domingo, 27 de abril de 2014

DIA DE ALFREDO

imagem do chalé de Alfredo no romance "Chove nos campos de Cachoeira", de Dalcídio Jurandir (Ponta de Pedras, 10/01/1909 - Rio de Janeiro, 16/06/1979), onde o autor e seu alter-ego iniciam o ciclo Extremo Norte para descobrir o mundo através da educação em Belém do Grão-Pará. (copyright © Casa de Cultura Dalcidio Jurandir).

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INFORMAÇÃO IMPORTANTE
DIA DE ALFREDO / 16 DE JUNHO
 sarau 
Academia do Peixe Frito no mirante do Hotel Ver O Peso.

* neste ano de 2014 a confraria de amigos da ACADEMIA DO PEIXE FRITO está completando sete anos de criação informal (2008) para os preparativos do Centenário de nascimento de Dalcídio Jurandir (2009).

* em 12/01/2014 - aniversário de Belém do Pará - a confraria organizou-se sob nome civil de "Sociedade Amigos da Academia do Peixe Frito" (S.A.PEIXEFRITO) que, no momento, está em vias de concluir registro como pessoa jurídica. Esta entidade sem fins lucrativos será curadora do patrimônio cultural imaterial denominado ACADEMIA DO PEIXE FRITO formado por Bruno de Menezes e seus confrades, entre as décadas de 1930 a 1960, no Ver O Peso e deverá criar selo e logomarca exclusivos para certificação de atividades e/ou produtos sob sua chancela, conforme previsto em seus estatutos.

* como tal vamos solicitar, formalmente, apoio institucional da Secretaria Estadual de Turismo (SETUR), Secretaria de Estado de Cultura (SECULT), da Fundação Cultural do Município de Belém (FUMBEL) e da Coordenadoria Municipal de Belém (BELEMTUR) para parceria nos segmentos de TURISMO LITERÁRIO, CULTURA ALIMENTAR e ECOTURISMO DE BASE NA COMUNIDADE em especial através de ecomuseus, museus comunitários e associações de populações tradicionais e de usuários de unidades de conservação ambiental, tendo como objetivo promover a hospitalidade e desenvolvimento sustentável local da chamada "Criaturada grande de Dalcídio".

* expressão de gratidão da S.A.PEIXEFRITO ao parceiro Hotel Ver O Peso, em apoiar a fase inicial da confraria, tornando-se assim lugar de memória do relançamento da "Academia do Peixe Frito", o sarau ora programado presta homenagem aos proprietários e empregados do estabelecimento - a figurar desde já como ponto de roteiro do DIA DE ALFREDO e do futuro Ecomuseu do Guajará -, doravante "Mirante Ver O Peso de Alfredo".




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Do nascimento, no dia 10 de janeiro de 1909, do segundo filho de Margarida Ramos, jovem mulher negra solteira, provavelmente pouco letrada e desempregada, assistida nas dores do parto por parteira numa casa pobre do pequeno bairro do Campinho, na vila de Ponta de Pedras, ilha do Marajó; conforme declaração de Manuel Eusthaquio Ramos tio materno do recém nascido e registro do tabelião Raimundo Malato, com nome de Darcídio José Ramos. Até a morte, na cidade do Rio de Janeiro, dia 16 de junho de 1979, de Dalcídio José Ramos Pereira (nome civil averbado pelo pai Alfredo Nascimento Pereira, em reconhecimento de paternidade e casamento legal do casal ocorrido em Cachoeira do Arari); a vida do premiado romancista marajoara Dalcídio Jurandir é um extraordinário exemplo de constância à mocidade brasileira que não desiste de sonhar e lutar por melhores dias para todos na coletividade duma sociedade mais justa, livre e feliz. 

A honradez do pai, velho rábula de aldeia, o capitão Alfredo Nascimento Pereira; gráfico artesanal e editor interiorano da gazetilha "O Arary", aficionado pela leitura dos clássicos e fazendeiro de brisa na coleção da revista rural Chácaras e Quintais; mais a altivez de sua mãe, dona Margarida Ramos em buscar igualdade social sem preconceitos; modelaram o caráter do maior romancista da Amazônia, Prêmio Machado de Assis (1972) a par do filósofo Benedito Nunes (2010), até hoje únicos intelectuais amazônicos com tal distinção da Academia Brasileira de Letras (ABL), concedida ao conjunto da obra. Não é pouca coisa para um mulatinho sem eira nem beira, vindo de berço tão pobre; que, a cabo do tempo, com engenho e arte deu vida à criatura do extremo norte, Alfredo

Eis que, na incrível coincidência do 16 de junho, entre a morte de Dalcídio Jurandir e o Bloom's Day de Ulysses de James Joice; a gente resolve sair da beira da história e do canto da feira para ir cantar de galo sem esperar mais pela alta recreação e boa vontade dos donos da festa. Os 400 anos de Belém do Pará ou Belém da Amazônia, vem aí: queremos o DIA DE ALFREDO já! O turismo literário é o que interessa para dar notícia da Criaturada grande de Dalcídio, na paisagem cultural do Ver O Peso, no mundo lá fora. 

Passado o centenário de nascimento do criador de Alfredo, em 2009, reativada a velha academia do peixe frito de Bruno de Menezes, Eneida de Moraes, Abguar Bastos, Tó Teixeira, Rodrigues Pinajé, Jacques Flores, Raul Bopp, Vicente Salles e Dalcídio Jurandir, certamente, além de tantos mais dos primeiros tempos da revista Belém Nova, até a morte do pai da negritude e modernismo no Pará ocorrida em Manaus, 1963; chegamos nós ao ponto certo de formalizar a futura Sociedade de Amigos da Academia do Peixe Frito, que deverá manter viva a velha chama dos Vândalos do Apocalipse, depois Grupo do Peixe Frito e, finalmente, Academia do Peixe Frito.

No rio da vida nosso velho tio Dal se extinguiu - "Dalcídio" - com o última suspiro, mas ele continua vivo em nossas vidas. Rei morto, rei posto. Viva Alfredo! Sucessor imortal daquela vida luminosa cujo brilho agora sua cria leva mundo afora. Farol de navegação em noite escura para travessia da Criaturada grande da margem da história à plena cidadania pelos caminhos da pedagogia da libertação.  Penso eu em Paulo Freire, é claro, como portador da notícia do DIA DE ALFREDO a todos e a todas que ainda não sabem ler nem escrever.  Mas, também ouço o batuque que vem da noite da Martinica com notícias do Amado Cesário e a negritude além da melanina, com Leon Damas da Guiana, Fanom, Senghor e tantos mais...

Portanto, uma luz na escuridão da colonialidade na senzala moderna que não deixa raiar a primeira manhã depois da primeira noite do mundo. Os muitos sumanos marginalizados e impedidos da leitura de seu maior escritor e dos outros libertadores do pensamento. Se a sua mãe dona Margarida e o tio Manuel Ramos o batizaram "Darcídio" acompanhado do José de um outro tio, comum naquela família afroamazônica; o pai capitão Alfredo Nascimento Pereira, entretanto, versado na invenção de neologismos civilizados adoçou o nome do filho em "Dalcídio". Porém, o próprio atingindo a maioridade, preferiu chamar-se Dalcídio Jurandir como ficou conhecido em todo país e mundo afora.  Jurandir significa “boca de mel”, “o que fala palavras doces”... Tem origem no tupi jurandira, pela junção de jura, que quer dizer “boca” e ndieira, “abelha de mel”. Foi, ao que parece, um nome inventado pelo romancista José de Alencar, para uma das personagens da sua obra “Ubirajara”, publicada em 1874.


DIA DE ALFREDO:
pacto da literatura pela alfabetização.

Tudo vale a pena se a alma não é panema. Como querem nossos escritores ser lidos e recepcionados condignamente se o distinto público for em grande parte analfabeto de pai e mãe, analfabeto funcional ou, pior, analfabeto político? Trata-se da economia, estúpido! Diria um conhecido político peso pesado. Pois é certo que a economia do livro e dos meios alternativos de comunicação como a internet é o motor de arranque, que põe em marcha o grande veículo econômico da educação para o desenvolvimento humano sustentável dos tempos modernos.

Para aprender a ler e escrever, vale tudo... Há que se aprender a ler o céu e a terra, descobrir os sinais da chuva e o tempo de verão. Aprender a escrever que nem a pintura rupestre em páginas de pedra nas abas da serra. A escrita ideográfica com sua mensagem de milênios na cerâmica marajoara, tapajônica, maracá... Até o segredo dos átomos e o movimento das marés ou a rota das galáxias no universo. Tudo isto teve começo na escrita das areias do deserto na marcha das caravanas e na historia oral à luz das fogueiras no longo passado da humanidade filha da animalidade.

Mas, doravante, para avançar urge preservar todas escrituras do mundo em letra de forma seguras em arquivos públicos e depositadas em liberdade na nuvem de inteligência coletiva perto das estrelas. Quem não souber ler e escrever não apenas ficará à margem, mas absolutamente fora da História para sempre.

A ideia do DIA DE ALFREDO, em 16 de Junho à imagem e semelhança do dia de Leopold Bloom; para ler o romanceiro dalcidiano e promover o turismo literário; é uma chamada para contemplar a Criaturada grande de Dalcídio na paisagem cultural da Amazônia marajoara, de Belém a Macapá rumo a Porto Caribe.
Na Irlanda, todos os anos em 16 de junho, o país para e celebra Leopold Bloom, personagem de Ulysses, a ficção escrita por James Joyce, que marcou a história da literatura mundial. 

Não é apenas uma celebração, mas um evento de economia criativa. No país que se chama Pará, o DIA DE ALFREDO deverá ser ademais compromisso com a educação popular levando ao engajamento de novos alfabetizados livres das cadeias da exploração das necessidades dos mais pobres pela educação de seus filhos e netos através da leitura em todas escolas - notadamente no maior arquipélago fluviomarinho do planeta - a singular história de Alfredo em busca da escola na cidade grande.

Minha pátria é minha língua”, Fernando Pessoa.

A língua portuguesa do Brasil brasileiro, com certeza (rica de africanidade e a inalienável herança das mil e uma línguas do rio Babel a ser resgatada a bordo da nau da amazonidade, chamada Nheengatu, pelo dedicado estudo da juventude). Para Alfredo não há fronteiras no tempo e no espaço. Ele será capaz de levar com o carocinho mágico de tucumã o chalé do "Chove" para ilharga do Museu do Marajó, perto da Fazendola e da árvore Folha-Miúda plantada no arboreto do padre Gallo, o marajoara que veio de longe para se naturalizar, de tal modo, que ele enterrou os próprios ossos na terra que o acolheu.  

O Brasil e o mundo precisam saber. Com esta notícia, viajantes do mundo hão de ter um motivo a mais para vir conhecer Marajó. Quando a história claudica, a memória fabrica lendas como senhas que levam ao mapa de um tesouro escondido. Deste terreno misterioso surte-se a cultura. O convite que fiz a Saramago, na "Novíssima Viagem Filosófica", para visitar cidades no Pará com nomes portugueses, segue roteiro da "Viagem Philosophica" de autoria do sábio Alexandre Rodrigues Ferreira, este naturalista começou sua viagem à ilha do Marajó por Joanes (Salvaterra) e a terminou em Cachoeira do Arari.

Hoje o turismo literário na ilha do Marajó seria um modo de apressar a viagem do socorro à obra de Giovanni Gallo. Talvez alguns viajantes do mundo tivessem a notícia do Museu do Marajó e quisessem vir até Cachoeira conferir o potencial do turismo como instrumento de desenvolvimento humano para o povo marajoara, querendo ser solidário com esta gente.

O mesmo turismo literário que poderia recuperar a casa de Dalcídio Jurandir tombada ao chão. A ideia de unir esforços em torno dos dois maiores nomes da cultura marajoara foi para o brejo no inferno verde das boas intenções e assim a velha casa de Dalcídio virou fantasma navegando as águas do dilúvio, como os olhos mortos de Eutanazio vagando na escuridão da noite nos campos de Cachoeira... 

O lendamento do padre dos pescadores não demorou após sua morte. Segundo relato não confirmado, certo dia um estranho visitante entrou mudo e saiu calado do museu só abrindo a boca diante do retrato do falecido no salão de reunião, dizendo ele, alto e bom som, "este padre noutra encarnação foi um grande cacique marajoara"... Feita a mágica revelação que faria inveja a Gabriel Garcia Marques, o desconhecido desapareceu da cidade sem deixar traços.

Além desta fantástica notícia, começaram timidas especulações populares sobre poderes milagrosos atribuídos ao "homem que implodiu", o que faz dele um potencial beato a modo do padre Cícero Romão Batista no sertão de Juazeiro. Nada mal para um padre rebelde que em vida gostaria de ser santo depois de morto. Visto isto pelo ângulo da merecendência do céu, acho até que São Giovanni marajoara ficaria melhor na foto canônica que São José de Anchieta aos olhos dos descendentes de índios cristãos feitos presas fáceis a bandeirantes medonhos.

São Giovanni do Arari, pelo menos, fez o milagre de criar o Nosso Museu do Marajó a partir de simples objetos bizarros, como o bezerro de duas cabeças, por exemplo, na pequena e distante Santa Cruz do Arari à beira do lago Arari plantada junto ao berço da extinta civilização marajoara de 1500 anos de idade. Aí, por acaso, "cacos de índio" que o caboco Vadiquinho lhe confiou a título de provocação, conforme se lê na obra "Motivos Ornamentais da Cerâmica Marajoara", viraram patrimônio material e imaterial do nascente ecomuseu do homem marajoara. 


Além do criativo "Motivos Ornamentais", que salvaguarda o grafismo original copiado dos ditos cacos de índio para aplicativo em artesanato como incentivo a geração de renda familiar; o padre dos pescadores do Arari escreveu também o livro-reportagem "Marajó, a ditadura da água" e a autobiografia "O homem que implodiu". Até aí, tudo bem para se fazer um turismo inteligente com a cara da gente marajoara, contando com a hospitalidade desta mesma gente a ser melhor cultivada.

O diabo é que as pessoas que mais carecem ler o que o índio sutil Dalcídio e o padre Gallo dos pescadores escreveram, para saber do que se trata e entrar no processo dito do desenvolvimento sustentável; são analfabetos de pai e mãe e ninguém se lixa para os ensinar a ler e escrever. Como, por exemplo, Paulo Freire faria. É dizer a boa academia curte o admirável Dalcídio Jurandir e o extraordinário Giovanni Gallo, mas a criaturada grande que lhes deu inspiração fica na mão quando de trata de educação. Então, o maravilhoso produto turístico que faria do Pará uma Costa Rica amazônica, fica só na imaginação de uns poucos sonhadores.

Todavia a trilogia do Gallo explica as razões excepcionais pelas quais o incrível museu foi criado no lugar menos indicado pela museologia. Ela é uma obra necessária à introdução a um ecoturismo educativo com base na comunidade. O qual, incontornavelmente, se deve praticar no polo Marajó a partir de Cachoeira do Arari, tendo por guia principal Alexandre Rodrigues Ferreira, o naturalista de Coimbra, famoso pela "Viagem Philosophica" (1783-1792) iniciada exatamente pela "Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes, ou Marajó" (separata da Viagem Filosófica, cujo fragmento se lê adiante).

É fato que "o homem que implodiu" na ilha do Marajó, para ser fiel à missão humanitária que sua consciência ditou, teve que pisar no pé de muita gente cega daquela grave cegueira, que outro incompreendido jesuíta da época da invenção da Amazônia portuguesa, no século XVII, o célebre payaçu dos índios, Antônio Vieira, verberou no Sermão aos Peixes, em São Luís do Maranhão (1654), a caminho de Lisboa onde foi suplicar ao rei a lei de 1655, abolindo os cativeiros dos índios do Maranhão e Grão-Pará.

Os turistas ficam arredios quando sabem que, ainda hoje, no Brasil e notadamente no Pará; não são poucos casos de trabalho escravo, com municípios ultraperiféricos vegetando em mísero IDH, enquanto a pequena burguesia local com sua oligarquiazinha e representantes eleitos são geralmente acusados de má gestão e dilapidação da coisa pública. Por outro lado, o número de analfabetos é alarmante em contraste com o aumento galopante da violência e do crime organizado, que aproveita a necessidade alheia casada com ignorância de muitos.

Então, se explica por que poucos cabocos se reconhecem descendentes de velhos Nheengaíbas e sabem eles ler e escrever mais ou menos, tal qual o índio sacaca Severino dos Santos, sargento-mor de Monforte; que Alexandre Rodrigues Ferreira encontrou naquela dita viagem filosófica. A leitura atenciosa da obra de Dalcídio mais os livros do Gallo mostra o por quê do sui generis museu causar tanta admiração a visitantes, mas não ser contemplado pelas políticas públicas como deveria ser, e também os motivos pelos quais tão interessante trabalho com caráter inegável de ecomuseu não consegue atravessar o Arari e chegar às mais comunidades ribeirinhas, em mil e tantas ilhas, dos dezesseis municípios da mesorregião.

É claro que o mundo acadêmico ouviu falar muito bem deste museu estranho inventado por um diletante, mais aprendiz que professor. Muitas vezes, o pesquisador diplomado ouviu o Gallo cantar mas não sabe onde. O melhor intérprete que o povo marajoara já teve, com reconhecimento de ninguém menos que Dalcídio Jurandir, em intensa correspondência entre as cidades grandes de Belém e do Rio de Janeiro, graças à fiel amizade da filha de Bruno de Menezes, Maria de Belém Menezes.

O museu do padre é para se "ver com a ponta dos dedos": estamos todos cegos de tanto ver e não entendemos grande coisa... Por isto, através de Maria de Belém, Dalcídio sugeriu a Giovanni Gallo: selecione suas reportagens publicadas nos jornais e faça um livro (cf. "Marajó, a ditadura da água"). Vá que, agora, o azar que aflige a brava gente leve a leniência das autoridades a tombar, ao pé da letra, o museu do Gallo da mesma maneira como foi tombado o chalé de "Chove nos campos de Cachoeira" e de "Três casas e um rio"! ... O glorioso São Sebastião nos livre e guarde!

Salvou-se, virtualmente, o chalé de Alfredo da incúria dos homens e do rigor do dilúvio cachoeirense graças ao romance dalcidiano. Mas, se o museu do Gallo for entregue à própria sorte sobrecarregando a uns poucos abnegados voluntários até esgotá-los? Serão, Deus não queira, o chalé e o museu como repetição da destruição dos tesos entre chuvas e esquecimento? Último recurso de sobrevivência: a leitura dos livros de Giovanni Gallo e romances de Dalcídio Jurandir, completados por João Viana e outros mais que beberam na mesma fonte. Turismo literário pra que vos quero?

Antes que tudo, uma cartilha de Alfredo para iniciar a meninada das escolas a trilhar os caminhos da hospitalidade e da boa convivência pela leitura dos livros a servir de guia do descobrimento do mundo marajoara biodiverso culturalmente original. Segundo, a fim de provocar analfabetos políticos a abrir os olhos sobre a tragédia do IHD deste povo descendente da primeira cultura complexa da Amazônia, herdeiro dos criadores da arte primeva do Brasil (a cerâmica marajoara pré-colombiana espalhada em grandes museus nacionais e estrangeiros, que poderiam nos ajudar caso estivéssemos capacitados a receber esta ajuda técnica, com possibilidade até de sonhar com algum repatriamento).

Mas, o turismo qualquer que seja a modalidade, sem o devido preparado e educação tecnológica é, por certo, morte da galinha dos ovos de ouro. Fica aqui meu grito de alerta, eu disse a palavra mais certa e o DIA DE ALFREDO pode ser o segredo que abre a porta para o desenvolvimento humano desta gente.

Eu sou apenas um engajado da causa da Criaturada grande de Dalcídio... Sei, por isto, que o romancista agnóstico e o jesuíta insubmisso fazem parceria eterna pela recuperação da memória desta gentinha. Quando Marajó desencanta? A resposta aguarda nossa ação. O Marajó pode desencantar o turista que vem esperando maravilhas e bate de cara com uma realidade chocante... Ou o Marajó desencantado de mitos e lendas da cobragrande, poderá encantar os visitantes desde a descoberta iniciática do portal do Museu do Marajó: onde cada um, ao descobrir a antiguidade da Amazônia marajoara, desperta para o afeto desta terra molhada de suor e chuva tornando-se dela a mais nova peça de coleção dos amigos do Marajó profundo. (José Varella Pereira).

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