quarta-feira, 27 de julho de 2016

Que estamos fazendo com nossa cidade?



Cidades e campos mais próximos em busca 
da humanidade que a sede de lucros separou.


"Se as cidades foram destruídas e os campos forem conservados, as cidades ressurgirão, mas se queimarem os campos e conservarem as cidades, estas não sobrevirão." -- Benjamin Franklin.


“A alimentação saudável não pode ser direito de uma única classe social. As pessoas estão adoecendo por consumirem produtos de prateleiras, por isso o acesso ao verdadeiro alimento deve ser garantido para todos e todas. O alerta dado pela pesquisadora da área alimentar, Patrícia Pinto, no painel ‘O alimento como direito, agrotóxico e saúde humana."

Mais que nunca, a desumanização de campos e cidades no mundo já foi longe demais. No Brasil, a democracia está em perigo depois de uma reconquista extremamente sacrificada. Não basta votar, é preciso que o povo seja de fato fonte do poder democrático, dia a dia a participar da construção d‪#‎CidadeMaisHumana‬, uma cidade segura e protetora de sua gente habitando o centro e os subúrbios; e todo o município sustenável com seus distritos, vilas, povoados, sítios, praias e campos. 

A diversidade cultural, patrimônio histórico e a biodiversidade integrados numa nova economia fundada nos Diretos Humanos universais para todos e todas numa cidade aberta a nacionais e estrangeiros com igual consideração. Para tBanto, instrumentos de gestão participativa e cartografia socioambiental comunitária levando em conta a AGENDA 2030, de acordo com os compromissos internacionais assumidos perante a Organização das Nações Unidas (ONU).



BELÉM DO PARÁ HÁ QUE SE LIBERTAR DA COLONIALIDADE PARIS N'AMÉRICA E ASSUMIR SUA AMAZONIDADE DE METRÓPOLE DAS ÁGUAS.



No entanto, vem de París uma outra referência, não mais inspirada no século das Luzes e na vã ambição imperial burguesa, mas para invenção do futuro socioambiental. Até 2020 Paris deverá ter 25% de sua superfície recoberta de vegetação. Um espetacular programa ecológico-econômico de seis metas envolvendo novas edificações dotadas de energia renovável, reaproveitamento da água e cobertura de hortas e jardins, além da criação de 30 hectares de espaços públicos verdes.
Tecnicamente, o potencial ecológico-econômico-cultural da capital do Estado do Pará é igual ou maior que da metrópole francesa, pois já existem áreas verdes maiores. Todavia, em matéria de educação, cultura e economia nos encontramos anos-luz atrasados em relação a qualquer capital europeia. A demolição do Grande Hotel para dar lugar a um espigão feioso é o atestado completo da alienação urbana belenense, apenas ultrapassada pelo aterro do Igarapé do Piry, no século XVIII.
Não é crime investir para ganhar dinheiro e gerar empregos, antes pelo contrário. O que se lastima é que os donos do poder troquem a primogenitura amazônica por um prato de lentilhas modernoso. O Ver O Peso é emblemático: confunde-se populismo da pior espécie com tradição e leseira por modernidade. O resultado é perda de dinheiro público e de tempo; o pixé da doca e da pedra só serve para atrair urubus. Quando o novo terminal pesqueiro jogado fora, o Mercado do Peixe e o Bolonha são uma importante infra-estrutura capaz de oferecer novas oportunidades de emprego e melhoria de salário e trabalho aos atuais talhadores, balanceiros, açougueiros, carregadores sem perspectiva de vida.
De repente, a agroecologia familiar poderia ter na feira do Ver O Peso e nas mais feiras de bairro o grande mercado que está esperando para prosperar. O peixe frito com açaí no Mercado do Peixe reformado, ao lago do churrasco de búfalo no Mercado Bolonha seriam grandes atrativos para o turismo regional gastronômico.
Que diriam as autoridades parisienses, se consultadas a este respeito? Claro, nessa hora o nosso patriotismo falaria mais alto. Embora a rebatida pretensão nossa de atrair turistas estrangeiros e nacionais. O avanço na execução da "ruralização" de Paris está sendo complementado pelas autoridades francesas através de outras iniciativas sobre o meio ambiente em todos os níveis, sendo um deles a cidadania. Um exemplo é o programa “Du vert prês de chez moi” (verde perto de mim) convidando os habitantes a se tornar jardineiros de seus bairros; oferecendo espaços próximos donde vivem. As portas de suas casas ou as ruas servem para plantar comida, arbustos e flores que façam parte do processo de tornar mais útil e agradável o entorno urbano. Agora vamos falar sério, se Paris pode se preocupar com a saúde alimentar de seus habitantes, por que as cidades brasileiras devem ser privadas de políticas públicas como essa e ficar a mercê de comidas envenenadas de prateleira?
A democracia socioambiental é realçada pela prefeitura ao convidar os cidadãos a identificar lugares perto de suas casas para plantar e guardar equipamentos, levantar cercas e muros, aproveitando espaços abandonados. Após escolher pontos de plantio, os moradores solicitam autorização que lhes permite plantar nos espaços públicos de seus bairros. A iniciativa lhes oferece consultoria e assistência técnica sobre espécies adaptadas e modos de produção, distribuição e consumo.
Os pontos agro-urbanos contribuem ao surgimento de um novo urbanismo humanizado, em que a natureza na cidade não é confinada a parques, jardins e bosques regulamentados, mas ela se encontra distribuída  por todo espaço público. Não precisa dizer que muito quintal e terreno baldio ficaria melhor cuidado, sem viveiro de mosquito da dengue e do zyka vírus. E mesmo a segurança pública poderia ser integrada a uma tamanha mobilização da cidadania.

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