segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

ECOMUSEU ITAGUARI: DESPERTANDO CONSCIÊNCIAS PARA O PATRIMÔNIO NATURAL E CULTURAL DA GENTE MARAJOARA.


Rio Marajó-Açu, porto da cidade de Ponta de Pedras - 1ª Porfia de Canoagem Tradicional Marajoara.


ECOMUSEU, QUE BICHO É ESSE?

Lá vem esse cara outra vez? Imagino quem adora saber que estou afastado ler uma coisa destas... Faz tempo que não vou mais à terrinha (em parte por motivo de saúde e em parte por falta de motivo que valha a pena). Confesso que ontem me bateu saudade... Foi a notícia com imagens da porfia de canoagem no rio Marajó-Açu. 

Não escondo nem me envergonho de ser um sonhador graças a Deus... Se não fossem meus sonhos eu não falaria nunca mais em Marajó nem que fosse pra remédio de meus males... Tirando à parte o tempo da infância, quando a gente não se governa, quem de verdade me conhece sabe que raro é o dia que eu não lembre ou não fale de Ponta de Pedras.

Para mim, se eu pudesse, Marajó seria a melhor parte do mundo e Ponta de Pedras o melhor lugar do Marajó. Já que não posso fazer grande coisa me alegro quando vejo alguém realizar aquilo que eu gostaria de fazer: daí minha adesão total ao Movimento Marajó Forte (MMF) com o sonho da UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARAJÓ (UnM). 

Ontem, o que me fez balançar foi o evento denominado Porfia de Canoagem Tradicional Marajoara. Deu-me vontade de estar lá em Ponta de Pedras, minha velha Itaguari... Aproveitar ocasião para plantar ideia de um ecomuseu com que eventos iguais se reproduzam e possam dar bons frutos a um excelente destino turístico justo "onde o Marajó começa". De fato, com apoio da história, no Itaguari ("ponta de pedra" na tradução à lingua portuguesa) o Marajó teve início na crônica paraense... Hoje a Coluna do farol de navegação - dita Itaguari - é lugar de memória do passado longínquo que muitos poucos ainda tem vaga lembrança. E estes mesmos estão se acabando sem deixar registro às novas gerações...

Agora que o Estado do Pará, depois de tanto tempo, vem de reconhecer a Cerâmica Marajoara como patrimônio cultural imaterial, é preciso dar significado prático ao discurso. No vácuo criado pela ignorância acontecem coisas inacreditáveis, como por exemplo, admitir o Búfalo como se fosse o símbolo ancestral Cultura Marajoara de mais de mil anos...

 A FAZER PARTE DUMA COMUNIDADE INTERNACIONAL

Sob assistência do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), do Ministério da Cultura; o IV Encontro Internacional de Ecomuseus e Museus Comunitários (EIEMC) aconteceu em Belém (PA), de 12 a 16 de junho de 2012. Um evento que teve como tema Patrimônio e Capacitação dos Atores do Desenvolvimento Local, voltado para o público que atua em ecomuseus, museus comunitários, museus de território, museus de percurso, museus vivos, museus de periferia, museus de rua e outros processos. Mais informações ainda podem ser encontradas na página web da Associação Brasileira de Ecomuseus e Museus Comunitários ou junto ao Ecomuseu da Amazônia, pelo endereço eletrônico ecomuseuamazonia@gmail.com ou pelo telefone (91) 3267.3055.

Também em 2012 aconteceu a 1ª Conferência Internacional sobre Ecomuseus, Museus Comunitários e Comunidades, na cidade de Seixal (Portugal), de 18 a 21 de setembro de 2012.

Voltado para estudantes, pesquisadores e profissionais atuantes na área de ecomuseus e museus comunitários, evento ao encontro de grande interesse internacional pelo tema da museologia social. A cidade de Seixal abriga o ecomuseu mais antigo de Portugal.  
ECOMUSEU ITAGUARI


Como sabem, são diversas as estruturas de ecomuseus. O básico é que se trata de um museu aberto podendo ter ou não um ou vários centros. No caso ora proposto, a própria Secretaria Municipal de Turismo ou de Cultura poderia ser considerada sede administrativa. Ou, na falta desta, uma entidade qualquer da sociedade local. 

A cidade inteira com seus bairros, distritos municipais e comunidades locais tornam-se um "livro" aberto onde os visitantes irão encontrar a história viva da gente marajoara. Logo, o rio Marajó-Açu estará sendo o "museu" vivo com sua coleção de árvores, aves, peixes e animais. Mas, sobretudo, pela sua própria gente celebrada na literatura de Dalcídio Jurandir onde modos de vida, gastronomia e artesanato se oferece com componente sócio-econômico através do ecoturismo na geração de emprego e renda local com qualidade de vida das comunidades.

Claro que isto é utopia! Uma utopia que está sendo concretizada em diversas partes do mundo e inclusive em nosso País.

O romance "Marajó", escrito em Salvaterra em seguida a "Chove nos campos de Cachoeira"; tem cenário no Rio Paricatuba. E no Paricatuba independente do romance, o sítio "Recreio", por exemplo, no mesmo ecomuseu se tornará referência da festividade de São Francisco de Borja com seu lendário que remete à Cabanagem e à primeira sesmaria dos Jesuítas, na fazenda São Francisco (Malato)... Logo o visitante vai querer subir o Marajó-Açu para ver de perto a fazenda Rosário... Ou, passar pelo Canal em direção ao Rio Arari.

Então, será impossível separar as águas do Arari pelo lado de Ponta de Pedras sem tocar na margem de Cachoeira do Arari. Isto é, ajuntar o Ecomuseu Itaguari com o Museu de Cachoeira (ou seja, o Museu do Marajó, que pode ser considerado sem favor o primeiro ecomuseu da Amazônia). Mas aí o ecoturista já deverá se interessar pelo famoso Lago e município de Santa Cruz do Arari, onde o Museu do Marajó e a antiga Cultura Marajoara nasceram. Para voltar a Belém haverá de passar por Salvaterra. E quem está em Salvaterra não atravessará a Soure? É disto que se trata. Quem encarar tal aventura não se interessará por Muaná? E começando o primeiro capítulo vai desistir de "ler" o arquipélago e a terra-firme até o fim? Eu duvido.

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