domingo, 3 de julho de 2011

BANHO DE CHEIRO: TIRANDO CATINGA ANTICOMUNISTA

A propósito da "CONFERÊNCIA NEUTON MIRANDA" 
14ª Conferência do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)do Estado do Pará
de 1º a 3 de julho de 2011
Parque dos Igarapés, Belém-PA, Amazônia-Brasil

A fim de justificar seus crimes contra a humanidade, o anticomunismo espalhou infâmias de diferentes procedências contra o movimento comunista estigmatizando a Foice e o Martelo como se o símbolo do trabalho camponês e operário fossem sinais do Mal e não, na verdade, a fonte da vida social e econômica. 

Dentre outras mentiras capitalistas assacadas para refrear a marcha da História, a falsa propaganda e contra-informação dada como verdade pura dizendo que o ateísmo era obrigatório na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). De fato, a revolução soviética implicou em conflito com a velha hierarquia da igreja romana, que fora pilar da aliança entre o Trono e o Altar, enquanto a igreja ortodoxa convivia com o regime de Moscou. 

Em Cuba, apesar de alguns atritos, o catolicismo e cultos afroamericanos como a Santeria convivem ainda com a revolução socialista caribenha. Enquanto na China, o taoismo e o budismo continuam coexistindo separadamente ao estado laico da república popular chinesa.

Não poderia ser diferente no Brasil multicultural com sua religiosidade sincrética, onde desde o fim do Império estado e religião estão politicamente separadas, mesmo quando as relações entre religiões não são exatamente o mar das traquilidades... Sobretudo, não se pode dizer que o comunismo é ateu, holístico, agnóstico ou teista, pois como se deve saber o Comunismo nunca jamais foi testado em nenhum país do mundo. 

Entretanto, historicamente formado e estudado por diversos métodos a partir da base teórica formada por Marx e Engels sobre o materialismo histórico do desenvolvimento econômico e semelhantemente ao pioneirismo de Freud, Jung e Adler no campo da psicologia humana; chegou-se à autocompreensão da humanidade por ela mesma, constituindo marco entre o "socialismo utópico" e o "socialismo científico".


Mas, isto ainda é convencional e parte do debate dialético em busca do real em constante transformação sob o peso da História.No campo Ciência, os linguístas nos advertem sobre a Babel das línguas e linguagens além da miragem da fronteira do pensamento científico: o "mapa não é o território"... 

Ou seja, as palavras representam a realidade tal ela nos parece, mas não são o mundo real: ademais um geógrafo marxista avançado, como foi o caso do brasileiro de Brotas de Macaúbas-Bahia, Milton Santos; ensina a ver a geografia humana dos lugares, dotada de especificidades e singularidades extraordinária por todas as partes. Com isto já vou chegando aonde eu queria chegar, fazendo coro com o italiano Gramsci: um entre outros facilitadores da interpretação marxista do arquipélago Brasil. Então, por aí começamos a devassar aos poucos a espessa cortina do verde vago mundo amazônico - Rio Babel - com sua dialética específica entre "civilização" e "barbaridade". Que dizer, entre colonização e resistência.

No plano global, muitos ateus ou agnósticos convictos jamais aceitaram ou aceitariam a teoria "comunista atéia", visto que suas fortunas e segurança individual repousam profundamente na alienação básica do sistema capitalista, que Marx denunciou como sendo a condição sine qua non para exclusão social e acumulação primitiva (pra não dizer a desnaturação da Natureza e desumanização do Humano), como é caso, por exemplo, de certos aristocratas e plebeus liberais na revolução industrial na Inglaterra a par de piedosos senhores de escravos e fiéis sinceros das religiões de Moisés, Jesus Cristo e Maomé. Prova de que fé religiosa e política podem às vezes se confundir mas não são exatamente as mesmas coisas.

Não espanta, pois, que militantes comunistas possam ter ou não ter uma religião, mas são por definição politicamente engajados na luta internacional pelos Direitos Humanos universais e a proteção do Meio Ambiente para todos, principalmente para as pessoa e mais seres vivos de um mesmo ecossistema reprodutivo. Opostos à idolatria alienante tal como o santuarismo que expulsa do paraíso ecológico o homem ("animal político" de Aristóteles, no direito canônico), tal qual a lenda bíblica de Adão e Eva no jardim do Éden. 

Como, então, os comunistas amazônidas discutirão isto, na periferia da Periferia do trópico úmido; sem uma visão local que dialogue com o global em termos mínimos para a igualdade e integração nacional solidária?

É certo que Karl Marx, fundador teórico da filosofia comunista (igualitária) a partir do contraditório da dialética de Hegel, criticou definitivamente o "ópio do povo" como principal fato de alienação da consciência social. Mas, nas condições históricas concretas da América Latina colonizada e oprimida durante as ditaduras da Guerra-Fria, do seio das próprias igrejas cristãs surgiu a contracorrente como a teologia da libertação, o pentecostalismo social e a união de igrejas pelos direitos humanos. 

Antes do materialista ateu Marx, o nobre agnóstico Voltaire havia dito que o mundo só acharia paz quando se tivesse enforcado o último rei com as tripas do último padre... Porém uma tal declaração de guerra filosófica não confunde no mesmo balaio fé e poderio eclesiástico. Imaginem, então, o que não se diria de Marx se ele houvesse empregado a mesma agressividade verbal do prócer liberal do Iluministmo contra o poder secular da Igreja! 

Mas, ninguém alega ser ateu o liberalismo por definição. Na verdade, a exemplo de Lutero que protestou violentamente contra os abusos do papismo; não foram contestados por Voltaire nem Marx o direito humano de crer ou não crer numa dada religião, mas o poder absoluto dos reis e sacerdotes do "ancien régime".

Portanto, tanto Voltaire quando Marx deveriam ser interpretados nos respectivos contextos históricos, na Europa respectivamente do século XVIII e XIX. Do mesmo modo, recuando no passado tanto quando o revolucionário bolivariano Hugo Chávez pode hoje afirmar que "Jesus Cristo foi o primeiro comunista do mundo"; o arguto investigador do materialismo científico pode concordar com o jesuíta evolucionário e descendente da velha nobreza francesa Pierre Teillard de Chardin, quando este dizia que "a matéria tem espiritualidades sublimes". 

Um cientista darwiniando como Daniel Dannett, autor de "A perigosa idéia de Darwin", conclui não saber se devemos rezar à natureza, mas reconhecer que este mundo é sagrado. Estas linhas tortas servem para virar a página da Guerra Fria e do mito do "fim da História": como diz o livro sagrado do Hinduismo, "há auroras que ainda não brilharam"!


Nem o socialismo é um método infalível, nem o comunismo jamais se experimentou, exceto em suas formas primitivas ou em alguns conventos e monastérios. O Brasil, que até há pouco era o país do Futuro, traz em suas origens pré-coloniais a utopia selvagem da "Terra sem Males" (um lugar mítico procurado do extremo-sul até o extremo-norte de nossa pátria, onde não existe fome, trabalho escravo, doença, velhice e morte). Os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras são, em maioria, descendentes de diversos povos buscadores de utopias semelhantes ao empolgante mito da América do Sol, que no fim da história da exploração do homem pelo próprio homem; convergem para esperança de todos e qualquer um dos povos de uma Terra sem males para todos. 

Nós, na margem esquerda da História, somos construtores da Utopia de uma sociedade planetária livre, igualitária, sem classe e sem guerras a qual chamamos o Comunismo.


Camaradas!

O Parque dos Igarapés (Distrito de Icoaraci, Município de Belém do Pará), em pleno primeiro domingo de férias, sediou nosso velho PCdoB de guerra e recomeçou às 8 hs do dia de hoje, o terceiro e último dia da 14ª Conferência Estadual do PCdoB-Pará, cujo patrono é nosso imortal Comandante NEUTON MIRANDA.

Ontem a camarada Leila Mourão repetiu Neuton quando ele dizia: "para cada camarada que cai no caminho, mil outros se levantam"...

Esta metáfora se concretiza em diversas partes do mundo neste momento, onde a luta de classes e a crise congênita do Capitalismo estudada e prevista por Marx e Engels, em fins do século XIX e, pela primeira vez na história mundial, provada -- sob liderança histórica de Lênin -- sua alternativa para o Socialismo, na Revolução Soviética de 1917; desdobrada em diversos e diferentes contextos nacionais, notadamente na China, Vietnã e Cuba.

No Grão (grande) Pará, o axioma de Neuton Miranda está se confirmando mais uma vez: como a Fênix simbólica, o PCdoB-Pará está renascendo das próprias cinzas nesta data desde já histórica.

No exato momento em que o grande Pará se vê ameaçado de tornar-se o pequeno e fanado Pará pela oportunista e mal pensada divisão territorial para criação de novos estados do Norte, cuja viabilidade é muito duvidosa para além do justo sonho de emancipação e desenvoltimentos de todas as regiões amazônicas: a este desafio oxalá o coletivo responda com o discernimento político da camarada Luzia Canuto, do Sul do Pará, a qual sabiamente declarou preferir em primeiro lugar a DIVISÃO DAS RIQUEZAS DO PARÁ a seu precoce esquartejamento a fim atender o apetite voraz de lucro dos acionistas nacionais e estrangeiros do modelo minerário extrativista exportador. A matemática financeira, desafortunadamente para os ingênuos crentes do desenvolvimentismo, ensina que não existe outra equação diversa de baixo valor agregado e salários arrochados para manter a "competitividade" de mercado.


Trocado em miúdos, são as regiões periféricas condenadas a bancar o titã Atlas da mitologia para sustentar o primeiro mundo sobre as costas dos povos pobres...

Enquanto comunista da região mais pobre das 12 regiões estaduais do Pará - o Marajó, falado e cantado em prosa e verso - faço minhas as sábias palavras da camarada Luzia Canuto.

O que o Povo Paraense todo inteiro, com seus 7 milhões de brasileiros e brasileiras amazônidas precisam; não é responder simplesmente SIM ou NÃO ao plebiscito de novembro próximo. Mas, votar NÃO para dizer sim, na verdade, a um novo modelo de desenvolvimento tal qual o PCdoB luta para todo Brasil, na integração solidária da América Latina e do Caribe, como também no resto do mundo.

DAÍ o sentido de uma Moção de nossa Conferência manifestando votos de saúde e pronto restabelecmento ao Presidente da República Bolivariana da Venezuela, companheiro Hugo Chávez. Posto que o comandante da Revolução Bolivariana representa, na atualidade dos países amazônicos um baluarte prestes a ingressar, além da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), no MERCOSUL o que, por serto, servirá de abertura para efetiva participação do Norte brasileiro no Mercado Comum do Sul.

O Pará um "colosso tão forte" que perdê-lo deveríamos mil vezes preferir a morte; significa um espaço amazônico do Brasil com um passado e uma natureza que tem sido de poucos senhores, deles nem todos verdadeiramente paraenses de nascimento ou coração. O PCdoB-Pará mais unido, revigorado e renascido da Cabanagem e da Guerrilha do Araguaia há que pensar antes no Brasil para realizar mais completamente o destino deste estado "do Brasil sentinela do Norte".

Assim, o PCdoB-Pará pelo manifesto coletivo de seus militantes há de reverter a ameaça do separatimo precoce a favor do soerguimento dos compromissos solenes nas estrofes do HINO OFICIAL DO ESTADO DO PARÁ e nas cores da Bandeira Paraense, tinta pelo sangue dos Cabanos e assinalada pela Faixa Equatorial representando o maior rio do mundo; e a estrela solitária azul no céu da Pátria no instante da Proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889.

CONSEQUENTEMENTE, os comunistas paraenses unidos hão de contestar a perpetuídade do regime neocolonial, cujo indicador geral parece ser a famigera Lei KANDIR, e mais:

+ o arreganho do Latifúndio homicida, com a impunidade de assassinos e mandantes do crime;

+ tráfico de seres humanos, que envergonha a mãe gentil Pátria Amada Brasil;

+ devem ser dirimidas as dúvidas que, porventura, ainda persistem sobre o Código Florestal, refreando a ansiedade de pescadores de águas turvas;

+ a incógnita para o povo a respeito dos reais impactos e promessas de Belo Monte;

+ a subreptícia manobra de representantes do Latifúndio e do nefando Populismo enganador expressa na PEC 53 e outras do mesmo objetivo, de "desfederalizar" terras da União para suposta municipalização da regularização fundiária: quando a realidade aponta, infelizmente, em sentido contrário; haja vista a demanda popular pela FEDERALIZAÇÃO DOS CRIMES CONTRA MILITANTES DOS MOVIMENTOS SOCIOAMBIENTAIS NA AMAZÔNIA...

muito pelo contrário das veladas intenções da PEC 53 e congêneres, o que o Povo Paraense ribeirinho e de áreas urbanas de invasão necessitam é a consolidação de políticas FEDERATIVAS, tais como o PROJETO NOSSA VÁRZEA constante do PLANO MARAJÓ/Território da Cidadania; pois é mentira que os Municípios ficam de fora, tanto os municípios quanto o Estado estão dentro da REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA posto que esta se realiza através do pacto federativo...

os patrocinadores da PEC 53 e congêneres, na verdade, querem EXCLUIR a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), que os incomodou quanto ela, com Neuton Miranda à frente da gerência regional no Pará; foi ao encontro das comunidades ribeirinhas e moradores de periferia urbana, sim, MARGINALIZADOS há século por auto intitulados "donos" de terras públicas sob leniência de governos estaduais e municipais dominados por interesses de uns poucos a custa da desgraça da gente mais desvalida...

a PEC 53, longe em desejar mais autonomia aos municípios, visa continuar a inexorável expulsão dos tradicionais moradores extrativistas das várzeas... É talvez um plano oculto de PRIVATIZAÇÃO das várzeas de açaizais e ocupação da orla urbana pela especulação imobiliária.

Exatamente, acelerar o êxodo rural com que as cidades se "ruralizam" e a violência no campo e nas cidades aterroriza os mais fracos e desorganizados, votantes eternos de currais eleitorais para fábrica de mandatos populistas reacionários que a crônica política mostra-nos todos os dias...

na arrogância e vaidade individual desses senhores endinheirados, os propagandistas da exclusão da SPU não exergam, entretanto, que a literatura socioambiental de Dalcídio Jurandir e a obra sui generis de Giovanni Gallo através do Museu do Marajó, beneficiando o DESENVOLVIMENTO CULTURAL da "criaturada grande" (populações tradicionais) é o caminho mais curto para o chamado DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL, principalmente em Belém do Grão-Pará pressionada pela migração do campo para a cidade...

+ O PCdoB provocado talvez pelos comunistas do Pará deve pressionar o governo de centro-esquerda para integrar a luta contra a pobreza extrema distribuindo também os benefícios da Comunicação eletrônica, no Plano Nacional de Banda Larga... Não basta as empresas de telefonia privada oferecerem internet barata nas sedes munícipais... 


É preciso ousar muito mais, nas ilhas do Pará e Amapá (onde o tráfico de seres humanos campeia e os piratas "deitam e rolam"; falam-se até em coisas hodiondas, como venda de crianças para transplante de órgãos e tecidos no exterior!!!!!... E preciso um plano B de banda larga, inteiramente público, para fazer chegar além do e-mal vulgar também recursos da telemedicina, a segurança pública e o ensino à distância... Em Marajó, por exemplo, são mais de 500 comunidades isoladas... muitas delas distantes da sede municipal por quase um dia inteiro de viagem de barco sem outra alternativa...

É DISTO QUE SE ESTÁ FALANDO quando, nas reuniões do PCdoB-Pará, evocamos a memória de Dalcídio Jurandir, João Amazonas, Pedro Pomar, Neuton e muitos outros heróis ou mártires do povo paraense.

POR ISTO muito nos anima a chegada de várias jovens promessas de novos camaradas "Neutons": a Luta continua...

Olhando para 2012 - ANO DO 90º ANIVERSÁRIO DO PCdoB - esta conferência vibrante, plena de juventude e sob inspitação da primeira mulher Presidenta da República Federativa do Brasil, a companheira DILMA, se assemelha à Fênix civilizacional.

saudações Marajoaras!

de Julho de 2011 - 7h02
14ª Conferência Militantes comunistas na luta

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