sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Homo sapiens Tapuya: eu nasci há 10 mil anos atrás.

Comunidade isolada foi fotografada pela primeira vez em setembro de 2016; imagens foram divulgada por ONG (Foto: Guilherme Gnipper/Hutukara/Divulgação)
Comunidade isolada dentro da Terra Indígena Ianomami, fotografada pela primeira vez em setembro de 2016; As imagens foram divulgadas pela Associação Hutukara (Foto: Guilherme Gnipper/Hutukara/Divulgação)








Criaturada grande: 
nossos ancestrais da Amazônia colonial.


à memória do intelectual amazônida Robert Marigard, da Guiana francesa.


Uma vez mais, malgrado patente neocolonialismo da República Federativa do Brasil em relação à região Norte, todo mundo declara preocupação com a Amazônia e diz querer conservá-la, sobretudo agora face ao Acordo de Paris de 2015 sobre Mudanças Climáticas e da Agenda 2030 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) firmada solenemente pelos estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), a fim de "não deixar ninguém para trás", nas graves palavras do Secretário-Geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon prestes a passar a batuta multilateral ao português António Guterres. 

Mas, do homem amazônico propriamente dito quase não se fala. Quem são, na verdade, as populações tradicionais das regiões amazônicas, célebre "Criaturada grande de Dalcidio", o mais representativo romancista da Amazônia, Prêmio Machado de Assis de 1972? São índios apesar de tudo, pretos de mocambo / quilombolas, brancos quase pretos de tão pobres, crioulos, cabocos (mestiços) e ribeirinhos de diversos status sociais.

Devíamos fazer como o México e o Peru que encamparam as respectivas civilizações dos povos originais como cultura principal e identidade nacional? Ou talvez nos servisse de espelho a Nova Zelândia respeitante à cultura original das nossas populações tradicionais? Dentre outras, a obra "Rio Babel, a história das línguas na Amazônia", de José Ribamar Bessa Freire, nos dá uma boa ideia sobre a tragédia amazônica da colonização. 

O diabo são os outros, ensinou Jean-Paul Sartre e o inferno da alteridade esconde-se nos meandros mais sombrios da colonialidade... Embora já se saiba que esta coisa é pior que o colonialismo, pois envenenada de preconceitos a colonialidade se torna doença social crônica dentro de nós mesmos descendentes de povos conquistados e colonizados sejam eles habitantes de qualquer país ou continente. A descolonização total e extinção final do Apartheid global restam ainda por fazer em grandes partes do vasto mundo. 

Periferia da periferia, as regiões amazônicas são ilhas de um grande "arquipélago" equatorial, imerso no verde mar da floresta chuvosa; mal conhecido ainda apesar de violentado, esquadrinhado e marginalizado. O passado não se pode mudar, mas sim aprender com ele para que a história não se repita como farsa. 

É claro que, no Brasil, sempre há ingênuos que prefeririam outros colonizadores que não os "atrasados" lusos, sem notar que se assim fosse a historia seria outra e os críticos invejosos de civilizações estrangeiras não teriam vindo a este ou outro mundo qualquer. E os bem contentes do domínio colonial português, considerado geralmente como fatalidade ou um mal menor dentre as mais potências coloniais da época, não fosse o risível Grito da independência brasileira concedida graciosamente pelo príncipe herdeiro do reino de Portugal sob o manto imperial da Inglaterra; não teriam sequer um simples feriado nacional a comemorar... 

Na prática, nossa metrópole Lisboa dependia de Londres quase para toda e qualquer decisão política importante, o Brasil era de fato protetorado inglês sob figuração de dependência do reino português e após a Independência ficamos mais atrelados ao Reino Unido até a II Guerra Mundial, quando os Estados Unidos assumiram o papel imperial da velha Inglaterra. De modo que, no duro, resta nacionalizar - para não dizer descolonizar ainda que tardiamente -, as regiões amazônicas por seus respectivos estados nacionais. Todavia, a multilateral Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) ainda não disse exatamente a que veio. Ou se ela disse as populações dos países amazônicos ainda não entenderam direito o discurso.

Nós, cidadãos brasileiros na comunidade da República Federativa do Brasil - o maior país amazônico do mundo -, devíamos ter consciência da amazonidade plural: as Amazônias. Reunidas já pela estupenda biodiversidade de biomas e ecossistemas do Trópico Úmido sul-americano, a formidável diversidade cultural das regiões de acordo com o conceito emprestado pelo Barão de Marajó na obra pioneira "As Regiões Amazônicas. Coração pulsante da integração da América do Sul (assim deve ser diante da monumentalidade natural e ecocultural da Amazônia), sobretudo em vista do que a OTCA concerta ou deveria concertar entre os países amazônicos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, além da região francesa das Guianas, a qual assume papel de observador perante o Tratado de Cooperação Amazônica - TCA). 

No pacto amazônico (a diplomacia pan-amazônica rejeita a ideia de pacto, todavia este tratado improvisado na Guerra Fria para fazer face à cobiça estrangeira e Internacionalização neocolonial; deveria sim ser um pacto anti-imperial e descolonizador por excelência, a servir de espelho a toda nossa América Latina), os parceiros amazônidas da área cultural guianense (Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Norte do Brasil) estabelecem a ponte ancestral entre a Amazônia e o Caribe, caminho de muitas migrações ameríndias e passagem histórica entre a Terra Firme (continente) e as Antilhas. Durante 500 anos nós ignoramos los hermanos latino-americanos para nos voltar exclusivamente às metrópoles europeias, só nos últimos anos do século passado contemplamos o coração do Novo Mundo: florão da América do Sol, cuja grande artéria é o gigantesco rio Amazonas, cerne do Tratado de Cooperação Amazônica, ecocivilização do futuro mediante renascimento do "Homo sapiens Tapuya", ou seja o Homem amazônico finalmente livre e emancipado, 260 anos depois do Diretório dos Índios (1757-1792) sob esperanças da Cidadania planetária consoante compromisso do Brasil com a Agenda 2030 da ONU.

Sobre a Amazônia antiga

Nossa maior dificuldade com a questão amazônica, sem dúvida, tem raiz na colonialidade remanescente da conquista cristã das supostas Índias Ocidentais. A destruição dos povos nativos americanos e a escravidão africana assombra nossa memória coletiva, imobiliza o presente e emascula o avenir de nossos povos. 

Como resolver o velho trauma histórico, sem esquecer jamais males antigos que torturam a alma da brava gente ou deixar a nação brasileira se dilacerar no labirinto das revoltas sem fim? A saída não será fazendo tabula rasa do passado, nem romanceando o índio da ópera O Guarani nas festas urbanas do Dia do Índio, mitificando o herói Zumbi dos Palmares a cada dia 20 de Novembro. 

A verdadeira voz do Brasil profundo ecoa no peito retumbante da Criaturada grande, onde os vários Brasis labutam todos os dias, do Oiapoque ao Chuí, da serra do Roncador na divisa com os Andes até a Ponta do Seixas, no extremo-oriente do continente americano. Aí sertões adentro, Pantanal, Floresta Amazônica, Beira Mar, Pampas se encontram os brasileiros com o mundo inteiro. 

A Arqueologia diz que o bicho homem através da primitiva dispersão a partir da África começou a povoar as Américas há cerca de 10 mil anos, depois de ocupar a Ásia. Vestígios de presença humana na Amazônia antiga datam da era paleo-ameríndia. A arqueóloga Claide de Paula Moraes, em sua tese de doutorado sobre determinismo agrícola nas regiões amazônicas, demonstra com dados de pesquisas recentes, que na região do Baixo Solimões e Rio Negro até próximo à foz do Madeira sítios arqueológicos evidenciam grande concentração de populações por volta do ano 1000. Na mesma época, houve intenso processo de formação de "terra preta", vestígio importante na arqueologia amazônica utilizado como indicador de sedentarismo de grandes aglomerados de pessoas e prática agrícola de larga escala.



Este fenômeno não parece ter sido exclusivo da Amazônia central, pois na ilha do Marajó, por volta do século IX ao XII, construtores de tesos de cultura Marajoara deixaram sítios arqueológicos importantes, representantes de um dos mais complexos cacicados da Amazônia segundo Denise Schaan (2004), que também entraram em colapso. Áreas mais amplas da América mostram que o período foi crítico até para grandes civilizações indígenas do México e da América Central. Cientistas ainda se perguntam sobre a causa comum daquele declínio demográfico nativo americano.

Nesses casos, além de conflitos guerreiros entre diferentes etnias e territórios, epidemias e esgotamento de recursos naturais podem ter sido a causa do desastre. O declínio da civilização Maya, por exemplo, sugere crise climática que pode ter provocado desequilíbrio na agricultura e no uso de reservatórios artificiais de água, dificultando sobremodo a conservação de grandes concentrações humanas.

Na Amazônia ainda não se tem dados paleoclimáticos refinados. Todavia, no período de ocupação pré-colonial são claras as evidências de formação territorial multiétnicas. Os dados publicados por Claide de Paula Moraes apontam para evidências de guerras devastadoras entre grupos nativos. Sobre a cultura tupi-guarani, porém outros motivos de decadência demográfica devem ser considerados. A função da guerra, por exemplo, permitiu ao filósofo e etnólogo francês Pierre Clastres (1934-1977) sentenciar: "se não existisse guerra precisava inventá-la". A noção de sociedade contra o estado de Clastres (cf. A sociedade contra o Estado (1974) e Arqueologia da violência (1980) refuta a ideia de que a evolução das sociedades deve ser medida pela presença ou ausência do Estado, por um maior ou menor grau de centralização de poder. Ele faz duras críticas ao divisor entre sociedades com e sem poder, corroborado por diferentes modelos de análise política. A Antropologia Política até então, segundo Clastres, analisava sociedades ditas arcaicas sob ótica da filosofia política euro-americana, pensando exclusivamente o poder político em termos de coerção e subordinação. 

Deste modo, ficavam fora de estudo outras maneiras de pensar o poder que não estivessem de acordo com o pressuposto de um sentido único de história e com as definições correntes de poder e política, sinônimas de poder coercitivo e de Estado, respectivamente no pensamento ocidental hegemônico. Ao procurar a centralidade do poder nas sociedades ditas primitivas, classificadas como sem Estado, sem escrita, sem história e sem economia, tal antropologia eurocêntrica teria produzido, segundo o autor, um discurso da “falta”, fazendo tais sociedades parecer como antes nos relatos de viajantes e cronistas, constituídas por “gentes sem fé, sem lei, sem rei”. 

Distorções extemporâneas rigorosas a partir do equívoco geopolítico das Índias Ocidentais de Colombo, que agora infestam de colonialidade as relações internacionais. Imagine hoje a invasão da Terra por extraterrestres portadores de "elevada" civilização intergalática, e terá pálida ideia do choque cultural provocado pela conquista da América pelos cristãos.


O mito da Terra sem males ou do Desenvolvimento Sustentável.


Apesar das evidências históricas e do importante legado de Florestan Fernandes e outros tupinólogos, nossos historiadores esquecem a religião dos Tupinambás na origem da formação territorial brasileira, inclusive a Amazônia lusitana, depois brasileira. Sem a utopia selvagem dos caraíbas, é pouco provável que a saga Tupinambá tivesse franqueado o caminho do Maranhão até os confins dos contrafortes andinos, no Alto Amazonas. 

Porém a busca obsessiva do lugar encantado (terra sem males) onde não existe fome, trabalho escravo, doença, velhice e morte; não é indício de uma evasão tenaz a um império insuportável onde os recursos naturais se acabaram, a escravidão oprime, doenças desconhecidas se alastram, a infertilidade avança e a morte campeia? Com certeza, o messianismo tupi-guarani mesclou-se ao milenarismo judeu-cristão, em particular o sebastianismo e agora habita a alma iberiana multinacional prestes a alçar novos rumos para o futuro. Já pela ciência, a tecnologia e as artes a par das tradições africanas, ibéricas e latino-americanas.

Segundo Claide de Paula Moraes citada, o etnoepidemiólogo Victor Py-Daniel, em atividade na Amazônia nos últimos trinta anos, chama atenção para o fato dos arqueólogos darem pouca importância à ocorrência de grandes epidemias na Amazônia antiga. Bactérias semelhantes às causadoras da tuberculose foram detectadas em ossos de bisão, nos Estados Unidos, datados de dezessete mil anos. Vestígios de tuberculose também foram identificados em múmias Anasazi nos Estados Unidos, em múmias Huaris, Paracas, Maitas e Chiribayas na América do Sul. Sabemos que a gota d'água na relação ultramarina entre a Companhia de Jesus e a coroa de Portugal, que se alastrou pela Espanha e França envolvendo o Vaticano, na segunda metade do século XVIII, aconteceu durante a primeira tentativa de demarcação das fronteiras da Amazônia entre Espanha e Portugal (tratado de limites de 1750). Até aí, os jesuítas foram bons aliados da colonização portuguesa devassando os rios, pacificando os índios rebeldes - como os célebres Nheengaíbas das ilhas do Marajó, amigos dos "hereges" (holandeses e ingleses), inimigos dos antropófagos tupinambás por mais de 40 anos de guerra mortífera; cartografando a ocupação portuguesa. Entretanto, com a nomeação do arrogante Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do 'déspota esclarecido" Marquês de Pombal; criou-se conflito de competência sobre obrigação dos índios em abastecer os demarcadores da fronteira luso-castelhana nos extremos do Rio Negro. Foram requisitados aos padres nas aldeias das missões índios cativos para abrir roças, fazer farinha de mandioca, beijus, moquear peixe e caça, fabricar remos, canoas, flechas, dar remadores e trabalhdores...

A Comissão de Limites instalada no Palácio dos Demarcadores, em Barcelos (Amazonas), logo se tornaria um estado dentro do estado do Grão-Pará e Maranhão, com capital em Belém do Pará, a muitos quilômetros de distância. Na hinterlândia, a massagada de "negros da terra" (índios escravos) tutelados pelos jesuítas e falando apenas a língua-geral Nheengatu; estava alheia aos acontecimento, porém totalmente obrigados a trabalhar a fim de levar a demarcação a bom termo. 

Já se sabe que a primeira tentativa de demarcação de fronteiras na Amazônia fracassou redondamente. O conflito da Escolástica com o Iluminismo está em primeiro plano, mas nada se sabe do conflito entre pajés e padres catequistas desde a França Equinocial (1613-1615). Menos ainda das mortíferas pestes de "bexiga" (varíola), sarampo e gripes devastadoras nas aldeias: o que, de fato, foi o motivo inicial para os padres relutarem em fornecer os suprimentos requisitados pelo governador-demarcador. Dai para o rompimento, expropriação de bens (1757) e expulsão dos jesuítas (1759) foi só um pulo. 

Pode-se dizer, então, que o vírus da varíola, do sarampo e da gripe sabotaram a execução do Tratado de Madri de 1750, bem como o "general" Plasmódio botou o petulante capitão-general Mendonça Furtado junto a alguns de seus oficiais para correr e desertar o Palácio dos Demarcadores, acometidos de febre malárica. Aliás, o general Plasmódio tem sido um grande guardião da floresta amazônica... A resposta no tempo foi a criação de instituições de pesquisa tais como o Instituto Evandro Chagas, em Belém, por exemplo.

A dificuldade de preservação de restos orgânicos em meios arqueológicos amazônicos talvez seja uma das principais dificuldades de estudos sobre paleopatologia em populações antigas da região. Porém, se levantarmos em conta epidemias por evidência indireta, algumas tentativas talvez possam avançar. As concentrações de pessoas em assentamentos por volta do ano mil estão presentes em diversas partes da Amazônia antiga, ilha do Marajó, Alto Xingu, Tapajós, Baixo Madeira, cercanias de Manaus e vários outros lugares. O tamanho das áreas ocupadas e intenso processo de formação de terra preta nos sítios do período não deixam dúvidas quanto a um certo urbanismo ribeirinho na Amazônia antiga. Patologias urbanas no trópico úmido podem ser pesquisadas talvez com informações adquiridas do passado distante, servindo de advertência ao próximo futuro em cidades densamente povoadas, como Belém e Manaus, com sérios problemas ambientais e de saneamento.

Pesquisadores de diversas áreas do conhecimento estudam as características físicas e químicas das terras pretas da Amazônia. Apesar de divergências sobre intencionalidade ou não na produção dessa terra, concordam eles que a terra preta se formou de lixeiras de matéria orgânica em antigas aldeias da Amazônia. Acreditam-se que intensa atividade microbiana foi gerada durante o processo de formação de terra preta. Isto também é visto como problema para a vida sedentária urbana na Amazônia antiga. Certas etnias conservaram costume de deixar suas aldeias virar tapera (ruína), após determinado tempo para repouso do solo, limpeza das águas e ares e regeneração da capoeira.

O costume de queima de matéria orgânica no terreiro das aldeias também foi observado nos estudos sobre a origem da terra preta, sendo considerada como fertilizante e também providência de saneamento básico. Uma possibilidades de controle de moscas, mosquitos, bactérias, germes e vermes no material orgânico descartado seria a queima desse material.


As redes de trocas de longa distância são vastamente documentadas nos contextos ameríndios, com as evidências arqueológicas de dispersão de complexos artefatuais semelhantes em vastas regiões. No caso das ocupações que chamamos de policromas datadas do século IX até períodos posteriores à chegada dos europeus, a padronização dos artefatos, seja do ponto de vista formal, seja do decorativo, nos faz pensar em redes de contatos numa área que vai desde o rio Madeira, no estado do Amazonas, até o rio Napo, no Equador (seguindo o curso dos rios, uma área de mais de três mil quilômetros de extensão). Evidências como essas nos fazem pensar que no período dos grandes assentamentos multiétnicos as terras baixas, e mesmo essas com as terras altas, estavam conectadas.


A mãe Terra considerada um organismo vivo haverá, por acaso, pensamento ecocultural nativo e biodiverso manifesto em todos quadrantes da biosfera, desde a África imemorial no parto da humanidade filha da animalidade até a era eletrônica e biotrônica em curso? O casamento do Mito - utopia selvagem da Yby marãey (terra sem mal), paraíso encantado onde não existe fome, trabalho escravo, doença, velhice e morte -, com a Ciência pariu o sonho planetário do Desenvolvimento Sustentável... 

A marcha antropofágica da brava nação Tupinambá concluiu-se na conquista do maior rio da Terra pelo casamento do Porantim sagrado com as Quinas de Portugal, convertendo a comunhão da carne e do sangue do inimigo invejado no sacrifício universal do Cordeiro da Paz: deste enlace histórico nasceu o maior país amazônico do mundo, Brasil.

Da leseira amazônica à retomada da ecocivilização no horizonte de 2030.

O homem amazônida foi totalmente extinto dentre a população original estimada de cerca de seis milhões de indivíduos habitando o "rio Babel", ou confundiu seus genes com afrodescendentes e degredados portugueses, imigrantes das ilhas dos Açores e da Madeira... "Acaboclou-se" totalmente, que não restam mais de um milheiro de "índios" na Amazônia brasieleira.

A Amazônia é motivo de muitas preocupações no mundo contemporâneo. A encíclica "Louvado Seja" editada pelo Papa Francisco, por exemplo, manifesta expressamento o pensamento do Vaticano com respeito ao estado socioambiental do planeta, enfatizando todavia as regiões-chave amazônica e da bacia do Congo. O Ocidente tem uma dívida histórica com a África e as Américas, causada pela Colonização.

O cristianismo tem dever moral e histórico em contribuir solidariamente à conservação das regiões amazônica, lar ancestral da Criaturada grande. Todavia, o resgate da dívida histórica cristã, seja ela de confissão católica ou evangélica; reclama uma nova perspectiva afim com as declaração universal dos Direitos Humanos e convenções posteriores. Não se pode exigir respeito a nossas crenças e convicções sem respeitar crenças e convicções dos outros. Na Amazônia existe um catolicismo popular que transita entre cultos romanos canônicos e ritos afro-brasileiros antigos. Igrejas evangélicas históricas e pentecostais coexistem malmente em falta de diálogo sincero entre si e outras fés ou a falta de uma religião qualquer. A falta supostamente de "fé, lei e rei" os "índios extintos" sobrevivendo agora na pele dos cabocos, seus semelhantes mais próximos; praticam a par das religiões nativas dos atuais indígenas e de matriz africana pelas populações afrodescendentes, a Pajelança amazônica. 


Zenbubuia, que diacho é este? 
Filosofia oriental vai à academia do peixe frito.


Da mesma maneira, que colonos europeus quase clandestinamente aportaram sob o largo manto do cristianismo crenças religiosas tiradas do judaísmo, hinduísmo, islamismo, costumes iberocélticos e pagãos antigos. Sobretudo, o fenômeno cristão-novo ou marrano, comparável ao sincretismo realizado por comunidades do cativeiro afro-brasileiro; assim também a babel tapuia resistiu à opressão civilizadora. É notável tal espírito de resistência, que não se poderia acreditar se não assistisse uma noção de resiliência cultural desde as primitivas diásporas pela face da Terra até os confins do mundo.

É evidente que a mãe Natureza falou e fala ainda de vários modos aos viventes, humanos ou não. A "religião natural do El-Dorado" de que escreveu Voltaire é prova de que todas grandes religiões modernas tiveram também suas lendas, mitologias e superstições até se tornar coração e pensamento de alguma civilização. Dizia ainda o velho Voltaire que o mundo não acharia paz antes "enforcar o último rei com as tripas do último padre". Trata-se de uma metáfora revolucionária pela extinção do absolutismo feudal e o fim da ditadura mental da escolástica no pensamento ocidental, evidentemente. E a profecia não se realizou, embora se tenham guilhotinado os reis de França e a rainha da Inglaterra reina mas não governa e há hoje padres mais "subversivos" que o próprio filósofo iluminista autor do "Cândido" foi em seus melhores dias.

Antigas religiões africanas de voduns e orixás são ricos patrimônios imateriais da humanidade, que nada devem à mitologia grega onde Freud foi recolher entre velhos arquétipos os padrões antropológicos modernos da Psicanálise. Na Índia e na China os antigos fundaram padrões religiosos que hoje invadem o Ocidente, tais como o budismo e o taoismo. Os antigos povoadores da América, certamente, trouxeram da Ásia elementos fundamentais xamanísticos que, no novo continente, dariam nascimento a outras ramificações do culto dos antepassados.

Admita-se a religiosidade natural do Homem amazônico descendente das migrações asiáticas de 10 mil anos atrás, observável na pajelança ou na crença da encantaria. A África e Ásia ancestrais se encontram no circulo do equador terrestre: onde, não por acaso, iniciou-se com Darwin nas ilhas Galápagos e Wallace na Amazônia e Indonésia a teoria da evolução das espécies.

A língua-geral amazônica ou Nheengatu - um tipo de esperanto no Trópico Úmido -, criou o verbo intransitivo Bubuiar, que significa manter-se à tona; flutuar, boiar, sobrenadar. Um praticante do Tao ou do Zen por certo saberá "bobuiar" na filosofia mais que ninguém, a fim de flutuar sobre as ondas mentais do oceano do pensamento ou inteligência coletiva, que Teillard de Chardin chamou de noosfera

Zen é o nome japonês da tradição filosófica e religiosa ch'an, surgida na China por volta do século VII. O zen está associado ao budismo mahayana, cultivado inicialmente na China, Japão, Vietnã e Coreia. O zen foi possível devido à influência que o budismo sofreu do taoismo. Para alguns estudiosos, o zen nada é mais que a síntese dessas duas correntes de pensamento, o budismo e o taoismo.

Outros pesquisadores de antropologia das religiões concluem que o zen deve ser considerado à parte do budismo, pois sua natureza e tradição tão peculiares só foram possíveis e criadas devido à influência do pensamento chinês. No zen japonês, há duas vertentes principais, soto e rinzai. Enquanto a escola soto dá ênfase à meditação silenciosa, a escola rinzai faz amplo uso dos koans, ou "enigmas". Atualmente, o zen é uma das escolas budistas mais conhecidas e de maior expansão no Ocidente. O taoismo se apresenta na cultura chinesa como doutrina e filosofia ensinada por Lao Tse no século VI a.C., com sentenças evidenciando a relação primordial do ser humano com a realidade cósmica, chamada, o Tau (caminho). O caráter contemplativo do taoismo foi rivalizado pelo racionalismo pragmático do confucionismo. Consideramos, comparativamente, que a Pajelança amazônica pode achar paralelo com o taoismo, como o catolicismo sincrético aproxima-se da doutrina de Confúcio.


YANOMAMI ameríndios, Amazonas venezuelano.  Serra Parima, Rio Orinoco Basin.  aldeia Yanomami.  Famílias vivem em grandes herdades comunais.  Cada família tem sua própria lareira, onde os membros comer, dormir e guardar pertences.  Redes são amarradas umas sobre as outras beliches como com as crianças mais novas na parte inferior.  De todas as tribos ameríndias, os Yanomami têm a menor exposição ao mundo moderno.  Seu futuro pode agora ser ameaçada por doenças transmitidas por garimpeiros ilegais.  CDREF00266
Quem somos? Onde estamos? Donde viemos? Aonde vamos?

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