ELEGIA: TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PANEMA

ÍCONE DA VIRGEM DE GUADALUPE (MÉXICO)
à memória de minha mãe Othilia de Nazareth
e de meu pai Rodolpho Antonio.
zenBubuia, Aleluia!
A teus pés, Senhora, seja eu humilde que nem o plácido caboco
Do igarapé que encontrou no Grão-Pará
A santa imagem da Virgem de Nazaré aparecida a caminho do Una.
Patrimônio da humanidade o Círio de Nazaré
Com a mãe da Amazônia, seu manto verde e rosa
Como se fora a biosfera placentária
Berlinda tão bela puxada pelos devotos na corda da fé.
Mãe de todos os deuses de Tepeyac
Seja eu neste tímido pensamento poeta e profeta tal qual
O índio de vosso afeto Juan Diego batizado e catequizado na igreja
(ma non troppo)...
A loucura de Erasmo seja louvada pelo mistério profundo
Que ela encarna
E a libido de Freud perdoada na hora da cama a fazer carne
O transe que se converte em espírito santo.
Sim, não é segredo tenho medo do Mal vindo de ultra Mar
Ou mesmo de dentro de mim, Senhora minha.
Que a Mulher seja libertadora da humanidade filha da animalidade
E o Filho do Homem redentor de todos e todas criaturas
Em todas nossas vidas e mortes pelos séculos dos séculos.
Afinal de contas não é de hoje que Bartolomeu de Las Casas
Escreveu a todo mundo aquelas coisas horrendas
Da destruição das Índias acidentais pelos bons cristãos.
E o senhor deste vasto mundo imundo - ídolo de Ouro
Desde a Antiguidade até a Modernidade não se saciou
De sangue, suor e lágrimas.
Todavia apesar de tudo há auroras que ainda não brilharam
Se as rosas falassem diriam elas do perfume que exala de ti,
Maria Compadecida.
Sim, eu creio (como disse o índio da heresia dos índios na Bahia):
Deus ou Natura fez o Homem pra dormir e sonhar
Com a Terra sem males...
Oh, minha Mãe
Ainda que eu invocasse todos nomes do milagroso amor
Da Vida
Para te dar um nome amoroso não se esgotaria a infinita maravilha
Eterna fonte de maternidade e bondade da vida
Em todas as línguas e na eternidade dos bons sentimentos.
Amém.
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