quarta-feira, 14 de setembro de 2011

FESTIVAL DA CULTURA MARAJOARA

A ecocivilização que se quer inventar para o terceiro milênio, fazendo a Amazônia de cobaia; na verdade foi abortada pelo choque da conquista ocidental-cristã-nova. Desde logo da chegada do judeu cristianizado Cristóvão Colombo nas Bahamas, aliás ilhas Guaanani, hoje mais conhecidas como paraíso fiscal.

O Novo Mundo em realidade já era velho com as suas civilizações da pedra polída no México, Guatemala e Peru. Não se diga que esses povos não conheciam os metais, pois a arte antiga do ouro laminado a frio, sobretudo em Bogotá, está aí para quem quiser ver com os próprios olhos. Entretanto, a novidade de fato estava por se fazer nas terras baixas da Amerika do Sol, tropical [assim mesmo, "país do vento" em língua maya por referência a furacões e ciclones que há frequentavam a região montanhosa às margens do grande lago Nicarágua]... Recentemente, pode-se dizer face à dimensão do tempo arqueológico de dois milhões de anos a partir do berço da humanidade, na África; cerca do ano 400 da era cristã. Quando, as condições ecológicas particulares do clima úmido pariram a primeira sociedade de classes na Amazônia, dita cacicado, conhecida posteriormente pelos colonizadores como a criativa "Cultura Marajoara".

O que ela tem de mais sobre as outras culturas regionais da ecocivilização amazônica? Além da primazia estamos aqui diante de um sério problema político de colonização cultural ligada à própria história da Amazônia. É claro que a arqueologia deve ser para o Brasil a fonte primária da civilização brasileira, como no México a civilização asteca é o maior simbolo nacional e no Peru a civilização inca é a indentidade cultural dos peruanos.

Nosso problema, entretanto, é o complexo de viralata que acha que a idade do barro é primitivo de demais. A cegueira dita nacional não vê a arte que foi levada embora para museus estrangeiros e nos maiores museus do país ficam em segundo plano, quando não escondida do público no gueto científico, condenado à eterna falta de verbas e formação profissional. Neste mesmo blogue e no blogue Cultura Marajoara http://gentemarajoara.blogspot.com já falamos outras coisas a respeito deste assunto, numa perlenga entre o Museu Nacional e o IPHAN com o triunfo da pedra colonial sobre o barro ancestral.

Apesar de visionário e teimoso como um búfalo quando empaca, não guardo nenhuma ilusão quanto à minha geração e os conteporâneos. Não têm culpa, afinal de contas, da cegueira congênita: 500 anos de colonialismo não é brincadeira... Mesmo assim não me aborreço de bancar bobo da corte (e que corte, pelo amor da criaturada grande de Dalcídio!). A verdade verdadeira é que os amazônidas estão espremidos como marisco entre o mar e o rochedo. Se ao menos nosso compatriotas do sul maravilha nos levassem a sério... Vimos o Fórum Social Mundial em Belém, alguém ainda lembra? O que restou? Agora os amazônidas são convidados a dar plateia aos 'expertos' da Amazônia... Nem mesmo nossas divergências e inconsistências internas foram dirimidas...

Então que diabo seria "mais um" festival no Marajó, desses uns que tem nome de açai, camarão, tamuatá, etecetera e tal, mas é tudo festival da cerveja e somzão boca de ferro? Não, a gente fala em sítios arqueológicos; mas não é workshop de falação doutoral que a gente precisa. É sim de um conceito de festival de cultura popular com qualidade comprovada a fim de visitante não comer gato por lebre. No caso do turismo a gente pode dizer que já se viu coisa que até Deus duvida. Noves fora a mancada em repetir que nosso irmão búfalo é o maior símbolo cultural do Marajó... Caramba!

Um festival sintonizado com o calendário cultural brasileiro, certamente, mas também integrado com os maiores eventos na Amazônia, como o Festival Folclórico de Parintins; o Çairé de Alter do Chão, Festival das Tribos de Juruti e a Marujada em Bragança. Sobretudo, parte integrante e relevante duma política estadual de desenvolvimento sustentável do turismo, cultura, educação e meio ambiente.

De tal modo, que o Festival da Cultura Marajoara seja estuário dos festivais locais, tal qual a maré cheia resume as águas dos sete mil rios e o rio corre para o mar. Pois, daquela ecocivilização de 1500 anos passados nascida nas margens do lago Arari, é bem o signo do Planeta Água na última fronteira da Terra que o futuro reservou à humanidade. É este o conceito que nos traz aqui em homenagem às futuras gerações ribeirinhas, para que elas não sejam novos "nheengaíbas" como seus esquecidos e pilhados antepassados. 


Festival das Tribos Mundurukus e Muirapinima de Juruti


Festival das Tribos Mundurukus e Muirapinima de Juruti






 

Ao divulgar minha colaboração semanal ao portal da Fundação Maurício Grabois (FMG), aproveito para informar que pelo Facebook e Twitter está em curso movimento do Marajó contra a divisão do Pará conforme o plebiscito deste ano. Em decorrência do mesmo, está evoluindo espontaneamente uma idéia para que se venha realizar um FESTIVAL DA CULTURA MARAJOARA como ação de integração cultural dos dezesseis municípios do Arquipélago. já fazendo parte do PLANO MARAJÓ de desenvolvimento territorial sustentável e do Programa de Territórios de Cidadania.

Quer dizer, já existem instrumentos federativos para a integração das regiões do Estado do Pará e Marajó pode e deve ser uma referência, com ênfase na cultural regional. Como se sabe, estamos em vésperas dos vinte anos da ECO 92, e que será a cúpula da ONU, em junho de 2012, no Rio de Janeiro, a Rio+20 onde, mais uma vez, uma enorme parolagem global falará por nós sobre uma certa "Amazônia Sustentável".

O que tem a ver com o separatismo de Carajás e do Tapajós? E, mais precisameente, com uma crônica doida de um caboco misturando revolta popular, pesadelos, diabolização de mitos amazônicos e a voz presa na garganta de um povo nascido para ser Harpia (gavião real) e criado como xerimbabo entre galinhas e patos no terreiro?

Tem a ver com Tucuruí, Belo Monte e outras visagens do colonialismo como que ontem a invenção das amazonas e agora do "desenvolvimento sustentável" que ninguém viu e nem sabe. Enquanto uma ecocivilização amazônica como a Cultura Marajoara, Tapajônica, Maracá e outras se perdeu e seus últimos vestígios dão os últimos gritos pela voz do Brega e outras manifestações, mais ou menos conscientes...

Vamos puxar mais pelos brios de nossos acadêmcios para ouvir a voz do povo ou seja a vóz de deus? Ver adiante a pajelança do Zé

http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=53&id_noticia=6761

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SEM EDUCAÇÃO NÃO HÁ SOLUÇÃO:
Amazônia Marajoara paisagem cultural do Brasil

"Os primeiros cacicados amazônicos surgem na ilha de Marajó, onde técnicas
de manejo de rios e lagos – com a construção de barragens e escavação de
viveiros de peixes – buscavam maximizar a pesca em áreas onde inundações
periódicas transformavam os campos em locais extremamente propícios para
a piracema (...) produzindo uma das mais sofisticadas tradições ceramistas das
Américas".
[cf. Denise Schaan ]
ver www.marajoara.com

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