domingo, 5 de janeiro de 2014

INICIATIVA POPULAR: PRAÇA JOSÉ ANTÔNIO ABRANCHES, DÍVIDA HISTÓRICA DA CIDADE DE BELÉM DO PARÁ.


Praça Barão do Rio Branco e Igreja da Santíssima Trindade - Belém do Pará.


Apesar do grande apreço que tenho pela memória de José Maria da Silva Paranhos Júnior, barão do Rio Branco, professor, político, jornalista, diplomata, historiador e biógrafo; celebrizado pela solução pacífica das questões de nossas fronteiras com os países vizinhos. Não hesito em opinar a favor de uma troca de nome da praça em sua homenagem em Belém do Pará para a população paraense bem lembrar do esquecido povoador açoriano JOSÉ ANTÔNIO ABRANCHES, primeiro foreiro do terreno às margens do "Lago Piry" e agricultor familiar urbano; construtor da Igreja da Santíssima Trindade, como segue adiante. 

2014 - ANO INTERNACIONAL DA AGRICULTURA FAMILIAR 
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OPORTUNIDADE PARA BELÉM DO PARÁ INCENTIVAR A AGRICULTURA URBANA E PERI-URBANA NA AMAZÔNIA.

Esta postagem se acha baseada em texto do grupo "Memórias do Pará" na internet. A Praça Barão do Rio Branco e a Igreja da Santíssima Trindade fazem parte do mesmo monumento histórico com referência ao governo do Marquês de Pombal na região, através de seu meio-irmão Capitão General Governador do Estado do Grão Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Como se sabe, a nomeação de Mendonça Furtado para o governo da Amazônia portuguesa, separada do Estado do Brasil, como sede em Salvador (Bahia), estava vinculada à execução do Tratado de Madri de 1750 estabelecido entre Espanha e Portugal. Desde então surgiram especulações segundo as quais Pombal teria plano secreto para propor aos Reis Católicos a troca dos territórios coloniais castelhanos na América do Sul pela posse do reino de Portugal na Península Ibérica. Belém seria prevista, então, para receber a Família Real e a Corte portuguesa meio século antes do Rio de Janeiro... Jamais provada semelhante hipótese, contribui para formação da lenda o fato de que tendo ocorrido o terremoto de Lisboa, em 1755, e a demarcação de fronteiras ter falhado com o regresso de Mendonça Furtado à corte, o arquiteto italiano Antônio José Landi foi mantido em Belém onde deixou sua arte como herança daquele tempo. Segundo alguns historiadores o rústico burgo paraense não justifica os investimentos se não houvesse um projeto imperial geopolítico da coroa portuguesa para a Amazônia.

Seja como for, o fato é que Mendonça Furtado trouxe consigo um seleto grupo técnico recrutado na Alemanha e Itália para fins da demarcação da fronteira no Rio Negro. Isto iria provocar uma ampla revolução geográfica e ter implicações históricas de longo prazo, como a expulsão dos Jesuítas, por exemplo. Fracassada a demarcação do Tratado de 1750, obra diplomática do santista Alexandre de Gusmão mediante triunfo da tese do "uti possidetis" real, a comissão demarcadora ficaria ociosa e foi aí que se destacaram principalmente o engenheiro alemão Gerard Fronfelts e o arquiteto italiano Antônio Landi. Imeditamente após sua chegada, para estar próximo ao rio Amazonas, o Capitão General Governador e Demarcador transferiu a capital do Estado que passou a se chamar do Grão-Pará e Maranhão (1751), de São Luís para Belém.

Na nova capital, então uma burgada, Mendonça Furtado solicitou ao Ministério Real envio de casais e homens solteiros para povoar a Vila de Sousa do Caeté,  logo denominada Bragança, em dezembro de 1753. A migração só começou em 1755 e em 1759, proveniente de Angra do Heroísmo, no arquipélago dos Açores, chegou a Belém José Antônio Abranches com 16 anos, acompanhado de três irmãos menores: Joaquim José, 14; José João, 12 e João Antônio, 10 de idade, órfãos de pai e mãe. José Antônio Abranches chegou no mesmo ano em que daqui partia o governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado que concedera a Abranches a mercê de ficar em Belém para trabalhar na lavoura. 

José António e seus irmãos eram devotos da Santíssima Trindade, que nos Açores se destaca com o tradicional culto do Espírito Santo. O Senado da Câmara (que chamamos a Mesa dirigente), sob a presidência de Feliciano Ramos Nobre Mourão e os vereadores João Luís Francisco Barbosa, Felicíano Ferrão e Peres da Silva, concederam aos irmãos Abranches o uso das terras situadas antes e aquém do Lago do Piry. Tal "lago" àquela época devia ser um vasto igapó dos quais nos fala Eidorfe Moreira em seu célebre ensaio "Os Igapós e seu Aproveitamento (1976) coletando águas de maré enchente e esgotando água de chuva através de vários igarapés tributários da baía do Guajará, principalmente o Igarapé do Piry que teve sua foz ao pé do forte do Presépio (atual Forte do Castelo).

Aos 19 anos de idade, três anos depois de fixar-se na terra, Abranches já mantinha viçosas leiras de hortaliças, uma respeitável criação de porcos da raça "Du-roc", aves (galinhas e patos), além de cultivar um pomar onde laranjais e limoeiros começavam a produzir à farta. Desse labor, outras pessoas começaram a aproximar-se e fazer suas casas e, desse modo, surgiu um novo bairro na cidade, denominado de "Aldeia". Esta aldeia, portanto, não se acharia alheia à primitiva aldeia de índios Tupinambás que tiveram assento no Igarapé do Reduto junto à campina que viria a ser o atual bairro da Campina. Igualmente, o Igarapé do Piry deve corresponder ao nome do cacique que ali antigamente fez moradia na boca do mesmo, perto donde hoje está a doca do Ver O Peso. Portanto, a aldeia de Abranches (depois Largo da Trindade) estava na divisa entre os atuais bairros da Campina e da Cidade Velha, ambos tombados como patrimônio cultural do centro histórico de Belém do Pará. Ou da Amazônia.

Abranches e seus irmãos começaram a comercializar o que produziam e colhiam em sua aldeia ou rocinha. Foram pioneiros das diversas hortas e vacarias que existiram nesta cidade até cerca dos anos de 1960 e donde se acumularam capitais das empresas paraenses antes da rodovia Belém-Brasília. Com esta estrada dita das "onças" a produção industrial do Sudeste e Nordeste liquidou a indústria local oriunda da acumulação local desde o século XVIII. Os grandes consumidores de produtos da agricultura urbana eram os barcos da Companhia de Comércio do Grão Pará e Maranhão que, de torna-viagem, abasteciam-se de tudo, sendo apreciadíssimas as laranjas e limões dos Abranches que, além de servirem aos tripulantes, serviam de garantia contra o escorbuto e outras doenças que grassavam entre eles. Tal prática levou Abranches a acumular considerável quantia em "patacas", o que lhe deu a condição de "apatacado". 

No início do Século XIX recrudesceu em Abranches, já com 58 anos de idade, o desejo de construir uma Igreja em honra da Santíssima Trindade. Em 1802 pôs ele em andamento seu projeto. Solicitou ao 7° Bispo do Pará, D. Manuel da Silva Carvalho, permissão para construir a Igreja. Esta lhe foi concedida, mas o Bispo adiantou-lhe que o bispado era carente de recursos, mas, que "se os recursos próprios acabarem, tens permissão para buscar espórtulas entre o povo". De posse da permissão do Bispo d. Manuel, Abranches dirigiu-se ao Paço do Conselho onde estavam reunidos os seguintes vereadores: Bento de Figueiredo Tenreiro, António Álvares Fernandes de Carvalho, Caetano Alberto Ribeiro, João de Araújo e Francisco Pereira de Cristo. 

Foi tão apaixonante a exposição de Abranches na presença dos vereadores que dir-se-ía tocado pela Santíssima Trindade, atingindo o clímax da emoção quando rematou: "A vida já me foge, mas antes que ela fuja por inteiro, hei de ver a Igreja de Nossa Senhora da Trindade erguida. "O Presidente do Senado da Câmara e seus presididos concederam o que Abranches pedia e fez mais Bento de Figueiredo Tenreiro, o Presidente: concitou os vereadores a dirigirem-se, acompanhados de José Antônio Abranches, até a presença do Capitão General Governador Francisco Maurício de Sousa Coutinho, para aprovação. 

O terreno cedido situava-se em um pequeno outeiro e toda a área existente ao redor da pequena elevação próxima ao Grande Lago do Piry, na área mesopotâmica formada pelo Lago e Igarapé da Comedia do Peixe Boi (atual Arcipreste Manoel Theodoro, mais precisamente a atual Praça Amazonas), pertencia à Igreja. Prova do que dizia Eidorfe Moreira sobre as condições ecológicas originais do burgo fundado, em 1616, por Castelo Branco. Era o ano de 1802. Abranches atirou-se com denodo na faina de construir a igreja. Logo, logo, o humílimo povo do bairro da Aldeia, ao ver o entusiasmo incontido de Abranches na construção do templo, juntou-se para ajudá-lo de todas as formas. Com esse apoio, Abranches fundou a Irmandade da Santíssima Trindade- "Santo Mistério de nossa religião", como diz José Antônio. 

A drenagem e aterramento do igapó ou "Lago do Piry" começou justamente nas proximidades da construção da Igreja, para alegria de Abranches. Esse trabalho foi ordenado pelo novo governador D. Marcos de Noronha e Brito, o Conde dos Arcos. 

A Irmandade da Santíssima Trindade tornou-se poderosa com a entrada das famílias endinheiradas. A festa da cumeeira, bem como a cobertura e a construção do altar. Foram emoções demais para José Antônio Abranches. No dia 4 de novembro de 1804, com 62 anos, sua vida apagou-se. A consternação foi imensa pelo fato de ter sido Abranches o instituidor da devoção à Santíssima Trindade, em Belém e no Pará. Seu corpo foi sepultado no terreno do adro da Igreja, em sua parte posterior, na altura da atual Rua dos 48. Referência ao número de famílias (casais) emigrados das ilhas do Açores na mesma época.

Nove anos depois, em 1813, estava concluída a Igreja, tendo apenas o altar-mor, quatro arcos nas paredes laterais indicando os lugares em que, no futuro, deveriam ser edificados mais quatro altares, sendo dois em cada lado, tudo isso graças aos esforços dos três irmãos do falecido Abranches. No ano seguinte, em junho, teve lugar a abertura e inauguração da Igreja de Nossa Senhora da Trindade. A Irmandade mandara buscar, em Lisboa, um artístico painel, óleo sobre tela, indicativo do orago da Santíssima Trindade, da lavra do famoso pintor António Leonardo, que estivera em Belém acompanhando o séqüito do Conde dos Arcos. Encomendara, também, todos os paramentos e demais objetos do culto em ouro e prata, bem como uma profusão de fogos de artifício. 

No dia 1° de junho de 1814, o bispo D. Manuel de Almada de Carvalho, pela manhã, benzeu o novo templo e, à noite, houve as vésperas (hora canônica que vem depois das nonas e correspondente as três da tarde) com queima de fogos de artifício noite adentro e com grande afluência popular. No dia seguinte, domingo, aconteceu a grande festa. A missa solene (laus laudemus) foi presidida pelo prelado, com grande instrumental. À noite prosseguiu o espetáculo da queima dos fogos, estando o templo aberto a todos os fiéis. A partir desse dia, a Irmandade da Santíssima Trindade mandava celebrar missa às sete horas nos domingos e dias santos. Nos sábados, à noite, era rezada a ladainha. Anualmente promovia-se a Festa da Santíssima Trindade com toda a magnificência. 

Todos os anos, 20 dias antes dessa Festa, a Irmandade levando a Coroa de ouro, percorria a cidade, casa em casa, tirando esmolas para a festa. Bons tempos aqueles em que se podia sair portando uma coroa de ouro... Pois em tempos recentes a própria igreja veio a ser assaltada por ladrões.  Outra festa que marcou época em Belém, no Século XIX, era a de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro, promovida pela Sra. Maria Simoa, devota fervorosa desde 1809 quando mandara buscar, em Lisboa, a imagem da Senhora, em fino trabalho escultural. 

A imagem era colocada em um oratório, em sua residência situada na Rua dos Inocentes (atual General Gurjão) esquina da Travessa São Mateus (atual Padre Eutíquio). Lá eram celebradas missas aos domingos e dias santos. A festa anual era promovida na Igreja de SantAna para onde era levada com grande acompanhamento. Maria Simoa, com recursos próprios e coadjuvada pela Irmandade, devidamente autorizada pelo bispo D. Romualdo de Souza Coelho, fez edificar em alvenaria, na parede lateral direita da Igreja de Nossa Senhora da Trindade, um altar para receber Nossa Senhora do Rosário do Barreiro. 

No dia 10 de abril de 1822, pronto o altar, a imagem saiu da Igreja paroquial de SantAna, levada nos braços do pároco José Joaquim Martins, paramentado de sua sobrepeliz e estola e acompanhado de 24 clérigos de sobrepeliz e com tochas acesas. A procissão saiu de Sant'Ana, às 18 horas, com grande acompanhamento e foi depositada em seu altar definitivo. 

Pelo menos, assim se pensava. Nessa noite na Igreja de Nossa Senhora da Trindade celebrou-se as vésperas e, no dia seguinte, realizou-se a festa em honra à nossa Senhora do Rosário do Barreiro. A Lei Provincial número 63, de 4 de setembro de 1840, assinada pelo presidente da Província do Pará, João Antônio de Miranda, elevou a Igreja de Nossa Senhora da Santíssima Trindade à categoria de Freguesia, tendo sua instalação sido efetivada em 12 de março de 1843, ocasião em que foi nomeado o seu primeiro vigário, o paraense Manoel Vasques da Cunha e Pinho. 

Este vigário dotou a sua Igreja de pia batismal em mármore de carrara, como também mandou edificar, em alvenaria, o segundo altar fronteiro ao de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro, simétrico a sua igreja paroquial. Esse padre faleceu sete anos depois de sua investidura, isto em 1850, sendo substituído pelo padre, também paraense, Dionísio Rodrigues Aliança. Este sacerdote também veio a falecer depois de 11 anos prestados ao rebanho da Freguesia da Santíssima Trindade, em 1861. 

O terceiro pároco foi o padre baiano Manoel Ignácio da Silva Espíndola, que esteve à frente da paróquia por seis anos, sendo transferido para a Bahia pelo bispo D. Antônio de Macedo Costa, que era baiano como ele. O bispo nomeou como quarto vigário o francês Augusto João Maria Coller. A história desse padre é interessante. Foi casado e quando ficou viúvo entrou para o Seminário Diocesano que era dirigido por D. Macedo Costa. Infelizmente, ao assumir a paróquia terminou com todas as devoções e festas ali existentes. Retirou do seu altar a imagem de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro, colocando em seu lugar uma outra imagem da Virgem Maria, para que fosse celebrado, em maio, o mês mariano instituído por d. Macedo Costa. No altar em frente entronizou a imagem de São José e o artístico painel representando a Santíssima Trindade foi retirado sumariamente. Daríamos tudo para ver como os nossos ancestrais a representavam. Nossa Senhora do Rosário e o painel foram levados para lugar incerto e não sabido. 

Eis a história da Igreja de Nossa Senhora da Trindade. Ademais, o bispo d. Antônio de Macedo Costa, à moda dos touros de Pamplona, investiu, com fúria, contra o protestantismo e a maçonaria, contra as irmandades de Nossa Senhora de Nazaré, de Sant'Ana, da Igreja de Nossa Senhora da Trindade - as mais poderosas - e a das 300 famílias aglutinadas por Maria Simoa. Na História do Brasil este fato ficou regitrado como a Questão Religiosa que exigiu intervenção do imperador Pedro II com base na concordata portuguesa chamada o direito de Padroado, pelo qual os reis tinham direito de intervir na nomeação dos bispos. Por isso, a justiça o condenou a cinco anos de trabalhos forçados na Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

Mas isso já é outra história... E há que se perguntar: por onde andarão as joias da Igreja de Nossa Senhora da Trindade? A construção original, como já vimos na matéria do historiador José Valente, iniciada sob o comando de José Antônio Abranches, data de 1814. A edificação atual é de 1942. A história secular da Igreja da Trindade, no centro de Belém, se confunde com a história da expansão e da transformação da cidade

Governava o Pará dom Marcos de Noronha e Brito, o Conde dos Arcos, quando foi iniciada a obra de aterramento do Igarapé Piri, como era chamado o alagadiço da Juçara. Comprido e volumoso, o igarapé serpenteava pela cidade, descendo da área onde se localizava o Convento de São Boaventura [hoje sede da Diocese de Ponta de Pedras / Marajó e pousada Quinta das Pedras], próximo onde hoje está o Arsenal de Marinha [à entrada do parque Mangal das Garças], indo, ora mais largo, vezes mais estreito, despejar suas águas em leitos que se bifurcavam em direção ao centro da cidade até lançar-se na sua maior abertura: a Baía do Guajará. 

O historiador Antônio Baena, na obra "Compêndio das Eras", afirma que o Piri impressionou de tal modo o padre João Daniel [autor do "Tesouro descoberto no máximo Amazonas", obra rara escrita de memória clandestinamente no cárcere de São Julião da Barra, onde o padre morreu vítima da tirania de Pombal contra a Companhia de Jesus] que o sacerdote, ao se referir à cidade, classificava-a por Oeste do Piri e Leste do Piri para designar os tradicionais bairros da Cidade Velha e da Campina

O Piri se constituía, por si só, um capítulo da história de Belém. Em 1771, o engenheiro alemão Gaspar Gerardo Gronfelts cogitou aproveitar a existência do igarapé no plano de transformação da cidade. Ao invés de aterrar o extenso alagadiço, como era desejo do governo, Gronfelts imaginou aproveitá-lo, em conjunto com os igarapés do Reduto e das Almas, para a construção de três enormes entradas de água, que seriam aproveitadas em diferentes canais que dariam a Belém beleza ainda maior que a da cidade de Veneza, na Itália. 

Contrariando o plano urbanístico de Gronfelts, o Conde dos Arcos não quis transformar Belém numa segunda Veneza. Achou melhor eliminar o enorme igarapé, encarregando, para isso, o engenheiro João Rafael Nogueira. Assim, aos poucos o grande igarapé foi desaparecendo. Em conseqüência, novas estradas surgiram. Grandes áreas foram aproveitadas. O governador passou a incentivar a construção nos trechos por onde antes corria o Piri. Nas imediações da Aldeia, como era chamada a atual Rua Ferreira Cantão - antiga Bailique, próximo à Estrada das Mongubeiras, hoje Avenida Almirante Tamandaré, área que antes era do Piri, morava José Antônio Abranches. O idealizador da Igreja, que foi aberta ao culto em 1814, no dia consagrado à Santíssima Trindade. 

Anos mais tarde, o templo virou ruínas. Em 1894 foi fechado, passando a paróquia a funcionar na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Nesse mesmo ano, em 14 de outubro, o monsenhor José Gregório Coelho benzeu e colocou a primeira pedra da capela mor da Trindade. Coube ao padre Miguel Inácio [devo a este meu nome de batismo 'José Maria', pois minha mãe, sendo extremamente carola da Sagrada Família, queria que eu fosse batizado (novembro de 1937) como 'Jesus José Maria' e o pároco a convenceu em encurtar o nome para uso profano de um futuro herege...] que substituiu o monsenhor Hermenegildo Perdigão na direção da paróquia, iniciar os trabalhos de restauração da secular igreja. 

Em 14 de setembro de 1942 a Igreja da Trindade foi reaberta ao culto. A benção solene ao templo e às imagens foi concedida pelo monsenhor António Cunha. A primeira missa celebrada no templo da Trindade, depois da reinauguração, foi pela alma do senador Cipriano Santos, que se distinguiu ajudando na reforma da igreja. Um dos fatos históricos marcantes da vida do templo é a placa de mármore afixada na parede de fora do prédio da igreja, pela Rua Presidente Pernambuco, que identifica a data comemorativa da abolição da escravatura no Pará

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