quarta-feira, 3 de novembro de 2010

pra não dizer que a gente não falou de economia

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Era preciso, paresque, esperar por 2010 pra ver a Unesco misturar diversidade cultural e biodiversidade, numa boa, olhando já para 2020. No entanto, a novidade rolou pela Pedra do Ver O Peso, há um par de tempo, sem que os brancos da província das drogas do sertão quisessem saber lá de conversa fiada com a patuléia literária da Academia do Peixe Frito.


Deixa estar que esta gente, com o poeta da negritude amazônica, Bruno Menezes, à proa se antecedeu ao modernismo de 1922, com a famosa Semana de Arte Moderna em São Paulo. No extremo-norte, a grande ilha tapuia do arquipélago dos Brasis, Tó Teixeira, Dalcídio Jurandir, Abguar Bastos, Jacques Flores e outros ficaram falando só que nem o payaçu Vieira no "Sermão aos Peixes" (1654), em São Luís do Maranhão. Taí mestre Vicente Salles, o último daquela safra, que não me deixa dizer besteira fora da conta.

Pode ser que o canibal Oswald de Andrade tivesse mais a ver com os ictiofágos do Ver O Peso [""' fizemos Cristo nascer na Bahia ou em Belém do Pará"...], 'mas porém', foi Mario de Andrade quem bordejou por estas bandas, sem contudo deixar registro dos chamados "Vândalos do Apocalipse", depois "Grupo do Peixe Frito" e, finalmente, "Academia dos Peixe Frito".

Cadê a moçada curiosa e estudiosa para botar tudo isto em pratos limpos? Da parte que me toca, mingau de tapioca! O que a gente quer é vender nosso peixe. A academia ficou no caritó desde o fim da belle époque. Os brancos, quando deu a maré, enfeitaram a feira, refizeram as docas, igrejas, palácios...

Mas, a pobre academia esquecida da memória ficou com as lembranças do azeite de patuá, do açaí amassado à mão em alguidar de barro, a festa profana de São Benedito da Praia que os técnicos evangélicos da cultura e do turismo não querem ouvir falar nem pra ir para o céu

Foi preciso um bando de cabocos de Cachoeira do Arari e Ponta de Pedras se mexer para reabrir a academia para organização do centenário de nascimento de Dalcídio (1909-2009), que aos trancos e barrancos acabou saindo de qualquer maneira.

Hoje a gente quer dizer o que todo mundo já sabe: que cultura e turismo é mercado, emprego e geração de renda com melhoria de qualidade de vida. Mas não se vende gato por lebre, carece identidade e respeito à natureza. A paisagem cultural de Belém - Marajó tem muito a ganhar com o tombamento nacional da Cultura Marajoara cujo comando da campanha poderá ter na Academia do Peixe Frito sua principal tribuna.

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