domingo, 23 de dezembro de 2012

2013 #Ocupe Ver O Peso!









BOAS FESTAS amig@s do Ver O Peso.

Pra boa gente de São Benedito da Praia ou Ossain na Academia do Peixe Frito e a Criaturada grande de Dalcídio na feira do Ver O Peso, subúrbios e nas ilhas, o ano de 2013 já começou. 

E começou aprontando o estirão de bom futuro rumo a 2016: embora no calendário gregoriano faltem ainda algumas folhinhas a ser arrancadas, a fim de despedir 2012, que teve até data para o fim do mundo e virou farra de vândalos do apocalypso... Este último, como se sabe, é bandalheira. Carnaval profano das revelações do Fim do Mundo sobre o reino da mãe d'Água dita Boiúna.

A invenção da Amazônia completou 400 anos em São Luís do Maranhão. Masporém a marcha dos acontecimentos históricos do Norte começaram antes, em Olinda (Nova Lusitânia, Pernambuco); passando de virada em Jaguaribe (Ceará) para, em  1615, tomar o Maranhão e vir direto ao Pará fundar Feliz Lusitânia com o forte do Presépio, em 1616; berço desta morena Belém do Pará.

Nasceu, na pisada do caminho do Maranhão rumo à terra dos Tapuyas no rio das Amazonas, o Estado do Maranhão e Grão-Pará (1621) sob pavilhão da União Ibérica (1580-1640) pela "impossível" aliança entre remos e arcos Tupinambás e as armas e barões assinalados da velha Lusitânia: eis em poucas linhas a história da invenção da Amazônia brasileira de nossos dias. 

A melhor parte da história aconteceu à revelia das cortes, era como se o grande rio [Uêne, dos aruacos; Paraná-Uaçu, dos tupis; Marañon, dos hispânicos e Amazonas, dos portugueses] decidisse ele mesmo por conta própria traçar a sua história. Como diria, mais tarde, Abguar Bastos: "o Amazonas tanto embarrigou que pariu o Acre." 

Mas a primeira barrigada do Amazonas, com certeza, foi as ilhas do Marajó... Segundo o tratado de Tordesilhas (1494-1750) entre os reinos de  Castela e Portugal, a linha ultramarina entre as duas coroas passaria supostamente sobre Laguna (SC), no Estado do Brasil; e Belém do Pará, no Estado do Maranhão e Grão-Pará.

Deste modo, as lindes amazônicas entre Espanha e Portugal deveriam ter limites na baía do Marajó: a oeste o maior arquipélago do planeta caia na parte espanhola (donde, em fins de janeiro de 1500; o navegador espanhol Vicente Pinzón arrastou os primeiros "negros da terra"(escravos indígenas) da América do Sul, em número de 36 indivíduos provavelmente de etnia Aruã).

Na margem direita do Pará, em alguma parte entre Colares ou Vigia e Viseu atuais; o cosmógrafo do rei de Portugal; Duarte Pacheco Pereira, esteve em viagem secreta em 1498 (dois anos antes de Pinzón no Marajó) a fim de fazer medições astronômicas capazes de produzir o "descobrimento" oficial do Brasil sem risco da posse de Portugal vir a ser contestada. 

Dizem historiadores da teoria do segredo dos descobrimentos ultramarinos, entre eles Jaime Cortesão; que navegadores lusos já conheciam a costa brasileira e a corrente equatorial marítima em suas tentativas de ultrapassar o Cabo das Tormentas (Cabo da Boa Esperança, na África do Sul). Portanto, a escala como viu-se na frota de Pedro Álvares Cabral era vital para reabastecer navios de água, lenha, peixe e alguma caça. Bem como descansar a marinhagem deixando em terra algum degredado ou desertor fugido de bordo para aprender a língua da terra e se amigar com as índias, desde logo; a premeditar o futuro da grande nação mestiça da América do sol.

Temos ainda no escuro o papel histórico da nação Tupinambá, e, sobretudo, do mito da Terra sem Mal (Yvy Marãey) na historiografia brasileira em relação a conquista das regiões Nordeste e Norte até reconhecimento do uti possidetis real de 1750. 

Inimigos dos portugueses e amigos dos franceses os tupinambás abandonaram a estes últimos no Maranhão, talvez desenganados do interesse de La Ravardiére em levar a guerra aos tapuias do extremo norte; chateados da catequese contra os pajés e demonização do espírito Jurupari. Pelo contrário, conduzidos pelo aventureiro cristão-novo Martim Soares Moreno; os guerreiros antropófagos não vacilaram em se juntar ao antigo inimigo "Peró" (papagaio), como eles chamavam aos portugueses; para ir combater juntos no rio das amazonas.


O FIM DO MUNDO: ONDE O MARAJÓ COMEÇA

Não há dúvida de que os Tupinambás guerrearam contra Tapuias no Maranhão e Grão-Pará. Tapui-Tapera ("tapera tapuia", ruína tapuia) hoje é Alcântara-MA e Camutá-Tapera (Cametá-PA) são dois lugares históricos da antiga guerra brasílica do norte. Saindo de Pernambuco pela costa através da Paraíba e pelo sertão para oeste até o rio Tocantins, por onde desceram ao Pará; os tupinambás chegaram antes dos europeus.

Embora, as velhas populações tenham recuado e deixado caminho de passagem aos bravos canibais, teriam formado bolsões de resistência antes de submeterem-se pouco a pouco à tupinização, finalmente através da catequese portuguesa levando a Lingua-Geral ou Nheengatu como língua de conquista (só na metade do século XVIII a língua portuguesa começou a substituir o Nheengatu).

Contando da tomada de São Luís aos franceses, expulsão dos holandeses e britânicos (1623-1647) até a pacificação dos "Nheengaíbas" da ilha do Marajó (1659) foram 44 anos de guerra. O estudo das línguas amazônicas poderá dar as chaves toponímicas e etnográficas do território: aí, provavelmente, podermos ver o peso do espaço na história... O rio de Guamá, por exemplo, esconde a saga do cacique bandoleiro da ilha do Marajó (o "homem malvado", guerrilheiro de zarabatana e flechas envenenadas atiradas de emboscada). O canal do Carnapijó [caraipijó], como a praia do Caripi; oculta rastros dos rebeldes "nheengaíbas" (falantes da "língua ruim", nuaruaque). O Itaguari ("ponta de pedras), na foz do rio Marajó-Açu; era a fronteira para o bravo Tupinambá: ali começava a ilha do inimigo hereditário invencível,  o "malvado" defensor da "Terra sem Mal" proibida, o sítio Araquiçaua (lugar onde o sol ata rede para dormir).

A FACE OCULTA DO VER O PESO

400 anos depois da invenção da Amazônia ainda há muito a ser descoberto. Quem vê cara não vê coração... Minha avó falava que a avó dela quando vinha da ilha do Marajó a Belém, em igarité naturalmente, e calhava da maré estar seca era obrigada a desembarcar sobre estiva de troncos de miritizeiro como em qualquer outro porto de sítio. Esta minha trisavó indígena costumava dizer, segundo a história oral da família; que uma coisa havia muita antiguidade se referindo como algo "do tempo da vela de jupati"...

Não conheci a vela de jupati, mas quem por acaso achar desenhos de Codima na Viagem Philosophica (1783-1792) poderá ver alguma igarité no Amazonas com a velha vela quadrada indígena. A feira do Ver O Peso é de fato um ecomuseu que precisava ter reconhecimento oficial na paisagem cultural da cidade e ilhas.

Seus quatro mil trabalhadores e trabalhadoras, longe do assistencialismo bofó que os políticos e patrões exploradores lhes impõem; podiam eles mesmos se empoderar do espaço econômico e cultural. O Ver O Peso é o umbigo da cidade ligado ao rio (nove fora muambas recentes 'made in China'...): a maniva, açaí, peixe frito, frutas de todos gostos e cores; ervas e feitiços... Todo aquele mundo que se vende ali vem da outra margem e tem outras histórias que não se sabe.




Um comentário:

  1. Parabéns José Varella pela iniciativa e pelo belo trabalho desenvolvido... Conte com meu apoio!
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