quarta-feira, 25 de setembro de 2013

DIPLOMACIA POÉTICA DA INFÂNCIA E MATURIDADE DA AMAZONIDADE


poeta Thiago de Mello: cidadão planetário porta-voz da amazonidade
não traz caminho novo para o povo, mas um jeito novo de caminhar com a humanidade


Mensagem dos velhos amigos da Academia do peixe frito à senhora avó do menino Gabriel.


Pré-sal à parte (royalties e dividendos à saúde e educação das novas gerações de brasileirinhas e brasileirinhos), não é segredo que serviços secretos já não saibam, com a CIA e companhia à proa: a "menina dos olhos" da Presidenta Dilma - avó mais famosa e durona dos países em desenvolvimento - é, precisamente, o programa nacional de creches - proInfância - espalhadas em todos municípios deste país-continente. 

Esperando que adversários do governo federal não acusem de "nepotismo" afetivo à Dilma Rousseff, por motivo de seu neto Gabriel fazer parte da infância do país, nem de populismo a preferência presidencial para implantar creches do PAC de olho nos votos de pais e avós da molecada de periferia das grandes cidades e dos sertões do Brasil: a gente se apressa em sugerir ao MEC que promova, na rede de campi das universidades públicas em cooperação com municípios criativos; mini-cidades ou aldeias modelo onde os dois extremos da vida humana se complementem.

Por amor às nossas criancinhas e velhinhos, não poupemos utopia e sonho! A terceira idade sem rendição aos rigores do tempo e desilusões da vida, face à compartilhada inocência da criançada, faça constância do Paraíso na terra. Que idosos indomáveis não deixem jamais apagar a chama da criança que mora em cada ser humano como se fosse, de verdade, um deus vivo no templo mais íntimo do indivíduo protegido pelos Direitos Humanos de todos. 

Por outra parte, na mesma humanidade, todos e todas não se deixem vencer pelo medo da violência e da miséria deixando furtar das crianças o Jardim do Éden; recuperado na poesia humanista de Milton, em Paraíso Perdido. Sim, a tecnoburocracia moderna corrompida por séculos de servilismo, mercantilismo e guerras de conquistas sob tirania do deus-Mercado não tem graça e precisa agora ser empoderada pela poesia e criatividade libertadora do Homem e protetora da Biosfera.

Vejam, por exemplo, a bruta notícia de que seis dos municípios de pior IDH do Brasil não aderiram ao programa Mais Médicos, como é possível? Dentre estes relapsos o município de Chaves, que é remanescente de antiga aldeia dos índios mais valentes do Marajó, os famosos Aruãs que se destacaram na história como lutadores contra tudo isto que fez a pobreza da brava gente marajoara. Como diz a canção "Belém-Pará-Brasil", da banda Mosaico de Ravena, "a culpa é da mentalidade"...

Mas a gente tem que se levantar: avós unidos pelo futuro dos netos e netas do Brasil jamais serão vencidos! E a arma da velhice seja antes de tudo a Poesia. Uma arma poderosa como provam descendentes de Ajuricaba e Cabanos, tais como o invencível Thiago de Mello e muitos outros poetas amazônidas.

quando a arte do diálogo é mais forte que as muralhas

A China e o Japão, como muitos outros países fronteiriços, durante muito tempo tiveram uma vizinhança conflituosa. Ao mesmo tempo que juntos os dois países asiáticos desenvolveram maravilhas do mundos, também se flagelaram mutuamente com diversas guerras e ódios recíprocos levando destruição e humilhação um ao outro, o que culminou com os horrores da II Grande Guerra Mundial.

Pois bem, em todo mundo o ano de 1968 deixou marcas profundas. Para muitos, no Brasil em 1968 com o AI-5 começou de fato Ditadura que o grupo liderado pelo general-presidente Humberto de Alencar Castello Branco pretendera fosse limitado a breve intervenção militar a fim de convocar eleições democráticas devolvendo o poder aos civis. Nos Estados Unidos, naquela década, o movimento hippie com seu lema de 'Amor e Paz' ("faça amor, não faça guerra") promovia uma revolução sem precedentes, que iria determinar inclusive o fim da guerra do Vietnã. E na França jovens estudantes amotinados nas ruas iriam levar o gaulismo centralizador ao fim.

No mesmo tempo, no outro lado do mundo, um jovem advogado japonês crítico do militarismo em geral e particularmente do imperialismo nipônico, chamado Daisaku Ikeda; iria modernizar a organização não-governamental de budismo laico dita Soka Gakkai ("sociedade criadora de valores") dizendo que o verdadeiro budista não deve "fugir" do mundo, mas sim mudá-lo. Aquele jovem idealista e corajoso tornou-se herdeiro de uma escola de reformadores da Educação que pagaram com a própria vida e a perda de liberdade pela ousadia de pensar diferente do establishement de sua nação e do resto do mundo. Ideologia de uma época de terror que ficou na memória das nações pelo crime de lesa humanidade no Holocausto e a indignidade das bombas atômicas de Nagasaki e Hiroxima.

Acreditando nas qualidades do Diálogo e do internacionalismo como instrumento de entendimento mútuo e cooperação entre os povos, o jovem Ikeda conseguiu projetar internacionalmente a outrora doméstica e controversa "Sociedade Criadora de Valores", desde então Soka Gakkai Internacional (SGI), hoje creditada junto à ONU dentre outras ONGs como consultora de voluntários para a Paz mundial. 

Mas a prova de fogo do jovem poeta e advogado Daisaku Ikeda foram as seculares relações inamistosas entre a China e o Japão, fazendo com que a diplomacia da SGI para a Paz e amizade entre os povos se destacasse de maneira extraordinária. Contribuiu particularmente para isto o fato de Chou Enlai, o primeiro-ministro chinês na época; ser profundo conhecedor da cultura japonesa convergindo nos mesmos propósitos em mostrar a face pacífica do gigante amarelo.

A amizade pessoal e admiração mútua entre Chou Enlai e Daisaku Ikeda foram o esteio soft onde a pesada herança das fronteiras sino-japonesas se apoiaram a fim de mudar as piores perspectivas de desconfiança e competição irracional. 40 anos desta história, que merece ser conhecida em todo mundo, foram contados em livro originalmente em chinês e depois traduzido, em 2011, em japonês. Entretanto, Ikeda e a SGI foram duramente criticados no Japão e em meios estrangeiros militaristas, todavia, em 1972 - quando o anticomunismo na América Latina atiçava e alimentava diversas ditadura militares com a famigerada Operação Condor, violadora contumaz dos Direitos Humanos Universais, e a repressão militar no Brasil atingia o paroxismo - a China comunista e o Japão capitalista, quatro anos após a iniciativa Chou Enlai - Daisaku Ikeda; restabeleciam relações diplomáticas.

" ... Somos todos humanos, partilhamos uma humanidade comum que é a mesma em russo ou chinês. É importante ser capaz de compartilhar sinceramente pensamentos sobre questões como a paz, a educação, o mundo. De outra maneira a discussão torna-se puramente política, uma questão de poder, de quem é fraco e quem é forte. É fundamental que, de alguma forma, quebremos este ciclo destrutivo”. (Dasaiku Ikeda).

Tal é o cerne do pensamento de Ikeda à frente da SGI em sua forma de pensar a diplomacia humanista cidadã do pós-Guerra. Desde cerca de 1960, o premier Chou Enlai instruíra seus assessores a buscar informações sobre a SGI. Foi assim que Ikeda visitou a China pela segunda vez e se reuniu com Chou Enlai, embora o primeiro-ministro chinês estivesse internado com câncer terminal naquele momento. O teor do diálogo entre os dois humanistas deixou clara a disposição de ambos em prosseguir sem descanso na causa da paz entre os dois antigos povos da Ásia. Uma amostra do sucesso dos esforços empreendidos para a Paz foi a criação da Associação de Amizade China-Japão. 

A memória deste feito vem aqui a lembrar, mais uma vez, que se uma região do mundo separada por ódios de fronteira tão graves pode estabelecer pontes de reconciliação e amizade, como o caso sino-japonês, por exemplo. Menos difícil será construir a cooperação e amizade entre diferentes regiões dos países amazônicos, se houver diplomatas da amizade e da paz como o poeta da amazonidade, Thiago de Mello, membro proeminente da SGI, com sede em Manaus-AM. Isto que nós chamamos, por acaso, ajuricabano: movimento de união e amizade dos filhos de Ajuricana na nova Cabanagem que é a democracia solidária (novo jeito de encaminhar a História).

cada cidade seja um campus e cada campus uma cidade humana onde juntos crianças e velhos façam escola.

O Ministério da Educação (MEC) pretende acelerar a construção de creches e pré-escolas do programa federal ProInfância. A meta de construir 6.427 estabelecimentos de educação infantil até 2014. O investimento será de R$ 7,6 bilhões, recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Devemos aplaudir o MEC, porém não podemos perder ocasião de dizer que as universidades federais não podem perder de vista que o ProInfância e UNATI dialogando entre si podem reunir o útil ao agradável. Ou, como se diz no popular, reunir a fome com a vontade de comer.

Já dissemos que o nosso pobre Marajó deve ser visto em todo Brasil como oportunidade de um campus-arquipélago inter-universitário. As grandes cidades da Amazônia Legal ligadas pelo programa "Universidade Aberta à Terceira Idade - UNATI" praticar o Diálogo entre velhas gerações da amazonidade com o pensamento fixado nas futuras gerações. Que creches e pré-escolas possam ser beneficiadas pelo savoir faire dos idosos numa convivência amorosa entre as duas idades - o começo e o fim - do ser humano. Deste modo, "aldeias" e mini-cidades criativas possam ser laboratórios vivos da Educação do cidadão do amanhã.




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