Ave, guará do Pará!

Eudocimus ruber
Será talvez a capital do Pará
única cidade brasileira
Onde revoam livres e
diariamente em céu aberto
Além de urubus que disputam
lixão com homens
Mulheres e crianças pobres
pra matar a fome
Ou peixe morto na maré do Ver
O Peso
Outras aves da natureza
cheias de graça e beleza
Como a pura brancura das
garças,
Verdes bandos de periquitos
Pousando no verde copado das
mangueiras
Ilha dos papagaios na margem
esquerda do rio,
Guarás no Mangal das Garças
são crias da ciência
Casada com paciência por
pesquisadores
Mais que doutores, poetas da
biosfera
Em altos vôos sobre as torres
da cidade.
Espera, estamos falando duma
lenda viva
Que virou bicho de pena e
voou longe
Em diversas paisagens
culturais do vasto mundo
Aqui o chamamos pelo nome
popular de ‘Guará’,
O “Eudocimus ruber”, ave
vermelha dos mangues
Da costa norte da América do
Sul,
Família “Threskiomithidae”
conhecidas como Íbis,
Trinta espécies mais ou menos
no planeta.
Aves sagradas, hábitos
dulcíssimos plenos de magia.
No Marajó o ibis guará é
considerado caruana de pajé sakaka
No Egito o íbis “Threskiomis
aethiopica” era mumificado
Junto com o faraó em sua
última viagem para a eternidade
No Brasil indígena
pré-cabralino o vermelho de penas de guará
Eram reservadas como distintivas
de cocar dos caciques.
Portanto não é sem assim
Que a gente se espanta quando
sabe do nascimento
Quase prodigioso
De mais um filhote de guará
recém saído da casca do ovo
Na maternidade de aves no
Mangal das Garças,
Que até dá vontade de mandar
avisar o povo
Reunido a festejar
O dia de aniversário da mais
antiga cidade amazônica
Como se fora presente
antecipado da antiga cultura marajoara
Aos quatrocentos janeiros de
Belém do Grão-Pará.
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