sábado, 7 de maio de 2011

TOMBAR, PRA QUE?

Dulce Rocque é uma leoa quando avacalham a Cidade Velha; enquanto eu, viralata do Ver O Peso, de vez enquando viro uma arara quando esquecem a antiga arte cerâmica do Marajó de minha avó tapuia pra reduzir a cultura marajoara tão-só ao irmão búfalo como símbolo da maior ilha fluviomarinha do planeta.

dia desses os jornais diziam que o IPHAN iria tombar o "Encontro das Águas" (Amazonas e Rio Negro), eu acho isto muito bom para que o Brasil e o mundo saibam da extraordinária riqueza natural da Amazônia brasileira de alguns milhões de anos passados, segundo a geologia. Já, no capítulo da história e geografia humana, a arqueologia amazônica informa que a CULTURA MARAJOARA é a mais antiga sociedade complexa (cacicado) da Amazônia. Por certo, uma menina se comparada a outras tantas regiões culturais primevas do nosso Brasil, como a Serra da Capivara, no Piauí, por exemplo.

tombar ou não tombar, eis a questão!


se não há registro e proteção oficial (caso Marajó, cuja notícia histórica do primeiro sítio arqueológico achado data do século XVIII, pelo fundador da "freguesia de N.S. da Conceição da Cachoeira do rio Arary" (1747), Florentino da Silveira Frade (cf. "Notícia Histórica" (1783), do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira) e o governador da província do Pará e Barão de Marajó, em fins do século XIX, lastimou o saque e contrabando de coleções inteiras de cerâmica marajoara (ver "As regiões amazônicas"); fica tacitamente "autorizada" a destruição dos tesos reclamada desde 1937, aproximadamente, ano de fundação do IPHAN.

se correr o bicho pega, se ficar o bicho come... Se tombar quem então irá cuidar? Se não tombar vai acabar definitivamente. Numa enrrascada igual a esta, o que a gente pode fazer? Na cabeça rude do caboco que voz fala, só vale registro para acelerar o crescimento de atividades de EDUCAÇÃO PATRIMONIAL. 

Ou seja, em vez de cerveja em festivais do barulho cujos produtos locais entram só com o nome; uma educação de valores para desenvolvimento da Cultura Pública (res pública). Infra-estrutura e fomento ao turismo cultural e lazer criativo da população em marcha rumo a um melhor IDH, mediante invenção nestas plagas periféricas da tal economia criativa da cultura. 

Quaisquer visionários iguais a mim, quando falam de velhos casarões e sítios arqueológicos em ruína vêm logo a mina de engenheiros, arquitetos, oficinas de restouro, mestres de obra, operários especializados, material de construção etecetera e tal. Não é legal revitalizar a cidade e a paisagem cultural donde ela se formou?


COM A PALAVRA, pois, a nossa amiga presidente da ASSOCIAÇÃO CIDADE VELHA / CIDADE VIVA (ciVViva), Dulce Rocque:

Amigos,

estes dias, todos os cidadãos paraenses ficaram sabendo do tombamento, por parte da União, dos bairros da Cidade Velha e Campina. A Prefeitura ja tinha feito isso em '94,  mas foi como uma "letra morta", pois ninguem se lembrava mais.

Relativamente a esse nosso Patrimonio, e para sermos coerentes, precisamos parar para pensar em alguns detalhes importantissimos que, no meio tempo, foram esquecidos por todos nós.

Sabemos que ultimamente, a vontade de se divertir do nosso povo, aumentou consideravelmente. Isso podemos ver nos Arrastões do Pavulagem, na quadra carnavalesca, etc., etc., etc. Nossos conterraneos, porém, se divertem ignorando todas as regras da educação. Os bueiros se enchem de copos plásticos, os carros estacionados nas ruas são riscados, vandalizados; os muros, portas, árvores, viram mictórios;  a poluição sonora e ambiental se alarga por onde passam os cortejos, seja de brincantes que de ambulantes... e a grama das praças, desaparece.

Isso tudo nos veio em mente ao ler o convite do Diário de hoje: Bora pro Arrastão do Pavulagem?  Vumbora, sim, mas não no Centro Histórico, por favor. E aqui começa a nossa luta pela "coerência".

Amigos e cidadãos, seria oportuno fazer um balanço dos arrastões em área tombada. Com franqueza e seriedade, precisariamos parar para pensar o que custa para a cidade, determinados eventos. Mesmo agradando a todos, quais os danos que provocam? Vale defender um patrimonio cultural destruindo outro patrimonio? Patrimonio este, muito mais caro de revitalizar...No orçamento do municipio, não cremos que exista uma voz relativa "ao recupero de danos ao patrimonio", após eventos.
 
Confirmamos que o povo da Cidade Velha gosta de carnaval, gosta dos arrastões do Pavulagem, do auto do Círio, etc., etc., etc., Mas não gosta dos estragos que esses eventos deixam nas portas das casas, nas ruas, nas praças, nos bueiros, nos carros. etc., etc., etc.

Como cidadãos, ambos (quem organiza e quem se diverte) devemos colocar na balança, os pros e os contras de tais eventos chamativos. De fato, e com certeza, mais de 90% das pessoas que acompanham o Pavulagem até a Praça do Carmo, vem de outros bairros. Se divertem e vão embora deixando para quem paga o IPTU aqui, um mar de sujeira e imundicies. Não adianta pagar a limpeza até a conclusão do evento, pois o povo fica bebendo e poluindo o ambiente e o ar, até altas horas, pois não existem fiscais para controlar o respeito das leis.

Agora que a União também "tombou" a Cidade Velha e a Campina, talvez fosse o caso de ler algumas leis sobre nosso Patrimonio e aplica-las. Elas falam de: defesa, salvaguardia,  proteção, preservação do Patrimonio ,  Artistico, Cultural e Ambiental do Municipio de Belém... e por cultural não se deve entender somente os "arrastões" que, alias, é uma coisa nova, e não histórica, bem diferente dos "assustados" de antigamente.

Todos os cidadãos deveriam se empenhar nessa tarefa. Uma campanha a respeito da defesa de todo o nosso patrimonio deveria ser iniciada para preparar a cidade para seus 400 anos.

Sem polêmica, mas com vontade de evitar maiores estragos, pedimos encarecidamente, inclusive aos orgãos públicos que autorizam o uso do espaço público, que pensem como evitar o Centro Histórico ao realizar/autorizar eventos chamativos.

Ficamos a disposição para procurar resolver juntos esse problema da Cidade Velha.

Obrigada pela atenção.

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