sexta-feira, 25 de abril de 2014

pra não dizer que não falei de flores: cravos de Portugal, rosas do Brasil.




Grândola Vila Morena

Zeca Afonso

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade


ATITUDE POPULAR 25 DE ABRIL
 DO ESTADO DO PARÁ DO BRASIL SENTINELA DO NORTE
PARA DESCOLONIALIDADE DA NAÇÃO BRASILEIRA


Há 40 anos, em Portugal, a canção patriota de Zeca Afonso, “Grândola, Vila Morena” foi senha da Revolução dos Cravos. O povo fardado e paisano deu-se as mãos nas ruas coroando as armas da nação portuguesa de flores. Assim, na exemplar batalha pacífica tão rara no mundo, o Povo deu fim a uma das mais caducas ditaduras que já houve na Europa.

Ao som desta voz potente as distantes colônias portuguesas em África deram eco à revolução apressando o parto da história. As dores do parto da independência se manifestaram em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, países irmãos que ainda hoje lutam por uma verdadeira independência e plena descolonização. E nós, aqui, no país que se chama Pará - periferia da Periferia - como é que ficamos?

O Brasil em 7 de Setembro de 1822 deu o famoso grito do Ipiranga. Dizem os historiadores, que este grito foi antes para abafar gemidos da Inconfidência de 1789 e apagar assim a memória do Mártir Tiradentes que inflamava espíritos republicanos do Brasil cem anos depois do seu cruento e inominável sacrifício determinado pela coroa de Portugal contra um brasileiro súdito seu. A independência do Brasil foi logo seguida pela adesão do Pará e Maranhão. As duas colônias portuguesas na América deram adeus ao velho regime de Portugal, sem de fato o Povo Brasileiro alcançar a liberdade que desejara. 

Esta tremenda contradição acompanhou todo período histórico de nossos dois imperadores, pai e filho herdeiros do trono português sem nenhuma dúvida. Tardia foi a nossa Abolição da escravatura, em 13 de Maio de 1888: quando isto aconteceu o império caiu de pobre e sem mais delongas foi proclamada a falseta da Republica de 1889...  Por seu turno esta caiu de podre na Revolução de 1930 e o povo brasileiro foi chegando com altos e baixos à modernidade. Então, a Ditadura de 1° de abril de 1964... E até hoje o Pará é campeão em números registrados de trabalho escravo e desmatamento da Floresta Amazônica...

A Revolução dos Cravos apanhou o Brasil na contramão atrapalhando o trânsito da democracia no mundo que o português (leia-se a língua de Camões) fez além “Mar Portuguez” de Fernando Pessoa.

E nós com isto? A Amazônia portuguesa com certeza conquistada pelas armas combinadas de soldados lusos desterrados, mamelucos nordestinos e bravos guerreiros tupinambás, mais bandeirantes façanhudos e missionários desvairados; se fez brasileira para além da linha de Tordesilhas rio acima e sertão adentro por muitas léguas até topar os contrafortes dos Andes e parir da cobra grande Amazonas o "uti possidetis" real de 1750.  

Mas o leitor não sabe do que trata esta doutrina de direito romano, fundamental para defesa dos direitos soberanos do Povo Brasileiro na Amazônia? Nem imagina como, de fato, este direito foi conquistado ao longo do espaço e do tempo? Com efeito! Se o amigo que sabe ler e escrever não pode responder a esta questão, muito menos poderão dizer algumas coisa, além de oferecer suas próprias vidas em defesa do antigo chão de seus antepassados, milhões de brasileiros analfabetos funcionais e políticos que não podem nos acompanhar nesta prosa...

Mas, a falta de leitura a respeito da sofrida desilusão da Adesão pariu a tragédia neocolonial do genocídio amazônico a fim de reprimir a vontade popular manifesta no movimento à adesão para independência brasileira, de 14 de Abril de 1823. Um pacto pela educação da Criaturada grande de Dalcídio seria forte coisa tendo o primeiro passo na erradicação do analfabetismo de adultos nas regiões amazônicas levando ao engajamento destes novos alfabetizados livres das cadeias da exploração das necessidades dos mais pobres pela educação de seus filhos e netos através da leitura de uma cartilha ilustrada, lida em todas escolas do maior arquipélago fluviomarinho do planeta com a história de Alfredo, por exemplo, em busca da escola que não havia no lugar, através do êxodo rural rumo à cidade grande.

O Pará do Brasil sentinela do Norte atravessou as últimas décadas já não mais sob tacão do antigo império anglo-lusitano do Rio de Janeiro. E, para falar a verdade, ainda sofre muitas frustrações causadas pela imperfeita República Federativa do Brasil de 1988. O desafio da lusofonia há que ser compartilhado de uma maneira mais larga, por 200 milhões de falantes de português, com o pacto pela educação para o progresso democrático sustentável da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) livre da colonialidade de nossas respectivas elites reacionárias que desmandam as metrópoles.

Minha pátria é minha língua”, Fernando Pessoa.

A língua portuguesa do Brasil brasileiro, com certeza (rica de africanidade e a inalienável herança das mil e uma línguas do rio Babel a ser resgatada a bordo da nau da amazonidade, chamada Nheengatu, pelo dedicado estudo da juventude brasileira). O povo é que mais ordena, terra da fraternidade.

dedico ao estudante João Victor, meu filho que faz aniversário neste dia.

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