segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O AÇAÍ É NOSSO!


mulheres debulhando açaí ajudam a seus companheiros e filhos durante "apanhação" (coleta) do precioso fruto das várzeas amazônicas, principal produto agroextrativista da economia familiar local.



A "UNIVERSIDADE DA MARÉ" ENSINANDO A VER O PESO DA CRIATURADA GRANDE DE DALCÍDIO NOS 400 ANOS DE BELÉM DO 'GRÃO' PARÁ.

 Ou seja: 
pra que serve a Academia do Peixe Frito?
 
Setembro começa em meio à safra do açaí (Euterpe oleracea) no verão amazônico fazendo a festa da nossa várzea. Que o povo das ilhas, conservando o velho português mestiçado com o antigo nheengatu, diz com graça e orgulho a "nossa varja"... 

O DIA DO AÇAÍ, devido o costume da gente marajoara, deve ser o dia do Berto em 24 de agosto. Na história dos brancos, esta é uma data estúrdia no Pará velho de guerra hoje se acabando e que outrora lembrava o massacre da noite de São Bartolomeu, em Paris, quando católicos massacraram protestantes e no final da história a culpa, como sempre, foi do Capeta... 

Não era sem fundamento que o romancista do extremo-norte, autor premiado da Academia Brasileira de Letras (Prêmio Machado de Assis de 1972), considerava o caboco marajoara um cidadão do mundo. Ver correspondência de Dalcídio Jurandir e Maria de Belém Menezes citada na obra "Marajó, a ditadura da água", de Giovanni Gallo.

O problema da história é que cada um a conta como quer ou acredita ser verdade. Na verdade verdadeira, o problema é da historiografia (quem conta um conto aumenta um ponto, diz o ditado popular)... A História é uma ciência do Homem (este animal político, na acepção de Aristóteles). 

Para os brancos doutorados, a história da Amazônia começa com a tomada da França Equinocial (Maranhão) pelos portugueses, em 1615. Mas os cabocos velhos, que mal aprenderam a ler e escrever, sabem por ouvir suas avós contar que a nossa verdadeira história é do tempo da "vela de jupati"... T'aqui pra ti: coisa de muita antiguidade... 

E se os padres do Maranhão amaldiçoaram o espírito dos índios nossos bisavós, o chamado Jurupari ("boca tapada"), então a gente, olha... "boca de siri" com a nossa estória. Jurupari fala e ri pela boca dos pajés. Caçoa do Diabo cristão e suas trapalhadas transformado no tal Berto e aproveita pra fazer feriado na varja no dia 24 de agosto: a data mais esperada do ano, quando o dito cujo vai mijar nas touças de açaizeiro pra fazer o açaí pretejar no cacho. 

Aí começa, então,o verão com a safra do ano pra valer... No tal dia do Berto, pernas pro ar, que ninguém é de ferro! Deus te livre de trabalhar no dia do Berto! É certo que se pode sofrer acidente, esta gente... "Te põe com todos aquilos que tu te perde", diz a velha tapuia aos netos dela. E haja a contar potoca e a reinventar estória.


É a economia, estúpido!

Faz um par de tempo que a gente reclama, os Bispos do Marajó foram se queixar ao Presidente da República e, com o perdão da palavra o IDH do Marajó continua uma m. ... No entanto, reza o Parágrafo 2º, alínea VI, do Artigo 13 da Constituição do Estado do Pará, ser o Arquipélago do Marajó considerado "área de proteção ambiental" e que devem as autoridade ter em vista a melhoria das condições de vida da gente marajoara nas decisões a respeito da "vocação econômica" da região... Belas palavras! O diabo é que tudo isto é um "jabuti" constituinte. Dispositivo ali interposto com outra finalidade, dizem os estudiosos das coisas paraenses. Mas, e nós com isto? Vale o que está escrito e o Ministério Público já deveria ter tomado alguma atitude a respeito. Notadamente, que há dez anos passado, em Muaná, a comunidade pediu às autoridades levar em consideração a tal APA no papel, preparando-a, definitivamente, para fins de apresentar candidatura à UNESCO como reserva da biosfera.

A enrolação da vez é o tal PLANO MARAJÓ e a esperança no momento a criação da UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARAJÓ. Daí que se não esqueça do açaí e do peixe frito nosso de cada dia, quando, finalmente, a Criaturada foi bater à porta do Palácio Cabanagem, vulgo Alepa; onde se abrigam em gabinetes refrigerados nossos nobres representantes, alguns deles eleitos pelo povo das águas que tira sustento na dura labuta das várzeas sempre a espera de melhores dias.




casarão do centro histórico de Belém restaurado pelo concurso de fundo público em parceria com a iniciativa privada em desenvolvimento dos recursos naturais e do trabalho comunitário das ilhas na cadeia produtiva do açaí nativo. Um exemplo do muito que ainda poderá ser feito no encontro da tradição com a modernidade do Ver O Peso em construção verdadeira da Amazônia Sustentável.

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