quinta-feira, 27 de março de 2014

REVISTA IBERIANA: 15 ANOS REMANDO CONTRA A CORRENTE NEOCOLONIAL.


Pedra do Pilão (foto de Geraldo Ramos), serra Paytuna, Monte Alegre-PA


"CARO LEITOR,

A REVISTA IBERIANA vem hoje para focalizar a Amazônia em seu contexto histórico e geográfico, dirigindo-se opcionalmente ao mundo lusofônico e ibero-americano. Traz à reflexão o fenômeno global da civilização ultramarina encetada pela Península Ibérica, na revelação deste espaço amazônico.

Pretende ser iberiano na medida em que os elementos ameríndios, africanos e ibéricos - na América do Sol - se integram e realizam a síntese equinocial.

A cada semestre pretendemos trazer diversos autores e estudiosos deste conjunto internacional multicultural. Todavia, para o primeiro número da publicação estamos apresentando unicamente o texto completo de a Novíssima Viagem Filosófica, de autoria do organizador da revista.

Posteriormente, este trabalho deverá ser editado em separado e com ilustração fotográfica. Para a REVISTA IBERIANA o ensaio tem o papel de manifesto dos objetivos desta. Pois o cuidado do passado, para nós, tem a esperança do Futuro na comunidade iberiana. Isto é, construção comum de uma página pós-colonial por todos os povos que a História uniu a partir da empresa marítima de Sagres. A "Cidade do Pará" tem aí uma expressão geográfica que não pode ficar à margem da mesma História, e será a união de intelectuais, pesquisadores, investidores, homens públicos e leitores que poderá fazer acontecer o Século 21 para a dita comunidade.

Belém do Pará, Outubro de 1999
José Varella Pereira."

REVISTA IBERIANA:
descobrindo o futuro, resguardando o passado

     Se você vivesse aos começos da Escola de Sagres e o convidassem a participar do descobrimento dos Caminhos Marítimos, iria perder a chance histórica? Certamente nem todos acreditaram no projeto lusitano. Como até D. Manoel, o Venturoso, duvidou da possibilidade de Cristóvão Colombo chegar às Índias pelo caminho do Ocidente (que de fato não chegou mas descobriu a América). Você acreditaria naqueles homens aventureiros cheios de esperanças e de sonhos cujos 500 anos lembramos?

     Agora a viagem ao Século 21 já começou. Todo mundo quer dela participar. E a civilização atlântica que a Península Ibérica inaugurou nos Trópicos tem parte importante na Amazônia. É hora de se escrever nova página da mesma História. Não mais de conquistas e descobrimentos mas da consolidação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa e integração ibero-americana: coroamento necessário, daquele tempo em cujo espaço comum estamos inseridos.

     Na galáxia de Camões e Cervantes, a Amazônia iberiana veste-se da mais verde das esperanças. Dentro dela brilha singular estrela no céu equatorial: Belém do Pará, a mais iberiana cidade da Terra!  Por que é iberiano o portal da Amazônia? E não apenas ibérico, africano ou ameríndio ... Porque tendo fortes raízes indígenas, africanas e lusitanas, esta Cidade do Pará é tudo isto e mais alguma coisa. Pois esta coisa a mais é o modo de ser iberiano (para não dizer caboclo): singularidade e diversidade ao mesmo tempo e espaço. Fato de que, cada um a seu modo, pode se orgulhar igualmente aos povos ibero-americanos e da lusofonia. Está claro?

     A cidade de Belém, capital do Estado do Pará, foi aquele espaço lusofônico que, fundado no século XVII, foi baluarte desta mesma multifacetada civilização ultramarina. Conquistando a milenar Terra dos Tapuias ou Grão Pará (pelas armas combinadas de soldados portugueses e guerreiros Tupinambás) também foi conquistada por esta terra por esta terra até ser o inseparável espaço afro-luso-tapuia de agora. A maior cidade lusofônica no círculo do equador, Belém do Pará expressa a federação brasileira e a comunidade luso-brasileira neste largo contexto internacional, para construção solidária de um novo tempo.

     Amanhã esta Belém histórica quer ter sua expressão geográfica reconhecida plena e concretamente na comunhão na lusofonia internacional e da cooperação ibero-americana. Em um movimento dialético quer continuar sendo regaço ultramarino mas também pretende ser polo irradiador equatorial transcontinental. Que a proposta da REVISTA IBERIANA expressa a intelectuais, políticos, empresários e assinantes para construção não apenas de uma publicação como qualquer outra. Mas de um veículo de ideias e debates destinado a fomentar o descobrimento lógico, pacífico e cooperativo daquele movimento humano que, da Península Ibérica antigamente, deu partida sobre trilhos abertos no Mar-Oceano.

 27 de Março de 2014, 387 anos do Ver O Peso.
 
A Academia do Peixe Frito relança a ideia da REVISTA IBERIANA e nos convida a repensar a expressão geocultural do Pará na perspectiva da integração das Amazônias azul e verde, na universidade da maré, animada pelo coração pulsante da criaturada grande de Dalcídio Jurandir.
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UM FAROL DE IDEIAS PARA NAVEGAÇÃO DO FUTURO

Diz a canção popular, o país que se chama Pará tem porto de mar no Caribe. E, não por acaso, canta o hino oficial devido à saga da brava nação Tupinambá, com certeza, é o Pará do Brasil sentinela do Norte...  

A história não se muda, todavia urge revisar nossa velha historiografia colonial ditada de alto abaixo por laureados bolsistas do imperial mecenato de Dom Pedro II. Desta festejada história chapa branca todo mundo deve saber, a controvertida revolução paraense, apelidada pelo sábio Basílio de Magalhães a Cabanagem das classes infames; foi borrada e varrida para fora da História. 

Mas, que diabos esta gente "malvada" queria, com tamanha ousadia e subversão popular na periferia da Periferia ao mesmo tempo que todo mundo industrial se agitava com as dores do parto da Modernidade? Nada mais ou nada menos disto que hoje se chama Democracia. Entendida como governo do povo, com o povo e para o povo... Claro está que, para nós, uma tal cabanagem deveria ser permanente. Doravante, entretanto, pacífica mas sempre alerta e vigilante para o tempo nunca mais andar pra trás...

Assim como o rio grande das Amazonas, também o tempo não para. E o tempo real se chama história, quando a memória e a inteligência dos povos não falham. O que aquela velha gente "tapuia" queria de verdade, vindo à vela e remo desde as ilhas do mar das Caraíbas para a terra firme em grandes migrações náuticas, antes mesmo de Colombo chegar às Antilhas, era habitar o tempo no sonhado e distante país do Arapari (constelação do Cruzeiro do Sul), o Brasil gigante da América do Sul.  Por isto, é verdade completamente dizer que o nosso Brasil brasileiro começa de fato no Oiapoque.

O circum-Caribe é um termo clássico da antropologia americana que antecede sua aplicação geopolítica no campo da integração brasileira e da Pátria grande latino-americana. Quem melhor que o Pará velho de guerra deveria atualizar os diversos tempos da amazonidade? Se pela dinâmica de diferentes povos vindos de diversos horizontes, coube a esta gente da ilha do Marajó no contexto da Guiana brasileira inventar a ecocivilização da Amazônia (a mal conhecida e insuficientemente estudada Cultura Marajoara, de 1500 anos de idade!).

Nós não podemos ficar eternamente a gapuiar na beira do rio ou mariscar à beira mar a nos queixar da sorte esperando Godot ou que as autoridades de Brasília e da ONU nos digam o que fazer. Temos sim dever de fazer nossa parte. Isto não significa inventar a pólvora, mas entender o que o passado está a nos dizer através de "cacos de índio" no Museu do Marajó com relação ao que se poderá fazer daqui em diante.

Aqui o passaporte do futuro para o povo paraense ingressar de fato ao século XXI, a singrar as ondas da Amazônia azul e sondar o mar profundo sem perdição da Amazônia verde onde ele tem enterrado seu cordão umbilical. Quando outubro chegar, nosso delírio poético e presepada original chamada REVISTA IBERIANA fará 15 anos. Em 2009, quando esta revista diletante fez dez anos, após contar a história atrevida da descolonização amazônica --  manifesta no ensaio Novíssima Viagem Filosófica --, nós relançamos a Academia do Peixe Frito, quase cinco décadas depois da morte de seu fundador, durante preparativos para comemoração do primeiro centenário de nascimento de Dalcídio Jurandir (Ponta de Pedras, 10/01/1909 - Rio de Janeiro, 16/06/1979).

Hoje, no aniversário do Ver O Peso queremos agendar para outubro vindouro um encontro da criaturada grande de rio e mar às ilhargas da antiga aldeia de Uirandeua (Atalaia, Salinas do Pará), em vias de se tornar área de proteção ambiental; para relançar a REVISTA IBERIANA doravante em mídia eletrônica. Vamos lá?

     Viva o Ver O Peso! Viva a Academia do Peixe Frito!





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