segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 DE ABRIL: 42 ANOS DEPOIS, O COLONIALISMO ACABOU MAS A COLONIALIDADE AINDA EXISTE.






Não nos cansamos de louvar os feitos históricos do velho Portugal nosso avozinho como também fossem parte de nossa herança europeia pela cultura e os costumes, mas esquecemos que Pindorama e Tapuya tetama existiam muitos séculos antes do "descobrimento' do Brasil e que a mãe África em sua parte chamada portuguesa vem da noite dos tempos. Que sabemos nós de nossos antepassados africanos? Como vivem afrodescendentes no Brasil - o maior país negro fora da África - após a vergonha humanitária do trabalho escravo que não acabou até agora? Lembramos e nos orgulhamos, com razão, que as naus lusitanas desbravaram os caminhos marítimos das Índias e chegaram até as ilhas Molucas (Indonésia), a China e o Japão.

 As glórias e as misérias de Portugal também nos pertencem por via da história, mas sobretudo pela língua de Camões a qual emprenhamos de novas palavras, sotaques e significados da vasta diversidade cultural do mundo que o português inventou. A grande façanha que foi conquistar o vasto mundo e dar a ele o caráter singular da barbaridade fecunda do povo lusitano que se lança ao Mar-Oceano com verdadeira fome de mundo.

Nesta história que o 25 de Abril aporta como destino, nossa historicidade comum funda-se pela fraternidade de povos envolvidos por acontecimentos profundos à margem do despotismo de reis, papas, nobres senhores e mercadores astutos... Desde cedo lavradores, soldados e marinheiros usados e abusados por diversas oligarquias foram com as suas vidas e mortes descrevendo a imensa viagem de circunferência da Terra.  Então, a Revolução dos Cravos não se acabou de fazer e ela como o movimento de descobrimento do mundo que o português inventou, continua a se propagar em ondas em Angola, Brasil, Guiné-Gissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Mais, que este nas comunidades onde a língua portuguesa resiste ou se expande na grande babel moderna.

A comunidade lusófona internacional liquidou o colonialismo, todavia ainda precisa combater a colonialidade. Especialmente no Brasil, quando se completam 42 anos da Revolução dos Cravos  e apenas há alguns dias passados a Câmara de Deputados em Brasília ofereceu ao mundo o triste espetaculo do golpe ao estado democrático - no domingo ensolarado de 17 de Abril quando, há 20 anos, se consumara, no Pará, o massacre de sem terras em Eldorado de Carajás, acontecimento funesto na luta de classes hoje lembrado como Dia Internacional de Luta Camponesa.

UM LEGADO HISTÓRICO DE PORTUGAL PARA O MUNDO 

No dia 25 de abril de 1974, enquanto no Brasil há dez anos campeava a ditadura fascista de 1964, o povo português derrubou a ditadura colonialista que já durava 48 anos, sob Antônio de Oliveira Salazar. Aqui o golpe militar atrelado ao imperialismo anglo-americano jogou ao chão o governo democrático do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de Jango Goulart; lá os militares portugueses esgotados de uma guerra colonial na África totalmente impopular, recorreram ao golpe contra a ditadura com apoio do povo.

Um golpe cívico e popular que invadiu as ruas de Lisboa como nunca dantes na milenar história daquele país. O povo em euforia tomava as praças e vaiava as desmoralizadas forças da ditadura. Populares acorriam para oferecer apoio e alimentos aos revoltosos, festejando a perspectiva de liberdade, em vez de armas empunhavam cravos vermelhos da estação. Por isto o levante ficou conhecido como a “Revolução dos Cravos”. Sua mais famosa imagem retrata uma criança colocando no cano de um fuzil um cravo vermelho, comum na primavera em Portugal.
   

Estes 42 anos da revolução anticolonial portuguesa, recoloca a questão da colonialidade às novas gerações em todo mundo na época da globalização em seu derradeiro estágio chamado de "austeridade". Ou seja, última etapa do imperialismo financeiro que levou ao apartheid mundial sem fronteiras físicas, apesar de alguns muros tais como entre Israel e a Palestina; a vergonha de Brasília com aquela cerca improvisada nos gramados do Congresso que, afinal de contas, deu visibilidade à apartação social no Brasil; e ameaças de se construir na fronteira entre o México e os Estados Unidos um muro pior que aquele de Berlim. 

A revolução dos cravos ensina ao mundo, sobretudo, que o Soldado é representante legítimo do Povo armado, não para defesa de alguns barões assinalados. Mas sim, "é Povo que mais comanda" e comanda por meio de instituições democráticas: vale a redundância, democracia que dizer Governo do Povo e na Constituição da República Federativa do Brasil (1988), em seu primeiro artigo como que ecoa o hino popular da revolução portuguesa de 25 de Abril: é o Povo que mais comanda...

A DESCOLONIZAÇÃO INACABADA

O 25 de abril não se reduz a uma festa popular de Portugal. O fato revolucionário da antiga metrópole estava e está umbilicalmente ligado ao fenômeno do colonialismo europeu no resto mundo, e notadamente do colonialismo português na América, Ásia e África. As lutas tardias pela independência africana tiveram da Revolução dos Cravos a senha de que fora chegada a hora de conquistar a independência: a partir daquele momento, acrescido do fato da antiga colônia do Brasil se achar mergulhada numa violenta ditadura; entrava na ordem do dia a necessidade de pensar a lusofonia como espaço e tempo de descolonização, paz e liberdade.

Aquilo mexeu também com a geopolítica global do surgimento de cinco países independentes no continente africano atingido também pela Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviètica. As colônias conquistando independência, alteraram zonas geopolíticas dos Estados Unidos, França, Inglaterra e África do Sul. A Internacional Comunista e especialmente o Partido Comunista Português (PCP) jogavam papel sumamente importante para virar a página colonia, lembrando-se a inflamada Guerra Fria, a Revolução Cubana e seu papel na guerra de independência de Angola em meio a luta de potências gigantes (EUA e URSS)”. O 25 de Abril no mundo foge de uma visão estreita a respeito de uma quartelada em Portugal como preferem os conservadores.

A conquista real da Revolução dos Cravos se resume em três palavras de ordem dos ‘capitães de abril’: descolonizar, democratizar e desenvolver. Comandos que hoje mais que nunca em Portugal e no mundo que o português inventou, precisamos levar Avante!

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