqueles que deviam ser os primeiros a amparar a queda da obra singular, motivo de orgulho a todos brasileiros do Oiapoque ao Chuí. Consta que após insistência de pessoas amigas, técnico do IBRAM teria visitado Cachoeira do Arari para ver de perto e discutir a penosa situação do museu. Mas, segundo dizem, a diretoria não se dispôs passar o museu ao órgão federal.  Seria isto verdade? Talvez uma das típicas desinformações que cercam a questão com costume dos senhores das ilhas em barrar caminho a “intrusos”. Então, tal abordagem teria cometido falha elementar de quem anda por terreno que não conhece. Na verdade, a ingênua arrogância nativa é álibi perfeito para autoridades que não querem nada além das luzes de salão e elogio barato na mídia. Recuso-me a crer que algo assim possa acontecer num governo democrático saído das urnas, sob aval de Lula – o primeiro Presidente a vir ao Marajó confraternizar com os ribeirinhos para lhes autorizar uso de terras de marinha – com compromisso tão forte de erradicar a pobreza e promover o desenvolvimento sustentável.

COM ÍNFIMO IDH, GOVERNO DILMA PODERÁ MUDAR SINA DO MARAJÓ PARA MODELO DE ECODESENVOLVIMENTO

1.     Antes de mais nada, o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), caso ainda não tenha providenciado ou completado, precisaria dispor de estudo sobre Marajó a fim de distinguir a excepcionalidade da questão marajoara. A qual, portanto, carece de tratamento diferenciado a fim de resgatar grande dívida das elites em relação ao Povo Marajoara e seus antepassados pré-coloniais.
2.     Tal endividamento tem a ver, além da terrível conquista e peculiar colonização do “rio das amazonas” fundada no trabalho escravo de índios e negros importados dá África equatorial portuguesa, com a preterição da idade do barro em vantagem da pedra colonial, conforme se pode concordar após leitura do judicioso relatório da diretora do Museu Nacional, Heloísa Alberto Torres; sobre os sítios arqueológicos da ilha do Marajó (publicado na revista do SPHAN [Iphan], 1937) reforçado ultimamente pela obra de divulgação “Cultura Marajoara”, de autoria da arqueóloga brasileira Denise Pahl Schaan, Ed. SENAC-SP, 2010.
3.     Sabemos que no exterior cresce a pressão para repatriamento de peças e coleções de grandes museus obtidas de ex-colônias em países de terceiro mundo em situações duvidosas. O Barão de Marajó, na obra “As regiões amazônicas”, em 1870, lastima a evasão e contrabando que arruinavam sítios arqueológicos da ilha do Marajó. Em mais de setenta anos de existência do IPHAN a cerâmica marajoara pré-colombiana nunca foi prioridade do Brasil.
4.     O museu etnológico da USP, Museu Nacional e Museu Goeldi deveriam se somar a esforços do Minc para dotar o MUSEU DO MARAJÓ/ CASA DE DALCÍDIO JURANDIR de capacidade para, no futuro, receber coleções de cerâmica marajoara repatriada do estrangeiro: um gesto para estimular a UNESCO a sensibilizar museus estrangeiros a participar da renascença marajoara.
5.     De maneira nenhuma seria aceitável a devolução dessa riqueza cultural do exterior para deixá-la em cidades brasileiras também fora de acesso da população dos 16 municípios do Marajó. Todavia, dentro do PLANO MARAJÓ e declaração da Reserva da Biosfera do Arquipélago fará sentido semelhante cooperação federativa e internacional no sentido de desenvolver o ecoturismo à semelhança da Costa Rica, como fator de geração de empregos de qualidade e distribuição de renda capaz de elevar o IDH das ilhas a 0,80 até o ano 2020.
BIODIVERSIDADE E DIVERSIDADE CULTURAL INTEGRADAS
1.     É preciso inventar um turismo científico e cultural na ilha do Marajó capaz de se tornar atrativo mundial e fonte de divisas. Com isto se quer chamar atenção aos pesquisadores junto à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), que a melhor defesa das fronteiras, notadamente nas proximidades da Lateral Marítima Norte da Amazônia azul é a Educação e Cultura das populações ribeirinhas: uma ação meramente assistencial, numa região aberta e vasta como um país de mais de 100 mil quilômetros quadrados de território e população comparável a do vizinho Suriname, por exemplo; é um arriscado jogo com perda de tempo e dinheiro público.
2.     Mas seria lamentável qualquer plano estratégico para a Amazônia ignorando as especificidades fluviomarinhas do enorme delta-estuário, Nilo amazônico; que aliás já dispõe de protocolo cooperação com o Amazonas nilótico; graças o intercâmbio do Museu Goeldi e Museu do Cairo, sob supervisão do Itamaraty e do Ministério Egípcio de Assuntos Estrangeiros.
3.     Claro, não só de arqueologia (isto é do passado) que vivem as esperanças de desenvolvimento das populações tradicionais das ilhas do Amapá e Pará; mas principalmente da C&T que o Tropico Úmido poderá aportar no futuro sob a presente utopia “saída do mato” (caa bok / caboca). Temos uma carência desesperadora de capital intelectual e um medo profundo de que o modelo de pesquisa que se nos impõe seja a “solução final” do Diretório dos Índios, que, em 1757, o “iluminismo” ultramarino luso lesou a vocação natural da região revelada na Arte Primeva dos tesos nos campos alagados da ilha maior. Estamos falando (cf. Edgar Morin) de religar os conhecimentos, antes que os mais antigos se percam para sempre...
4.     O primeiro sítio arqueológico de que se tem notícia na ilha do Marajó (cf. Alexandre  Rodrigues Ferreira, em “Notícia histórica da Ilha Grande de Joanes, ou Marajó” (1783) foi achado no dia 20 de Novembro de 1756 –  irá completar 260 anos deste achado nos 400 anos da invenção da Amazônia (fundação de Belém, em 2016), uma feliz coincidência com o Dia Nacional da Consciência Negra, lembrando que foram arrancados do Marajó os primeiros “negros da terra” da América do Sul – , oportunidade rara para proclamar o DIA DA CULTURA MARAJOARA e oficializar tombamento da mesma cultura no patrimônio histórico e artístico nacional.
5.     Os tristes tesos arruinados pela pata dos búfalos ainda podem suscitar pesquisas de interesse para agricultura de terras baixas do trópico úmido (e isto é com a EMBRAPA Ambiental, que por acaso tem fazenda quase ociosa em Salvaterra), hidrologia de meandros (MCT e Ministério da Defesa), saneamento em palafitas (Ministério da Saúde e Ministério das Cidades), ecologia costeira e estuarina (MMA)...
6.     O Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) é responsável em Marajó pela Flona Caxiuanã, RDS Gurupá-Baquiá, Resex de Oeiras, Gurupá-Melgaço, Mapuá, Pracuúba-Terra Grande, Resex Marinha de Soure...
7.     São ilhas dentro de ilhas, enclaves com queixas das populações tradicionais sobre a falta de diálogo com as instituições por uma parte e por outra fazendeiros de porteira fechada e capangas armados... O sonho de Giovanni Gallo foi ser instrumento de paz social como o seu museu sendo a grande ponte unindo o passado ao futuro. Sem que jamais o agnóstico Dalcídio em seu exílio na rua das Laranjeiras, no Rio de Janeira; e o padre insubmisso à hierarquia diocesan no “front” do Arari terem se avistado uma única vez, através de correspondência com Maria de Belém Menezes, filha do poeta Bruno de Menezes. Urdiram uma revolução silenciosa que somente com a era Lula está começando a mostrar a cara: foi assim que Giovanni Gallo se tornou escritor com a revelação das raízes étnicas e antropológica do romance dalcidiano...
8.     Será a ilustre filha do autor do clássico “Raízes do Brasil”, na pasta da Cultura nacional; sensível a esta demanda que emerge do fundo das águas mortas pelas letras tortas de um caboco velho malmente alfabetizado e metido a pajé para praticar a adivinhação do futuro desta gente que o passado lesou e o mundo esqueceu?De minha parte, só posso dizer que me comove muito a canção do Chico, “Gente Humilde”: igual a ele, eu que não creio; peço a Deus por minha gente, criaturada de meu querido tio Dalcídio Jurandir...
6.     Claro está que não se trata tão-só de salvar as carcomidas instalações físicas de uma usina falidas dos escândalos da velha SUDAM transformadas no museu da cidadezinha de Cachoeira do Arari: ali se acha, sem nenhuma dúvida, o portal do maior ecomuseu do mundo... A gente marajoara tem mania de mandar recado às autoridades, mas também é dotada de vocação para prática da diplomacia caboca e sabe agradecer da melhor maneira (várias vezes na história, que seria longo enumerar a começar do testemunho notável do Padre Antônio Vieira que negociou a paz do rio Mapuá (Breves), ainda hoje sem interesse acadêmico.
7.     Por exemplo, se a Presidenta Dilma aceitar pedido para ser protetora da “criaturada grande de Dalcídio”; a Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) detentora do acervo do romancista de “Chove nos campos de Marajó” e que já tem convênio com a Secretaria de Estado de Cultura (SECULT-PA) para fins do projeto Casa-Museu de Dalcídio Jurandir, servirá de modelo para comodato ao IBRAM da dita casa símbolo do romance dalcidiano, como também o mesmo comodato incluirá o Museu do Marajó, na propriedade do Estado do Pará, com antecedente jurídico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).
8.     A provocação é uma espiral integradora e sintetizadora, como o mito da cobra grande enlaça Natureza e Cultura para habitar o tempo das ilhas filhas da pororoca: das isoladas ilhas do Marajó pode sair o maior laboratório amazônico de transversalidade: capaz de refletir sobre o “arquipélago” da Esplanada dos Ministérios e animar caciques a fumar o cachimbo da paz para construção da ponte Norte-Sul dos diversos Brasis...
9.     Com esta simples sugestão, o Brasil dará o primeiro passo em direção a projeto extraordinário numa espiral de desenvolvimento que recupera 40 anos do MUSEU DO MARAJÓ (2012) – eis a razão pela qual a federalização é indispensável! – e realiza o aggiornamento de mil e quinhentos anos de CULTURA MARAJOARA para empoderamento da mesma pelas populações ribeirinhas outrora espoliadas e marginalizadas. Como poderia a briosa mas carente comunidade cachoeirense, dividida por desavenças imponderáveis, sozinha, dar conta desta grave missão que necessariamente precisa de um PACTO FEDERATIVO englobando comunidades dos 16 municípios, mais os marajoaras de Belém e Macapá?
10. Aí com o protocolo de universidades do Pará poderá ser chamada a Universidade da ONU, por intermédio da Cátedra da UNESCO para Cooperação Sul-Sul (junto ao NAEA/UFPA), ao mesmo momento que a candidatura do Arquipélago do Marajó será posta pelo Governo Estadual junto ao COBRAMAB em Brasília e este a encaminhará ao programa “O Homem e a Biosfera – MaB/UNESCO” em Paris.
11. Por suposto, um humilde vaqueiro passando em frente ao prédio do “museu do Gallo”, com a sua pobreza e crônica falta de instrução de muitas gerações sem eira nem beira – esta educação libertadora que a escola e o museu lhe teriam dado, caso as circunstâncias não tivessem “implodido” o padre dos pescadores do Arari; aquela carência induzida que seria finada se o museu fosse instrumento para turismo responsável com base na comunidade – não poderia o pobre acreditar nas próprias possibilidades dum sonho tão “desconforme”...
12. A questão marajoara – da qual a urgência de um projeto criativo de revitalização do MUSEU DO MARAJÓ constitui o cerne da solução demandada – requer profundo conhecimento dos antecedentes históricos e políticos que determinaram, em 1972, a improvisação de “O Nosso Museu do Marajó”, em Santa Cruz do Arari, que dez anos mais tarde daria origem ao atual museu em Cachoeira do Arari: uma vez que o Ministério da Cultura tenha determinada medidas para salvamento dos sítios arqueológicos da ilha do Marajó verá, imediatamente, que esta providência passa necessariamente pela estatização e/ou parceria publico-privada para tornar o MUSEU DO MARAJÓ na alavanca do “plano de desenvolvimento cultural” sonhado pelo seu criador o polêmico padre Giovanni Gallo.
13. A especificidade de Marajó evidência, mais do que em qualquer outra região do Brasil;que a Cultura pré-colonial constitui a base requerida ao desenvolvimento humano das populações tradicionais: desta maneira um estudo sério sobre a transversalidade entre C&T – Meio Ambiente – Economia – Cultura achará no case MUSEU DO MARAJÓ fonte magnífica de ensinamentos.
PROBLEMA DA EXCASSEZ DE FONTES
1.     Logo a sugestão bibliográfica fundamental para um conhecimento razoável da questão, possibilitando ao MUSEU DO MARAJÓ despontar como elo entre pesquisa científica e conhecimento tradicional indispensável ao planejamento do desenvolvimento sustentável da Amazônia Marajoara, primeiramente, e através desta como referência das mais regiões amazônicas:
2.     Relato de Vicente Pinzón acerca do sequestro dos primeiros escravos indígenas da América do Sul capturados, em janeiro de 1500, na ilha de Marinatambalo [Marajó];
3.     Relato do mameluco Diogo Nunes (1530) ao rei de Portugal sobre uma migração enorme de 14 mil tupinambás, vindos de Pernambuco com mulheres e crianças, subiram o Amazonas até o Peru onde foram escravizados e extintos pelos espanhóis;
4.     Cartas do Padre Antônio Vieira, de Cametá-PA, em 29/04/1659 (dita “As Esperanças de Portugal” assumindo a heresia judaizante do “Quinto Império do Mundo” ou “A Chave dos Profetas”; e de Belém, a 29/11/1659; sobre a pacificação dos Nheengaíbas [Marajoaras];
5.     A “Notícia da Ilha Grande de Joannes” [Marajó], autor anônimo da metade do séc. XVIII, primeiro relato biogeográfico da ilha do Marajó: informação sobre o teso do Pacoval do Arari, primeiro sítio arqueológico encontrado [ 20 de Novembro de 1756, sugestão para o DIA NACIONAL DA CULTURA MARAJOARA] e provável lugar de coleta de “cacos de índio” de que Giovanni Gallo fala na obra “Motivos Ornamentais” e que se pode considerar a “semente” desta demanda caboca.
6.     A “Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes, ou Marajó” (1783), separata da “Viagem Philosophica” (1783-1792) do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira; que evidencia autoria do Inspetor Florentino da Silveira Frade, fundador da freguesia de N.S. da Conceição da Cachoeira do rio Arari (1747) para a primeira “Notícia” e confirma a data de 20/11/1756 para o achado do teso do Pacoval.
7.     Obra de Dalcídio Jurandir: primeiro Prêmio Machado de Assis (1972) para autor amazônico, o segundo e último até agora foi o filósofo Benedito Nunes (2010) (ciclo Extremo Norte, “Chove nos campos de Cachoeira”,  “Marajó”, primeiro romance sociológico brasileiro; “Três casas e um rio”, “Belém do Grão-Pará”, “Passagem dos Inocentes”, “Primeira Manhã”, “Ponte do Galo”, “Chão dos Lobos”, “Os habitantes” e “Ribanceira” e ciclo Extremo Sul, “Linha do Parque”, primeiro romance proletário do Brasil).
8.     Heloisa Alberto Torres, relatório de viagem a Marajó para o Museu Nacional, revista do SPHAN, 1937: proposta de programa nacional de proteção a sítios arqueológicos;
9.     Giovanni Gallo, “Marajó, a ditadura da água”, “Motivos Ornamentais de Cerâmica Marajoara” e “O homem que implodiu”;
10. Denise Pahl Schaan, “Cultura Marajoara”, Ed. SENAC-SP, 2010.

Aproveito a oportunidade para manifestar a Vossa Excelência votos de êxito na elevada missão e felicidade pessoal, com que me despeço colocando-me à disposição para maiores esclarecimentos.
Respeitosamente,
JOSÉ MARIA VARELLA PEREIRA
(antecedentes)
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Jose Varella <jotazeka@gmail.com>
Data: 28 de fevereiro de 2011 12:00
Assunto: Re: afastamento do IBRAM em relação ao drama do Museu do Marajó
Para: Isabela Discacciati Fonseca <Isabela.Fonseca@museus.gov.br>
Cc: Fórum Permanente das Culturas do Pará <culturasparaenses@grupos.com.br>, amigos-do-museu-do-marajo@googlegroups.com


Bom dia, Senhora Isabela Fonseca

Sou muitíssimo grato pela orientação que aproveito para retransmitir a rede de amigos do Museu do Marajó e doutras instituições.

Cumprimentos respeitosos,
José Varella
Em 28 de fevereiro de 2011 10:28, Isabela Discacciati Fonseca <Isabela.Fonseca@museus.gov.br> escreveu:

Prezado Sr. José Varella,

Para que suas sugestões ou reclamações sejam registradas e respondidas, pedimos a gentileza que as repasse à Ouvidoria do Ministério da Cultura, que é o setor responsável pela gestão dessas informações no âmbito da Cultura.
O email de contato é: ouvidoria@cultura.gov.br

Att,


15º - Isabela Discacciati Fonseca



De: Jose Varella [mailto:jotazeka@gmail.com]
Enviada em: quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 14:17
Para: ASCOM - Assessoria de Comunicação
Cc: amigos-do-museu-do-marajo@googlegroups.com
Assunto: afastamento do IBRAM em relação ao drama do Museu do Marajó

Ao contrário da Ministra Ana de Hollanda, Ministério e IPHAN não localizei twitter do IBRAM para remeter informação sobre o pobre e isolado www.museudomarajo.com.br . Uma história incrível de indiferença oficial, que envergonha a cultura nacional há décadas.

José Maria Varella Pereira
Rua Benfica, 34 CEP 66.620-090 Marambaia / Belém-PA

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

NEUTON MIRANDA E A PAISAGEM CULTURAL BELÉM-MARAJÓ

Na história social do Pará velho de guerra cabana, meu encontro com Neuton Miranda foi predestinado pelo encontro anterior de Dalcídio Jurandir e João Amazonas: dois paraenses históricos dedicados à causa da promoção da criaturada grande do Grão Pará ao encontro da Humanidade liberta de toda e qualquer opressão ou tirania. Minha vida mudou desde o dia que Neuton me localizou na Paratur, onde eu (estranho no ninho) trabalhava junto a Adenauer Góes a fim de meter certas "pajelanças" no destino turístico com a cara genuína do Pará. Foi assim que fui convidado a colaborar à formação de força-tarefa do Projeto Nossa Várzea que, pela primeira vez, iria atuar nas ilhas do Marajó. 

Graças ao governo Lula que atendeu a demanda da gente marajoara que fora se queixar aos bispos dom Alessio Saccardo e dom José Luiz Azcona, Marajó teve a chance excepcional de sair da parolagem para a concretude da política pública. Claro, até agora o tal PLANO MARAJÓ com o programa Território da Cidadania rendeu mais calor do que luz... Todavia, os cabocos lá de dentro - ao contrário do pessoal da cidade - sabem que o plano "deu certo e ainda há de dar muito mais". E o fato desta certeza é a regularização fundiária das comunidades outrora sem eira nem beira. Portanto, politicalha à parte, o que essa gente quer é não deixar "voltar pra trás". Fique isto bem claro!

Neuton convidou-me a ser voluntário da formação cultural da equipe da GRPU a ter contato de campo com a população ribeirinha durante procedimentos para regularização fundiária em terras da União. Reciprocamente, eu o convidei a tomar parte da Academia do Peixe Frito: não é todo dia que acontece coisa assim. Agora que o Centenário de Dalcídio passou e que Neuton faleceu no campo de trabalho, andam a me perguntar se a louca Academia também morreu... Não, não morreu. Pelo seguinte: nas outras academias são imortais os acadêmicos, no Ver O Peso o único imortal é a tal academia: se acaso qualquer um pega na cuia do açaí e come com farinha d'água a posta de peixe servida quente no quiosque, eis aí a academia em plena sessão de ictiofagia tradicional!

Durante a inusitada parceria, tive eu a felicidade e a honra de compartilhar com o camarada momentos memoráveis. O último destes ocorreu em Cachoeira do Arari para entrega de títulos de autorização de uso de terras públicas à população ribeirinha. Encontro este digno de documentário e lição da história de resistência e emancipação de um povo extraordinário: a viagem marcada inclusive por visita ao Museu do Marajó e ao túmulo de Giovanni Gallo sito à ilharga do mesmo. Inesperadamente, o então presidente do museu, Antônio Smith, presenteou-nos com a obra "Cultura Marajoara", da arqueóloga Denise Schaan. Compêndio magnífico no qual a obra do padre insubmisso e a invenção ancestral dos marajoaras se fundem como uma peça única acusação à insensibilidade das autoridades públicas deste país e à pobreza da criaturada.

Eu retive da solenidade de entrega dos títulos de terra palavras de Neuton Miranda, plenas de saber político ditas com sinceridade e simplicidade de quem fala a seus iguais; a respeito da briosa resistência marajoara. Dizendo ele, com justeza, que na ilha se acha o último reduto daquilo que, às vezes, sem muita certeza do que se diz chamamos o "paraensismo"... Certo, quando Marajó se render à invasão cultural que vem de todos quadrantes em nome de um "desenvolvimento" desumano tanto quanto avassalador, o antigo e afamado grande Pará estará morto e acabado para sempre. Ah, por quê, oh gente! Não levamos o camarada Neuton à Brasília fazer o discurso no Congresso Nacional...Agora é preciso que cada ribeirinho tenha notícia destes fatos e que se levante para levar mais adiante esta história perdida entre chuvas e esquecimento.


A pergunta que não quer calar: todos paraenses de hoje são dignos da terra que seus antepassados índios, negros e brancos lhes legaram? Ou - por uma alienação incomparável - irão perdê-la, irremediavelmente, sem jamais entender do que se está a falar nesta aqui e agora? Questão semelhante aos militantes da causa operária: sabemos, de fato, quem foram na vida Dalcídio, João Amazonas e Neuton Miranda? O que juntos eles representam na luta contra a alienação e perda de memória da paisagem cultural Belém-Marajó? 

DÍVIDA DA CIDADE DE BELÉM PARA COM O MARAJÓ


400 anos depois da fundação do forte do Presépio, a Câmara Municipal de Belém (CMB) - a mais antiga de todas as Amazônias - tem oportunidade única de resgatar a velha história, na qual a mesma vetou intenção do governador do estado do Maranhão e Grão Pará, André Vidal de Negreiros; de transferir a capital da capitania do Pará para Joanes [Soure/Salvaterra]. E, mais, requereu ao rei de Portugal Dom João IV, a "guerra justa" [cativeiro e extermínio] contra os Nheengaíbas (federação de etnias indígenas das ilhas do Marajó]. Um genocídio terrível ou, mais provável, perdição do Pará para a coroa portuguesa em benefício da Holanda, felizmente evitada pela missão pacificadora do Padre Antônio Vieira concluída na paz do rio Mapuá, Breves [cf. Carta de Vieira à regente Dona Luísa de Gusmão, 11/01/1660].


Quais são, por exemplo, os problemas comuns dos vereadores do território federativo do Marajó e da região metropolitana de Belém? Por que a CMB não convida a Associação de Vereadores da Ilha do Marajó (AVIM) a criarem juntas grupo de trabalho para enfrentar problemas e desenvolver oportunidades comuns?


QUAL O SENTIDO DA ACADEMIA DO PEIXE FRITO NA PAISAGEM CULTURAL DO VER O PESO?



A Unesco destaca o caráter dialético e evolucionário da ação humana como formador da paisagem cultural. Existem  paisagens claramente definidas; paisagem organicamente evoluída e paisagem cultural associativa. São paisagens totalmente desenhadas pela mão do homem, inclusive aquelas imateriais ou intangíveis. Quase todos têm como referências fundamentais a Convenção Relativa à Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural da Unesco, aprovada em 1972 e a resolução do Comitê do Patrimônio Mundial, de 1992, que reconheceu “as interações significativas entre o homem e o meio natural” como paisagens culturais. 

A chamada "Academia do Peixe Frito" é patrimônio imaterial do Ver O Peso que rememora o movimento modernista em Belém com artífices, artistas e intelectuais como Tó Teixeira, Jacques Flores, Rodrigues Pinagé, Dalcídio Jurandir e outros em torno da figura fundadora que foi o poeta da negritude Bruno de Menezes. O último remanescente da velha guarda da academia do Ver O Peso ainda vivo é Vicente Salles, que reside fora de Belém atualmente. Era a vanguarda e juventude do Pará chamada "Vândalos do Apocalipse", "Grupo do Peixe Frito" e, enfim, "Academia do Peixe Frito". 

Umbicalmente ligada à feira e ao Mercado do Peixe, tal academia popular fazia contraponto à academia dos imortais: a paisagem de canoas igarités com suas velas coloridas e viagens além das ilhas fronteiras à Cidade - prenhes de história da Cabanagem na margem esquerda da baía do Guajará - traz ainda a vitalidade dos povos das águas como a chuva faz renascer as plantas e a floresta inteira. 

Esquecida das comemorações oficiais, a academia foi ressucitada por ocasião dos preparativos do Centenário de nascimento de Dalcídio Jurandir, ocorrido em 2009. Com o encerramento das comemorações a Academia do Peixe Frito vive agora da teimosia de uns poucos em falar no nome dela de vez enquando. Debalde se tem reclamado a falta de registro dela no patrimônio imaterial de Belém. Que a mesma deveria ser o elo de ligação com Marajó na paisagem cultural do estuário amazônico - e que a regularização fundiária rural e urbana das populações tradicionais é o cerne desta revolução territorial - dispensa maiores comentários. Como diz o caboco, "tá na cara!"...

A paisagem cultural Belém-Marajó apresenta o imbricamento singular da “cultura” e “natureza” sob condicionantes ambientais, culturais, sociais e econômicos notáveis, sobretudo, no espaço do Ver O Peso. O caráter evolucionário da "criaturada grande de Dalcídio" é inqustionável com seus testemunhos e a sinergia entre ambientes naturais, construídos e modos de produção. A Academia do Peixe Frito, festival de São Benedito da Praia e outras manifestações e representações do patrimônio material e imaterial, clamam por uma política integrada de turismo e desenvolvimento sustentável no universo cultural do delta-estuário do maior rio da Terra.

Prestar tributo à memória de Neuton Miranda, quando o tempo avança rumo aos 400 anos de invenção da Amazônia e fundação de Belém do Pará, nos convida a todos a repensar nossos compromissos e engajamentos diante da imensa região norte do nosso Brasil. Uma situação geocultural que se caracteriza por forte dinamismo dos agentes econômicos e sociais com impactos sobre paisagens urbanas e rurais requerendo necessidade de proteção e preservação, como simultaneamente a de dinamizar a economia e o desenvolvimento socioambiental. Especialmente a paisagem metropolitana que abriga grande população migrante de outros estados e acolhe o êxodo rural da região das ilhas, carente de coesão social e de um pacto político de gestão compartilhada e solidária entre os diversos agentes envolvidos.

Dados essenciais para o êxito que todos desejamos. Seja do ponto de vista da preservação, seja do ponto de vista do desenvolvimento sócio-econômico e principalmente do empoderamento pelo povo do “espírito do lugar”, a dimensão imaterial das manifestações culturais e comportamentos arquetipicos de uma comunidade, que a literatura de Dalcídio e a poética de Bruno de Menezes nos ensinam a professar pelo progresso da classe trabalhadora, pela qual João Amazonas e o próprio Neuton Miranda dedicaram suas vidas.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

TERRITÓRIO FEDERAL ou ESTADO DO MARAJÓ

desde a década de 1960 os fazendeiros da ilha do Marajó sonham com o Território Federal do Marajó... Quando se pensa que esqueceram lá vem a coisa, de novo. Caboco, desconfiado, pergunta: será bom pra quem? O exemplo do Amapá não deixa engano. Se território federal prestasse não tinha, com a Constituição-Cidadã (1988), passado a estado.

então, se a coisa fosse para resolver o IDH com a participação do povo o melhor era criar logo o Estado do Marajó no rasto de Carajas e Tapajós...

mas, espera! Por que tanta pressa com a divisão do Pará? O que é, na verdade, que está por trás deste movimento? Há algo de podre no reino da Dinamarca... Querem liquidar o outrora Grão Pará no Pará mirim. Imaginem o tamanho da encrenca! Os velhos caciques afiando os dentes para os cargos políticos, palácios, novas capitais aguçam o apetite de empreiteiras - tudo em nome do progresso e o bem-estar do povo, naturalmente -, mas o Sul e Sudeste deve estar preocupado com a possibilidade de uma bancada "amazônica" com mais 9 senadores e, mais ou menos, 30 deputados. Não é brincadeira!

cedo ou tarde a Amazônia dará lugar a novos estados. A questão é esta: por que o Pará tem que ser o primeiro a ser loteado? No fundo parece castigo à elite belenense tão com a cabeça nas nuvens e descuidada do interior. Caboco das ilhas, então, poderia dizer "bem feito". Mas, o diabo é que a corda arrebenta do lado mais fraco...

por que o superpovoado São Paulo e Minas Gerais ou a Bahia não criam primeiro os estados de Araçatuba, Triângulo Mineiro e do Recôncavo, respectivamente? Não! Nem por brincadeira, não é mesmo? Quanto ao Marajó velho de guerra a gente não é besta: melhor sermos a "Costa Rica" do Pará, república cultural Marajoara, com influência nas capitais do grande Pará e do verdejante Amapá.

Que sejam nossos netos a decidir a vez e a hora de proclamar o autônomo e próspero Estado do Marajó (território "federal" é a sesmaria do vovozinho).
Belém do Pará - 13 de fevereiro de 2011
José Varella Pereira


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Divisão do Pará: Marajó retoma debates

Domingo, 13/02/2011, 05:31:01
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Divisão do Pará: Marajó retoma debates (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)
A revisão geopolítica do Estado do Pará, mais uma vez, será o centro das discussões da bancada federal do Estado no Congresso Nacional. E, desta vez, com um novo ingrediente: a proposta de criação do Território Federal do Marajó, ressuscitada de um antigo projeto de Decreto Legislativo, datado de 2002, proposto pelo ex-deputado Benedito Dias, do PPB do Amapá. Quem faz pressão agora pelo retorno da proposta são os prefeitos e lideranças políticas do arquipélago, capitaneados pelo bispo Dom Luiz Azcona, da Prelazia do Marajó.
O bispo e as lideranças marajoaras defendem a retomada do projeto que, em 2006, teve uma nova tentativa de discussão, desta vez por parte da então deputada federal Ann Pontes (PMDB). Na época a deputada integrava a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional e solicitou a realização, na sede da Assembleia Legislativa do Pará, de uma reunião de debates da comissão.
O objetivo seria reunir deputados federais, estaduais, representantes da Associação dos Municípios da Ilha do Marajó (AMAM), da Universidade Federal do Pará (UFPA), bem como todos os prefeitos e vereadores dos municípios do arquipélago do Marajó e representantes dos Sindicatos de Produtores do Marajó para discutir o projeto de Decreto Legislativo apresentado em 2002 pelo deputado amapaense.
O projeto, que se encontra arquivado na Câmara dos Deputados, pode ser apresentado a qualquer momento por qualquer outro deputado que se dispuser a defender esta bandeira. E mediante os relatos feitos pelas lideranças políticas do Marajó, é muito fácil ser convencido de que a única salvação para acabar com o isolamento do arquipélago é mesmo permitir que ele receba repasses diretos da União.
De acordo com o projeto, seria realizado um plebiscito nos 16 municípios que integram o arquipélago marajoara para a criação do Território Federal do Marajó. Com a aprovação, um projeto de Lei Complementar seria apresentado para, desta vez, promover a criação definitiva do território.
As vantagens para a região seriam imediatas e, possivelmente, solução para os maiores problemas da região, conforme justifica o autor do projeto. Segundo o documento arquivado na Câmara, o reflexo imediato seria acabar com o isolamento político-administrativo da região devido à sua distância geográfica. “O desmembramento implicará, necessariamente, na efetiva integração ao restante do país e, sobretudo, obriga a uma efetiva atuação dos poderes constituídos”.
APARTADO
O Marajó possui uma área que abriga 16 municípios que juntos alcançam a extensão territorial de 104.606,9 quilômetros quadrados. Equivale a países como a Holanda e a Bélgica, juntas. A população ultrapassa 450 mil habitantes. O arquipélago apresenta, além da vocação agropecuária, um potencial turístico inexplorado.
Mas, apesar de tudo isso, a Ilha de Marajó está mergulhada na pobreza, em meio a um mar de dificuldades e abandono. As deficiências vão dos transportes e saúde à educação, incluindo a falta de um hospital regional, cuja construção foi concluída no município de Breves, mas que até hoje não entrou em funcionamento.
A distância média de Belém de seus municípios, por via fluvial, é percorrida em média por 36 horas - o que faz com que quase sempre as pessoas recorram ao município de Macapá, que acaba sendo bem mais próximo.
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