sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

MEMÓRIAS DO BARRO



Ancestralidades diversas se debatem no abecedário da estória em vias de vir a ser e se tornar história pelo casamento da necessidade com o acaso no berçário da memória. Tudo é comum e diverso ao mesmo espaçotempo. E afinal de contas o mundo é um só desde o parto das estrelas até a morte dos deuses santos ou pagãos confundidos na mesma hecatombe do pensamento.

No fim do mundo recomeça o drama infinito de várias diásporas daqueles que, por ditado genético da própria mãe grande, ousaram roubar o fogo do céu para dar luz e calor às criaturas carentes de melhor lugar neste mundo de duro combate entre a fome e o medo de morrer. A grande e eterna África é minha primeira mãe e eu não sei quantas vezes tive eu que morrer a caminho da Terra sem males prometida aos viventes para ser deuses, quantas montanhas escalei, vales e mares atravessei; para poder nascer sei lá quantas outras vezes sob outros céus distantes da primeira noite do mundo. Só sei que é assim lá no mais profundo de mim. Onde a negritude de todo mundo se acha indistinta. Os pretinhos do mangue somos todos nós na beira dos mares do mundo: jardim da infância na universidade da maré onde a criaturada grande toma pé e mata fome, faz descobrimentos de mundos e fundos, adivinha outras manhãs que ainda não amanheceram.

Desde menino jito o tijuco está impregnado à minha alma nômade. O barro lendário do Dilúvio guardou meus passos através de muitas gerações sobre a face da terra. No entanto, … (a seguir quando houver bom tempo)...


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