quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MARAJÓ SERÁ A "COSTA RICA" DA AMAZÔNIA?

A Constituição do Pará (Artigo 13, VI, § 2º), ao considerar o arquipélago do Marajó como área de proteção ambiental, diz expressamente que a vocação econômica das ilhas deve ser observada como meio de melhoria da qualidade de vida da gente marajoara. No entanto, mais de 20 anos se passaram para o governo estadual encarar a tal APA-Marajó como parte integrante do macro zoneamento ecológico-econômico do estado. Desta maneira, o desconfortável dispositivo constitucional aos interesses do atraso socioambiental da brava gente das ilhas no estuário da maior bacia fluvial do planeta, passou a ser base para lançamento da candidatura do maior arquipélago fluviomarinho do mundo à lista mundial de reservas da biosfera do programa multilateral MaB/UNESCO.

Seria equívoco achar que a população tradicional marajoara se move em direção à Reserva da Biosfera Amazônia Marajó por motivação ecológica. Esta gente sofrida luta ainda por resistir ao colonialismo e à invasão cultural, mas principalmente por sobreviver e vencer a Pobreza. Portanto, é a economia que devasta o meio ambiente e humilha a gente, mas será ela também que poderá salvar a Cultura Marajoara da "solução final" e libertar a gente ribeirinha dos grilhões do ínfimo IDH dos municípios ilhados em mais de 500 comunidades locais entre chuvas e esquecimento.

Qual seria, então, a mais valia da vocação econômica do Marajó? Certo, o turismo pode-se dizer à primeira vista. Todavia, que turismo interessa mais a esta pobre gente isolada em tantas ilhas ou dispersa na vastidão dos campos naturais da ilha grande (maior do que a Holanda, por exemplo)? Sem dúvida, o Ecoturismo de base comunitária! E aí, exatamente, como diz o caboco: "a porca torce o rabo"... Por que é lógico que nenhuma empresa do trade vai investir onde é papel do estado fomentar o desenvolvimento socioambiental elementar.

Desde os anos de 1930, com a malograda campanha da diretora do Museu Nacional, Heloisa Alberto Torres; para preservação dos sítios arquelógicos da ilha do Marajó e a literatura antropológica de Dalcídio Jurandir; que o Homem e a Natureza nestas ilhas estão mostrando à consciência brasileira qual é a verdadeira saída desta gente na conquista do Futuro. A obra de Giovanni Gallo, com a invenção do Museu do Marajó, é como um dedo acusador em face à leniência da cultura nacional e a pesquisa arqueológica de Denise Schaan não deixa mais dúvida nenhuma sobre o que se deve fazer em Marajó.

Não são poucos os cabocos a chatear a preguiça mental dos ilustres acadêmicos e representantes do Povo a respeito desta tragédia amazônica que se chama Cultura Marajoara. Por isto, já quase uma década se está sonhando com o Turismo como alavanca do desenvolvimento local sustentável nas ilhas do Marajó: o que requer uma Secretaria de Estado capaz de pilotar o processo de desenvolvimento sustentável de uma maneira inovadora e audaciosa no comando do órgão público gerencial especializado, que é a companhia mista PARATUR.

Uma Secretaria de Estado de Turismo com visão estratégica, naturalmente, capaz de auxiliar o núcleo central do Governo a vislumbrar oportunidades e a lutar no âmbito federal para o fabuloso potencial natural e cultural do Para virar produtos de mercado. Que referências a gente pode buscar para dar sustentabilidade econômica à causa marajoara? No Brasil temos, por exemplo, a Reserva da Biofera do Pantanal como inflexão de uma pecuária problemática e decadente para as primícias do ecoturismo com destaque para Bonito, no Mato Grosso do Sul. E, na América Central, Costa Rica onde o ecoturismo resplandece na pauta de ingressos de divisas. Se na verdade Marajó não tem todos atrativos turísticos daquele país latino-americano, interessante sob vários aspectos comparativo, pelo menos sua inspiração poderia suscitar aos responsáveis políticos pelo nosso desenvolvimento socioambiental justa ambição de uma meta de faturamento global equivalente a um terço dos mais de 300 milhões de dólares, que a prestação de serviços ligados ao turismo gera na Costa Rica.

Que nos falta? Falta vontade política que a criação da Secretaria de Estado de Turismo poderia alavancar desde sua discussão na sociedade paraense e posterior debate pelos nobres representantes do povo, por sinal instalados no Palácio Cabanagem. Vejamos:

Ecoturismo

Nenhum outro país do mundo criou tanto em matéria de ecoturismo como a Costa Rica. Para uma breve explicação do que significa explorar a ecologia desse país se pode começar por números exatos: 20 parques nacionais, 26 áreas protegidas, 9 reservas de bosque, 8 reservas biológicas, 7 santuários selvagens e um total de 13.000 km² de montanhas, rios, pântanos, planícies e praias.
Costa Rica
Costa Rica é um excelente lugar para apreciar a mudança de ecossistemas, a fauna e a vida selvagem.

Reservas ecológicas

As reservas ecológicas da Costa Rica representam uma parte da vida selvagem, das formações vegetais e suas colorações exóticas. Sendo assim, essa nação representa para os amantes da natureza o Jardim do Éden e a Caixa de Pandora para biólogos, taxonomistas e ecologistas.

Parques nacionais

Costa Rica conta com uma grande diversidade de parques naturais, como o "Tortuguero" na costa do caribe, onde se podem ver animais selvagens enquanto se faz um tour de barco. Outro interessante é o "Cahuita" com caminhos naturais e arrecifes de corais.

Golfe

Alguns hotéis contam com campos de golfe privados e desde 1998 estão surgindo, nos principais destinos turísticos, novos campos para essa prática.

O QUÊ VER?

Teatro Nacional

Localizado em San Jose é uma charmosa construção datada de 1890. Aí se pode apreciar espetáculos de ópera e ballet entre outras atrações.

Monteverde

É uma reserva biológica com grande variedade de flora em fauna, considerada um paraíso tanto para investigadores como para os amantes da natureza.
Caminhar pelas trilhas da divisão continental nesse mágico ambiente de bosque faz dessa reserva um lugar perfeito para que toda a família desfrute do contato com a natureza.

Fazenda de Mariposas de Guacima

Encontra-se no vale central da Costa Rica e são organizados recorridos diários para os visitantes.

Vulcão Poas

Pode-se chegar de carro e desde suas plataformas panorâmicas se aprecia fumaças ativas, além de uma bela vista do país.

Museu de Ouro Precolombiano

Conta com uma rica coleção de ornamentos.

Café Britt

Uma fazenda onde se produz café. Pode-se fazer tours pelas imediações, degustar grãos especiais, e ver danças folclóricas.

Lago Arenal

Rodeado por granjas de café e um bosque. Excelente para o windsurfing.

Os jardins de Lankester

Está cerca de Cartago e possui mais de 800 espécies de orquídeas.

Parque Nacional Corcovado

Um bosque tropical. Casa dos jaguares, dos papagaios entre outras espécies da vida selvagem.
Fonte: www.ciberamerica.org

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