quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CASA DO PATRIMÔNIO NA REPÚBLICA DO VER O PESO

Casa do Patrimonio - PAOs comerciantes do mercado do Ver-o-Peso, em Belém do Pará, estarão reunidos no próximo dia 30 de novembro para conhecer o projeto Casas do Patrimônio e assistir ao vídeo, realizado durante o a produção do Inventário Nacional de Referências Culturais realizado sobre o Ver-o- Peso. A iniciativa, coordenada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, por meio da equipe do Departamento de Articulação e Fomento – DAF e da Superintendência do Iphan no Pará, tem como objetivo a implantação do espaço destinado à educação patrimonial e atividades ligadas à cultura, que deverá ser instalado em um dos principais cartões postais de Belém, o Solar da Beira, no mercado Ver-o-Peso. Os trabalhos nesse sentido começaram no início do mês reunindo, no auditório da superintendência do Iphan-PA, entre 9 e 11 de novembro, representantes de diversas instituições na Oficina Casas do Patrimônio: Aspectos Conceituais e Implantação no Estado do Pará.
O objetivo do encontro foi apresentar a proposta para constituição e implantação da Casa do Patrimônio no Estado do Pará e debater sobre o conceito e sua adequação à realidade local. Foram identificadas parcerias interessadas na implantação, manutenção e na realização das atividades na Casa. A equipe do DAF apresentou as atividades de Educação Patrimonial que já acontecem na Rede Casas do Patrimônio, como na Chapada do Araripe – CE, Iguape – SP, Ouro Preto – MG, João Pessoa – PB, Recife – PE entre outras. A oficina possibilitou também bem identificar a possibilidade de implantação de Casas do Patrimônio em outros municípios do Estado, como Óbidos, Vigia e Belterra, incluídos no PAC Cidades Históricas. Existe ainda possibilidade de instalação de Casa do Patrimônio em uma comunidade quilombola, uma proposta da Associação Quilombolas Unidos de São Domingos do Capim.
Algumas instituições presentes já assumiram fazer parte da parceira, entre elas a Prefeitura de Belém, Governo do Estado do Pará, ONG Fotoativa, ONG Fórum Landi/UFPA, Centro de Memória da Amazônia/UFPA, ONG Noolhar, Associações de Feirantes do Ver-o-Peso, Associação de Quilombolas de São Domingos do Capim, Prefeitura de Vigia, representantes do município de Óbidos, Belterra e Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia.
Educação Patrimonial nas Casas do Patrimônio
A Casa do Patrimônio é um espaço educativo para aperfeiçoamento da gestão, proteção, salvaguarda, valorização e usufruto do patrimônio cultural. O objetivo é oferecer um espaço de interlocução e diálogo com a comunidade local, de articulação institucional e de promoção de ações educativas, visando fomentar e favorecer a construção do conhecimento e a participação social.
É um espaço cultural, multimídia, voltado para a memória, aprendizagem e divulgação das diversas manifestações culturais. Outras informações sobre o Projeto Casas do Patrimônio estão disponíveis na internet no endereço http://educacaopatrimonial.wordpress.com/casas-do-patrimonio
Mais informações
Assessoria de Comunicação do Iphan
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
Daniel Hora – daniel.hora@iphan.gov.br
Mécia Menescal – mecia.menescal@iphan.gov.br
(61) 2024-6187 / 2024-6194 (61) 9972-0050
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sábado, 20 de novembro de 2010

SALVE 20 DE NOVEMBRO! SALVE BRAVA GENTE DO MARAJÓ!

Viva a Cultura Marajoara!

devido à notável ignorância da sociedade brasileira e míngua de interesse público dos donos do poder, assim que de barões da mídia; já foi dito que o símbolo da maior ilha marítimofluvial do mundo é o búfalo.  

o búfalo amigo é prestimoso animal de trabalho nos campos alagados do Marajó, importado da Índia, para salvar a pecuária como produtor de carne e leite. Todavia, como símbolo cultural nosso estimado búfalo está longe de se comparar à arte primeva da Amazônia brasileira representada pela cerâmica marajoara de 1500 anos de idade, dispersa em grandes museus das principais cidades mundiais, tais como Paris, Londres, Nova Iorque, Estocolmo e outras, inclusive Rio de Janeiro e São Paulo.


sem esquecer a obra pioneira do fundador do Museu Paraense Emílio Goeldi, Ferreira Penna; e a importante coleção de cerâmica marajoara em Belém do Pará, além da teimosia heroica do Museu do Marajó inventado por Giovanni Gallo na pequena Santa Cruz do Arari (1972) e trasladado, contra chuvas e tempestades, para Cachoeira do Arari (1983). 

de maneira que a arte primeva marajoara, sob proteção da UNESCO no exterior, seria ela mesma a melhor embaixada cultural do Brasil se "o Pará do Brasil sentinela do Norte" colocasse Marajó ao lado da estrela que simboliza nosso Estado no alto do pavilhão nacional.

Forte coincidência entre o dia da Cultura Marajoara e o Dia Nacional da Consciência Negra pelas razões que já se disse neste blog e noutros meios de comunicação social, que o analfabetismo político não deixa ver o peso da cultura do povo na construção do País a fim de dar espaço ao domínio colonial. Quem não sabe? Existe sutil conexão entre a fome do nômade e a piracema que, no passado distante, levou o peixe nosso de cada dia a provocar o pescador primitivo de gapuia a se tornar arquiteto e engenheiro da primeira aldeia suspensa na nossa várzea de inundação e depois sobre campos alagados onde aconteceu, cerca do ano 400 da era cristã, a invenção da civilização amazônica construída à mão com o barro dos começos do mundo. Tal qual Jorge Amado falou ao saudar seu camarada Dalcídio Jurandir, na entrega do prêmio Machado de Assis de 1972, ano da fundação do Museu do Marajó.

mas, se a intelligentsia do maior país da América do sol ainda não entendeu do que se está falando - de Florentino da Silveira Frade (1756) até Denise Schaan (2010) -, então fica muito mais difícil ao povo se libertar do complexo do búfalo amigo. Impossível estabelecer as conexões entre o achado do teso do Pacoval (1756) e os "cacos de índio" coletados por marginalizados "ladrões de gado", por necessidade e acaso, para criação do ecomuseu do Padre Gallo (1972) e sua conturbada transferência (1983) à antiga freguesia de Nossa Senhora da Conceição da cachoeira do rio Arari (1747), fundada na sesmaria do capitão Florentino da Silveira Frade.

eis o descobridor do teso do Pacoval e autor do relato e mapa da Ilha Grande de Joannes ao qual o naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira ("Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes, ou Marajó", 1783) se refere como o inspetor da ilha do Marajó e guia da excursão a Marajó do sábio da "Viagem Philosophica".


desde o dia 20 de Novembro de 1756, há 254 anos, houve notícia do encontro por acaso do famoso teso [sítio arqueológico] do Pacoval sito à boca do lago Arari. O primeiro de tantos outros (cf. "Noticia da Ilha Grande de Joannes dos rios e igarapés que tem na sua circumferência, de alguns lagos que se tem descoberto e de algumas couzas curiozas", autor anônimo, in "O Novo Éden: a fauna da Amazônia brasileira nos relatos de viajantes e cronistas desde a descoberta do rio Amazonas por Pinzón (1500) até o Tratado de Santo Idelfonso (1777)" / Nelson Papavero... [et al.] - Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 2002, 2ª ed. p. 333).

o sítio do Pacoval, segundo José Coelho da Gama Abreu (Barão de Marajó) em "As regiões amazônicas: estudos chorographicos dos Estados do Gram Pará e Amazônas", entre 1870 e 1871 sofreu cinco importantes extrações em nome da Ciência, para atender à demanda oficial para exposição etnográfica de Chicago (EUA) e do Museu Nacional (Rio de Janeiro). Já nesta época saques e pilhagens clandestinas arruinavam o mais famoso sítio arqueológico da ilha do Marajó, cujos restos deram fama também ao incrível Museu do Marajó.


o governo do Presidente Lula fez pelo povo marajoara, notadamente através do Projeto NOSSA VÁRZEA o que nenhum outro fez neste país. A Governadora Ana Júlia Carepa e os 16 prefeitos do arquipélago também fizeram a sua parte no pacto federativo chamado PLANO MARAJÓ. O bravo povo marajora é grato por tudo, mas ficou o sentimento da falta do princípal: o reconhecimento oficial de que o símbolo maior da ilha não é o irmão búfalo dos cabocos, mas sim a magnífica arte primeva do Brasil, nossa velha e única CULTURA MARAJOARA de 1500 anos de idade!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

NOSSA VÁRZEA, NOSSA HISTÓRIA

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sem conexão entre o tempo e o espaço a gente não estava aqui e agora, não: sem passado não existe futuro. A gente tem memória curta, talvez pra não morrer de raiva... Pois, às vezes, esquecer é a única saída para evitar a guerra.
desde as pazes do rio Mapuá [Breves-PA], no séc. XVII; levou três séculos e meio para um Chefe de Estado-Nação vir à ilha do Marajó presidir entrega de títulos de regularização fundiária para população ribeirinha: foi o Presidente Lula acompanhado da Governadora Ana Júlia Carepa. Este acontecimento ficou na História da Amazônia paraense. Mas, será que o Povo do Pará captou direitinho o que é o PLANO MARAJÓ, programa Territórios da Cidadania e o memorável Projeto NOSSA VÁRZEA?

pra tentar uma resposta, ontem, os compadres ictiófagos da confraria da "Academia do Peixe Frito", Adaías Gonçalves, Lélio Costa da Silva, José Varella e Orizon Carneiro, reuniram-se em reunião-almoço no "Ponto do Açaí" / Estação das Docas. Como se sabe, conversa de compadre nunca é conclusiva, o negócio é "assuntar". Assuntou-se, pois:


  1. antecedentes históricos do Projeto NOSSA VÁRZEA de regularização fundiária (zona rural e urbana) em terrenos da União: vimos que a revolução popular paraense de 1835 (Cabanagem) e a obra de Dalcídio Jurandir estão na origem da demanda popular tendo atuação de Neuton Miranda no comando da GRPU-PA dentro do PLANO MARAJÓ;
  2. contatamos que grandes obras urbanas de encher os olhos da classe média tiveram grande destaque do marquetingue da campanha eleitoral de 2010, mas a regularização fundiária beneficiando muitos milheiros de famílias ribeirinhas e de baixa renda em invasões de Belém praticamente não se lembrou. Como a maioria dos eleitores é constituída de pessoas excluídas, seria de esperar uma mensagem a essa gente que por suposto foi sensível à pregação do candidato ao senado, Flexa Ribeiro, fazendo apelo aos fornecedores de açaí. Por outra parte, felizes proprietários de automóvel e moradores de grandes avenidas, além de constituir uma minoria já cristalizara uma tendência de irremediável oposição ao governo;
  3. para que não venha a se apagar, precocemente, a memória do histórico Projeto NOSSA VÁRZEA, consideramos a necessidade de batalhar a fim de manter viva a imagem de Neuton Miranda como comandante da regularização fundiária em terras da União no estado do Pará.
Isto posto, ficou decidido:

  1. atuar em grupo para formar um denominado "Grupo de Estudos Socioambientais NEUTON MIRANDA";
  2. criar logomarca própria e adotar imagem de Neuton Miranda como ícone do projeto coletivo;
  3. estabelecer rede de comunicação social com missão de congregar comunidades locais que foram atendidas pela regularização fundiária em terras públicas;
  4. participar fortemente em campanhas contra o analfabetismo e na prevenção de doenças;
  5. adotar mecanismo de EAD (ensino à distância) para transmissão de educação continuada, formação de lideranças comunitárias e informação pública;
  6. apoiar trabalhos para valorização da família frente ao consumo de drogas, prostituição infanto-juvenil e prática de crimes contra os direitos humanos e o patrimônio público;
  7. assumir compromisso em favor da erradicação da pobreza e defesa do meio ambiente, esclarecimento das comunidades tradicionais sobre a mudança climática e tomar partido contra o trabalho escravo.
fomos informados de projeto para formação da "ORQUESTRA DO MARAJÓ", que nos motivou a apoiar a iniciativa e a buscar amigos, inclusive no exterior, para maior divulgação e sucesso dos músicos marajoaras, desejando que o Projeto NOSSA VÁRZEA venha a ser parceiro nato da orquestra.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

REPÚBLICA DO VER O PESO

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a res publica reclama educação patrimonial continuada e cultura pública avultada para a democracia popular sair das margens do grande discurso políticamente correto e entrar, de fato, na justa e perfeita prática da vida quotidiana de uma cidade moderna solidária e sustentável.

em Belém da Amazônia em marcha para os 400 anos, a comuna do Ver O Peso, por exemplo, desafia a imaginação política da cidade morena como lugar de cultura popular paraense, por excelência.

quando se fala de cultura popular e Ver O Peso juntos levantam-se logo polêmica das mais caudalosas tal qual o volume do rio Amazonas. Políticos populistas não perdem oportunidade de fazer média com os conformistas da hora e intelectuais de elite, que raramente vão à feira e reclamam do trânsito e da bagunça, correm a dizer que se trata do "cartão postal" de Belém; lugar "imexível" que nem templo sagrado. do qual a falta de tratamento da coleta de lixo, mazelas sociais, malandragem e a paisagem com indefectíveis urubus, enfim, tudo isso faz parte da "cultura" popular.

ora, com homenagem ao carnavalesco Joãozinho Trinta, povo gosta de luxo quem gosta de lixo é falso intelectual... Popular não é sinônimo de mau gosto. O Ver O Peso, certamente, pode casar arquitetura de tradição e modernidade na mais absoluta fidelidade de uma república popular, como ainda não se viu na região. 


a modernização conservadora do centro histórico de Belém elegeu, naturalmente, outros lugares que não o Ver O Peso para lazer da elite donde o povo é barrado pela simples razão de que o poder de consumo é o mais efetivo limite entre classes sociais assalariadas e donos de renda. 

desde que se tenha em funcionamento o novo terminal pesqueiro, há que se imaginar função nova para o mercado do peixe. O que não será difícil de transformar talhos de venda "in natura" para quiosques de peixe frito e outras iguarias da gastronomia popular paraense à base de frutos de rio e mar.


o mercado Bolonha prestes a terminar a revitalização pelo programa Monumenta, para acompanhar a mudança de função do Mercado de Ferro, também precisará se adatar para venda de churrasco, notadamente de carne de búfalo.
O mais difícil era a construção de terminal pesqueiro funcional, que parece definido.


o bicho de sete cabeças (feira do açaí, praça do Relógio, doca, mercado do peixe, Solar da Beira, mercado da carne e feira propriamente dita), então, seria "domesticado" como pontão de cultura, turismo e lazer para todos, o pobre e o rico. 

o casario do entorno se tornaria uma empresa imobiliária público-privada com incentivos fiscais e amparo para investimento por "pool" de bancos como o BNDES. Uma usina de engenharia e arquitetura restauradora, mercado de trabalho da construção civil, oficina de estágio e especialização em parceria com universidades e instituições nacionais e estrangeiras.


é certo que estamos falando, neste aniversário da República brasileira, de uma utopia urbana. E as utopias servem para dar rumo à história. São os cidadãos de Belém que decidem se vale a pena ou não repensar e repaginar o velho e novo Ver O Peso como espaço autogestionário de referência para reforma urbana da capital do estado e mais cidades ribeirinhas amazônicas, onde a ciência e a tecnologia serão chamadas a socorrer o meio ambiente e apressar a inclusão social.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DIA DA CULTURA MARAJOARA - 20 de Novembro - DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

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num país de escassa memória carece ter dia para tudo. Já vimos quantas datas para lembrar até coisas triviais? Temos até o tradicional dia da mentira (1º de abril), como se por acaso os demais fossem dias da verdade. 

entretanto, não existe ainda um dia para lembrar da mais antiga cultura complexa do Brasil. Por que não? Primeiro,  porque só se ama o que se conhece. No Brasil, nem mesmo os marajoaras contemporâneos conhecem a antiga cultura de seus célebres antepassados; exceto poucos estudiosos donde a maior parte é de estrangeiros encantados com a originalidade dos "engenheiros", "arquitetos" e artistas dos tesos (sítios arqueógicos da ilha do Marajó).  Estes, naturalmente, estão prontos a dizer que a Cultura Marajoara é patrimônio da humanidade, enquanto os brasileiros esquecem o fato de que antes de Cabral; outros europeus passaram aqui. Que Marajó e Amapá eram de Espanha, conforme o "testamento de Adão" e que Pinzón, em 1500, arrancou da ilha grande dos Aruãs (Marinatambalo ou Marajó) os primeiros 36 "negros da terra" (escravos indígenas) da América do Sul.


vejam bem que a escravidão começou em Marajó antes da chegada de escravos trazidos da África Negra! Se as provas do ENEM, por exemplo, testassem conhecimento sobre Cultura Marajoara, sem dúvida, avassaladora maioria de candidatos levaria "bomba"... A culpa, todavia, seria dos ministérios da Educação e Cultura, que não ensinam nem difundem estas coisas, temas fundamentais para defesa dos direitos históricos da Amazônia brasileira. 

devido à citada causa do desconhecimento induzido da Cultura Marajoara pelas elites, a gente do povo não sabe que os povos das ilhas lutavam para ocupar a Terra-Firme (continente) e que este fato histórico fundamental está na gênese da "pacificação" dos Nheengaíbas (marajoaras), em 1659; e da Adesão do Pará ao Império do Brasil (Muaná, 28 de Maio de 1823). 

mutatis mutantis, a teoria da recepção explicará no que concerne à falta de conhecimento nacional da obra de Dalcídio Jurandir, premiada com o "Machado de Assis" de 1972, o mesmo vício do desterro do gueto "regionalista" de que padecem os sertões e a distância amazônica das coisas fora do eixo Rio-São Paulo. Como academias de letras não podem ignorar obras premiadas pela ABL, também o mundo da ciência não poderia desconhecer pesquisas de naturalistas, antropólogos e arqueólogos distintos, na ilha do Marajó, que vão de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783) e dos trabalhos empíricos de Ferreira Penna, em fins do séc. XIX, até Denise Schaan na atualidade, passando por Betty Meggers, Anna Roosevelt e outros mais.

sobre Marajó perdura pois, inegavelmente, um mal-estar elitista que vem da década de 1930/40, com a queda de braço entre o Museu Nacional e o SPHAN. Porém, antes que se declare guerra contra Brasília, Rio e São Paulo; convém ser justos e acusar primeiro a Belém do Grão-Pará, cidade senhorial que cresceu de costas para o rio e despreza os subúrbios. A orgulhosa Cidade sempre teve Marajó, primeiramente em conta de inimiga, depois como terra ocupada e fundo de quintal condenada a pescar, lavrar e criar para sustento do Ver O Peso e da boa mesa dos brancos.

segundo, ainda não existe um DIA DA CULTURA MARAJOARA, porque nesta data se poderia talvez contrariar a desmedida mentira que diz ter começado a história do Brasil a partir do "descobrimento" de 1500, pelo fidalgo português dom Pedro Álvares Cabral, cavaleiro da Ordem de Cristo, etc... Não dizem por aí que a Carta de Pero Vaz de Caminha é a certidão de nascimento do Brasil? Não é verdade! A certidão de nascimento do gigante Brasil pode ser a cerâmica marajoara ou talvez a invenção da "Terra sem males" avant la lettre o Pais do Futuro...


política e historicamente, é triste que termine o governo Lula e Ana Júlia sem que a CULTURA MARAJOARA, tal como exposta na arquelogia amazônica; tenha obtido o destaque que merece. Embora o Plano Marajó e programa Territórios da Cidadania, notadamente com o Projeto Nossa Várzea de regularização fundiária, tenham escutado a voz do povo as autoridades não entenderam ainda o principal do recado:

"...se tem achado muitos Pacovaes, mas nunca nenhum maior, que o que se descubrio em 20 de Novembro de 1756, o qual tem o comprimento de 200 braças e 30 de largo...". ("Notícia da Ilha Grande de Joannes dos rios e igarapés que tem na sua circumferencia...", autor anônimo, metade do séc. XVIII).

 datações científicas, segundo Denise Schaan; situam os inícios da Cultura Marajoara cerca do ano 400 da era cristã: não se sabe exatamente quem eram os "marajoaras" inventores dos tesos de camutins. A opção pela data em que os colonizadores acharam o primeiro sítio arqueólógico de cultura marajoara (sítio Pacoval), tem o significado jurídico de uma posse (tal qual de resto, a ilha e toda a região). Com base no relato do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, conclui-se que o agente do governo colonial do Grão-Pará e Maranhão, Florentino da Silveira Frade, foi quem achou o teso do Pacoval.


deste monumento natural (dilapidado) ainda não declarado pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e o IPHAN como devia, falam o Barão de Marajó ("As regiões amazônicas") e Denise Schaan ("Cultura Marajoara", ed. SENAC-SP, 2010). Mas, o Plano Nacional de Cultura e a UNESCO estão pavimentando o caminho... Aos paraenses cabe agora tomar consciência e agir!
  
“O passado é sempre escrito e interpretado a partir do presente. Diz Henrietta Moore (1995, p. 51): “nossas representações criativas do passado são moldadas não pelo que sabemos ser verdade sobre o passado, mas pelo que acreditamos ser verdade sobre o presente”. A ressignificação da iconografia marajoara em contextos contemporâneos serve às necessidades do presente. Pode ser usada, é claro, de maneira positiva para sensibilizar as pessoas sobre a importância de aprendermos e conhecermos o passado e, nesse sentido, sobre a importância de protegermos e preservarmos o patrimônio arqueológico. Através da preservação, garantimos que muitas interpretações ainda serão possíveis nos séculos vindouros e que o passado seja constantemente reatualizado e utilizado de maneira construtiva para criar identidade, cidadania e história.”
Denise Schaan, arqueóloga brasileira.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Como fica a Cultura Marajoara no marco regulatório do PNC?

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em entrevista ao jornalista Luis Nassif, o Ministro da Cultura Juca Ferreira, disse que o Plano Nacional de Cultura (PNC) está baseado em três dimensões: (1) a cultura como política pública central para o desenvolvimento do país; (2) garantia de acesso a todos brasileiros e (3) parte importante da economia de Estado.

Deve-se frisar que o Congresso Nacional aprovou o PNC por unanimidade e que o mesmo deve, de dez em dez anos, ser submetido ao Poder Legislativo para revisão e aperfeiçoamento. Até aí foram quatro anos de divergências e debate. O Ministro Juca Ferreira informou que “Alguns artistas achavam que essa preocupação de estender o acesso aos recursos públicos a todo o Brasil não era importante, porque o que há de relevante já está no [eixo] Rio-São Paulo. É claro. Tal mentalidade é que permite classificar o que a elite considera "nacional" e "regional": assim, um artista do Amapá, por exemplo, não terá sucesso em sua província, a menos que "pegue o Ita do Norte" e convença no eixo central do país. Ou, por milagre, atravesse a fronteira do Oiapoque para fazer algum sucesso no exterior... 

Como, então, será "nacional" a arqueologia de uma pobre região amazônica que o Brasil desconhece? Só se ama o que se conhece... Quem além do Ministério da Cultura deve fazer a Cultura Marajoara conhecida dos brasileiros? Esta é uma questão que concerne ao PNC!

Sem dúvida, o Governo Lula com Gilberto Gil e Juca Ferreira na direção do Ministério da Cultura plantou um marco entre o antes e depois da política cultural brasileira. A peça-mestre desta arquitetura democrática são os "Pontos de Cultura", uma rede 5 mil postos espalhados em todas regiões do país, onde o nome de Célio Turino se inscreve de maneira notável.

Os Pontos de Cultura são entidades da sociedade civil apoiadas financeiramente e reconhecidas pelo Minc para desenvolver ações sócio-culturais em suas comunidades. Envolvem diversas manifestações artísticas, teatro, música, artesanato dança ou qualquer outra. A experiência brasileira serve de inspiração a outros países, como o Chile, Argentina e alguns mais da Europa que visitaram o Brasil para conhecer o programa. 

Este humilde blog, portanto, se junta a tantos outros aplausos ao Ministro e ao PNC. Todavia, interpreta sentimentos de inúmeros paraenses que desejam ardentemente ver a Política Nacional de Cultura ser aplicada com maior integração à Política Estadual e à cultura dos municípios da Amazônia paraense. 

Como devem saber, o espaço virtual "Academia do Peixe Frito" é exercício voluntário de marreteiro da cultura ribeirinha. Pela qual a gente mete a marreta pra malhar em ferro frio a necessidade de intervenção pública, onde falece vontade política dos cidadãos, exatamente, por falta de Educação e Cultura.

Exemplo geral: a indiferença das elites em relação à nossa emblemática Cultura Marajoara - vergonha nacional com coadjuvante estadual e participação especial de países estrangeiros amigos! Uma guerrilha surda na qual, apaixonadamente, o romancista Dalcídio Jurandir dedicou 10 romances (prêmio "Machado de Assis" 1972); o padre Giovanni Gallo brigou com políticos e a hierarquia da igreja para enterrar sua vida na inventar do "desconforme" MUSEU DO MARAJÓ e a arqueóloga gaúcha Denise Schaan meteu mãos à lama do dilúvio amazônico, a fim de achar provas científicas da "primeira cultura complexa" da Amazônia. Tudo documentado e, finalmente, divulgado em um libelo com título de "Cultura Marajoara", edição do SENAC-SP, 2010.

O que se quer dizer? O Estado do Pará e a República Federativa do Brasil devem ao Marajó um projeto cultural especial compensatório; para não se andar por aí a dizer que o "búfalo é o símbolo" desta região cultural amazônica de 1500 anos de idade. Cuja data comemorativa deve ser - em comunhão com o Dia da Consciência Negra - 20 de Novembro (achamento do sítio arqueológico Pacoval, em 1756). 

Não se queira, portanto, através da política de concorrência por editais, tratar igualmente os desiguais. Se há cotas para etnias desfavorecidas pelo processo histórico colonial; pelo mesmo princípio deveria haver ações de Estado, "ex-officio", para amparo governamental a regiões culturais historicamente marginalizadas, como é o caso marajoara. 


Leia a íntegra da entrevista a seguir:

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Luis Nassif – Ministro, gostaria que sintetizasse quais são os pontos centrais desse programa.

Juca Ferreira – O objetivo principal do Plano Nacional de Cultura, como os demais planos de outras políticas públicas, como Plano Nacional de Saúde, Plano Nacional de Educação e de Segurança, é dar perenidade a essas políticas públicas, não permitir que a cada governo você tenha que reinventar o fogo, recomeçar do zero. Então irá permitir que, com o passar do tempo, essas políticas adquiram caráter acumulativo, evidentemente corrigindo os erros e aprofundando os acertos.

No caso da Cultura, de oito anos pra cá, desde que o presidente Lula assumiu pela primeira vez, com a escolha do ministro Gilberto Gil, nós traçamos um caminho para tratar a Cultura como uma política pública central ao projeto de desenvolvimento do país, como um direito de todo os brasileiros, de acesso pleno, e como uma economia importante.

O Plano Nacional de Cultura se estrutura exatamente sobre essas três dimensões. A gente assume um compromisso com a diversidade cultural brasileira, e a necessidade de democratizar o acesso a todas as regiões do Brasil. Todas as manifestações culturais têm direito de acesso aos recursos públicos. E todas as iniciativas que levem ao acesso um número maior de brasileiros, devem contar com a ajuda do governo.

Então, temos uma conformação dessa política global para todo país, temos as definições dos marcos centrais das políticas setoriais (patrimônios, museus, música, dança, teatro, cultura popular, construção de cidadania através da cultura). Esse conjunto de definições e formulações foi possível depois de um ciclo enorme de discussões. Só nós aqui do ministério organizamos, para apresentar o projeto de leii,uma quantidade enorme de todos os cantos do país, e o próprio Congresso também organizou suas audiências públicas. E, agora, temos um Plano Nacional que vai servir de base.

O que o Plano permite é a institucionalização da política de cultura, ou seja, dá estabilidade, dá perenidade, e de dez em dez anos deve, obrigatoriamente, ser revisto e aprofundado para correção de erros.

LN – Digamos que mude o governo e entre pessoas com outra concepção. O plano amarra a política?

JF – Amarra. Pra modificá-lo precisará de um determinado número de congressistas para a modificação. Porque, na verdade, os planos nacionais são uma parte da Constituição. Quando a Constituição foi aprovada, em 1989, a Cultura não fazia parte. Mas houve uma emenda de um parlamentar à Constituição que também estendeu à Cultura esse instrumento de plano nacional para poder permitir exatamente que a Cultura galgasse uma instância de responsabilidade e de importância maior.

Então, o fato de ter um plano nacional, aponta para a perenidade, para a responsabilidade no abandono de determinadas metas e indicadores que são apontadas no plano. E essa modificação tem que ser acompanhada de processos legislativos e de convencimento de maiorias para que mudanças sejam feitas.

LN – Todos os agentes culturais participaram dessas discussões? Houve consensos?

JF – Todos. Olha, consenso não há, no Brasil inteiro. Consenso na Cultura, não sei se é recomendável, como diria Nelson Rodrigues. Mas, de qualquer jeito, isso passou por uma infinidade de discussões com artistas, produtores, manifestações tradicionais, gestores, empresários, juristas... Tivemos um processo, que eu agora não consigo lembrar de número exatos, mas foi uma infinidade. Houve consulta pública por internet. Foi uma mobilização enorme - estamos discutindo há mais de quatro anos, esse Plano Nacional de Cultura, desde que foi apresentado o projeto de lei.

Acho que está bem amadurecido. Estamos conseguindo uma colaboração do Congresso – foi aprovado por unanimidade. Então já é o final da linha de um processo de construção de uma base mínima de consenso que permite ir cada vez mais dando uma importância maior à cultura.

LN – Teve conflitos de concepções ou essa ideia da inclusão cultural já é uma ideia dominante?

JF – Conflito eu não diria, mas têm ênfases diferentes. Por exemplo, alguns artistas achavam que essa preocupação de estender o acesso aos recursos públicos a todo o Brasil não era importante, porque o que há de relevante já está no [eixo] Rio-São Paulo. Essa condição chegou a ser ventilada. Alguns achavam que, por exemplo, artes visuais – particularmente o cinema – tinha que ser inevitavelmente concentrada, pelo seu caráter industrial. Outros achavam que a diversidade cultural brasileira é muito ampla, não dá para o Estado tentar cobrir, pois devia se concentrar no que eles consideravam os aspectos mais importantes...

LN – É a mesma dos institutos de pesquisa do eixo Rio-São Paulo versos Brasil...

JF – É isso. Isso é uma coisa profunda no Brasil. A desigualdade gera uma ideologia. Essa ideologia busca a manutenção do status quo. E há uma emergência de desejo de protagonismo de todos os seguimentos da sociedade brasileira, de todas as regiões.

Por exemplo, diziam que estávamos equivocados ao tentar abrir financiamento para a produção cinematográfica em todo o Brasil. “Ah, basta Rio e São Paulo para produção industrial”. Pois bem, hoje temos mais filmes brasileiros nos cinemas depois de décadas, do que filmes estrangeiros sem ser por cota, por nenhum mecanismo de obrigatoriedade. E isso, acompanha, evidentemente, a criatividade e a lucidez dos cineastas que fizeram os principais filmes que estão puxando esse público. Mas, na verdade, isso é fruto de uma política. Hoje tem o cinema gaúcho, tem o cinema mineiro, o cinema baiano, pernambucano.

Então, estamos conseguindo, de fato, criar um processo. Onde houver processos criativos, o Estado se interessa e alavanca para constituirmos uma indústria mais sólida, mais complexa, e que o processo cultural brasileiro seja mais rico, à altura da criatividade e dessa diversidade que nós temos.

LN – Ministro, quantos pontos de culturas hoje estão implantados?

JF – Somando pontos de cultura, pontões, pontos de leituras, e outros específicos, estamos em torno de 5 mil, que é um número razoável, que cobre todo o Brasil. Mas a presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff, está propondo pelo menos um em cada município, de forma que, em seu governo, haverá uma triplicação do número de pontos de cultura. O que é muito bom, porque é uma experiência fantástica, sendo copiado por vários países do mundo. Aqui ,na América Latina, já foi adotada na Concentração Libero-Americana,também, e alguns países europeus estão estudando.

E duas experiências nossas estão chamando muita atenção no exterior: são esses pontos de cultura, e o Vale Cultura. O Chile já mandou uma delegação de técnicos aqui para estudar. A Argentina está acompanhando a implantação para ver se lança. E alguns países europeus também acompanham.

Pela primeira vez estamos procurando corrigir as distorções da cultura, financiando o consumo cultural, para incluir um número maior de pessoas, alargar o mercado cultural, facilitar negócios culturais que tenham significado com a incorporação de consumidores na área. Pelo menos essas duas chamam muita atenção pela inovação que representam. E os pontos de cultura estão ‘bombando’ como curiosidade no mundo inteiro.

LN – Aquela questão de uma estratégia de colocação da produção cultural brasileira na internet... houve avanços?

JF – Está havendo. É parte da discussão da modernização da Lei de Direitos Autorais no Brasil. A tendência inicial, que não é só no Brasil, mas no mundo inteiro, é criminalizar todo o tipo de forma e uso na internet. E ao não abrir espaço para legalidade, você empurra para a ilegalidade milhões de consumidores no mundo, que querem ter acesso a tecnologia, porque a tecnologia permitiu o acesso.

Estamos propondo que, ao contrário disso, a gente procure legalizar novas formas de negócios, novos modelos de negócio, que permitam que o autor ganhe, que o investidor industrial ganhe, e que o consumidor não tenha seu acesso restrito por falta de uma legislação coerente.

Então, isso é parte da discussão que estamos travando. Ainda não elaboramos o projeto final. Fizemos uma consulta pública, tivemos muitas contribuições para o aprimoramento. Mas estamos discutindo essas contribuições para chegar ao texto final que será levado para o Congresso.

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Fonte: Brasilianas.org

domingo, 7 de novembro de 2010

DE VOLTA AOS GADOS DO RIO

o futuro da Amazônia ribeirinha já começou há mais tempo do que cogita nossa vã filosofia. Depois de longo período colonial, entre 1615 (conquista do Maranhão) e 1823 (adesão do Pará ao império do Brasil) e período neocolonial até recentemente com a carta magna de 1988; sempre beirando ao desastre humano e ecológico; eis que ao nos aproximar dos 400 anos de Belém do Grão Pará, em 2016, o Brasil descobre sua antiga ecocivilização amazônica fundada no peixe nosso de cada dia e mais recursos aquáticos do trópico úmido.

é claro que a Floresta Amazônica e os povos da floresta, miseravelmente atacados e pilhados durante o "milagre" econômico da década de 1970 e seus mártires tendo Chico Mendes à frente, continuarão no centro dos debates. Porém, ultimamente os povos das águas entraram em cena, notadamente com a criação do Ministério da Pesca e Aquicultura do Brasil; apesar de estarem aí grandes populações tradicionais ribeirinhas há milhares de anos e ter carregado às costas o desenvolvimento regional, há séculos, debaixo duma das piores tiranias da Terra.

com vista ao horizonte futuro até 2030, tangidas pela mudança climática e a crise econômica global as principais economias do mundo começam a proteger seus mercados com reflexos negativos sobre imigrantes e o protecionismo comercial antes deplorado pela globalização. No eixo metropolitano brasileiro, economistas notáveis pregam a favor do mercado interno como plataforma de crescimento nacional e advertem a respeito da vulnerabilidade externa baseada na exportação de alimentos e matéria-prima.


como há de ficar a nossa Amazônia em tal cenário com seus 25 milhões de habitantes? Acredito que poderá, inclusive, melhorar. Periferia da periferia, nós alimentamos um tremendo complexo de inferioridade de marisco entre o mar e o rochedo: condenados a ser "celeiro do mundo" ou "almoxarifado" da pátria amada.


A Zona Franca de Manaus, por exemplo, conquistou seu lugar ao sol na história da Amazônia central e terá, cada vez mais, que focar na floresta sem contudo poder esquecer os gados do rio donde tirou e tira ainda sustento da população; pois gente não come computador e motocicleta. Já o Amapá e Pará, por sua vez, hão de focar a Amazônia azul e seus recursos ictiológicos e de energia mais do que outra coisa, sem esquecer as florestas, com prioridade para o mercado interno.


Se o futuro do Brasil é a Amazônia, tal futuro já começou mas ainda está inseguro. Se a Floresta é rica, ainda mais ricos são os rios, lagos e a plataforma marítima. Portanto, é hora de investir nas regiões amazônicas tendo, principalmente, o Ministério da Pesca e Aquicultura como peça-mestra do mercado interno regional, necessário à sobrevivência e desenvolvimento humano sustentável de algo já em torno de 30 milhões de cidadãos brasileiros no ano 2030. O amparo do bolsa família não pode ser eterno e as promessas do mercado de captação de carbono e serviços ambientais são interessantes mas não podem ser a solução econômica das regiões periféricas.


nos centros políticos e acadêmicos em Belém e Manaus poucos sabem que foram peixes a base econômica de sustentação da civilização amazônica. Desde seus primórdios pré-colombianos e que até metade do século XVIII arrobas de peixe moqueado eram moeda corrente para pagamento de salários, soldos e côngruas. Portanto, os "gados do rio" (peixe-boi, pirarucu e tartaruga) foram a "salvação da lavoura" na Amazônia. 

A praça Amazonas, em face ao São José Liberto (antigo convento e presídio), chamou-se em príscas eras "Comedia do Peixe-Boi" indicando que até lá chegavam piscosas lagunas e igarapés das várzeas do rio Guamá, porém nas poucas vezes que o topônimo foi lembrado confundiram-no com certa "comédia", que na verdade foi tragédia do pacífico mamífero aquático quase extinto pela enormíssima ganância e matança ao longo de três séculos. Escreveu o padre Antônio Vieira que, todos anos, colonos holandeses em comércio de escambo com índios do Marajó levavam cerca de 20 navios carregados com tonéis de carne de peixe-boi conservada em "mixira".

Em Brasilia, por suposto, na Esplanada dos Ministérios menos se conhece este capítulo da história econômica da Amazonia. O turismo receptivo nesta região, depois do terminal pesqueiro, perde tempo em redefinir a função sócio-cultural do mercado do peixe no Ver O Peso e da construção de grande aquário amazônico de rio e mar em Belém, capazes de promover o desenvolvimento urbano ribeirinho.


de todo modo, deve ser o homem amazônida o centro do ambicionado desenvolvimento regional sustentável. Este homem, como a arqueologia e antropologia provam, sustentado por cardumes costeiros e peixe do mato, foi inventor da primeira cultura complexa da região - a famosa e abandonada Cultura Marajoara de 1500 anos de idade - , hoje seus descendentes são vítimas de trabalho semi-escravo com que a gastronomia amazônica brinda o paladar dos turistas. A cadeia produtiva da pesca é talvez umas das mais desiguais da nação.

portanto, o Presidente Lula começou uma revolução sócio-econômica da pesca quando, em 1º de janeiro 2003, criou a Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca, vinculada diretamente à Presidência da República. No Dia do Pescador, 29 de junho, ano de 2009, Lula sancionou a lei de criação do Ministério da Pesca e Aquicultura, o maior anseio dos pescadores do Brasil.

agora as esperanças da Amazônia ribeirinha se voltam para a Presidente eleita Dilma Rousseff no sentido do Ministério da Pesca e Aquicultura levar adiante essa revolução iniciada por seu famoso antecessor. A produção de proteínas para segurança alimentar do povo brasileiro, erradicação da fome e da pobreza das populações tradicionais, reclama um forte mercado interno com investimentos em educação científica e tecnológica na transformação de "gados do rio" em produtos de nutrição, turismo e cultura. Alguma dúvida?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

COMUNA


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Belém do Pará ou da Amazônia, com 1,3 milhão de habitantes; vem de ser ultrapassada em população por Manaus com 1,7 milhão de habitantes. A capital amazonense cresceu mais de 20 % e passou Recife e Curitiba. Bom para os manauaras?  Há pouco tempo, paraenses cantavam de galo como "a maior cidade da Amazônia"... A estória da Copa do Mundo de 2014 é exemplar: colocaram a questão em termos de Belém ou Manaus, e uma meia-dúzia de macacos velhos chiando, "é Belém e Manaus"... Não deu outra, Manaus, dizem, com ajuda da poderosa São Paulo acionista da SUFRAMA!

A "leseira amazônica" (cf. Marcio Sousa) engendrou rivalidade idiota entre as duas maiores cidades da Amazônia. Mas, não é de hoje que alguns quixotes (eu entre eles) pregam no deserto a necessidade de um ajuri (mutirão) entre cabanos e descendentes de Ajuricaba - o AJURICABANO - no sentido de se desenvolver o que nos aproxima e evitar tudo mais que nos separa.

CENSO DE 2010:

São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Fortaleza são as cidades mais populosas do País. Entre as capitais, 12 têm população superior a 1 milhão de habitantes. A mais populosa é São Paulo com 10,6 milhões de moradores. A capital com o menor número de habitantes é Palmas, no Tocantins, com 223 mil pessoas.

Centro-Oeste
Brasília (DF) 2,4 milhões
Goiânia (GO) 1,2 milhão
Campo Grande (MS) 766 mil
Cuiabá (MT) 530 mil

Norte
Rio Branco (AC) 319 mil
Manaus (AM) 1,7 milhão
Macapá (AP) 387 mil
Belém (PA) 1,3 milhão
Porto Velho (RO) 410 mil
Boa Vista (RR) 277 mil
Palmas (TO) 223 mil

Nordeste
Maceió (AL) 917 mil
Salvador (BA) 2,4 milhões
Fortaleza (CE) 2,3 milhões
São Luís (MA) 966 mil
João Pessoa (PB) 716 mil
Recife (PE) 1,4 milhão
Teresina (PI) 797 mil
Natal (RN) 785 mil
Aracaju (SE) 552 mil

Sudeste
Vitória (ES) 297 mil
Belo Horizonte (MG) 2,2 milhões
Rio de Janeiro (RJ) 5,9 milhões
São Paulo (SP) 10,6 milhões

Sul
Curitiba (PR) 1,6 milhão
Porto Alegre (RS) 1,3 mi
Florianópolis (SC) 404 mil

Como algumas siglas tem fascínio sobre mentes cansadas de tanto discurso, vou tentar abreviar o que tenho a dizer sobre a necessidade da sociedade civil se organizar para impulsionar a democracia participativa e a melhoria de qualidade de vida das cidades, independente de governos do município, estado e do país; não necessariamente contra ou a favor dos mesmos.

Proponho algo como uma sigla COMUNA para "Comunidades Unidas Amazônicas", apelando à memória da história da Comuna de Paris (1871) ocorrida quando nem bem nossa Amazônia velha de guerra havia terminado de sarar feridas e enterrar os mortos da Cabanagem (1835-1840) e já a guerra do Paraguai havia recrutado "voluntários da Pátria" e deixado muitos paraenses perecidos em combate. 

A Comuna de Paris é lembrada como primeiro governo proletário do mundo. Entretanto, este título poderia ser reivindicado pelos combatentes paraenses dentre escravos libertos, negros, índios, tapuias, cabocos e brancaranas, ditos cabanos; que tomaram o poder em armas e se mantiveram no governo por mais tempo que seus camaradas comuneiros de Paris.

Ao contrário do que podem pensar, a memória da injustiça da guerra serve mais depressa para valorizar e preservar a paz - como nos ensinam o memorial do Holocausto em Auschwitz e do Apartheid em Pretória. Portanto, em tempos de democracia lembrar a Comuna deverá ser um modo de dizer aonde o povo queria chegar a fim de alcançar a justiça e a paz. Então, diziam os antigos: "se queres a paz, prepara-te para a guerra"...

O lengendário Ajuricaba, como Zumbi dos Palmares, morreu em luta contra a escravidão. O primeiro levante de índios na Amazônia aconteceu em Belém, no dia 7 de janeiro de 1619: dois séculos depois, eclodiu a guerra civil dita a Cabanagem em 7 de janeiro de 1835... Durante a ditadura de 1964 ergueu-se a guerrilha do Araguaia (luta de David contra Golias) até o povo brasileiro voltar à democracia. O que vem de mostrar sua mais valia com o voto popular se impondo à burguesia, inclusive a favorecer a alternância pacífica no poder com governos estaduais de oposição ao governo federal.
De modo que para melhor conhecer a história do bravo povo amazônida, defender suas conquistas democráticas e perseverar no progresso da democracia participativa é que se propõe as aqui denominadas "Comunidades Unidas Amazônicas" (COMUNA).
Alguns pontos a refletir e debater a fim de não cair na inércia:

  • ao contrário de um certo ufanismo ingênuo, uma cidade amazônica de mais de um milhão de habitantes é desastre socioambiental anunciado;
  • #
  • do ponto de vista do gerenciamento urbano, toda cidade com mais de 100 mil habitantes é ingovernável: na Amazônia isto é um caos;
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  • que fazer, então, para redefinir uma cidade socialmente desigual, ecologicamente arruinada e geoeconomicamente complicada, como nossa querida Belém, a fim de que ela se torne uma cidade solidária e sustentável?
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  • Antes que urbanistas, arquitetos, engenheiros, sanitaristas, legisladores e outros especialistas entrem em ação; a parte mais delicada é Política (com P maíúsculo) com os próprios cidadãos de todas classes e condições de vida a deixar de lado a comodidade individual para dar prática efetiva à CULTURA PÚBLICA; 
  • #
  • mas isto equivaleria a uma revolução, inteiramente pacífica porém com intenso compromisso e paixão. Sem cultura republicana nossas esquizofrênicas cidades estarão perdidas; transformadas em arenas e rinhas medonhas (mais do que já estão, depois de décadas de egoismo social elitista e políticas neoliberais alienadoras); 
  • #
  • em mais uma década, 62% da população humana da Terra será urbana... já foi dito outrora que a guerra é um assunto sério demais para ficar em mãos dos generais: do mesmo modo, podemos dizer que a Política (a arte e ciência da "polis", cidade) é coisa muito séria para ficar, exclusivamente, na alçada dos políticos; 
  • #
  • então, a sociedade civil deve assumir papel político ativo frente aos partidos e governos fazendo-os compreender claramente que o estado democrático é formado e mantido pelos cidadãos na forma da Lei; que todo poder emana do Povo nos termos constituicionais; 
  • o espaço político por excelência é a Cidade: nas regiões amazônicas a luta de salvação da Floresta e das Águas está sendo travada nas cidades antes de chegar à zona rural e ao meio ambiente regional;
  • em 2015 terminará o prazo prometido à ONU para cumprimento das metas do Milênio: por coincidência, a Amazônia brasileira completará 400 anos [tomada do Maranhão (1615) e fundação de Belém do Grão-Pará (1616)];
  • #
  • ótima oportunidade para se redesenhar a "cidade amazônica" do futuro a partir da cidade amazônica do passado: e, na verdade, a primitiva aldeia amazônica tem 1500 anos de idade, com a invenção da Cultura Marajoara, conforme nos ensinam as arqueólogas Anna Roosevelt e Denise Schaan;
  • sem dúvida, os tesos da ilha do Marajó são engenharia do barro e organização social e política dos primeiros cacicados da Amazônia: se os brasileiros não sabem atualizar tal conhecimento para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, não devíamos ficar tão ofendidos quando estrangeiros parecem nos dar lições ou sugerir que não temos competência para ocupar a região: vimos que o "testamento de Adão" foi inútil; que homens e mulheres audazes nossos antepassados escreveram outra história à revelia das metrópoles; 
  • uma cidade grande não é mais do que conglomerado de pequenas cidades, que se chamam "bairros"...
  • estas cidades-bairros, em Belém ou Manaus e mais capitais da região, podem ser - se seus cidadão quiserem de fato - se transformar em Comunas vivas, autogestionárias e produtivas. Assim, evitar a explosão do caldeirão urbano que já está, desde "ontem", prestes a estourar.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

pra não dizer que a gente não falou de economia

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Era preciso, paresque, esperar por 2010 pra ver a Unesco misturar diversidade cultural e biodiversidade, numa boa, olhando já para 2020. No entanto, a novidade rolou pela Pedra do Ver O Peso, há um par de tempo, sem que os brancos da província das drogas do sertão quisessem saber lá de conversa fiada com a patuléia literária da Academia do Peixe Frito.


Deixa estar que esta gente, com o poeta da negritude amazônica, Bruno Menezes, à proa se antecedeu ao modernismo de 1922, com a famosa Semana de Arte Moderna em São Paulo. No extremo-norte, a grande ilha tapuia do arquipélago dos Brasis, Tó Teixeira, Dalcídio Jurandir, Abguar Bastos, Jacques Flores e outros ficaram falando só que nem o payaçu Vieira no "Sermão aos Peixes" (1654), em São Luís do Maranhão. Taí mestre Vicente Salles, o último daquela safra, que não me deixa dizer besteira fora da conta.

Pode ser que o canibal Oswald de Andrade tivesse mais a ver com os ictiofágos do Ver O Peso [""' fizemos Cristo nascer na Bahia ou em Belém do Pará"...], 'mas porém', foi Mario de Andrade quem bordejou por estas bandas, sem contudo deixar registro dos chamados "Vândalos do Apocalipse", depois "Grupo do Peixe Frito" e, finalmente, "Academia dos Peixe Frito".

Cadê a moçada curiosa e estudiosa para botar tudo isto em pratos limpos? Da parte que me toca, mingau de tapioca! O que a gente quer é vender nosso peixe. A academia ficou no caritó desde o fim da belle époque. Os brancos, quando deu a maré, enfeitaram a feira, refizeram as docas, igrejas, palácios...

Mas, a pobre academia esquecida da memória ficou com as lembranças do azeite de patuá, do açaí amassado à mão em alguidar de barro, a festa profana de São Benedito da Praia que os técnicos evangélicos da cultura e do turismo não querem ouvir falar nem pra ir para o céu

Foi preciso um bando de cabocos de Cachoeira do Arari e Ponta de Pedras se mexer para reabrir a academia para organização do centenário de nascimento de Dalcídio (1909-2009), que aos trancos e barrancos acabou saindo de qualquer maneira.

Hoje a gente quer dizer o que todo mundo já sabe: que cultura e turismo é mercado, emprego e geração de renda com melhoria de qualidade de vida. Mas não se vende gato por lebre, carece identidade e respeito à natureza. A paisagem cultural de Belém - Marajó tem muito a ganhar com o tombamento nacional da Cultura Marajoara cujo comando da campanha poderá ter na Academia do Peixe Frito sua principal tribuna.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

no dia dos mortos da nossa felicidade

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no dia dos mortos me lembrei da frase de Chico Buarque - "os mortos da nossa felicidade" -, se não me engano, dita em referência à revolução cubana. O Brasil também tem mortos da felicidade pátria e mátria. Muitos mortos! Também temos revolução que, apenas há três dias, confirmou nas urnas a vontade popular em eleger a filha de um imigrante búlgaro sucessora do migrante nordestino do interior de Pernambuco no Palácio do Planalto, a primeira mulher Presidente do Brasil. Claro que estamos falando do longo percurso do povo até Lula e Dilma lá!


os mortos da nossa felicidade estão vivos na mente e no coração desta gente. São os Ajuricabas e Zumbis dos Palmares que estão presentes na festa do Kuarup democrático. São cabanos e farroupilhas, guerrilheiros do Araguaia, que trocaram a resistência armada pela arma sagrada do voto democrático que está transformando a América do Sul no centro de um novo mundo possível, onde a liberdade, igualdade e fraternidade da República deixa de ser discurso de bacharel para se tornar em prática no dia a dia. 

por mais que as elites mazombas ainda queiram imponhor o silêncio da censura e toque de recolher nas ruas, até as pedras gritarão e não vão mais conseguir abafar a voz dos rios na solidão amazônica que denuncia o crime de lesa humanidade cometida pelos adeptos do "espaço vazio". Os cabocos ribeirinhos não estão aí para contar uma nova história. Mas, ao contrário, para expressar a velha história, tantos séculos sufocada na garganta e estrangulada na consciência do bravo Povo Brasileiro. 


A destruição e abandono da original civilização amazônica de mais de 1500 anos de idade, a partir da primeira cultura complexa da Amazônia, a célebre Cultura Marajoara; exposta em museus estrangeiros fora do contexto histórico e geográgico que lhe deu nascimento; escondida nos campos alagados da ilha do Marajó, malmente revelada a seus pobres habitantes pelo incrível e teimoso MUSEU DO MARAJÓ que os brancos de Belém e Brasília não querem ver nem pintado na internet.


a gente, sem eira nem beira, quer fazer renascença da arte primeva do Brasil, parida pela necessidade da fome do índio paleolítico e o acaso da piracema no ecossistema fluviomarítimo, onde as Amazônias verde e azul contracenam no maior teatro natural do planeta! Oh, gigante adormecido, desperta!

as metas do Milênio combinadas com a ONU terminam em 2015: quem, na direita ou na esquerda, já parrou para pensar que neste dito ano a invenção da Amazônia lusa vai completar 400 anos? Pois foi com a tomada do Maranhão aos franceses (1615) e fundação de Belém do Grão-Para (1616), que se começou a gestar a Amazônia brasileira.


quem está vendo o fato de que o Projeto Nossa Várzea de regularização fundiária (dentro do Plano Marajó e programa Territórios da Cidadanis) é a concretude democrática da velha luta dos índios, negros escravos e camponeses de costa a costa do Pará, que levou à Cabanagem (1835-1840) com seus 40 mil mortos e não faltou de fornecer combustível revolucionário à guerrilha do Araguaia, com o paraense João Amazonas, em avançada idade, no comando?


qual o motivo da luta popular no Pará velho de guerra? Imaginem o Brasil colonial confinado pela linha de Tordesilhas para o litoral marítimo até Laguna-SC ao sul, e Belém-Pa ao norte. Sem índios Tupinambás em conquista da terra dos Tapuias e mamelucos nordestinos, os poucos e denodados portugueses não teriam jamais passado da ilha do Marajó para dentro do rio das "amazonas" e expulsado a holandeses e ingleses.


Cultura Marajoara, Ajuricabano e comemoração dos 400 anos da Amazônia são peças que se encaixam entre o passado e o futuro. Mas, é no aqui/agora da História que o milagre da ressurreição (como o Sebastianismo nos ensina) tem sua verdadeira efetividade cultural e política.
Está claro, sem a morte e mitificação do rei dom Sebastião Portugal teria sido engolido por Espanha e o Brasil não seria o país que nós conhecemos. Que então poderia ter sido a nossa Amazônia pode-se imaginar quando se olha mais a oeste e ao norte...