segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 DE ABRIL: 42 ANOS DEPOIS, O COLONIALISMO ACABOU MAS A COLONIALIDADE AINDA EXISTE.






Não nos cansamos de louvar os feitos históricos do velho Portugal nosso avozinho como também fossem parte de nossa herança europeia pela cultura e os costumes, mas esquecemos que Pindorama e Tapuya tetama existiam muitos séculos antes do "descobrimento' do Brasil e que a mãe África em sua parte chamada portuguesa vem da noite dos tempos. Que sabemos nós de nossos antepassados africanos? Como vivem afrodescendentes no Brasil - o maior país negro fora da África - após a vergonha humanitária do trabalho escravo que não acabou até agora? Lembramos e nos orgulhamos, com razão, que as naus lusitanas desbravaram os caminhos marítimos das Índias e chegaram até as ilhas Molucas (Indonésia), a China e o Japão.

 As glórias e as misérias de Portugal também nos pertencem por via da história, mas sobretudo pela língua de Camões a qual emprenhamos de novas palavras, sotaques e significados da vasta diversidade cultural do mundo que o português inventou. A grande façanha que foi conquistar o vasto mundo e dar a ele o caráter singular da barbaridade fecunda do povo lusitano que se lança ao Mar-Oceano com verdadeira fome de mundo.

Nesta história que o 25 de Abril aporta como destino, nossa historicidade comum funda-se pela fraternidade de povos envolvidos por acontecimentos profundos à margem do despotismo de reis, papas, nobres senhores e mercadores astutos... Desde cedo lavradores, soldados e marinheiros usados e abusados por diversas oligarquias foram com as suas vidas e mortes descrevendo a imensa viagem de circunferência da Terra.  Então, a Revolução dos Cravos não se acabou de fazer e ela como o movimento de descobrimento do mundo que o português inventou, continua a se propagar em ondas em Angola, Brasil, Guiné-Gissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Mais, que este nas comunidades onde a língua portuguesa resiste ou se expande na grande babel moderna.

A comunidade lusófona internacional liquidou o colonialismo, todavia ainda precisa combater a colonialidade. Especialmente no Brasil, quando se completam 42 anos da Revolução dos Cravos  e apenas há alguns dias passados a Câmara de Deputados em Brasília ofereceu ao mundo o triste espetaculo do golpe ao estado democrático - no domingo ensolarado de 17 de Abril quando, há 20 anos, se consumara, no Pará, o massacre de sem terras em Eldorado de Carajás, acontecimento funesto na luta de classes hoje lembrado como Dia Internacional de Luta Camponesa.

UM LEGADO HISTÓRICO DE PORTUGAL PARA O MUNDO 

No dia 25 de abril de 1974, enquanto no Brasil há dez anos campeava a ditadura fascista de 1964, o povo português derrubou a ditadura colonialista que já durava 48 anos, sob Antônio de Oliveira Salazar. Aqui o golpe militar atrelado ao imperialismo anglo-americano jogou ao chão o governo democrático do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de Jango Goulart; lá os militares portugueses esgotados de uma guerra colonial na África totalmente impopular, recorreram ao golpe contra a ditadura com apoio do povo.

Um golpe cívico e popular que invadiu as ruas de Lisboa como nunca dantes na milenar história daquele país. O povo em euforia tomava as praças e vaiava as desmoralizadas forças da ditadura. Populares acorriam para oferecer apoio e alimentos aos revoltosos, festejando a perspectiva de liberdade, em vez de armas empunhavam cravos vermelhos da estação. Por isto o levante ficou conhecido como a “Revolução dos Cravos”. Sua mais famosa imagem retrata uma criança colocando no cano de um fuzil um cravo vermelho, comum na primavera em Portugal.
   

Estes 42 anos da revolução anticolonial portuguesa, recoloca a questão da colonialidade às novas gerações em todo mundo na época da globalização em seu derradeiro estágio chamado de "austeridade". Ou seja, última etapa do imperialismo financeiro que levou ao apartheid mundial sem fronteiras físicas, apesar de alguns muros tais como entre Israel e a Palestina; a vergonha de Brasília com aquela cerca improvisada nos gramados do Congresso que, afinal de contas, deu visibilidade à apartação social no Brasil; e ameaças de se construir na fronteira entre o México e os Estados Unidos um muro pior que aquele de Berlim. 

A revolução dos cravos ensina ao mundo, sobretudo, que o Soldado é representante legítimo do Povo armado, não para defesa de alguns barões assinalados. Mas sim, "é Povo que mais comanda" e comanda por meio de instituições democráticas: vale a redundância, democracia que dizer Governo do Povo e na Constituição da República Federativa do Brasil (1988), em seu primeiro artigo como que ecoa o hino popular da revolução portuguesa de 25 de Abril: é o Povo que mais comanda...

A DESCOLONIZAÇÃO INACABADA

O 25 de abril não se reduz a uma festa popular de Portugal. O fato revolucionário da antiga metrópole estava e está umbilicalmente ligado ao fenômeno do colonialismo europeu no resto mundo, e notadamente do colonialismo português na América, Ásia e África. As lutas tardias pela independência africana tiveram da Revolução dos Cravos a senha de que fora chegada a hora de conquistar a independência: a partir daquele momento, acrescido do fato da antiga colônia do Brasil se achar mergulhada numa violenta ditadura; entrava na ordem do dia a necessidade de pensar a lusofonia como espaço e tempo de descolonização, paz e liberdade.

Aquilo mexeu também com a geopolítica global do surgimento de cinco países independentes no continente africano atingido também pela Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviètica. As colônias conquistando independência, alteraram zonas geopolíticas dos Estados Unidos, França, Inglaterra e África do Sul. A Internacional Comunista e especialmente o Partido Comunista Português (PCP) jogavam papel sumamente importante para virar a página colonia, lembrando-se a inflamada Guerra Fria, a Revolução Cubana e seu papel na guerra de independência de Angola em meio a luta de potências gigantes (EUA e URSS)”. O 25 de Abril no mundo foge de uma visão estreita a respeito de uma quartelada em Portugal como preferem os conservadores.

A conquista real da Revolução dos Cravos se resume em três palavras de ordem dos ‘capitães de abril’: descolonizar, democratizar e desenvolver. Comandos que hoje mais que nunca em Portugal e no mundo que o português inventou, precisamos levar Avante!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

14 de Abril nas Adesões do Pará





Imagine uma pesquisa de alunos de História na cidade de Belém do Pará, orientados por seus professores, batendo de porta em porta de moradores da Travessa 14 de Abril para saber o que eles sabem sobre a data histórica que deu nome a essa via urbana da capital paraense. Se você leitor mora na 14 de Abril pergunte ao seu vizinho, ou se não mora mas tem um amigo ou amiga que lá mora faça a ele ou ela esta pergunta. Quantos por cento desses moradores teriam, pelo menos, uma vaga notícia sobre o tema da Adesão do Pará à independência do Brasil? Mesmo a respeito da "data magna", que deu o feriado estadual de 15 de agosto, acredito que é escasso o conhecimento da população paraense sobre o assunto.

Porém, mesmo sem saber, no longo passado histórico o bravo Povo Paraense contribuiu para dar mais da metade do território nacional do país gigante da América do Sul. Em que circunstâncias está nossa retumbante declaração pode ser falsa ou verdadeira? A ponto de motivar trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado, teses de doutoramento, livros, documentários, obras de teatro e cinema, roteiros turísticos tais como da revolução Farroupilha e tudo mais que a moderna indústria cultural possibilita contribuindo assim ao desenvolvimento da Educação com geração de emprego e renda. 

Percebe aonde se quer chegar com a invenção da Amazônia e posterior adesão do Pará à Independência do Brasil? Veja que aquela gente se sacrificou não foi à toa. Pois a Independência do Brasil, de verdade, não foi no grito do Ipiranga e os cabanos do Pará traídos que nem os lanceiros negros farrapos em Porongos, no Rio Grande do Sul, romperam laços com o império neocolonial anglo-português do Rio de Janeiro despertando a gente brasileira inteira, do Oiapoque ao Chuí, para o fato essencial de que não há povo independente de verdade sem liberdade, igualdade e fraternidade. A grande questão da Independência desde a Inconfidência Mineira em 1789, como o martírio de Tiradentes.

A resposta antes de se chegar à histórica Adesão do Pará à Independência do Brasil -- na heroica vila de Muaná, em 28 de Maio de 1823 --, está no campo da geografia através do lento processo ecocultural da amazonidade no antigo Grão Pará desde a formação territorial da chamada Tapuya tetama (terra Tapuia na língua Tupinambá). O país que se chama Pará (mar, de Grão-Pará na tradução portuguesa de Pará-Uaçu , em língua geral amazônica) tem, sim, como diz a canção porto no Caribe desde antes Colombo dar com os burros n'água naquelas bandas. 

Você talvez é uma pessoa progressista e concorda com políticas públicas de inclusão social e promoção dos direitos humanos. Neste caso, pontos para você que está adiantado em relação àqueles rudes brutucus que ainda estão no tempo da pedra lascada em matéria de desenvolvimento humano. Mas, mesmo assim, tome cuidado para não recair no erro clássico do jurisconsulto espanhol Gines Sepulveda, do século XVI, que considerava índios e negros iguais a animais selvagens, destituídos de alma e de direitos. Naquela época, Sepúlveda venceu a Bartolomeu de Las Casas na célebre polêmica e o que a humanidade sabe, hoje, sobre tal desfecho é o terror da destruição das Índias Ocidentais. É preciso cuidado agora, no século XXI, pois sem povo não existe democracia. No caso de 14 de Abril em epígrafe, sem o Povo Paraense não existe adesão... E já se sabe que a temida "internacionalização" da Amazônia começou antes mesmo que houvesse o descobrimento do Brasil, na contestação ao "testamento de Adão" (tratado de Tordesilhas entre Espanha e Portugal, em 1494, homologado pelo papa Alexandre VI) pela França, dando início a corrida de corsários franceses, britânicos e holandeses na região.

É correto, como ensina o professor doutor em Geografia amazônica Roberto Monteiro; dizer que na Amazônia o estado (francês inicial e brevemente entre 1613 e 1615, depois português entre 1615 até 1823) precedeu à sociedade. Mesmo assim é preciso compreender que é da sociedade colonial que se trata. E ver com as lentes das diversas e "dificultosas" línguas do Rio Babel (apud padre Antonio Vieira) segundo o professor doutor em Linguística amazônica José Bessa; as várias nações indígenas que precederam o estado na Amazônia.  Sem a nação Tupinambá, por exemplo, nós não estaríamos aqui contando história. E a Antropologia americana nos diz que a ilha do Marajó foi berço da primeira cultura complexa da Amazônia. É claro que não se produz cultura complexa sem sociedade especializada, por mais incipiente ou embrionária que ela seja.

Porém antes dos conquistadores tupinambás da mítica Terra sem Mal conquistada com infinitos males, por voltas do anos de 1300 o povo Aruã estava chegando às ilhas de fora do arquipélago do Marajó depois de deixar as ilhas de Trinidad e Tobago em grandes migrações, em meio a outras nações aruaques parentes dos bravos Tainos famosos pela rebeldia anticolonial de Hatuey e Guamá (nome de uma reserva ecológica em Cuba e de um rio no Pará banhando a cidade capital do estado), tais como seus numerosos parentes da Parikuria, que ainda existem no Oiapoque e Cabo do Norte (Amapá). Pois esta gente buscava nas travessias ariscadas um certo país do Sul deste continente que eles chamavam Arapari (ara, dia; e pari, cercadura; em Nheengatu, a constelação do Cruzeiro do Sul vista do hemisfério norte como limite da terra do nascente). O nome Arapari se acha, não sem sentido, em diversas espécies de árvores e rios da região amazônica.

A Adesão do Pará deveria evocar ao povo brasileiro tudo quanto antes de 7 de Setembro de 1822 se passou no tempo e espaço do Extremo Norte. Principalmente, a civilização amazônica pré-colombiana representada pela Arte primeva do Brasil (ver Motivos Ornamentais da Cerâmica Marajoara, de Giovanni Gallo; e "Cultura Marajoara" de Denise Schaan), que é de direito e de fato a cerâmica original da Cultura Marajoara de mais de 1500 anos de idade. Ou seja, três vezes mais antiga que o Descobrimento... 

A adesão integrou a Amazônia lusitana à História do Brasil, além da colonização portuguesa e as invasões francesa e holandesa a par da incontornável influência imperial da Inglaterra e América do Norte após a independência das colônias. A adesão do Pará fala ou deveria falar aos brasileiros e ao mundo inteiro de cinco mil anos de ocupação humana das terras baixas da Amerika (o país do vento, em língua Maya). Eis que é preciso nacionalizar as respectivas regiões dos países amazônicos e erradicar, finalmente, a colonialidade.



14 DE ABRIL ABRIU O RIO AMAZONAS À DESCOLONIZAÇÃO QUE NÃO TERMINOU.


Viva o Brasil! Maior país amazônico do mundo. Viva a integração da América do Sul e Caribe, da qual a Amazônia é coração pulsante! Viva o grande Pará com seu caribenho porto de mar. Vivam Felipe Patroni, Batista Campos, os filhos de Ajuricaba e dos Nheengaíbas na Cabanagem. Mas nós não podemos esquecer que a adesão de Muaná (1823) está umbilicalmente ligada à adesão de Mapuá (Breves). Então duas vezes: viva Marajó!
 
Deste modo soberano e só assim, a vontade política do Povo Paraense fica plenamente respeitada na História do Brasil. No Pará, janeiro é o mês da Cabanagem (7 de janeiro de 1619, o primeiro levante dos Tupinambás; e 7 de janeiro de 1835, a grande rebelião popular dos chamados cabanos): em janeiro de 1823, nacionalistas paraenses reunidos em torno de Batista Campos conseguiram número suficiente de pessoas para formar uma nova junta governativa. No entanto, os portugueses do Pará rejeitaram o império de Dom Pedro I no Rio de Janeiro mantendo-se fiéis ao pai do imperador, Dom João VI, em Lisboa. Reunindo forças conservadoras derrubaram a junta paraense que, certamente, àquela altura poderia ter realizado uma transição menos hostil a Portugal.
 
Vista a inflexibilidade do partido colonial português, os brasileiros da província do Pará exigiram formação de um governo popular, sob a direção do líder nacionalista Batista Campos. Desde o interior da província, os paraense passaram a se articular contra o governo colonial decadente, ganhando apoio da população. As vilas de Cametá, Bragança, Vigia, Muaná, Macapá, Santarém, Óbidos e Monte Alegre tornaram-se centros de resistência anticolonial. 
 
O regresso da tropa paraense de ocupação de Caiena (1809-1817) havia contagiado o Pará de ideais republicanos e notícias revolucionárias sobre a libertação dos escravos e independência do Haiti (1804) acendendo no povo anseios de liberdade. A adesão popular à pregação nacionalista de Batista Campos deu início ao processo revolucionário que, mais de dez anos depois iria eclodir na Cabanagem. A junta portuguesa isolada pouco a pouco se tornou mais violenta. 

Os paraenses por seu lado não esperavam o desenrolar dos acontecimentos de braços cruzados. Em 27 de fevereiro de 1823, após disputar eleição, conseguiram eleger a primeira Câmara Constitucional de Belém, composta de nove vereadores. O general José Maria de Moura, governador militar da colônia; manifestou contrariedade com a eleição de independentistas e não compareceu à posse dos vereadores e instalação da Câmara no Paço do Conselho. Ele reuniu oficiais, em sua própria residência, a fim de resolver diante da sempre crescente manifestação paraense de aderir à Independência do Brasil. Desta colonial deliberação, o coronel João Pereira Vilaça, em primeiro de março, prendeu imediatamente os vereadores de Belém que estavam em sessão no Paço do Conselho, mandando-os para cadeia de várias localidades do interior como Chaves, Acará, Monte Alegre e outros lugares. 

Estavam as coisas assim inviabilizadas para uma transição pacífica, quando reservadamente o patriota José Luís Arosa, miliante entre Rio de Janeiro e São Paulo, apresenta-se em Belém do Pará entre os independentistas paraenses. Ele teve logo apoio do partidário italiano, João Batista Balby residente no Pará que trabalhou intensamente para convencer os oficiais brasileiros a aderi à causa da Independência do Brasil. 

João Balby, acompanhado de oficiais e soldados do Regimento de Macapá, no dia 14 de abril, penetrou o quartel do Corpo de Artilharia, no Convento de Santo Antônio, onde os independentista detiveram a tropa do tenente-coronel José Antônio Nunes e dominaram o quartel donde esperaram que o povo se levantassem contra o regime português. Mas agindo com rapidez e decisão com os seus comandados, o general José Maria Moura com o apoio da tropa às ordens do coronel Vilaça dominaram o levante paraense.

Apesar do insucesso militar de 14 de Abril na capital, a luta no Pará insurgente passou para a vila de Muaná, a ilha do Marajó; onde o povo levantou suas armas e proclamou a independência, em 28 de Maio de 1823, sob liderança de João Pedro Azevedo frente a 200 homens. O idealismo marajoara foi sufocado pelas tropas portuguesas depois de renhida troca de fogo, quando a falta de munição obrigou os paraenses a se render. No dia 13 de julho de 1823 a galera Andorinha do Tejo zarpou do Para para Lisboa levando a bordo 267 presos condenados à prisão perpétua após ter suas penas de morte comutadas a pedido do bispo do Pará, Dom Romualdo Coelho, muitos destes faleceram durante surto de varíola na travessia ou no cárcere de São Julião da Barra do Tejo.

Apesar da obstinação as forças coloniais estavam numa situação insustentável. Estava visto que a Adesão de fato já estava feita e os tantos anos de ódio e opressão fizeram perder a chance de uma mudança pacífica naqueles dias de janeiro de 1823, que doze anos depois iriam explodir em indizível violência e vingança, em janeiro de 1835. No dia 11 de agosto de 1823, o brigue Maranhão de bandeira brasileira, fundeou na baía do Guajará. O comandante era um jovem mercenário inglês chamado John Pascoe Greenfell, com patente de tenente a serviço do irlandês Thomas Cochrane, contratado pelo imperador D. Pedro I com título de almirante da marinha brasileira.
 
Greenfell enviou à terra um ofício assinado por Cockrane - que se achava no Maranhão -, cuja data fora deliberadamente deixada em branco para o emissário preencher dando impressão de ter sido o ofício assinado há pouco tempo, informando que o porto de Belém estava bloqueado e uma grande esquadra em Salinas estava pronta a intervir, caso os portugueses resistissem. Ora, na verdade ingleses e portugueses entendiam-se a maravilhas. A presença de Greenfell longe de representar uma ameaça para as forças coloniais no Pará foi para elas salvação inesperada quando, em realidade, se achavam sitiadas pela massagada paraense revoltada. A farsa estava armada e na verdade, o agente inglês só tinha um navio, mas essa estratégia já havia dado resultado no Maranhão. 

Para conseguir a adesão com facilidade, Greenfell afirmava que as propriedades dos portugueses que aderissem ao Estado brasileiro seriam garantidas, devendo apenas prestar juramento de obediência ao Príncipe herdeiro do rei de Portugal. Simples assim. A Junta Governativa estava presidida pelo bispo D. Romualdo de Sousa Coelho, que reunir extraordinariamente um conselho para conhecer e deliberar sobre a situação. Ás 7 horas da noite de 11 de agosto, no Palácio do Governo, a junta se reuniu, tendo então o comandante das armas José Maria Moura; desconfiado daquele navio escoteiro; procurado adiar a decisão. Que não conseguiu face a concentração do povo às portas do palácio, ansioso bradavando já a favor da ambicionada Adesão
 
A reunião foi encerrada cerca das onze horas da noite com a decisão de que o Pará estava unido ao Império do Brasil, independente de Portugal. Na verdade, aquele ato foi a Rendição das forças portuguesas, pois a Adesão em Muaná já estava feita. Em 15 de agosto de 1823, foi Proclamada da Adesão do Pará à Independência do Brasil. O brigue Maranhão deu salva de 21 tiros, respondido pela fortaleza da Barra (Val de Cães), anunciando o hasteamento da bandeira brasileira, pela primeira vez, sobre as águas do Grão-Pará. No palácio do Governo autoridades comemoravam sobriamente e nas ruas o povo comemorava com incontida alegria e sentimento de desforra de tantos anos sofridos. 

Tudo parecia em festas, mas uma vez mais os paraenses não se conformaram com o logro colonialista e colocaram abaixo a Junta Governativa imposta no acordo arranjado por Greenfell. Não viera ele a serviço do Imperador para obter a Adesão do Pará? Pois, daquele jeito os paraenses não estavam de acordo. Os que estavam escondidos nos matos pelo interior vieram à capital exigir um governo popular sob a chefia de Batista Campos. 
 
Desmascarado o plano de Greenfell, começaram manifestações da própria população contra a recém Junta Provisória acusada de manter o poder dos comerciantes e latifundiários portugueses. Os revoltosos começaram a invadir residências de famílias portuguesas das quais guardavam ressentimentos e saquear casas comerciais. O cônego Batista Campos não conseguiu evitar o ajuste de contas. Greenfell já havia retornado ao Maranhão, porém avisado antes de ultrapassar a Vigia voltou a Belém e tentou debitar toda a culpa sobre os ombros do líder paraense odiado pelos conservadores.

Disposto a manter a “ordem” a qualquer preço, Greenfell executou friamente cinco homens do povo para reprimir as manifestações e amarrou Batista Campos à boca de um canhão com morrão aceso. Elevaram-se os protestos do povo a ponto de intimidar membros da Junta Provisória que intercederam pela soltura e recomendaram transferência do Cônego para ser processado e julgado no Rio de Janeiro. Greenfell soltou Batista Campos, mas aprisionou 256 paraenses no porão do brigue “Palhaço”, comandado pelo tenente Joaquim Lúcio Azevedo. 

Alta noite com sua guarnição e marinheiros de navios mercantes, Greenfell prendeu e mandou recolher à cadeia pessoas encontradas pelas ruas e casas suspeitas denunciadas sem distinção alguma. Cerca de 256 paraenses presos no porão do brigue “Palhaço”, berravam por falta de ar e água. No dia seguinte, apenas quatro ainda viviam e, por fim, somente um restava um tal João Tapuia. No total morreram 252 milicianos e praças, sufocados e asfixiados. 
Desde então, o povo paraense desacreditou das promessas não cumpridas do Império do Brazil e começaram a percorrer o doloroso caminho da insurreição popular que levou à explosão social, em 1835, da Cabanagem.

terça-feira, 12 de abril de 2016

BREVE HISTÓRIA DE FÉ NO MARAJÓ VELHO DE GUERRA.




ícone de São Francisco de Borja envolto em história e lenda em Ponta de Pedras (ilha do Marajó), adquirido na Europa pela família Malato, há gerações, para capela da fazenda da propriedade adquirida, provavelmente, de herdeiros do Sargento-Mor Domingos Pereira de Moraes que a recebeu em doação do espólio dos Jesuítas do Pará. A fazenda Malato foi palco de acontecimento milagroso durante os anos de guerra civil entre 1835 e 1840, que envolveram toda região amazônica ceifando a vida de 40 mil pessoas numa população de apenas cem mil habitantes. 

Célebre pela resistência oposta à Conquista das Ilhas antes mesmo da presença de europeus na região, o Marajó somente permitiu construção do primeiro curral de gado 15 anos depois da doação da capitania hereditária de Joanes face ao perigo dos "índios bravios, desertores e escravos fugidos que existiam pelos centros da ilha" (Cf. Alexandre Rodrigues Ferreira, "Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes ou Marajó", 1783): nesses lugares ermos e isolados nasceram diversos mocambos (quilombos) que se comunicavam frequentemente uns com os outros desde os entornos de Belém até as Guianas além do Cabo Norte (Amapá), aproveitando a camaradagem entre negros e índios e o conhecimento milenar destes últimos sobre a geografia com fugas de escravos e castigos dantescos que moram no lendário marajoara indicando caminhos de pesquisa histórica e social. 

Não espanta, assim, a verossimilhança do relato da fazenda Malato - descontados os excessos de imaginação e as emendas do tempo - com a história social do Marajó velho de guerra herdeiro da primeira cultura complexa da Amazônia, de mais de mil anos de idade. Nos anos da revolta os moradores, de parte a parte, viveram sobressaltados. A dita fazenda fica localizada na costa da ilha do Marajó junto à foz do rio Araraiana, em frente a Vila do Conde por acaso no passado cativeiro de índios brabos para catequese no século XVII e acampamento de guerrilheiros da Cabanagem no século XIX. Ela foi chamada originalmente fazenda São Francisco Xavier, sede da primeira sesmaria dos Jesuítas (1686) dentre 22 fazendas de gado que a Companhia de Jesus teve na ilha, três das quais no rio Marajó-Açu (São Francisco, São Braz e Nossa Senhora do Rosário, cujas terras vieram a fazer parte do município de Ponta de Pedras emancipado em 30/04/1878) e as restantes no rio e lago Arari, na capitania da Ilha Grande de Joanes (1665-1757). Pena que o Brasil não conhece a Amazônia e o Estado do Pará, escravizado ao espírito da Província, não sabe o que fazer de melhor com fabuloso potencial do maior arquipélago de rio-e-mar do planeta (foto Expedição Araraiana http://www.panoramio.com/user/1576311?with_photo_id=46762608).




POR QUE ABRIL ABRE HISTÓRIA NOVA E HÁ 90 ANOS O POETA NASCIA FECHANDO AS ÁGUAS DE MARÇO.

Pausa para meditação. Corre um boato pelas bandas do retiro onde eu desfio o rosário dos últimos dias de uma vida que já vai chegando a casa dos 80; dizendo que vão vender ou já venderam a fazenda Malato, no município de Ponta de Pedras. E as pedras estão de ponta entre si: ao contrário do que reza o dístico pintado no frontispício da velha igreja Matriz... Esta bela fazenda às margens do mar de água doce tem sua origem histórica na primeira sesmaria que os filhos de Inácio de Loyola tiveram na ilha grande do Marajó para uma multinacional da construção e do agronegócio com a China. Diante da novidade fico confuso sem saber se o negócio com a pátria de Confúcio dá pra rir ou pra chorar na terra natal do índio sutil Dalcídio Jurandir. 

Eu queria conectar o Fim do Mundo, na velha Itaguari de minha infância distante, com a Barreirinha natal do poeta Thiago de Mello. Convocar a revolução antropoética debaixo do ajuri cabano santificado pelo grande Espírito de todos os santos e orixás encantados. Nesta confraria planetária, certamente, haveria lugar de honra para os ingleses Charles Darwin e Alfred Russel Wallace a par do francês jesuíta evolucionista Pierre Teillard de Chardin. A venerável tradição dos pajés não ficaria estranha no arranjo produtivo da Ciência e Tecnologia para os ODS da agenda 2030.

O pessoal da SUFRAMA é mais despachada que os despachantes papa-chibé do comércio internacional da província do grão Pará? Parece que sim. Por isto digo que os dois bois em Parintins valem mais para o Estado do Amazonas, que uma boiada no Estado do Pará adubada a peso de "incentivos" fiscais, desmatamento e trabalho análogo à escravidão... Então, para os povos amazonense e paraense, assim também dos mais estados brasileiros da Amazônia (25 milhões de habitantes) dentre os 38 milhões de todos os países amazônicos descolonização interna é vital.

Nestes tempos bicudos, promover a integração das regiões amazônicas dentro da União das Nações Sul Americanas (UNASUL) e do MERCOSUL é preciso. Mas, além dos estados a sociedade amazônica deve levantar, estudar e se apoiar sobre a Agenda 2030 como uma tábua de salvação comum. Donde a Paz, a Educação e a Cultura para as populações tradicionais configuram em conjunto a estratégia mais importante dos ODS para além dos discursos, projetos e programas governamentais. E, portanto, a inclusão socioambiental para o desenvolvimento territorial sustentável requer superação da colonialidade nas relações federativas (República, Estados / Departamento e Municípios).

A novidade de hoje, que diz o universal através do mais regional ou o global no local; quando se removem os antolhos da historiografia colonial revelam surpreendentes conexões. A paisagem cultural marajoara com rebanhos de búfalos mansos deveria nos levar de volta a Ásia donde nossos primeiros antepassados chegaram há mais de dez mil anos atrás... Os bens da Companhia de Jesus no Marajó expropriados pelo Marquês de Pombal e os padres expulsos da Amazônia que eles inventaram e encarcerados em Portugal, poderia recordar a história de São Francisco Xavier na Índia e que, por acaso, o santo irmão de Loyola missionário no Extremo Oriente deu nome à primeira fazenda das missões no Marajó. Onde veio parar uma imagem de São Francisco de Borja trazida pela família Malato... Atacada por cabanos enfurecidos que não sabiam nada de História. Quer dizer, como se está a ver no momento na crise política que o Brasil atravessa, sem conhecimento real da História não inclusão social de verdade. Então, a lenda reina e a Cobra grande comanda a vida da gente.

As terras da antiga fazenda São Francisco Xavier entravam pelo rio Marajó-Açu adentro e se estendiam pela costa-fronteira do Pará entre o rio Araraiana ("gente arara", em língua nuaruaque) e o Igarapé Puca (igarapé comprido", em nheengatu), depois chamado Rio da Fábrica devido a um curtume improvisado e fábrica de selas artesanais dos frades das Merces na ilha de Sant'Ana. Na sesmaria dos Jesuítas, na segunda metade do século XVII, os padres fundaram com índios mansos da aldeia Munguba (Barcarena) a aldeia das Mangabeiras (depois freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Ponta de Pedras (1737) e Lugar de Ponta de Pedras, 1758), hoje Vila de Mangabeira. Meia légua distante da aldeia missionária, costa abaixo, se achava a aldeia nativa dos "Guaianazes" [Guaianá], elevada em 1758 a Lugar de Vilar tendo São Francisco por padroeiro. 

O Vilar se extinguiu junto com a erosão e assoreamento do igarapé da velha aldeia e seus poucos moradores se mudaram para a vizinha Mangabeira. Os restantes foram dar nascimento ao povoado Pau Grande,  um pouco mais abaixo, que mais tarde com migrantes das secas do Ceará ajudados pela incipiente cooperativa de assentamento rural orientada pelo bispo Dom Angelo Rivatto ficou sendo hoje a agrovila Antônio Vieira. O nome de Antônio Vieira dado pelo bispo ao antigo povoado que restou da aldeia velha do Vilar lembra a carta do payaçu dos índios sobre as pazes concertadas com os sete caciques Nheengaíbas, em Mapuá (Breves) em 27 de Agosto de 1659, onde os "Guaianases" são citados como participantes do acordo celebrado na improvisada igreja do Santo Cristo junto com os índios "Mapuaises" [Mapuá], Aruans, Anajás, Pixi-Pixi, Cambocas, Mamaianás e Tucujus, inclusive, vindos do Amapá (cf. carta de 29/11/1959).

O diabo é que o bispo não sabia ao certo onde o padre Vieira se encontrou com os tais caciques nheengaíbas, nem os moradores da agrovila souberam quem era esse tal de Antonio Vieira que apagou o nome, um pouco safado, do povoado Pau Grande...  Bandalheira à parte, o pau em questão era uma velha samaumeira centenária que servia de referência a pescadores na lida ao largo da baía a se orientar para voltar. Uma árvore tão alta na beira da praia e no meio da vida daquela boa gente que o mundo esqueceu. Quem sabe, por acaso, a história natural da poderosa Ceiba pentranda? Era esta espécie de "pau grande" do povoado que restava da tapera dos Guaianá. 

Uma pequenina semente presa à pluma que o vento leva longe, tocou o chão da ilha grande, germinou, cresceu e se tornou um gigante... Quando a velha samaúma do antigo Vilar morreu teria ela quantos anos de idade? Crianças brincaram em suas sapopemas? Alguém por acaso usou aquelas raízes sonoras para bater nelas como tambor e mandar mensagens aos vizinhos? Homens e animais descansaram algum dia sob suas sombras? Pássaros nidificaram em seus galhos ou se alimentaram de seus frutos? As painas ao vento aonde levaram sementes que viraram altas samaumeiras por todas essas eiras de beiras?  A samaúma ou sumaúma (Ceiba pentranda) é uma árvore amazônica pertencente à família das Bombacáceas. Considerada sagrada para antigos Mayas da América Central e povos da floresta no Acre. Cresce ele entre 60 a 70 metros de altura, excepcionalmente pode atingir a 90 metros e seu tronco chega até mais de três metros de circunferência, rivalizando com sequoias e baobás. A samauma tira água do solo armazena para o tempo seco de verão. Índios e cabocos costumam dizer que as samaumeiras "estrondam" em certas épocas do ano despejando água no entorno favorecendo a sobrevivência de outros vegetais e reprodução de insetos polinizadores. Assim, cada dessas grandes árvores é um ecossistema dentro de microssistema, por isto botânicos a consideram “árvore da vida” ou “escada do céu” e os indígenas dizem que a Ceiba é “mãe” de todas as árvores.

E já que estamos falando de Natureza e Cultura, que tal relembrar que a povoação da aldeia de Mangabeira (Ponta de Pedras) foi feita com índios mansos trazidos pelos padre de uma outra aldeia chamada Samaúma (Barcarena), do outro lado da baia? A mesma Barcarena de agora donde saíram os cabos subaquáticos com energia elétrica de Tucuruí e fibra óptica do programa Navegapará para Ponta de Pedras, Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure. Com isto gostaria de dizer o quando seria interessante ver a Estação Cientifica Ferreira Penna (ECFP), do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), na Floresta Nacional de Caxiunã (Flona Caxiuanã); provocar as multinacionais que exploram a região, a fim apoiar extensão científica às comunidades tradicionais ribeirinhas. Penso na fazenda Malato, no Marajó; mas também em Taperinha, em Santarém, com sua história tão rica. Tenho medo, que o desenvolvimento mate a galinha dos ovos de ouro... Que todas essas fazendas de interesse histórico sejam tombadas pelo IPHAN e que eventualmente ao trocar de donos sejam preservados o patrimônio histórico e natural.





"Se houver clareza na alma,
haverá beleza na pessoa.
Se houver beleza na pessoa,
haverá harmonia na casa.
Se houver harmonia na casa,
haverá ordem na nação.
Se houver ordem na nação,
haverá paz no mundo."

Provérbio Chinês

Em data incerta a freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Ponta de Pedras passou de Mangabeira para a povoação de Itaguari onde hoje está a cidade municipal. Não faltou aí a singela invenção da lenda dos passeios noturnos da Virgem mãe concebida sem pecado, entre a velha capela de paredes de barro de sopapo coberta de palha na praia e a nova igreja de pedra e cal na vila Itaguari a dez quilômetros de distância. Quando, depois de 121 anos da doação da fazenda São Francisco (depois Malato) chegou o dia da emancipação municipal de Ponta de Pedras, dois prováveis descendentes do contemplado Domingos Pereira de Moraes, o primeiro presidente da Câmara de Ponta de Pedras, Antônio Pereira de Moraes; e seu irmão João Pereira de Moraes, Vogal (vereador); assinaram a ata de 30/04/1878 de instalação da Câmara da nova vila. Infelizmente, se por desventura esta história caísse numa prova local do ENEM talvez reprovasse a maioria dos candidatos. 

PLANTANDO IDEIAS COMO SEMENTES AO VENTO

Se for verdadeira a notícia de que a fazenda Malato vai se tornar porto de transborbo de grãos para a China, longe de convocar cabanos como Angelim no átrio da igreja de São João Batista de Vila do Conde para empastelar o negócio, mais depressa devemos convidar filhos de Ajuricaba e dos Nheengaíbas para atualizar e concluir a paz de Mapuá fumando o cachimbo da paz com os brancos encapetados. Dizer ao Brasil e o mundo que a Agenda 2030 deve ser pra valer!... Que o mito da Terra sem Mal deve ser pra valer! E para isto os donos do poder tem que contribuir de modo justo e perfeito. 

Claro, desta vez a demanda da Yvy Marãey tem que ser no espaço curvo de Einstein através da C&T bem casada com os conhecimentos tradicionais (merci monsieur Morin) onde os extremos Oriente e Ocidente se encontram na Amazônia marajoara. É verdade e o poeta da floresta Thiago de Mello esclarece mais depressa que um haikai.

A estória dos cabanos querer estraçalhar a imagem milagrosa de Francisco de Bórgia parece meia verdade: uma certa ironia que tal coisa acontecesse numa capela confronte à igreja do degolado São João Batista, na outra margem do Rio Pará pacificado pelos Jesuítas... Há uma metáfora na paisagem cultural amazônica ainda não revelada. E que, com certeza, o poeta da floresta Thiago de Melo está mais que ninguém capacitado a fazer: se a sutra de Lotus ensina aos crentes de Buda como converter maldade em bondade, a Victoria amazonica (vitória régia, planta palustre da mesma família das Ninfaceascomo a flor de lotus asiática) nos ensina a mesma lição. O veneno que se torna remédio, a Manihot utilissima (mandioca venenosa) transformada em farinha e cassabe, tucupi e tapioca foi segredo mortal da mulher aruaque. Daí as matriarcas que a cerâmica marajoara simboliza com seu mistério da sucessão de muitas vidas e mortes. Por que a gente não aprendeu ainda?


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Nelumbo nucifera

Victória amazonica

Por acaso ou obra da divina naquela velha fazenda expropriada aos padres da extinta Companhia de Jesus para doação graciosa a um dentre outros Contemplados do déspota esclarecido Marquês de Pombal, acabou que uma alma piedosa entronizou uma imagem, não de São Francisco Xavier que era padroeiro da dita fazenda; nem de São Francisco de Assis que mais tarde viria a inspirar o pontificado atual do Papa Francisco convidado a vir dar uma olhada pastoral à gente marajoara. Sim, de São Francisco de Borja ou Bórgia eleito protetor de remotos descendentes da família Malato cujo berço, dizem alguns caçadores de genealogias ilustres; encontra-se na ilha da Sicília, Itália, famosa pela origem da Máfia entre outras coisas menos perigosas. A palavra máfia (refúgio, em árabe) na Itália havia intenção de criar laços de família conforme o legado siciliano de fidelidade, honra e vingança.

De toda maneira é chegada a hora de celebrar a paz na Terra sem Mal (yvy marãey) conquistada com infinitos males. Quinze anos se passaram dos chamados Objetivos do Milênio e os amazônidas não conquistamos a graça do poeta Thiago de Mello, que na glória de seu reinado encantado, diz com radiante sabedoria: 

Agora sei quem sou.
Sou pouco, mas sei muito,
porque sei o poder imenso
que morava comigo,
mas adormecido como um peixe grande
no fundo escuro e silencioso do rio
e que hoje é como uma árvore
plantada bem alta no meio da minha vida.
           
Thiago de Mello










"Tua poesia seguirá futuro adentro, atravessando os tempos e os espaços como um cometa brilhante que atravessa o cosmo.


Enquanto um ser humano, pressionado pelo mistério e o drama da existência, empreender indagações sobre o ser e o estar no mundo, tua poesia seguirá lida como quem lê filosofia em versos, que isto é o que é, Narciso Cego;  enquanto homens e mulheres tiverem paixão, amor, carinho, sexo, as páginas-alcovas de teu delicado lirismo amoroso irão acolher ardentes e amorosos pares; enquanto a natureza for agredida por um tipo de desenvolvimento predatório, destrutivo, enquanto a Amazônia for alvo da cobiça do imperialismo, o Mormaço na Floresta, o Amazonas, Pátria das águas estarão nas mãos e nos lábios de moços e moças; enquanto os pesadelos sangrarem os olhos dos homens, enquanto as crianças e os pombos ciscarem a fome no cimento frio das praças; enquanto o pão faltar à mesa dos que semeiam o trigo; enquanto a barbárie, senhora das iniquidades, dama das guerras, for apresentada maquiada, no baile da vida, como uma bela donzela, sedutora princesa, tua poesia – tua utopia de construção de um novo mundo, onde tudo isso por decreto será banido – será declamada, proclamada, como quem lê salmos, como que lê proclamas, como quem lê compêndios da jornada daqueles que entregam a vida para tornar realidade essa utopia." -- trecho da saudação do poeta Adalberto Monteiro na festa de aniversário dos 90 anos de idade do poeta Thiago de Mello (Barreirinha, Amazonas, 30/03/1026 - ... ), na cidade de São Paulo - SP



O SANTO DOS BÓRGIA NA GUERRA DOS CABANOS
 
Diz que o milagre de São Francisco de Borja do Malato aconteceu durante a guerra civil da Cabanagem (1635-1840).  Para mim o espírito ajuricabano proclamado por Eduardo Angelim no chamado aos filhos de Ajuricaba dos Manaus e dos nheengaíbas das ilhas do Marajó está no cerne da revolução amazônica, remanescente distante do levante de Hatuey em Cuba (1515), o primeiro rebelde das Américas contra a destruição das Índias Ocidentais, que Las Casas testemunhou. 


A família Bórgia na Espanha e Itália tem considerável parcela de culpa na história infeliz da América Latina com três papas, uma cortesã depravada e um santo canonizado. Os Bórgia são capazes de deixar o escândalo dos "Panama Papers" no chinelo... Porém o pio Francisco de Borja foi a ovelha branca daquela família e o modo como ele veio parar na fazenda da família Malato, em Ponta de Pedras, não deixa de ser interessante quando se sabe da existência de um certo Charles Malato, nascido na França em 1857, quando a Amazônia sarava sua feridas da devastadora guerra civil e morto em 1938, em tempos da II Guerra Mundial. O interessante deste parente francês de origem italiana dos Malatos de Ponta de Pedras é que ele era "cabano"... Isto é, anarquista, mas sua família vinha da nobreza com os condes de Nápoles e seu pai defendeu a Comuna de Paris (1871), conhecida nos livros de história como o primeiro governo no mundo onde o povo assumiu o governo.

Nós sabemos, entretanto, que o povo paraense em armas tomou o poder no Pará em janeiro de 1835 e se aguentou até março de 1836, quando então os cabanos debandaram e saíram cometendo atrocidades pelo interior da Província, como se refere a lenda do ataque à fazenda Malato e os golpes de facão contra a imagem de São Francisco de Borja a significar o ódio dos pretos e índios aos brancos. Charles Malato tinha apenas 17 anos de idade quando foi deportado com seu pai para a Nova Caledônia, em 1874.

Reza a lenda de São Francisco de Borja do Malato que bandos de cabanos enfurecidos contra os portugueses percorreu fazendas no Marajó destruindo, assaltando e matando gente levando pânico a todo interior. Isto de fato aconteceu principalmente depois que o presidente Eduardo Angelim mandou fuzilar escravos sob acusação de assassinato de seus senhores. Na obra "O negro no Pará", Vicente Salles aborda esta estúpida contradição do chefe cabano, dizendo que os negros que lutavam por liberdade desampararam a revolução e partiram descontrolados subindo o rio para se refugiar nos mais longíquous mocambos (quilombos) até alcançar o Trombetas além das cachoeiras. 

Foi assim que, certo dia, um grupo de fugitivos assaltou a fazenda Malato que acharam deserta, pois os moradores haviam fugido todos para o mato. Exceto um preto velho escravo da fazenda que se escondeu debaixo do altar na capela e, passado o perigo, contou o que ele assistiu.  Com o tempo o relato passou de boca em boca, preencheu o vazio em horas de insônia e preparatório de ladainhas na capela.

Diz-que, os assaltante não tendo achado lá grande coisa na casa da fazenda, tentaram carregar a imagem de São Francisco dizendo eles entre si que a deviam jogar n'água dentro do rio. Mas, debalde. Aí sucedeu o prodígio, que por mais que forcejassem os homens todos juntos não conseguiram arrancar o santo do altar. O preto velho escondido ouvindo blasfêmias contra o santo milagroso e impropérios contra os brancos, viu que os tresloucados face ao mistério, longe de temer, mais ficavam exaltados passando a usar seus terçados (facões) desferindo golpes contra a imagem com vontade de a despedaçar. E pois, por longos anos, ficaram as marcas da revolta insana no ícone por testemunha até finalmente os donos resolveram mandar "encarnar" (restaurar) a santa imagem.


 
Capela de São Francisco de Borja, fazenda Malato, Ponta de Pedras, Marajó - Pará.


Com a venda da fazenda Malato por João Malato Ribeiro a Antônio Martins Mendes (Nicote), nos inícios dos anos de 1960; a imagem de São Francisco de Borja foi removida da capela da fazenda para o sítio Recreio de propriedade de Ophir Malato Ribeiro, onde se construiu nova capela para a finalidade e, mais tarde, a mesma imagem foi transferida para a catedral diocesana de Ponta de Pedras, onde se encontra atualmente.


EXPEDIÇÃO ARARAIANA: RECREIO  Sítio Recreio e capela de São Francisco de Borja, margem direita do rio Marajó-Açu.


A aldeia de Murtigura (Vila do Conde) foi no passado colonial centro de redução (cativeiro de diversas etnias onde se reduziam as línguas bárbaras com aprendizado forçado da Língua Geral ou Nheengatu, ver "Rio Babel - a história das língua na Amazônia", de autoria de José Ribamar Bessa Freire), catequese, ensino técnico básico e distribuição de "negros da terra" (escravos indígenas). Dali o celeiro de mão de obra catequizada fornecia carpinteiros, marceneiros, pedreiros, artífices de vários ofícios tendo os padres como mestres. Foram os Jesuítas os principais missionários da invenção da Amazônia, embora os Franciscanos já com a França Equinocial (1613-1615) e depois da tomada do Maranhão (fins de 1615) e fundação de Belém do Grão-Pará (1616) tivessem sido os primeiros missionários do Maranhão e Grão-Pará (Amazônia portuguesa). O nome do padre grande Antônio Vieira é incontornável da história da região no século XVII: se o capitão Pedro Teixeira assegurou lugar de destaque na formação territorial do estado colonial português, mediante a "ruptura" da célebre linha de Tordesilhas, sem a obra missionária traçada pelo gênio de Vieira custa acreditar que Portugal - inferiorizado na União Ibérica (1580-1640) desde a morte do rei Dom Sebastião na conquista fracassada do Marrocos -, tivesse atravessado a baía do Marajó ilhas adentro para varar o Amazonas acima (ver carta do pe. Antonio Vieira ao rei Dom Alfonso VI, de Belém 29/11/1659 - publicada em Lisboa em 11/02/1660).

Se nós estamos a falar de jesuítas na Amazônia e particularmente de São Francisco de Borja ou Bórgia no Marajó, pacificado pelas armas espirituais do payaçu dos índios pe. Antônio Vieira; cumpre dizer que além de bisneto do papa Bórgia (Alexandre VI, que homologou o "testamento de Adão", impondo a linha de Tordesilhas do tratado de 1494 entre Portugal e Espanha, separando o estuário do Rio Pará na costa-fronteira, com que da ilha do Marajó ao poente tudo seria de posse castelhana) o santo foi "papa negro" (nome dado por historiadores do catolicismo ao Superior Geral da Sociedade de Jesus, por sua suposta influência sobre o estado do Vaticano). 

Na verdade, o título de papa negro por alusão à cor da batina do superior geral dos jesuítas em oposição à veste branca do pontífice romano; se criou pelo antijesuitismo iluminista dentro e fora da Igreja. Mas, se fosse verdade esse poder desmedido a Ordem não teria sido extinta, em 1773, pelo Papa Clemente XIV, como se viu a cabo do conflito político dos Jesuítas com as monarquias imperiais de Portugal, Espanha e França. Coisa extraordinária, os padres inacianos foram a elite do catolicismo em Espanha e Portugal e nas suas colônias ultramarinas, inclusive no que diz respeito ao tratado de Tordesilhas de 1494 e sua revogação pelo de Madri de 1750. Mas, foi justamente durante a primeira tentativa de demarcação de fronteiras da Amazônia, no Rio Negro, com sede em Barcelos que o conflito se instalou com o orgulhoso irmão do Marquês de Pombal, governador-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado; a jogar toda culpa do fracasso da demarcação sobre os padres sem poder atender as imposições de abastecimento da comissão demarcadora instalada no Palácio dos Demarcadores, em Barcelos, Amazonas; onde o próprio governador português se instalou à esperado do comissário espanhol

É nós com isto? Marajó é, sem dúvida, resultado direto de algo como cinco mil anos de ocupação humana e cerca do ano 400 dC viu surgir a primeira cultura complexa da Amazônia donde a Arte primeva do Brasil teve seu apogeu por voltas de 1300 com a cerâmica marajoara: a mais elaborada e agora conhecida mundialmente através de dez grandes museus nacionais e estrangeiros, a partir da exposição universal de Chicago (Estados Unidos), em 1893.

A destruição das Índias Ocidentais não esperou muito tempo depois da chegada dos cristãos com o famigerado Colombo a ilha Guaanani (São Salvador, hoje as Bahamas famosas mais pelos paraísos fiscais que pelo Descobrimento), conforme o dominicano Bartolomeu de Las Casas, primeiro bispo de Chiapas (México) deixou escrito. Oito anos mais tarde, o piloto e sócio de Colombo, o cristão velho Vicente Yañez Pinzón ultrapassa a Corrente Equatorial Marítima, navega o Atlântico Sul e chega próximo ao cabo de Santo Agostinho (Pernambuco), aproa para norte, desembarca no Ceará - quatro meses antes de Cabral aportar na Bahia - e vem direto à boca do rio de Santa Maria de La Mar Dulce (como ele chamou o Amazonas) onde ele assaltou a ilha Marinatambalo [Marajó] e capturou à mão armada 36 "negros da terra" (escravos indígenas) levando-os para Hispaniola (a pequena Espanha, depois São Domingos ou seja, Haiti e República Dominicana.

Já se sabe que o Rio Negro povoou as ilhas do Caribe através do Orenoco e da ilha de Trinidad séculos antes de Colombo. Por sua vez, o Caribe povou a grande ilha das Guianas até o arquipélago do Marajó fazendo parte da área cultural guianense no circum Caribe que  se estende até o Acre e o Pantanal matogrossense. Não é pouca coisa. Mas a gente marajoara vítima da leseira amazônica sente-se "ilhada" e desamparada. Não é só na música que o Pará tem porto de mar no Caribe...  A colonialidade apaga a história oral da gente que as populações tradicionais insistem em reescrever desde a memória do barro.

Em 1515, os escravos da Pequena Espanha se levantaram sob comando do cacique taino Hatuey - o primeiro rebelde das Américas - e passaram a ilha de Cuba iniciando a guerra de guerrilhas que, a bem dizer, incendiou os canaviais de São Domingos levando à revolução haitiana, com a abolição da escravatura e independência do Haiti (1791-1804): daí o contágio das tropas mestiças do Pará durante a ocupação anglo-portuguesa de Caiena (1809-1817), a tragédia da adesão do Pará ao império do Brazil no massacre do brigue Palhaço e a Cabanagem (1835-1840)... Voltamos a França Equinocial (1613-1615), fundação de Belém do Grão-Pará (1616), criação do Estado do Maranhão e Grão-Pará... Quarenta e quatro anos de guerra de invenção da Amazônia até as pazes dos Nheengaíbas em 27 de Agosto de 1659. Caminhamos - sem saber, na rota do sol poente em busca da utopia selvagem da Yby marãey (terra sem mal), até os confins do grande rio, nos Andes. Por acaso, pela saga tapuia o caminho do futuro contemplava o Arapari (pais do Cruzeiro do Sul) desde as grandes migrações do Caribe para a Terra Firme,  pelo menos duzentos anos antes da chegada de Colombo.

O bisavô de São Francisco de Borja ou Bórgia era nada menos que o contravertido papa Alexandre VI (o espanhol Rodrigo Bórgia), que arbitrou e homologou o Tratado de Tordesilhas de 1494. Segundo historiadores portugueses como Jaime Cortesão, por exemplo, Portugal sabia em segredo da existência de terras que vieram a se chamar Brasil (do nome celta brazyl, matéria corante vermelha comerciada pela Irlanda e supostamente encontrada no imaginário país de São Brandão). Contrariado em sua pretensão de descobrir terras ultramarinas, o rei de França Francisco I, contestou o acordo luso-hispânico homologado pelo papa Alexandre VI, chamando o documento de "Testamento de Adão". Desta inconformação francesa surgia a concorrência mediante corsários. Logo a Inglaterra usaria piratas para saquear navios espanhóis carregados de prata e ouro roubados aos impérios asteca e incaico, do México e Peru, respectivamente. A Holanda em luta de independência contra a Espanha manteve-se inicialmente aliada a Portugal no comércio colonial até que com a morte prematura do rei Dom Sebastião na conquista do Marrocos, invadiu e tomou colônias portuguesas declarando guerra à União Ibérica (1580-1640) governada pelos Reis Católicos.


Não por acaso, tão logo os invencíveis Nheengaíbas foram pacificados pelo padre Antonio Vieira em pessoa e os Tupaius pelo jesuíta luxemburguês Bettendorf sob ordens do primeiro; os colonos do Pará se revoltaram expulsaram, violentamente, os padres. Esta foi a primeira expulsão dos Jesuítas, em 1661. Isto quer dizer agora, na ótica dos Objetivos dos Desenvolvimento Sustentável (ODS), coincidentes com as preocupações do Vaticano sobre a Amazônia e a bacia do Congo expressas na carta encíclica Laudato Si, do Papa Francisco.

O nome "Marajó" [do tupi marãyu, gente má] está viciado de preconceitos, tanto por parte dos índios guerreiros conquistadores da Tapuya tetama (terra Tapuia) quanto pelos colonizadores do Maranhão e Grão-Pará. Como os antigos "marajoaras" designavam a si mesmos e a ilha grande de nossa atual Amazônia Marajoara? Não se sabe. Tampouco se sabe muita coisa a respeito dos originais criadores da Arte primeva do Brasil parida do barros dos começos do mundo através dos originais das culturas ancestrais da amazonidade: expressas nas cerâmicas Marajoara, Tapajônica e Maraka.

Único fragmento da extinta língua dos Aruã, segundo o trabalho pioneiro do diletante mineiro e fundador do Museu Paraense Emílio Goeldi, Ferreira Penna; nos diz que este bárbaro do circum Caribe chamava a dita ilha grande de Analau Yohankaku. Fora este caco nheengaíba desprezado, o resto é nheengatu "Ilha dos Nheengaíbas", "Ilha dos Aruans", "Ilha Grande de Joanes" (que neste caso deveria ser ilha dos joanes ou, melhor dos Iona ou sakakas) e, enfim, "Marajó"...

Na verdade, Marajó não é apenas uma ilha, mas um arquipélago de aproximadamente duas mil ilhas grandes e pequenas banhadas pelo fluxo e refluxo do maior rio do mundo e o oceano Atlântico localizadas no Golfão Marajoara (cf. Aziz Ab'Saber). Mais, a região estuarina do Marajó no total de 104 mil quilômetros quadrados onde vivem meio milhão de brasileiros se estende ao continente na microrregião de Portel, entre os rios Tocantins e Xingu. Não é pouca coisa no tempo nem no espaço...

Agora que se reacendem esperanças da brava gente marajoara voltadas inclusive para o primeiro jesuíta no trono do Pescador, mensageiro da Paz, em busca de Educação integral e Cultura libertadora dos povos da mãe Terra; é preciso botar fé na Carta das Nações Unidas para realização total da Agenda 2030 ressuscitando o espírito original da demanda popular pela voz dos Bispos do Marajó que levou ao PLANO MARAJÓ cantado e prosa e versos para ser anunciado em festas na terra do cacique Piié Mapuá, pelo Presidente Lula e a Governadora Ana Júlia no ano de 2007, aos 348 anos da paz dos Nheengaíbas. 

Coisa extraordinária! Pois nem o Presidente da República nem a Governadora do Estado do Pará assessorados por seus respectivos staffs deram mostras de saber da história do lugar onde discursaram cheios de fé e esperança no futuro de uma gente despossuída de passado e muito maltratadas pelo presente.



jardim e pórtico da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, Diocese de Ponta de Pedras.



Na oportunidade de sua próxima visita pastoral ao Brasil, prevista para 2017; o Papa Francisco está convidado a incluir o maior arquipélago fluviomarinho do planeta em sua viagem. Então, poderia ele ter motivo especial para ver o magnífico Amazonas junto ao rio que dá nome a ilha onde, no século XVII, filhos de Loyola a começar com o martírio de Luiz Figueira (1645) e a morte do padre João de Souto Maior na tentativa de devassar o rio dos Pacajá; começaram a evangelização do povo marajoara após a pacificação dos rebeldes Nheengaíbas, promovida pelo padre Antônio Vieira em Mapuá (Breves), Aricará (Melgaço) e Aracaru (Portel). Caso o Papa da paz possa atender o convite da gente marajoara encabeçado pelo prefeito de Breves, senhor Xarão Leão, não valerá uma missa solene celebrando aqueles longínquos dias no antigo rio dos Mapuá do primeiro encontro pacífico entre católicos e pagãos amigos dos hereges no grande rio Babel?