terça-feira, 23 de agosto de 2016

ESPANTO NO PLANETA ÁGUA: CONQUISTADO POR PORTUGAL PAÍS TROPICAL ABENÇOADO POR DEUS E BONITO POR NATUREZA, APÓS 500 ANOS NO RIO DE JANEIRO; DESCOBRE A CANOAGEM.

A final foi disputada no ribeirão Taquaruçu

I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, en Palmas, capital do Estado do Tocantins, 2015. Foto da prova de Canoagem no ribeirão Taquaruçu com canoístas do Panamá, vencedores em primeiro e segundo lugares. O Brasil ficou em terceiro na Canoagem que antecedeu a das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Nos Jogos Indígenas vale, sobretudo, o espírito de celebração à vida e não a competição. Como, aliás, a tradição original olímpica. Desta feita, se a antiga Grécia guarda o fogo simbólico das Olimpíadas; as águas sagradas da Amazônia no Brasil do futuro hão de ser celebradas em memória dos I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, assinalados pelo fato vital de que o Planeta é casa comum de todos povos do mundo e homens, animais e plantas somos todos, principalmente, filhos das águas.



Nas Olimpíadas Rio 2016, a Canoagem foi grande novidade desta que foi a primeira da América Latina e Caribe, com o herói brasileiro Isaquias Queiroz três vezes no pódio, duas medalhas de prata e uma de bonze, perdendo o ouro para seu maior rival, o alemão Sebastian Brendel, na categoria 1000 metros na lagoa Rodrigo de Freitas.
As medalhas olímpicas do moço baiano Isaquias, 22 anos de idade, filho de Ubaitaba ("aldeia das canoas", em língua tupi) é o primeiro feito brasileiro na canoagem olímpica e suscita uma profunda questão sobre a colonialidade que habita a alma de nossas elites dirigentes. Não adianta botar panos quentes, a bronca e livre e geral quando se observam os heroicos medalistas confrontados ao ideal olímpico e a diferença de patrocínio, na maratona por exemplo:

Como pode o gigante Brasil, o maior país amazônico do mundo, negligenciar a canoagem onde se acha o maior rio da Terra?
Não fossem as três medalhas da Canoagem salvadora da pátria, o gigante da América do Sul ficaria abaixo da pequena e superpovoada ilha da Jamaica com o fantástico homem-relâmpago chamado Usain Bolt e seus companheiros do atletismo. Quando a gente fala na prodigiosa Jamaica da música popular e dos esportes olímpicos, devíamos nos lembrar da ilha do Marajó, quatro vezes maior no delta-estuário da maior bacia fluvial da Terra com uma população cinco vezes menor; metade da qual analfabeta e tão pobre quanto a outra. 

Diz a canção "Porto Caribe" de um país que se chama Pará e tem porto de mar nas Antilhas e Guianas. Trata-se, sim, de um país clandestino que o Brasil não sabe e nem mesmo os paraenses conhecem. Só os mestres das águas profundas da ancestralidade sabem navegar em mar aberto...

Primeiro o Brasil foi achado no Pará para ser descoberto, dois anos depois, na Bahia. Até lá, a massagada aruaque a bordo de uma cobra-canoa havia inventado o circum Caribe ida e volta, varando do Rio Negro ao Orenoco, através do canal de Cassiquiare, até o mar do Caribe afora para esperar as caravelas do cristão-novo Cristóvão Colombo na ilha de Guaanani (Bahamas). O resto já se sabe. Mas nos esquecemos da Pirapuraceia (a dança do peixe), com que esta gente andeja em guerra com os bravos Kalina; sempre pronta com zarabatana, curare, remos e canoas a desvendar mundos nunca dantes, chegou aos confins da Amazônia nos contrafortes dos Andes, Pantanal até o Maranhão.

Por outra parte, da Bolívia e Paraguai os guerreiros da Terra sem males desciam em ondas sucessivas. em guerra de conquista com os Tapuias, desciam os Tupinambás para o litoral marítimo até topar a beira mar do Pará e as barrancas do Tocantins desfeitas em rios de sangue. Canoagem guerreira sublimada pelos Jogos dos Povos Indígenas e logo mais pelas Olimpíadas em rios de paz. Uma utopia marajoara a mais...
Disse o herói brasileiro Isaquias Queiroz dos Santos "Acho que é muito difícil remar com o alemão, que é muito bom, mas eu remei muito bem e estou com a medalha de prata. Agora é esperar as outras". Sua melhor conquista foram três medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro: Prata na Canoa Individual de 1.000 metros, Bronze na Canoa Individual de 200 metros e Prata na Canoa de Dupla de 1.000 metros, com Erlon de Sousa Silva. Queiroz se tornou o primeiro atleta brasileiro a conquistar três medalhas em uma única edição dos Jogos Olímpicos.

A Canoagem de velocidade não é novidade em Jogos Olímpicos; ela foi a primeira a integrar o programa Olímpico. A disciplina participou com o status de demonstração dos Jogos Paris 1924 mas só passou a fazer parte do programa oficial três edições depois, em Berlim 1936, apenas com provas masculinas. Já as mulheres passaram a competir 12 anos depois, em Londres 1948. 

O objetivo é completar em linha reta o percurso, disputado em águas calmas no menor tempo possível. A diferenciação das provas se dá pelo tipo de barco – canoa ou caiaque -, pelo número de atletas nas embarcações – uma, duas ou quatro – e pela distância percorrida – 200, 500 ou 1.000 metros. Já a canoagem slalom estreou um pouco mais tarde, nos Jogos de Munique 1972; porém ficou fora por 20 anos até retornar em Barcelona 1992.

Também disputadas com canoas e caiaques, as provas inspiradas no esqui slalom, são realizadas em pistas artificiais ou semiartificiais. Ao longo dos 300 metros de percurso e as embarcações devem concluir, duas vezes, o trajeto indicado por números e sentidos colocados em pórticos ao longo da pista, muitas vezes remando contra a correnteza. 

Aqui, no blogue caboco, quero render homenagem aos amigos da MARENTEZA CANOAGEM uma turma maravilhosa de canoistas do Pará que ama a cultura e natureza ribeirinhas da Amazônia e merece atenção especial e respeito de todo mundo. Fortes guerreiros e guerreiras amazônicas com seus caiaques e remos, a interagir com populações locais e a paisagem que vão captando em suas fotografias compartilhas com as redes sociais, não buscam medalhas nem glórias, mas uma profunda imersão na amazonidade. 

O velho canoeiro vos saúda, sumanos!

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