sábado, 6 de agosto de 2011

AMAZONAS E NILO: DOIS BERÇOS DA CIVILIZAÇÃO PLANETÁRIA

O Nilo é o mais famoso rio do mundo antigo pela civilização que floresceu nele desde a profundeza da África Negra, notadamente na Etiópia; e seu esplendor no Egito. Através deste, mestiçando-se com tribos semitas, bérberes e indu-europeias difundiu-se no mar Mediterrâneo com apogeu na Grécia e Roma. 

O Amazonas - ao longo do Peru, Colômbia e Brasil - é o maior rio do mundo em extensão e volume com sua enorme bacia hidrográfica irrigando a Floresta tropical úmida que caracteriza a Amazônia, na América do Sul, compartilhada pelo Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e região ultramarina francesa da Guiana.

O estudo comparativo dos dois maiores rios da Terra e seu aproveitamento prático para o desenvolvimento humano sustentável, dentro das relações Sul-Sul; é algo que requer certa urgência em meio à crise econômica, ambiental e humanitária global onde o nome Amazônia aparece constantemente, oras com exageradas esperanças, oras com infundado pessimismo. Mas, de todo modo, sendo um patrimônio extraordinário tanto para os países-membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), como também em geral para a comunidade internacional no sistema da ONU, mas principalmente às populações amazônicas estimadas em torno de 25 milhões de pessoas.


Neste contexto, Belém do Pará metrópole da Amazônia Oriental deve rever sua história desde a invenção da Amazônia, ocorrida em meio a disputas mortais entre monarquias da velha Europa em torno do "testamento de Adão"; com a fundação da "França Equinocial" no Maranhão em 1612; a completar 400 anos em 12 de janeiro de 2016.


Capital do estado-colônia do Grão-Pará e Maranhão, desde 1751, por determinação do célebre Marquês de Pombal; Belém criada como "boca de sertão" (base militar para conquista do rio das Amazonas, com ajuda indispensável do Bom Selvagem tupinambá, caboclizado e desmemoriado sem eira nem beira no fim da história...) cedo revelou sua cegueira ultramarina congênita de caçadores de tesouro. Incapaz de ver a amazônidade manifesta há mais de mil anos de civilização neotropical. Como ficou patente no célebre "Sermão aos Peixes" do Padre Antônio Vieira, proferido em São Luís-MA, 1654 a caminho de Lisboa quase clandestino para demandar ao rei a lei de 1655, de abolição do cativeiro indígena. 

E, portanto, não há dia que os jornais não deem notícia de trabalho escravo na Amazônia...


Nossos colonizadores, longe de se deixar conquistar pelo novo impuseram a ditadura do velho mundo... Fato compreensível para época, porém intolerável para nós em plena segunda décado do século XXI! "Belém da Amazônia" deve ser a nova metrópole que o Rio-Mar requer face à decadência de "Belém do Grão-Pará" e o complexo de inferioridade do "já teve" na "belle époque" da Borracha...


O Estado do Pará cedo ou tarde será desmembrado para dar lugar a novos estado brasileiros na Amazônia em transe nas imperiosas contradições entre o desenvolvimento econômico e a preservação da natureza. No plebiscito para criação dos estados de Carajás e Tapajós, em dezembro próximo, enfrentaremos o mais duro teste da história do Pará, depois da Cabanagem. Caso ocorra a divisão que há poucos meses parecia improvável o grande Pará se verá a braços com uma crise sócio-econômica devastadora, e por outro lado longe do povo dos dois novos estados ver realizadas suas justas esperanças; não haverá milagre nenhum possível.


O exemplo do estado do Tocantins, com exceção da euforia urbana da nova capital em Palmas; o povo do interior terá que pagar o pato da aventura de novas elites semelhantes à incompetência e centrismo vesgo da elite belenense da qual se queiam há muitas décadas...


Oxalá, no plebiscito prevaleça a razão dando maioria ao NÃO à divisão!... Porém, tal decisão não pode ser senão no sentido de adiar o prazo da separação. E esta não deve se limitar apenas ao Tapajós e Carajás, tampoco há de iludir o eleitorado sobre qual cidade será a capital do novo estado... Marabá, Redenção ou Parauapebas devem ser a capital de Carajás? Santarém tem direito líquido é certo sobre Oriximiná ou Altamira, por exemplo? Os pescadores de águas turvas tem pressa em fisgar o peixe dos votos de 2012, e não estão se importando em repartir a pobreza em vez do tesouro do El-Dorado, com que desde o princípio da invenção da Amazônia foram iludidos os colonos da França Equinocial e do Maranhão e Grão-Pará com o genocidio dos índios e o cativeiro do negros para dar remédio a exportação das misérias do velho mundo...


Ao contrário, se Belém do Grão-Pará desde cedo houvesse entendido a mensagem do "Sermão aos Peixes" já teria assumido, de fato, seu direito de primogenitude de "rainha das águas quentes da América do Sul", que Eidorfe Moreira explorou em sua obra "Belém e sua expressão geográfica" baseado no vaticínio de Henri Coudreau, em "L'Avenir de la capitale du Pará".


Deste modo, ou Belém a capital do Pará teria migrado para o Xingu para zelar mais de perto o território do tamanho de um país rico e diverso como a África do Sul. Ou bem, teria aprofundado sua função metropolitana incentivando ela mesma a criação de novos estados na hinterlândia...


E portanto, para quem entende do que se está a falar aqui, vem a calhar a geminação entre a velha Belém da Palestina e a nova Belém da Amazônia, olhando para a história comparada do Nilo e Amazonas como plataforma de invenção do futuro pelos caminhos da paz para o desenvolvimento humano sustentável.


Por acaso, existe em Belém do Pará uma Cátedra da UNESCO para a Cooperação Sul-Sul e ainda a Associação de Universidades da Amazônia (UNAMAZ): infelizmente, entre estas e o Ver O Peso com sua imaterial "academia do peixe frito" resta distância maior que de Machu Pichu, no Peru, até Afuá, no Marajó.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Amazonas

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Nilo

Nenhum comentário:

Postar um comentário