domingo, 18 de agosto de 2013

A GENTE QUER CONVERSAR COM O PREFEITO E COM QUEM MAIS DE DIREITO.


Que diria Bruno de Menezes neste caso?





PEIXE FRITO CARECE LIMÃO: COMENTÁRIO AO VETO DO PREFEITO

Na modesta opinião deste velho ictiófago que vos fala, a gente deve pegar o limão do veto do prefeito ao projeto de lei nº 017, de autoria do vereador Iran Moraes, aprovado pela câmara municipal de Belém, considerando a Academia do Peixe Frito patrimônio cultural imaterial de Belém-PA; e fazer dele uma baita limonada gostosinha pra todos e todas.

Nós somos idealistas, mas não somos ingênuos. Sabemos que, na política da cultura brasileira, a nossa irreverente academia do Ver O Peso é filha da Semana de Arte Moderna de 22... Tanto é verdade que, apesar do grande iconoclasta Mario de Andrade ter passado ao largo do grupo de Bruno de Menezes durante sua memorável estada em Belém, Mosqueiro e adjacências na pescaria de costumes, mitos e lendas na qual ele acabou pegando o peixe grande chamado "Macunaíma"; outro modernista de 22, o gaúcho Raul Bopp, se banqueteou com os nossos mestres venerados da academia parauara. Com isto o ictiófago visitante foi pescar, lá nas águas grandes do Xingu, "Cobra Norato" e o levou a sentar praça de marinheiro no Rio de Janeiro. Abguar Bastos é um dos nossos, que terminou por ir ver de perto pra contar de certo o que a Semana de Arte Moderna tem. E não foi sem assim que que Eneida de Moraes, foi para o Rio de Janeiro levando na bagagem a Criaturada grande de Dalcídio, com banho de cheiro... E o próprio Dalcidio Jurandir pegou o Ita do Norte e se exilou em Laranjeiras para compor a maior parte do romance fluvial, começado e encerrado em Gurupá no ciclo completo do do Extremo Norte.

O último dos moicanos da antiga academia, nosso Doutor Honoris Causa Vicente Salles; deixou o umbigo enterrado no Caripi (município de Igarapé Açu), principal tributário da margem esquerda do histórico rio Maracanã, lá pras bandas do Salgado.  Prestou seu testemunho na Feira Pan-Amazônica do Livro e deu o último suspeiro em Brasília, Capital Federal. Lá por perto das Águas Emendadas onde um dia, certamente, a "Confraria dos Velhos Amigos da Academia do Peixe Frito" irá comemorar o pleno reconhecimento desta história de teimosia do extremo norte brasileiro em querer fazer parte da Nação.

Portando, o reconhecimento da APF depende mais de nós mesmos do que da Prefeitura de Belém, do Governo do Estado ou da Presidência da República. Vejam só, foram passados mais de 70 anos para um único vereador de Belém escutar os velhos zeladores da tradição do peixe frito com pirão de açaí, no 'cartão postal' da metrópole paraense!

O veto do prefeito apenas enriquece mais esta história exemplar. Agora, longe da Confraria partir para um confronto estéril, deve servir de chance a um diálogo como nunca dantes nestes país que se chama Pará.

Que podemos fazer? Em minha opinião, o seguinte:
  1. Convocar a comissão organizadora da "CVA/APL" para reunião extraordinária, se possível a ter lugar, na sala da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Belém;
  2. Manifestar agradecimentos à CMB e, de modo especial, ao vereador Iran Moraes; pela aprovação do PL N° 017;
  3. Solicitar apoio institucional da Comissão de Cultura da CMB para intermediar DIÁLOGO com a FUMBEL no sentido de estudar todas as medidas pertinentes ao reconhecimento da APL, em conformidade com as alegações jurídicas do veto do prefeito Zenaldo Coutinho, todavia em atendimento ao pleito desta Confraria em vista do interesse público, aliás reconhecido no próprio texto do veto do chefe do executivo municipal;
  4. Reivindicar junto à FUMBEL inclusão da CVA/APL nas programações culturais do município de Belém, verificando entre outras medidas a possibilidade de uso parcial e/ou compartilhado, se for o caso; do imóvel público denominado SOLAR DA BEIRA, localizado na feira do Ver o Peso para atividades da CVA/APL.
  5. Finalmente, inclusão oficial da CVA/APL no sistema municipal de cultura, e sua extensão para a região metropolitana e inteiro do estado.
Belém, 18/08/2003
José Varella, membro da comissão organizadora da CVA/APL

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