terça-feira, 7 de janeiro de 2014

APARTHEID E CABANAGEM





Uma história comparativa entre a África do Sul e a Amazônia não é apenas possível como desejável. Hoje a revolução paraense de 1835, conhecida como a Cabanagem completa 179 anos. Muito se tem dito sobre os acontecimentos entre a revolução liberal em Portugal, em 1817 e a adesão do Pará à independência do Brasil em 1823. Todavia, a maior parte desses estudos perdem de vista o contexto nacional e mundial dos acontecimentos.

O papel da Igreja católica e da Maçonaria se acha implicado nesta história. O público pouco distingue o que é História, propriamente dita, e Historiografia. Desta maneira, não inocentemente é claro, o ensino da História padece duma confusão na qual paixões políticas, opiniões ideológicas, crenças religiosas e interesses de classe se sobrepõem aos fatos.

Mais de 30% da população paraense foi dizimada por um genocídio que poderia ser considerado crime de guerra nos dias de hoje... Isto é um fato. Se os cabanos eram bandidos perversos ou patriotas heróicos consiste numa apreciação historiográfica por parte de quem escreveu sobre tais acontecimentos.

Até pouco tempo, por exemplo, Nelson Mandela figurava numa lista de pessoas indesejáveis nos Estados Unidos classificadas como Terroristas... Com sua morte a Abolição do Apartheid na África do Sul passou a receber da Mídia aureola de virtude. Um professor de História não deve "catequizar" seus alunos conforme suas próprias crenças ou opiniões. Mas lhes ensinar a pesquisar e aprender a ter suas próprias ideias.

O cônego Batista Campos poderia ser o nosso Madiba, caso em sua época existissem meios de comunicação entre o Pará, Rio de Janeiro e o resto do mundo. Cada vez mais a escola formal assume competência de emitir diploma válido para as exigências do mercado de trabalho profissional: a aprendizagem e o conhecimento estão livres em quase todos lugares e à distância. Oficialmente o regime segregacionista da África do Sul foi extinto: mas a desigualdade social ainda é gritante lá e cá.




Ver artigo principal: História da África do Sul

A colônia do Cabo foi estabelecida em 1652 pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, com o intuito de fornecer uma escala aos navios da empresa a caminho da Indonésia. Os holandeses foram os primeiros europeus a se estabelecerem no sul do continente africano. Os bôeres (do holandês boer, ou "agricultor"), como ficaram conhecidos os primeiros colonizadores, utilizavam o trabalho escravo dos nativos em suas plantations litorâneas.
Em 1800, a colônia do Cabo foi tomada pelo Reino Unido, se transformando em possessão britânica em 1814, por ocasião do Congresso de Viena. Após 1834, quando a escravidão foi abolida em todo o Império Britânico, graves atritos começaram a surgir entre os bôeres e os britânicos, o que culminaria na Grande Migração em direção aos planaltos interiores, iniciada em 1835. Os bôeres se dirigiram ao norte do atual território sul-africano, atravessando as montanhas Drakensberg e levando consigo seus escravos negros. Na segunda metade do século XIX, fundaram as repúblicas do Orange e do Transvaal, que nasceram do massacre dos povos nativos e se constituiriam como sociedades fundadas na opressão racial.

O sistema colonial britânico em Cabo e Natal também adotava práticas racistas que começaram a forjar as bases legais para o regime do apartheid. Os britânicos introduziram a lei do passe no século XIX. Isto surgiu a partir da regulamentação da circulação de pessoas negras das regiões tribais para as áreas ocupadas por pessoas brancas e mestiças, governado pelos britânicos. As leis não foram só criadas para restringir a circulação de pessoas negras para essas áreas, mas também para proibir a sua circulação de um bairro a outro sem o porte de um passe. Os negros não tinham permissão para andar nas ruas das cidades das colônias do Cabo e de Natal de noite e eram obrigados a portar seus passes sempre que estivessem em local público. Em 1892, o voto dos negros foi limitado com base na educação e em recursos financeiros. Dois anos depois, os indianos foram privados de seu direito de voto em Natal. Em 1905, os negros como um todo foram privados do direito de voto, além de terem sua circulação limitada em áreas fixas. No ano seguinte, os indianos foram obrigados a carregarem passes.

No final do século XIX, a descoberta de jazidas de diamantes e ouro nas repúblicas do Orange e do Transvaal provocou a guerra entre ingleses e bôeres. A Guerra dos Bôeres terminou com a rendição das duas repúblicas. Em 1910, uma Constituição negociada entre bôeres e ingleses criou a União Sul-Africana, incorporando os territórios britânicos do Cabo e de Natal com as antigas áreas bôeres. Neste novo domínio britânico, todo o controle político foi dado aos brancos, uma vez que o direito dos negros de se sentarem no parlamento foi banido. Os bôeres logo fundaram o Partido Reunido Nacional para disputar com os ingleses a hegemonia política da região. Sob a bandeira deste partido, os africânderes (descendentes dos bôeres) começaram a lutar pela oficialização das práticas de segregação racial de seus ancestrais.

A base ideológica do apartheid, encontrada principalmente entre os membros do Partido Reunido Nacional, nasceu a partir do conceito romântico de nação, reelaborado a partir do pensamento fascista. Nas obras dos principais teóricos do apartheid, a nação tem seu fundamento na raça, na cultura e na etnia. A "língua étnica" (o africâner) aparece como traço básico da identidade nacional. Outra base foi o passado bôer e, sobretudo, a interpretação mitológica desse passado. A ideia de uma cultura singular legitimou o conceito restritivo de nação, que excluía os outros povos da África do Sul. A memória dos feitos da Grande Marcha e da Guerra dos Bôeres forneceu uma vasta simbologia destinada a estimular o patriotismo africânder.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Apartheid

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