quinta-feira, 7 de julho de 2011

O BICHO, MEU ZEUS, ERA UM HOMEM!

Zé, de Belém do Pará, manda bilhete a Vilmar, em Niterói:

Prezado amigo Vilmar,

muito oportuna campanha do Portal do Meio Ambiente para coleta seletiva do 'lixo' que não é lixo... Entretanto, estes últimos tempos que antecedem a corrida às urnas municipais de 2012, mais do que antes, estão mostrando certa fadiga do debate ambiental para um lado e da questão social para outro.

isto me faz lembrar que aqui no Pará, entre as décadas de 1930 até 1950, tivemos um grande poeta amazônico da negritude que foi Bruno de Menezes - homenageado neste blog - que se notabilizou, entre outras facetas, por ser nosso pioneiro do Cooperativismo.

O cooperativismo na Amazônia padece de maré contra, desde então, muito embora as culturas locais indígena, quilombola e caboca sejam elas cooperativistas por natureza. Bruno lançou-se à educação socioambiental (unindo no mesmo balaio questão social e meio ambiente) de corpo e alma. A feira do Ver O Peso com a celebração sincrética de São Benedito da Praia e a militância da Academia do Peixe Frito foi o seu QG à frente duma confraria cívico-literária que, segundo recentes pesquisas, antece o Modernismo no país.

Pois bem, se a cultura de mutirão (inata em comunidades indígenas, quilombolas e rurais de modo geral) não houvesse sido torpedeada pelo sistema colonial-exportador, uma simples campanha como esta para dar tratamento ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável ao Lixo; nem precisaria de tamanho esforço... O nosso Bruno se valia da imagem dos 2 burrinhos amarrados um ao outro por uma corda curta, de modo que cada um deles puxava para o seu lado e impedia o outro de caminhar para ir pastar em lugar diferente... Até que, depois de uma luta interminável, os dois burros porfim se davam conta de que caminhando juntos na mesma direção ambos sairiam satisfeitos da história.

no caso do nosso Lixo urbano me parece que os burros somos nós, metidos em movimentos separados por etiquetas de diversos títulos e cores que se atrapalham uns aos outros, sem preceber que se praticassemos a CULTURA DO MUTIRÃO nossas ruas e bairros achariam "solução"...

rastreando, p. ex., o destino daquela garrafa pet da festinha das crianças ou aquele velho sofá roto; a gente poderia ver que além do meio ambiente danado, nós mesmos estamos contribuindo para manutenção da triste condição social dos chamados "catadores de lixo" aos quais o poeta Manuel Bandeira dedicou um poema que é como um soco no estômago após a lauta janta...

O BICHO

VI ONTEM um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
 
 
mal cheiro
"Todos sabemos dos problemas estéticos e de mal cheiro dos lixões, posto que, segundo levantamento da ONU em outubro de 2003, cerca de 16 milhões de brasileiros não possuem coleta domiciar de lixo. O mais grave é que cerca de 64% dos municípios no Brasil depositam o lixo coletado em lixões a céu aberto, como o da foto." (copiado da internet).
 
 
 
 



Nós sabemos que o meio ambiente burro quer o paraíso ecológico donde o homem é expulso como Adão e Eva do jardim do Éden... E o socialismo burro pouco está ligando para a natureza da Natureza (Edgar Morin), crente de que saciado o homem tudo mais se resolverá como que por milagre. Ledo engano! Lá vem a chuva, o ciclone, a enchente e leva tudo...

não carece fazer curso superior para resolver problema de lixo desde o lar, o bar, a rua, o rio, o bairro ou o rincão; viva-se a CULTURA DE MUTIRÃO. Agora que o governo (em suas três "esferas") decidiu priorizar o combate à pobreza extrema, a prática cooperativa solidária entre desvalidos e arremediados poderia topar a parada.

Comunidades carentes, rapidamente, por força da necessidade; estão aprendendo a reciclar lixo que não é lixo e tratar lixo orgânico em pequena escala ("small is beatifull", lembram-se?) para alquimia verde de alimentos sem agrotóxicos e carestia, prontos para consumo local... Adquiridos com moeda$ local (garantida por lastro monetário oficial em projetos de responsabilidade socioambiental de bancos e grande empresa). Tudo isto já existe em teoria e papel...

Não faltam experiências de sucesso, nem conhecimento, nem dinheiro, nem vontade política. Mas, falta "meu Zeus!" educação popular e cultura.

fica em paz irmão e bola pra frente nessa pregação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário