segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Ave, guará do Pará!

Aves que nascem no Mangal são criados em semi-liberdade no próprio parque. (Foto: Thais Rezende/ G1)




Eudocimus ruber

Será talvez a capital do Pará única cidade brasileira
Onde revoam livres e diariamente em céu aberto
Além de urubus que disputam lixão com homens
Mulheres e crianças pobres pra matar a fome
Ou peixe morto na maré do Ver O Peso
Outras aves da natureza cheias de graça e beleza
Como a pura brancura das garças,
Verdes bandos de periquitos
Pousando no verde copado das mangueiras
Ilha dos papagaios na margem esquerda do rio,
Guarás no Mangal das Garças são crias da ciência
Casada com paciência por pesquisadores
Mais que doutores, poetas da biosfera
Em altos vôos sobre as torres da cidade.

Espera, estamos falando duma lenda viva
Que virou bicho de pena e voou longe
Em diversas paisagens culturais do vasto mundo
Aqui o chamamos pelo nome popular de ‘Guará’,
O “Eudocimus ruber”, ave vermelha dos mangues
Da costa norte da América do Sul,
Família “Threskiomithidae” conhecidas como Íbis,
Trinta espécies mais ou menos no planeta.
Aves sagradas, hábitos dulcíssimos plenos de magia.

No Marajó o ibis guará é considerado caruana de pajé sakaka
No Egito o íbis “Threskiomis aethiopica” era mumificado
Junto com o faraó em sua última viagem para a eternidade
No Brasil indígena pré-cabralino o vermelho de penas de guará
Eram reservadas como distintivas de cocar dos caciques.
Portanto não é sem assim
Que a gente se espanta quando sabe do nascimento
Quase prodigioso
De mais um filhote de guará recém saído da casca do ovo
Na maternidade de aves no Mangal das Garças,
Que até dá vontade de mandar avisar o povo
Reunido a festejar
O dia de aniversário da mais antiga cidade amazônica
Como se fora presente antecipado da antiga cultura marajoara
Aos quatrocentos janeiros de Belém do Grão-Pará.





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