quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

UNIVERSIDADE DA MARÉ A BORDO DO TURISMO MARÍTIMO-FLUVIAL AMAZÔNICO

Fotos do maior navio do mundo
Oasis of the Seas o maior navio de cruzeiros do mundo, lançado ao mar em 2009, em Turku, na Finlândia. Pertence à Royal Caribbean International, primeiro da nova Classe Oasis. Tem 220 mil toneladas, 16 andares, capacidade para 5.450 viajantes e um parque de vegetação tropical ao ar livre do tamanho de um campo de futebol chamado de Central Park. É certo que uma cidade flutuante como esta teria dificuldades quase intransponíveis para navegar o rio Amazonas e levar seus passageiros diretamente a cidades como Belém e Manaus. Todavia, não é impossível à engenharia do negócio do turismo articular bandeiras hoteleiras, linhas aéreas e navios de menor tonelagem para produtos de turismo marítimo-fluvial amazônico integrados aos "Classe Oasis", por exemplo, com transbordo nas Antilhas.

"Eu sou de um país que se chama Pará
Que tem no Caribe o seu porto de mar
E sei pelos discos do velho Cugat
Que yo, ay yo no puedo vivir sin bailar".
(Ruy Paranatinga Barata)

Academia do Peixe Frito um patrimônio histórico descurado de Belém do Grão-Pará na paisagem cultural do Ver o Peso: cartão postal da metrópole da Amazônia Oriental.

 

A primeira coisa que um leigo no assunto, masporém mui curioso que nem este comedor de peixe frito que vos fala, deve perguntar é: o que uma rica gente que navega pelos mares do mundo quer conhecer de perto pra contar de certo? Segundamente, por que o país do turismo receptivo made in Brazil deve investir e capacitar recursos humanos para atrair viajantes do mundo (caso, por exemplo, dos estádios da Copa 2014 e Olimpíadas 2016)? Por fim, que interesse um turista desses que cruzam oceanos com parque tropical artificial a bordo, teria para participar de uma inusitada "Copa das Árvores", na floresta amazônica tal qual o parente Haru Kuntanawa, de Cruzeiro do Sul (Acre) anuncia aos quatro ventos?

A mídia informa que no ano passado brasileiros gastaram mais no exterior do que estrangeiros no Brasil. A chamada "conta turismo" de 2013 fechou com déficit acima de R$ 18 bilhões. Economistas explicam o forte desequilíbrio entre turismo emissivo e receptivo analisando diversas causas conjunturais, tais como valorização do real, alta de salários e inflação no país que, em conjunto, favorecem o consumo no exterior. 

Contraditoriamente, o sucesso da economia brasileira em vez de promover mais o turismo interno levando mais brasileiros a conhecer as diversas regiões do Brasil e a favorecer trocas com os países vizinhos; colaboraram para quase 1,8 milhão de brasileiros, em 2012, segundo o Ministério do Turismo, comprar dólares e gastá-los nos EUA. Um salto considerável, se comparado ao desempenho de 2003, com 349 mil desembarcando nas lojas de Tio Sam.

No caso específico do Pará, em busca de fomentar um destino com a marca de "obra-prima" da Amazônia, observa-se desvio de rota entre o primeiro plano e o segundo. Perdeu pique quando parecia preparar-se para decolar... Não dá para fingir que, no exterior, a capital da "Amazônia" não é Manaus. Promovida pela Zona Franca que agora a União Europeia implica e coloca como pomo de discórdia nas negociações para implementar o tratado de livre comércio Mercosul - União Europeia... 

Mas, para os que não entendem as peculiaridades "pan-amazônicas" malgrado o espírito da OTCA (organização do tratados de "cooperação" amazônica); digamos logo que o ajuricabano existe desde os primeiros dias da Academia do Peixe Frito e do Clube da Madrugada, com as respectivas "presepadas" de Abguar Bastos e Bruno de Menezes... 

Se acadêmicos de turismo brasileiro em posto de assessoramento e direção não sabem do que estamos falando, pior para a logomarca do turismo receptivo amazônico. De outro modo, provavelmente, parte daquela corrente pra frente das lojas de Miami poderia vir gastar um pouco de reais em Belém, Manaus e outras cidades amazônicas. Pois, de fato, um Turismo Amazônico não pode se estabelecer em meio à guerra das tribos, exceto no Festival de Juruti(PA). Exemplo geral, a competição da Copa do Mundo quando o jogo da Fifa colocou em campos opostos Belém ou Manaus. Quando o bom senso gritava: Belém e Manaus... 

Mas, desde a queda da "Belle Époque" manauaras e parauaras deveriam ter aprendido a lição: "divide e impera". Divididos estamos como estamos e agora que a invejada SUFRAMA está na berlinda como obstáculo ao livre comércio entre Mercosul e Europa, como irão reagir os paraenses? Torcer para liquidar a Zona Franca de Manaus ou aproveitar a ocasião e rediscutir o "desenvolvimento sustentável da Amazônia" como um todo e para todos? 

O Turismo, por exemplo, poderia ser o setor econômico interno privilegiado e mais dinâmico da integração nacional para todos estados da Amazônia Legal, de modo a poder compensar o custo amazônico (na cultura, nas tarifas de transporte, etc). Induzindo parte dos fluxos domésticos para as regiões amazônicas e concebendo um destino amazônico inteligente e no exterior na rota de viajantes e naturalistas do passado.

A pergunta que não quer calar: uma viagem de descoberta da Amazônia pode ignorar as aventuras de Orellana e Pedro Teixeira? Sabem os formuladores de roteiros turísticos que um certo Wallace, autor da teoria da evolução natural das espécies junto com Darwin, esteve em Marajó e seguiu até o Rio Negro? Um turismo sofisticado no roteiro da "Viagem Philosophica" já pensaram? Mas, se o Pará tem seu porto de mar no Caribe, quem entra no Brasil através da Amazônia Azul, acha o Pará como primeiro porto da Amazônia verde... Pescaram?

Aparentemente, o planejamento do turismo paraense está de volta à pista de decolagem. A famosa "indústria sem chaminés" entre nós ainda está na rabeira da pauta econômica. Um paradoxo quando, dentro e fora do país, "todos" torcem, falam, e estão dispostas a fazer "alguma coisa" para manter a floresta em pé, salvar os índios e mais populações tradicionais, enfim, fazer o milagre tão cantado em prosa e verso do "desenvolvimento sustentável"... Logo, se há setor econômico onde não cabe política partidária este deveria ser o turismo com suas respectivas interfaces com o meio ambiente, cultura, ciência, saúde e educação.

Se a síntese do povo paraense se acha no cartão postal chamado Ver O Peso, então está mais do que na hora de repaginar os dois mercados e a maior feira aberta da América Latina para oferecer as incomparáveis iguarias do "terroir" e remanejar a doca sem mais urubus, mas com as boas-vindas de garças e guarás como os técnicos do Mangal das Garças sabem em segredo o "savoir faire". Hora de mostrar a cara paraense na festa dos 400 anos de Belém da Amazônia.

 Gregos e troianos na mesma canoa
 
Entrei no "PT" (partido do turismo) por acaso. Culpa do GDM (grupo em defesa do Marajó), que no fim deste ano vai completar 20 anos de informalíssima existência. O GDM é filho bastardo de dona Extensão da UFPA, afilhado do decano dos ambientalistas da Amazônia, Camilo Martins Viana; assim como sua pobre prima a Academia do Peixe Frito, gata borralheira dos porões da civilização Paris n'América. 

Para o amigo leitor ter ideia do complexo papa chibé manifestado pela insuperável elite paraense e seu horror a coisas tais como a dita "academia", fica a dica de leitura da apreciável obra do historiador Aldrin Moura de Figueiredo, "Vândalos do Apocalipse e Outras Histórias: Arte e Literatura no Pará dos anos 20", vencedor do Prêmio Vicente Salles de ensaio, do Instituto de Artes do Pará. 

Sentados da esquerda para direita, Paulo de Oliveira, o pintor Euclides Fonseca e Edgar Souza Franco. De pé (na mesma ordem) Clovis de Gusmão, Farias Gama, Bruno de Menezes e De Campos Ribeiro, pricipais membros do grupo "Vândalos do Apocalipse", do movimento modernista amazônico onde se filia a Academia do Peixe Frito, em Belém, e o congênere "Clube da Madrugada", em Manaus. Claro está que os vândalos estavam em ágape civilizado, talvez no Grande Hotel.




Turismo marítimo é a aposta do Brasil para os próximos anos

A palavra "Pará" significa mar. A obra-prima da Amazônia é o melhor da arte e cultura dos amazônidas desde a invenção da Cultura Marajoara, há mais de 1000 anos, conforme a arqueologia amazônica informa. Muito antes do descobrimento do Brasil. E a Amazônia azul é mais valia da Amazônia verde. Portanto, as regiões amazônicas pedem valorização econômica do setor que mais poderá oferecer, no menor prazo, meios imediatos de preservação da Biodiversidade e da diversidade cultural nesta parte do mundo.  Não precisa repetir que este ramo da economia deve ser o Turismo como instrumento de política econômica nacional.

Porém não é verdade que o poder neocolonial quer preservar a Amazônia: o que dizem não corresponde de fato àquilo que fazem... Sabemos bem o caminho que se deveria tomar para o desenvolvimento sustentável das diversas Amazônias dentro do esquema do Tratado de Cooperação Amazônica em harmonia com a UNASUL.

Assim como a Amazônia azul (mar territorial brasileiro) realça a importância da Floresta Amazônica, o Turismo Marítimo é a bola da vez do turismo em geral. Em nosso país o turismo marítimo apresenta crescimento de 38% nos últimos três anos, bem acima da média mundial de 7,4%. Segundo a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos, houve aumento de 18% na capacidade dos navios brasileiros, passando para 53.971 leitos com a entrada de 26 novos navios.

Eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas contarão com os navios como meios adicionais de hospedagem, suprindo a carência hoteleira em algumas cidades e contribuindo para a acessibilidade e melhoria dos portos em todo País. Esta experiência servirá para pensar o turismo aquático na Amazônia.
Em dez anos, a quantidade de navios cresceu 350% para atender ao aumento de 2563% de participantes, segundo dados da mesma associação. Em 2010, 14,3 milhões de cruzeiristas pelos mares do mundo, sendo 10,7 milhões de americanos deram incremento ao setor. 

As águas brasileiras são atrativas para mais de 800 mil turistas nacionais, aumento de 23% até 2011, com 20 portos, mais algo como 130 mil cruzeiristas estrangeiros. Atualmente o turismo marítimo conta com uma frota de mais de 200 navios construídos especificamente para cruzeiros, sendo 118 novos navios nos últimos 10 anos.

 Cara amazônida para todo mundo ver


Desde a década de 70 é reivindicação do trade projeto de construção de grande aquário amazônico como principal atrativo de turismo marítimo na região. Segundo parecer de especialistas, Belém apresenta condições ecológicas ideais para aquário amazônico, por se tratar de uma metrópole próxima a rios, estuário de água salobra e o oceano não muito distante. Deste modo, as diversas variedades de peixes contaria com rede de estações coletoras e aquários especializados nos municípios pesqueiros. A contribuição para ciência, tecnologia e educação é patente. Já a experiência do Mangal das Garças, com atração, reprodução e manejo de aves aquáticas comprova a capacidade local, em recursos técnicos e humanos, que podem contar com os cursos disponíveis nas universidades e institutos tecnológicos na região.

Não só enormes navios de cruzeiro podem entrar no florescente mercado náutico de turismo e lazer. As ilhas de Belém poderiam ser integradas e representadas no turismo marítimo com o Ver O Peso - em breve a ser declarado paisagem cultural brasileira com padrão técnico da UNESCO -  como ecomuseu para o centro histórico e o entorno natural com um flotilha de embarcações apropriadas para transbordo. De Belém a Manaus navios de turismo fluvial poderiam se associar ao sistema levando a população tradicional a receber capacitação gerando emprego e renda ao longo da calha do Amazonas.

O Ministério do Turismo incentiva o Turismo Náutico, tanto para navios de passageiros de grande porte, com percursos e rotas internacionais escalando diversos portos e as atividades turísticas com embarcações de menor porte, tais como embarcações que transportam passageiros meramente a passeio, estada a bordo, pesca esportiva, etc.

Apesar de possuir um litoral de 7.367 quilômetros de extensão, 35.000 quilômetros de vias internas navegáveis, 9.260 quilômetros de margens de reservatórios de água doce, como hidrelétricas, lagos e lagoas, clima ameno, o Brasil não aproveita seu grande potencial para o Turismo Náutico, sobretudo na Amazônia. Somente a partir  de 1995 sob intensa atuação da EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo, foi liberada a navegação de cabotagem no litoral brasileiro para embarcações de turismo. Os portos começaram a dedicar áreas especiais para terminais de passageiros e o segmento passou a ser objeto das políticas de turismo. 

Desde essa época, articulações e ações do EMBRATUR iniciaram discussões sobre conceitos, de estruturação, legislação, fomento e promoção pelo Grupo Técnico Temático de Turismo Náutico da Câmara Temática de Segmentação, no âmbito do Conselho Nacional de Turismo. A depender do local onde ocorre, o Turismo Náutico pode ser caracterizado como:
  • Turismo Fluvial
  • Turismo em Represas
  • Turismo Lacustre
  • Turismo Marítimo
Pode, ainda, envolver atividades como cruzeiros (de longo curso e de cabotagem) e passeios, excursões e viagens via quaisquer tipos de embarcações náuticas com finalidades turísticas. Para melhor compreensão desse segmento tornam-se necessários alguns esclarecimentos:
Finalidade da movimentação turística
A utilização de embarcações náuticas pode se dar sob dois enfoques:
  • Como finalidade da movimentação turística: toda a prática de navegação considerada turística que utilize os diferentes tipos de embarcação, cuja motivação do turista e finalidade do deslocamento seja a embarcação em si, e considerando o tempo de permanência a bordo.
  • Como meio da movimentação turística: o transporte náutico é utilizado especialmente para fins de deslocamento, para o consumo de outros produtos ou segmentos turísticos, o que não caracteriza o segmento.
 Evidentemente, numa dimensão visionária de desenvolvimento sustentável com participação das comunidades tradicionais, segmentos como a cultura alimentar de "terroir" puxa a economia para aspectos abrangentes totalizando a cadeia produtiva do turismo com uma transversalidade socioambiental e capilaridade econômica de distribuição de renda dificilmente superada por quaisquer outras atividades econômicas.

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