domingo, 21 de fevereiro de 2016

ilhas do mundo, DIA DE ALFREDO: o "bloomsday" da Amazônia

Dalcídio Jurandir
(Ponta de Pedras, 10/01/1909 - Rio de Janeiro, 16/06/1979)








LEI Nº 9.164 DE 18 DE DEZEMBRO DE 2015. 

Institui o Dia de Alfredo (data de falecimento do escritor Dalcídio Jurandir) no Calendário Municipal, e dá outras providências. 

O PREFEITO MUNICIPAL DE BELÉM, Faço saber que a CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM, estatui e eu sanciono a seguinte Lei: 

 Art. 1º Fica instituído o dia 16 de junho como o “Dia de Alfredo”, data de falecimento do escritor e romancista Dalcídio Jurandir. 

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. 

PALÁCIO ANTONIO LEMOS, 18 DE DEZEMBRO DE 2015 

ZENALDO RODRIGUES COUTINHO JÚNIOR 
Prefeito Municipal de Belém





Atores caracterizados como personagens de Ulisses, durante o Bloomsday, em Dublin.
A partir de 16 de junho de 2016, na Amazônia, Belém do Pará terá também a chance
de festejar o personagem de "Belém do Grão-Pará" - no DIA DE ALFREDO - lembrando
as aproximações literárias entre Dalcídio Jurandir e James Joyce.





CONEXÃO GEOCULTURAL PELO TURISMO LITERÁRIO



Graças à lúcida iniciativa do jovem vereador Moa Moraes, atendendo à aspiração do distinto leitorado de Dalcídio Jurandir manifestado durante seu Centenário de nascimento (2009), doravante a cidade de Belém do Pará todos anos terá o Dia de Alfredo oficial, a par do famoso Bloomsday de Dublin (Irlanda), comemorado em 16 de junho. 

Ótima oportunidade para intensificar o turismo literário firmando-o como arauto da cultura amazônica junto à peculiar gastronomia regional, manifestações religiosas tradicionais como Círio de Nazaré e, sem dúvida, desencantar a Criaturada grande de Dalcídio (populações tradicionais), de direito e de fato, como cidadã brasileira e do mundo na paisagem cultural do Ver O Peso e Ilhas do golfão marajoara. Dispensado repetir que o 'índio sutil" (tal qual Jorge Amado chamou a seu companheiro amigo Dalcídio Jurandir) é porta-voz da milenar Cultura Marajoara, portadora da arte primeva do Brasil espalhada em, aproximadamente, dez grandes museus no mundo. Desgraçadamente, autoridades e promotores brasileiras não dão demonstração de saber estas coisas. Belém agora irá tocar sinos e soltar rojões para despertar o Brasil a respeito da Criaturada à margem da história? 2030 está no horizonte planetário como meta da ONU para virar o jogo da exclusão socioambiental.

O Bloom's Day na Irlanda é o dia instituído para homenagear o personagem Leopold Bloom, protagonista do célebre romance Ulisses, de James Joyce. Até 18 de dezembro de 2015 quando a cidade de Belém do Pará tornou lei o Dia de Alfredo, em todo o mundo o Bloom's Day era o único dia dedicado a personagem de um livro. Agora a literatura amazônica com seu notório atrativo turístico se coloca para dialogar com a cultura irlandesa. Admiradores de James Joyce não se interessariam em vir a Amazônia ver esta invenção?

A Amazônia continua misteriosa e desconhecida, apesar do tanto que dela se fala no mundo todo e as mais diversas críticas sobre o Brasil a respeito da floresta amazônica e dos povos das águas e da floresta. O personagem Alfredo - alterego do romancista Dalcídio Jurandir - ao longo de nove dos onze romances que o autor escreveu faz uma odisseia viajando pelas ilhas do maior arquipélago de rio mar do planeta e a cidade grande de Belém. O Bloomsday é comemorado na Irlanda pelos amantes da literatura com diversos eventos oficiais e não oficiais. Também é comemorado todos os anos em vários lugares e países em várias línguas. 

Em comum, entre dedicados entusiastas e simpatizantes de James Joyce envolvidos nas comemorações, há atividades para lembrar acontecimentos vividos pelos personagens de Ulisses nas ruas de Dublin. Ulisses narra acontecimentos vividos pelo personagem Leopold Bloom durante o dia 16 de Junho de 1904. Por rara coincidência, no dia de Bloom de 1979, falecia na cidade do Rio de Janeiro o romancista Dalcídio Jurandir nascido na vila de Ponta de Pedras, ilha do Marajó, a 10 de janeiro de 1909... Dalcídio é o único romancista amazônida. até hoje, distinguido pelo Prêmio Machado de Assis (1972), da Academia Brasileira de Letras (ABL). 

Joyce estabelece uma série de correspondências com a Odisseia de Homero entre personagens e acontecimentos. Ulisses de Joice é considerado um marco da literatura contemporânea. Por sua vez, apesar de mal editado e pior divulgado ainda, o ciclo Extremo Norte de Dalcidio Jurandir fazendo parte da geração modernista brasileira de 1930, coloca a Amazônia no panorama do romance moderno. Segundo Vicente Salles, o romance Marajó considerado o primeiro romance sociológico brasileiro tem raízes no romance medieval ibérico Dona Silvana. Com exceção da edição portuguesa do romance Belém do Grão-Pará, prefaciada pelo escritor Ferreira de Castro, não há tradução da obra dalcidiana no exterior, exceto as edições russa e chinesa do romance proletário Linha do Parque, com tema do Rio Grande do Sul.

Há controvérsia sobre o ano em que o Bloomsday começou a ser comemorado. Alguns indicam 1925 três anos após o lançamento do livro; outros afirmam que foi na década de 1940, logo após a morte de Joyce, enquanto a hipótese mais aceita indica 1954, data do quinquagésimo aniversário do dia retratado em Ulisses. Hoje o Bloomsday é uma efeméride do calendário cultural de vários países, inclusive Brasil; e não se restringe ao círculo de leitores da obra, servindo evidentemente a produtos de turismo literário, que como se sabe é segmento socioeconômico formador de destinos turísticos consagrados.

O Dia de Alfredo - na sequência das comemorações dos 400 anos de Belém da Amazônia - 37 anos depois da morte de Dalcídio Jurandir e 7 anos após o Centenário de nascimento do escritor marajoara, quando foi cogitada a ideia do mesmo; vem se somar aos títulos de reconhecimento da Academia do Peixe Frito no patrimônio cultural imaterial da cidade de Belém; o Círio de Nazaré e a gastronomia paraense protegidos pela UNESCO. A configuração do turismo literário na rota turística Belém-Marajó, então, se impõe: longo caminho gestado, finalmente em 1939, na vila de pescadores de Salvaterra a cabo da odisseia do romancista marajoara pelas ilhas e a cidade grande com o palimpsesto manuscrito do romance seminal Chove nos campos de Cachoeira, na bagagem; publicado em 1941 após odisseia literária iniciada cerca de 1929. Um bem notável na expressão geográfica de Belém do Pará.

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