sábado, 22 de junho de 2013

CARTA ABERTA À CIDADÃ DILMA VANA ROUSEFF



Museu do Marajó - Cachoeira do Arari (PA), ilha do Marajó, Amazônia Marajoara.

S.O.S MUSEU DO MARAJÓ!


CARTA ABERTA

Excelentíssima Senhora Dilma Vana Rousseff,
Presidenta da República Federativa do Brasil:

Nós, na confraria de amigos da ACADEMIA DO PEIXE FRITO, nos dirigimos por este meio virtual revolucionário, de comunicação contemporânea do mundo sem fronteiras, a Vossa Excelência para chamar atenção da honrada Presidenta do Brasil sobre um, dentre 120 Territórios da Cidadania neste outro Brasil de pobre IDH; desconhecido da esmagadora maioria de estudantes e cidadãos indignados que marcham pelas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasilia e outras cidades do país. O nome deste pobre território é Marajó. 

Todavia, por necessidade e acaso nos tornamos nesta "academia" na feira do Ver O Peso porta-voz da "Criaturada grande de Dalcídio" (população ribeirinha das ilhas do Pará e subúrbios de Belém) - na paisagem cultural Belém-Marajó -, representada na obra de Dalcídio Jurandir, Prêmio Machado de Assis de 1972. Portanto, nós desejamos, sobretudo, tocar à sensibilidade política da Cidadã guerreira Dilma, sem perder de vista a respeitada figura da Chefa de Estado Dilma Rousseff. 


A GENTE MARAJOARA QUER:

  • criação da Universidade Federal do Marajó, com estrutura multicampi em regime fundacional federativo atendendo a todos municípios do território da cidadania;
  • implantação e reconhecimento da área de proteção ambiental do arquipélago do Marajó como reserva da biosfera na lista do MaB/UNESCO;
  • redimensionamento do PLANO MARAJÓ tendo o Museu do Marajó como instrumento desenvolvimento socioambiental e plataforma de economia criativa.

Senhora Presidenta,

Existe, contraditoriamente, no maior arquipélago fluviomarinho do planeta um museu teimoso como o bravo povo brasileiro, certamente primeiro ecomuseu da Amazônia. O qual precisamente neste momento, sem reconhecimento e amparo oficial depois de muita luta da comunidade, está prestes a morrer na praia... (ver www.museudomarajo.com.br e ler "Cultura Marajoara" da arqueóloga gaúcha Denise Schaan, editora SENAC: Rio de Janeiro / São Paulo, 2010). 

Por causa deste museu marajoara, enquanto estudantes marcham pelas ruas das maiores cidades do país, na pequena cidade de Cachoeira do Arari, na ilha do Marajó, muitos cidadãos não compreendem por quê, face à surdez da burocracia e indiferença do IBRAM, notadamente; "O NOSSO MUSEU DO MARAJÓ" está a ponto de voltar às suas origens de "cacos de índio". 

Ou seja, fragmentos de um passado desmemoriado que restou dos saques e contrabandos de sítios arqueológicos, em meio à mais negra exclusão social, com que um padre insubmisso, italiano de nascimento e naturalizado brasileiro, inventou o sui generis museu.  Entretanto, como principal motor de desenvolvimento socioambiental da Amazônia Marajoara esta entidade local poderia vir a ser preparada pelo Ministério da Cultura a receber repatriamento de peças e coleções de cerâmica marajoara em programa de cooperação internacional sob chancela da UNESCO.


Como se pode ver, abaixo, cópia de mensagem da professora Maria José Conceição Gama, membro da diretoria do museu, diz através do Facebook, que ela perdeu o sono com mais uma crise do Museu do Marajó dentre outras tantas ao longo do tempo. Nós também estamos preocupados, não só pelo que se passa em Marajó e Belém, mas também pelos últimos acontecimento do país e do mundo. 

Acreditamos que, assim como a Professora Maria José (Zezé para seus amigos e conterrâneos) tem insônia em busca de solução para o Museu do Marajó, a Presidenta Dilma não dorme bem buscando a melhor maneira de levar todo povo brasileiro a avançar nos caminhos da democracia duramente conquistada. Por isto, não queremos desviar sua atenção sobre os graves problemas da nação a fim de tratar de um pequeno museu comunitário, naquilo que para a alta burocracia de Brasília pode parecer o fim do mundo. 

Mas, como a esperança venceu o medo, nós acreditamos que os caboclos marajoaras estão sim rompendo amarras e, se apesar de tudo ainda não puderam dizer pessoalmente à Presidenta seus anseios; já tem eles alguns amigos e parceiros que poderiam sem arruaça franquear as portas do Palácio do Planalto levando aos principais assessores da Presidência a lembrança de que o Presidente Lula veio aqui, em 2007, lançar o PLANO MARAJÓ e implantou este processo histórico que contou inclusive com destacada participação do Museu do Marajó.

É fato, infelizmente, que sofremos nos dois primeiros anos do governo Dilma uma parada de entusiasmo e que somente neste ano viu-se sinal de que o PLANO MARAJÒ poderá recomeçar a tomar pé.

Assim, como sempre, a gente escreve para todos e para ninguém: mas, como dizem os velhos caboclos, "Deus está vendo". Ou, pelo menos, a história da gente marajoara está sendo escrita pelas margens da História, para melhor juízo das futuras gerações. Quem sabe um dia, por acaso, o menino Gabriel, neto de Dilma Rousseff há de saber desta singela história e ficar mais orgulhoso de sua avó além de tantos outros méritos para tal? Colocar a Cultura Marajoara na cabeça e no coração dos brasileiros não seria a menor recordação de um mandato presidencial exitoso.

É certo que nossas tímidas mensagens ao Presidente Lula nunca foram lidas por ele pessoalmente, e nem poderiam ser, pois que sumamente ocupado por suas altas responsabilidades. Acreditamos que sequer o livro do padre Gallo, "Marajó, a ditadura da água", que os presentes ao fórum de 2008 do CODETEM em Soure autografaram para dizer Obrigado Presidente, dificilmente chegou às suas mãos. Na melhor das expectativas a lembrança escapou da lixeira na hora da mudança de Brasília e talvez foi repousar na biblioteca do Instituto Lula, em São Paulo. O que já seria, como se diz, uma lança em África... 

Mas, alguém em nome do Presidente tomou ciência. E alguma coisa aconteceu... Agora, é sumamente importante que tudo aquilo que passou, inicialmente no gabinete do ministro Gilberto Carvalho ao receber os Bispos do Marajó, e depois na Casa Civil com a então ministra-chefa Dilma Rousseff (Grupo Executivo Interministerial (GEI-Marajó), "Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável do Arquipélago do Marajó" (PLANO MARAJÓ), Território da Cidadania - Marajó) prossiga, doravante, com mais vigor na perspectiva geral do movimento que despertou o gigante adormecido.

Olha nós aqui, Presidenta, a Amazônia Marajoara também é Brasil! E o Museu do Marajó nos representa.

Desde a Revolução de 1930, esteve na ilha do Marajó a diretora do Museu Nacional, Heloísa Alberto Torres e voltou ela ao Rio de Janeiro anunciando (revista do SPHAN[IPHAN], 1937) estar na foz do maior rio do mundo o mais valioso tesouro arqueológico do Brasil. 

Desde logo com a criação do IPHAN travou-se uma luta inglória e desigual entre o barroco colonial e o barro dos primeiros dias da civilização indígena brasileira. Evidentemente, se Marajó é a máxima expressão artística brasílica pré-colonial, como de fato, um certo determinismo cultural parece gritar deleta Cultura Marajoara! 

Um complexo de inferioridade adquirido da ignorância dos nossos colonizadores manifestou-se na elite brasileira, envergonhada das Bandeiras genocidas que devassaram os sertões. Tanto quanto, donos do poder na República velha apagaram a "nódoa" da escravidão mandando queimar arquivos do Império.

Não admira que o desenvolvimento da Amazônia seja planejado como "ocupação" do espaço vazio, antes esvaziado de milhares de povos, línguas e culturas indígenas. A simplicidade engana, enquanto a diversidade e complexidade metem medo. O que significa a renascença da cultura marajoara  na emergência do Brasil plural nesta hora de mudanças aceleradas em todo mundo?

Como observou em artigo magistral o cientista político português Boaventura de Sousa Santos, existem dois Brasis. Um que está na ordem do dia e o mundo inveja. E o outro Brasil, furtivo, esse que está desordenado quebrando e incendiando símbolos augusto da pátria e contrapondo-se à consagrada ideia clássica do "brasileiro cordial". 

O mesmo se pode dizer da existência de dois Marajós: um que é a imagem do paraíso perdido e outro o inferno verde...

Já falamos demais. Devemos ajudar a professora Maria José a encontrar solução para o Museu do Marajó chegar a ser aquilo que Giovanni Gallo sonhou. Trata-se de um pequeno museu comunitário sendo potencialmente núcleo de um grande ecomuseu cobrindo 2500 ilhas e 16 municípios do maior arquipélago fluviomarinho do planeta, situado no delta-estuário do maior rio da Terra.

Por que sofrer complexo de viralata em meio a tamanha grandeza amazônica? Desperta meu Brasil!

ANEXO mensagem pelo Facebook

bom dia amigos! ainda é cedo mais essa
noite dormi muito pouco e resolvi compartilha minha preocupação com vocês ,sou voluntaria e membro da diretoria no MUSEU DO MARAJÓ ,que é uma associação sem fins lucrativos e que recebemos inadimplente com o ministério da cultura,e com isso não está podendo participar de projetos ,e hoje depende apenas de recursos da arrecadação de visitantes,mensalidade de sócios que pagam quando querem e a oficina do museu que presta alguns serviços pra comunidade e entra alguma coisa,e como toda instituição temos deveres todos os meses a pagar ,já solicitamos ajuda estadual e municipal e até agora não tivemos retorno a situação tá preocupante e tirando o sono de quem se preocupa com esse rico patrimônio, como se não bastasse a despesa com advogado que tivemos que contratar para responder junto ao mic,agora parte do muro que cerca o prédio veio abaixo ,e infelizmente parece que o nossos governantes não querem nem saber , esse descaso não é de hoje .o Gallo mencionou em um de seus relatos que mesmo sendo o museu este rico acervo valia menos que um time de basquete.as obras do gallo que poderiam está ajundando na manutenção do museu não podemos editar pois o ex- tesoureiro do museu afirma que os direitos autorais de todas é seu e que o gallo deu em vida a ele .estamos lutando para manter omuseu vivo e digno de ser
visita e vale ressaltar que o museu trabalha também com crianças e adolescentes hoje temos 65 alunos matriculados na escola de música do museu divididos em turmas de flauta doce e instrumento de corda e a luta não tem sido fácil. é ou não é de tirar o sono ísso porque tenho interesse por ele, agora quem tem dorme tranquilo,

quinta-feira, 20 de junho de 2013

QUANDO A CRIATURADA IRÁ MARCHAR ALÉM DA CORDA DO CÍRIO?

 





MARCHA VIRTUAL DOS VÂNDALOS DO APOCALIPSE

Como os confrades estão lembrados, esta Academia do Peixe Frito e antes Grupo do Peixe Frito, primeiramente se chamou "Vândalos do Apocalipse". Mestres da presepada para combater a empáfia academicista que avassala a província agrominerária do grão Pará e seus herdeiros saudosos da Belle Époque da borracha, devemos ser solidários a moços e moças chamados de vândalos apenas por bagunçar um pouco a ordem tecnoburocrática, burramente, estabelecida. 

Em princípio, nós somos contra todo tipo de violência. Sobretudo, a violência do sistema econômico e político contra os mais fracos e despossuídos que, na história do Pará, deixou marcas profundas na conquista e colonização de nossa região com seu ápice na repressão à Cabanagem. Como conta o monumento do Entroncamento, doado ao Estado pelo arquiteto Oscar Niemeyer representando o "dedo cortado da História". 

Portando, os antigos vândalos da cultura Paris n'América também eles se manifestariam, caso fossem vivos, nesta hora memorável. Muitos jovens insatisfeitos deste país estão em gigantescas passeatas nas ruas. Uma manifestação difusa que, segundo analistas de poltrona, nem mesmo os manifestantes sabem dizer precisamente do que se trata e aonde irá parar. Claro, haverá entre os ditos protestantes alguns que podem saber lá muito bem aonde querem ir e sem as massas não poderiam jamais sair da condição individual onde cada um está.

Para o bem e o mal todos precisamos de todos: do padeiro da esquina, passando pelo cobrador de ônibus até ao coletor de impostos sem os quais não rodam os subsídios dos transportes coletivos, prestações da saúde pública, soldos da PM, proventos do Congresso e da Magistratura. Porém entre caudilhos esclarecidos ou brutos ensandecidos condutores das massas o acordo é fugaz e limitado apenas a mobilizar a moçada, costumeiramente desorientada por anos e anos de alienação ao longo prazo de gerações de avós, pais, filhos e netos descuidados...

Um dia a casa cai. A criaturada sem eira nem beira fica esperta e um Zé Mané qualquer no vero peso da feira, mesmo sem saber, liga por acaso a centelha de uma velha chama, Então, o povão qual inesperada explosão, faz acontecer o novo no impossível chão. Assim são quase todas revoluções paridas da infinita dialética das sucessivas contradições, pela espiral evolutiva, entre a vida e a morte. Inclusive a novidade da internet inventada, dizem, à margem do sistema empresarial em fabriquetas de fundo de quintal ou porta de garagem por moleques meio piratas logo transformadas em megas corporações.

Pelo que mostram imagens do noticiário em geral a imensa maioria dos manifestantes é pacífica e congrega a jovem guarda de classe média. Uma juventude colorida que raramente pega ônibus para ir à faculdade, cinema, shopping center ou às indefectíveis baladas das noites de fim de semana. Então, protestar contra vinte centavos de aumento no preço das passagens de ônibus faz menos sentido para esta turma, do que, por exemplo, se o aumento fosse no preço de combustível para inúmeros automóveis que engarrafam o trânsito entre as diferentes classes de cidadãos brasileiros nas grandes concentrações urbanas do país. 

Ou ainda o rodoviarismo desvairado que tomou lugar das estradas de ferro e da navegação fluvial e costeira. Por tabela, caminhão, automóvel e ônibus numa combinação perversa com o agronegócio multinacional atropelaram aldeias indígenas, quilombos, passaram por cima de vilas e povoados, esvaziando o campo como nos primórdios da revolução industrial, na Inglaterra, o movimento de cercamento (privatização das terras agrícolas) transferiu multidões de camponeses despossuídos de suas terras tradicionais para ser vagabundos nas cidades portuárias onde nasceu o proletariado fumado e mal pago das manufaturas. No Brasil tudo é tardio. A revoluçãõ industrial, a independência, abolição da escravidão, a República, a democratização...

Não podemos nos esquecer que no Brasil enganado pela propaganda anti-comunista articulada pela CIA, notadamente na célebre marcha com Deus, Família e Propriedade; defechou o golpe de estado de 1964 e com o AI-5, em 1968, sob censura e tortura na "ditabranda", poucos jovens sabiam do movimento estudantil de Paris, onde notáveis brasileiros asilados participavam. Ou que, nos Estados Unidos, o movimento hippie acabava convergindo com o pessoal contrário à guerra do Vietnã. Bravo povo que derrotou o colonialismo francês e o imperialismo dos Estados Unidos. É claro que os falcões yankies perderam a guerra primeiramente para o povo dos Estados Unidos mobilizados por pacifistas e esquerdistas à margem do sistema capitalista; e finalmente foram derrotados diante da incrível resistência dos guerrilheiros vietcongs.

Não vamos nós, continuadores dos cabanos de outrora agora por via democrática; cair em tentação de desdenhar a jovem guarda burguesa do patropi em passeata. Nos manuais esquerdistas a palavra 'burguesia' virou palavrão. Todavia, de uma formas ou outra todos moradores do "burgo" (cidade) somos citadinos ou burgueses. Se, por acaso, formos contemplar o modelo analítico marxista seremos, mais uma vez, forçados a concordar que todas periferias do capitalismo (inclusive na Europa e América do Norte), emergentes do colonialismo, não alcançaram desenvolvimento burguês pleno. 

Mas, aí precisamente, entra um certo russo chamado Lênin para avançar na análise prática, demonstrando em 1917 como países retardados na marcha da história podem, sim, dar salto para o futuro integrando campo e cidade pelo atalho da educação libertadora dos trabalhadores. Claro como água da fonte que a classe média nas cidades infartadas pelo êxodo rural, cedo ou tarde, despertam para a realidade de exploração do homem pelo homem. Nem vamos nos aventurar a entrar na Grande Marcha de Mao, que despertou o gigante chinês, sem ele não compraríamos hoje nas barradas das feiras produtos Made in China 1,99 e nem venderíamos nosso rico minério de ferro de Carajás...

Mundo cão apenas com sobrevida devida ao apartheid social impondo leis desiguais para o centro e a periferia com muros, cercas elétricas, sistemas de “segurança”, cãos de guarda, cavalaria, polícia militar, o escambau legal ou ilegal da desigualdade social.

É aí que mora o perigo. Pois a revolta dos injustiçados não raro se confunde com o ódio de classe dos próprios alienados opressores. Massa de manobra para extremismos de direita ou esquerda por razões diferentes e opostas. O homem sendo como é – o animal político de Aristóteles – jamais poderá cortar sua relação genética com a Natureza. A grande alienação das drogas encontra antecedente (Freud explica, ele mesmo dependente de cocaína por curiosidade) no “ópio do povo” patrocinado pela religião arcaica. Ou seja, a contradição básica entre o Homem e a Biosfera que a filosofia da complexidade de um Edgar Morin, por exemplo, pretenderia remediar pregando religar os conhecimentos lembrando que a humanidade é filha da animalidade. Mas, Engels não frisou o fato de que o homem pode estudar e compreender a natureza (inclusive a natureza humana), mas não pode superar a natureza?

O que está acontecendo que os jornais não entendem, que os políticos parecem desorientados, que padres católicos ou pastores evangélicos não acham respostas além de catecismos surrados? Quem por ventura sabe não diz e quem diz não sabe... E, portanto, todos estão muito insatisfeitos de tudo, todos estão indignados contra todos. Os mais velhos, como este escrevinhador inconveniente; não poderão dizer não temos nada com isto. Sim, é verdade, nós devíamos saber e não soubemos. Temos até uma boa desculpa com a Guerra Fria e os anos de chumbo que não soubemos ou não pudemos evitar. Mesmo assim estamos entregando a nossos filhos e netos um mundo em crise como nunca dantes. Cidades horrendas, quando maior pior qualidade de vida para a maior parte dos seus habitantes. Felizmente, há esperança (como sempre) e o nome deste amor é juventude e fé de que há de vir um outro mundo possível.

Porém uma multidão alienada em marcha, reunindo velhos e novos, velhos tontos e novos envelhecidos por maus exemplos; lembra qualquer coisa ainda obscura no suicídio coletivo de certas espécies de roedores cuja explosão populacional à falta de controle colocou em risco a sobrevivência da própria espécie. Ecologistas relatam que os bichos saem da toca em diferentes lugare e se põem em marcha para o mar, andam juntos por quilômetros para se lançar ao abismo do alto dos penhascos para se afogar longe dos lugares onde os mais novos hão de viver. Deste modo espantoso a natureza parece dizer a seus filhos quem, de fato, manda em última instância. 

Uns poucos estão gritando, como o bom burguês Voltaire no século 18: atenção moçada, prestem atenção antes que seja tarde: o mal existe, precisamos cuidar de nossas cidades como se elas fossem pomares e jardim. Cidades humanas enfim. Res publica. Mátria da liberdade, igualdade e da fraternidade que homens e mulheres ainda não viram em suas vidas.