terça-feira, 6 de agosto de 2013

CAIU NA REDE É PEIXE.


caricatura de Pablo Capilé pelo cartunista Caruso, durante programa de TV RODA VIVA


UMA PERGUNTA FICA NO AR: CADÊ O AMARILDO?

Há dez anos apenas, os jovens comunicadores sociais que criaram a Mídia NINJA (sigla de "Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação") estão na praça e nas ruas deste país. Mas, graças à revolução tecnológica da internet e à onda de protestos de rua de Julho 2013, de repente eles ganharam visibilidade nacional e internacional que antes não tiveram. 

No extremo norte brasileiro de ínfimo IDH a banda larga ainda é uma novela mexicana. E ainda que a gente tivesse internet de alta velocidade, disponível a toda hora para todo mundo em 500 e tantas "aldeias" ou localidades isoladas em mais de 1700 ilhas filhas da maré; isto seria ótimo para ajudar a saúde pública com a telemedicina de apoio. Assim que a dissiminação da Educação à Distância. Todavia, metade da população, no Marajó, por exemplo; mesmo assim ficaria por fora devido ao invencível analfabetismo no maior arquipélago fluviomarinho do planeta.

"Fala para que eu te veja", diz a máxima da ciência da Comunicação. E o bicho-homem só se transformou em gente de verdade quando aprendeu a se comunicar e falar a mesma língua do outro... Portanto, a comunicação social é um direito do Homem e do Cidadão. Quem não se comunica se trombica... Na Amazônia, Euclides da Cunha informa, o homem está à margem da História. Então, o primeiro passo para inclusão social desta gente deve ser sua inclusão na História: libertada do medo e do lendamento da estória geral.

Em terra de cego quem tem um olho é rei, diz a sabedoria popular. Nas regiões ultraperiféricas dos sertões - que nem as ilhas dos marajós, por exemplo - velhos griôs de aldeia se tornam sábios da roça, por necessidade e acaso

É daí dessa mina funda que intelectuais orgânicos, a modo de Ariano Suassuna; tiram a pedra bruta a ser lapidada em sua arte ou literatura. São os tais homens coletivos que representam o povo e dão voz aos sem eira nem beira que habitam o tempo à margem da história. No Marajó nós tivemos vários desses uns que dão rosto e voz à coletividade, com destaque ao notável caso do índio sutil marajoara Dalcídio Jurandir, o qual na verdade era "negro da terra" filho de preta e branco como soe ser a negritude marajoara. 

Dando vez e voz às populações tradicionais ribeirinhas numa sagarana de dez romances, desde a publicação de "Chove nos campos de Cachoeira", a mídia do peixe frito tenta mostrar ao Brasil e ao mundo a cara e a coragem da Criaturada grande do Baixo Amazonas, das Ilhas e subúrbios de Belém e Macapá.

Agora a rede dos sem História está se ampliando mundo afora. Hora de juventude e fé no que há de vir de melhor para a humanidade inteira. O apoCalypso: ou seja, o fim do "fim da História"... A verdade vos salvará, reza a Bíblia. Pois o pai da mentira é o Diabo. 

E o jornalismo verdade faz a diferença entre a liberdade e a manipulação. Caboco velho dizia a seus filhos, durante a pororoca quem for podre que se quebre... Não adiante dizer que se tem compromisso com a verdade. Verdade não quer compromisso de ninguém, ela apenas é. Como a luz não carece de discurso para se distinguir do escuro. 

Não adianta gritar "meu Deus, meu Deus!" para se salvar. Mas sim praticar a compaixão de todo coração para com os mais fracos e desvalidos da "raça" humana. Não por caridade, espírito de seita ou religião. Mas sim por que no fundo de tudo, espiritual e fisicamente falando, todos somos uma só matéria, um único e vasto universo ou pelo menos uma única Terra para todos... 

A força de uma corrente qualquer é igual a de seu elo mais fraco. Não adianta ter o maior PIB do mundo se muitos só comem as migalhas do bolo. Enquanto houver pobres e marginalizados no mundo a humanidade será frágil... 

Desapareceu um ajudante de pedreiro numa favela carioca depois de ser levado à polícia para dar explicações sobre não sei o quê... Nas rotas de contrabando de fronteira, no tráfico barra pesada além do Cabo Norte, quantos "Amarildos" desapareceram sem a menor notícia ou explicação? Na lista do pior IDH do emergente Brasil apareceu na mídia nacional o nome de uma antiga vila portuguesa chamada Melgaço... Ninguém sabe que este é um nome transplantado a muque para apagar a história dos Jesuítas na Amazônia... Que a Melgaço brasileira de 1758 apagou a aldeia de Aricará, cujo nome corresponde ao "Amarildo" indígena que foi cacique ali, em 1659, quando em meio a mil peripécias os índios Nheengaíbas (marajoaras) aceitaram fazer as pazes - depois de 44 anos de guerra, desde a tomada do Maranhão - a um preço exorbitante, como conta entre outros o imperdível ensaio "Rio Babel", do professor José Ribamar Bessa Freire; homem coletivo da amazonidade; em nome de muitos Amarildos desaparecidos às margens plácidas do Amazonas ao longo de quatrocentos e tontos (sic) anos.







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