quinta-feira, 15 de maio de 2014

aos Amigos da ACADEMIA DO PEIXE FRITO

Bruno de Menezes, (Belém, 21 de março de 1893 — Manaus, 2 de julho de 1963)



COMUNICADO: PREMISSAS

Car@s amig@s,

Seis anos se passaram do Centenário de nascimento de Dalcídio Jurandir (2009), quando no ano anterior foi relançada a "Academia do Peixe Frito" então em "recesso" há mais de 40 anos desde a morte de Bruno de Menezes, ocorrida em Manaus no ano de 1963. 

Significa dizer que a nova APF completa, no ano corrente, sete anos de atividades: tempo de assumir formato mais consistente. Sobretudo, face aos próximos festejos dos 400 anos da cidade de Belém do Pará e ao processo de revitalização do Ver O Peso com seu respectivo reconhecimento nacional e internacional em curso.

Eis o crucial desafio que se nos impõe neste exato momento: 

após os ditos sete anos (2008-2014), enrolar a bandeira memorial de São Benedito da Praia e entregar ao ostracismo a memória dos modernistas do Pará, seguidores amazônidas do proclama da Semana de Arte Moderna (1922) de São Paulo; como esteve de fato durante quatro décadas até o despertar do Centenário de Dalcídio Jurandir. 

Ou bem, convocar novos voluntários à causa do patrimônio histórico paraense e avançar de tal modo com a consolidação do centro de memória de Bruno, Tó Teixeira, Eneida, Abguar Bastos, Rodrigues Pinajé, Dalcídio, Adalcina Camarão, Jacques Flores, Vicente Salles e muitos outros que a lembrança já nos foge; com tudo que a obra e a vida de cada um representa para identidade cultural da brava gente paraense.

Tal renascimento, correspondente a um kuarup da cultura imaterial da velha confraria do Peixe Frito, caminhar como um aríete com a imagem do cacique Guaimiaba (“cabelo de velha) abatendo muralhas sociais e políticas invisíveis dentro do processo geral de revitalização do Ver O Peso.

Isto sim, há de ser garantia de que a identidade e participação da "Criaturada grande de Dalcídio" nunca será apartada de seu principal lugar de memória na história do Pará: a Campina e a Cidade Velha, bairros tombados pelo IPHAN tendo com o Ver O Peso relação umbilical, que terão nesta confraria uma janela permanentemente aberta sobre a baía e ilhas do Guajará levando a paisagem cultural mais longe, no rumo do Marajó e do Caribe. Fronteira das culturas reivindicando o tempo pré-colombiano da nossa história completa e não só um pedaço mal contado dela.

Claro, um pensamento descolonial. Queremos, simbolicamente, restabelecer a aldeia de "Mairy" na Cidade Velha - apagada lembrança da participação da França Equinocial na invenção da Amazônia latina -, com a ancestralidade da terra Tapuia e recolocar o guerreiro Tupinambá no forte do Presépio ao lado do valente soldado português desconhecido. 

Refazer o impossível acordo de paz dos Nheengaíbas em Mapuá (Breves), dando cabo a 40 anos de guerra entre as duas margens do Pará: com que, por si só, a ancestral Cultura Marajoara terá lugar de honra nas festas dos 400 anos já de Belém da Amazônia, avenir da capital do Pará. 

Sem a indispensável participação de nossos antepassados "negros da terra" e "negros da Guiné" não haveria 400 anos de Belém pra ninguém!.. É disto que se trata, além de comer peixe frito ao azeite de patauá com pirão de açaí, naturalmente...

A informalidade da confraria de amigos deve, doravante, ser substituída por entidade jurídica e administrativamente constituída para, de uma parte ser zeladora do patrimônio cultural imaterial daquela confraria de amigos dos anos 30, no século vinte, e de outra corresponder aos dias atuais do centro histórico de Belém tendo no Ver O Peso sua república.

OBJETIVOS DA SOCIEDADE DE AMIGOS

Artigo 1º - A Sociedade Amigos da Academia do Peixe Frito, designada pela sigla S.A.PEIXEFRITO, fundada em 12 de janeiro de 2014, é uma associação sem fins lucrativo, com duração por tempo indeterminado, sede provisória à Travessa 14 de Março, número 677, bairro do Umarizal, na cidade de Belém, Estado do Pará. 
 
Artigo 2º - A Sociedade tem por finalidade conduzir interesses da comunidade na curadoria e conservação da denominada ACADEMIA DO PEIXE FRITO zelando para obtenção e promoção de seu registro no patrimônio cultural imaterial do Município de Belém, Pará; tendo em vista a memória do movimento modernista amazônida dos anos 30 em torno da revista cultural “Belém Nova”, sob liderança do poeta Bruno de Menezes; providenciando correspondentes meios administrativos, técnicos e culturais para bom uso do supracitado bem patrimonial pela comunidade, dentro das normas deste Estatuto e seguintes diretrizes: 
 
    I – Pleitear, junto a entidades ou autoridades, sempre que necessário, a devida locação e conservação de imóvel para funcionamento da S.A.PEIXEFRITO em seu mister de mantenedora da ACADEMIA DO PEIXE FRITO; 
 
    II – Obter de pessoas físicas e jurídicas doação de documentos que completem ou enriqueçam o acervo da Sociedade, desde que esta aprove, previamente e por escrito, a aquisição de modo que esta entidade funcione como centro de memória e ecomuseu do Ver O Peso na paisagem cultural do Guajará; 
 
    III – Obter, de pessoas físicas ou jurídicas, donativos para formar fundo especial destinado à plena realização dos seus objetivos, inclusive atividades educativas e socioambientais voltadas para feirantes, trabalhadores e usuários do espaço socioambiental e cultural do Ver O Peso;


    IV – Firmar convênios com pessoas jurídicas de direito público e de direito privado levando em contas os objetivos deste estatuto; 
   
      V – Apoiar atividades educativas, científico-culturais e socioambientais da S.A.PEIXEFRITO; 


    VI – Prestigiar entidades parceiras e atividades afins nos pedidos que lhe forem formulados. 




AGENDA 2014


I - CONVOCAR assembleia geral para discussão e aprovação dos Estatutos da confraria;

II - providenciar eleição da diretoria tendo como prioridade tratativas junto ao governo municipal para reconhecimento da "Academia do Peixe Frito", nos termos supracitados, no patrimônio cultural imaterial da cidade de Belém;


III - prestar apoio a projeto de lei, em tramitação na Câmara Municipal de Belém, dotando o Solar da Beira de um "Centro de Cultura Ribeirinha da Amazônia", como referência para o Centro Histórico e seu entorno insular;

IV - junto ao Solar da Beira ou, alternativamente, noutro imóvel do complexo do Ver O Peso servindo somente como suporte de gerenciamento do espaço natural e paisagem cultural, criar o "Ecomuseu do Guajará", contemplando o Ver O Peso e ilhas do arquipélago do Guajará em participação da rede de centros de memória e pontos de cultura;

V - procurar manter a comunidade informada a respeito do processo de indicação do Ver O Peso à categoria de paisagem cultural brasileira (IPHAN) e patrimônio mundial da UNESCO: seus resultados quaisquer que eles sejam devem mobilizar a comunidade no sentido de promover informação sobre procedimentos recomendados tanto pelo IPHAN quanto pela UNESCO, para empoderamento dos espaços de memória pela população concernente;

VI - com tal disposição a S.A.PEIXEFRITO, considerando a importância do turismo literário como instrumento de formação da hospitalidade para atividades turísticas de extensão educativa dentre outras, deverá assumir liderança para adoção, pela sociedade e instituições; do proposto DIA DE ALFREDO (16 DE JUNHO) correspondente à data da morte do escritor Dalcídio Jurandir e coincidência do Bloom's Day, na Irlanda, referência internacional do romance Ulisses, de James Joyce, em turismo literário;

VII - no bojo do turismo literário supra, promover a cultura alimentar tradicional paraense como elemento de geração de emprego e renda na agricultura familiar, conforme recomendações da FAO; integrada à cadeia produtiva do turismo com base na comunidade;

VIII - a fim de realizar seu objetivos consoante seus estatutos e regimento a confraria adotará programa de voluntariado e extensão denominado Universidade da Maré criando, para isto, plataforma de marketing e comunicação aberta ao público;

IX - A S.A.PEIXEFRITO dará especial apoio a campanhas de erradicação do Analfabetismo, sobretudo entre populações ribeirinhas, quilombolas e comunidades de pesca artesanal, colaborando para advento duma educação ribeirinha de excelência no escopo da educação regional e nacional;

X - por consequência, a confraria dará prioridade em suas atividades à difusão do livro de autores associados a mesma e buscará meios e parcerias para tradução da obra de Bruno de Menezes, Dalcidio Jurandir e mais membros da antiga APF, assim que de seus homólogos estrangeiros contribuindo a maior compreensão comparativa do pensamento cultural da primeira metade do século passado e sua evolução socioambiental até os nossos dias.

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