sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A EDUCAÇÃO PELO BARRO DOS COMEÇOS DO MUNDO.


uma imagem vale por cem discursos.



EU TENHO UM SONHO

Quando jovem,
certo dia o caboco que vos fala teve um sonho deveras estúrdio. Sonhei estar chegando que nem filho pródigo a uma velha aldeia indígena, lá pelas bandas dos Furos; nas funduras das ilhas do Marajó. Era, paresque, bem de manhãzinha e eu me via chegando a casa materna com mochila à costa depois de longa viagem vindo não sei donde. Uma grande paz invadiu meu coração e meu sentimento dizia ser ali o meu lugar.

Naquele onírico sítio reinava enorme silêncio como no princípio das coisas. Então, vi índios parentes meus muito tranquilos a remar em suas canoas sem pressa a caminho do rio acima e mato adentro em direção contrária àquela aonde eu tinha ido na busca da invenção deste mundo. Quando me acordei naquele dia distante me achei na pobre realidade duma rua descalça, em casa de madeira mal dotada no subúrbio da cidade grande, onde eu tinha ido parar depois de perder lugar de herança avoenga. Desde então, eu quis saber quem inventou tão desigual mundo. E tive dó de mim e de meus pareceiros (semelhantes). Sobretudo, por não ter conhecido minhas duas avós, principalmente a tapuia que deu a vida a meu pai caboco com a própria morte na hora do parto.

Hoje, depois de tanto tempo, o sonho não acabou. Quando vejo o mundo se perder por descaminhos, volto a sonhar com o renascer de um milhão de aldeias entre inúmeras florestas replantadas e refazendas urbanas em pleno centro das maiores cidades da Terra mãe. 

Claro, não se trata do eterno retorno: ao contrário, é do eterno futuro que se fala. Onde o tropismo da utopia atrai a humanidade filha da animalidade a descobrir o segredo das estrelas tal qual antigos Mayas estudavam a passagem dos astros pela espiral evolutiva do espaço curvo dos céus.
 
O PAÍS DO FUTURO (RE)COMEÇARÁ NO OIAPOQUE?
 
Quando o lucro e o mercado correm à frente da alegria da vida o desastre é o fim da picada... 

Há 520 anos, em Tordesilhas (Espanha), os reis ibéricos dividiram entre si o mundo achado e por achar, por um meridiano a 370 léguas a oeste de Cabo Verde. Logo, o rei de França protestou contra o "testamento de Adão" homologado pelo Papa e se aliou a corsários em disputa pelo Novo Mundo. Era a revolução geográfica dos descobrimentos dos caminhos marítimos das Índias.

Entretanto, a Floresta Amazônica tem gente desde dez mil anos atrás... E os povos originais do Caribe já buscavam o Arapari (país do Cruzeiro do Sul, Brasil) muito antes da viagem de Cristóvão Colombo (1492) e seu desembarque nas Bahamas, fatídico para os índios Tainos e Kalinas. 

Oito anos depois, o navegador espanhol Pinzón, piloto de Colombo; percorreu o Nordeste e Norte brasileiros quando descobriu a foz do rio "Santa Maria de La Mar Dulce" (Amazonas) e explorou o rio de "Vicente Pinzón" (Oiapoque), não sem antes arrastar da ilha de Marinatambalo (Marajó) os 36 primeiros "negros da terra" (escravos indígenas) da América do Sul. 

Começando a aventura amazônica, França e Portugal lutaram no Maranhão e Guianas; finda a Questão do Amapá (séculos XVIII e XIX), o Brasil e a França vizinhos no Oiapoque chegam ao século XXI diante de novos desafios e oportunidades para reinventar o Futuro, tendo a Amazônia como "ponte" Norte-Sul. 

Da parte que me toca na perspectiva da Criaturada grande de Dalcídio (populações tradicionais), vejo a fronteira do Oiapoque com esperança e preocupação (ver meu ensaio "Amazônia Latina e a terra sem mal") e me regozijo do Curso de Licenciatura Indígena, oferecido pela Universidade Federal do Amapá, no Campus Binacional do Oiapoque. Um pequeno grande passo na grande caminhada para a humanidade reencontrar seu futuro perdido na Conquista das Índias, acredito.


ponte sobre o rio Oiapoque: fronteira Mercosul - União Europeia.

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