quarta-feira, 16 de maio de 2012

NOSSA UNIVERSIDADE FEDERAL COM A CARA E A CORAGEM DA BRAVA GENTE DO MARAJÓ




ACHO que estamos todos de acordo. A gente quer uma nova universidade federal no Marajó... Porém carece deixar bem claro: a gente não quer "mais uma" e sim uma universidade capaz de fazer caboco se tornar doutor sem jamais se envergonhar e deixar de ser caboco.

ENTÃO deixa ver se me explico bem: a base da universidade dos nossos sonhos está expressa na Carta do CODETEM assinada em Portel no último dia 30 de março.

na dita Carta sobre educação ribeirinha o que mais se destaca é a condição geocultural da nossa várzea repartida em 1700 e tantas ilhas com mais de 500 comunidades locais. A bem dizer, tendo o futuro doutor desde a barriga da mãe começado com o pré-natal bem feito, passando pela assistência materno-infantil inclusive creche comunitária bacana, escolinha, saúde da família e daí pra frente...

quer dizer, esta nossa universidade é que nem uma casa que a gente começa de baixo pra cima e não sentando logo a cumeeira... A cumeeira, neste caso, é a própria universidade sonhada por nós.

NÃO BASTA TROCAR A PLACA DA UFPA E METER EM RIBA PLACA MANEIRA DA QUERIDA UnM 

diz o caboco, quem tem pressa come cru! Então, vamos fazer a coisa certa... Em nossos corações e mentes já existe, de fato, a nossa UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARAJÓ (UnM). 

onde está? Em Soure, desde 1986, e em Breves: é, pois, o campus Marajó da Universidade Federal do Pará (UFPA). Vamos, então, numa boa, fazer o Occupy UnM nos campi da UFPA no Marajó e Belém. 

nós não temos dúvida de que a UFPA foi, é e será sempre parceira do Marajó. Mas, como todo mais nivel federal, estadual ou municipal atuando no Marajó, ainda deixa muito a desejar...

em primeiro lugar há de se mudar a mentalidade do Professor e da Professora ribeirinha desde jitinha, com muito orgulho em ser caboco ou caboca descendente, se for o caso, dos antigos e diversos povos indígenas das Ilhas.

sem esta mudança fundamental não adianta fazer obras, discursos, propaganda institucional e soltar foguetes.  Portanto, não vamos simplesmente aceitar um adeus da UFPA, muito obrigado e passe bem. Temos muitos que dialogar e pressionar no sentido de todas entidades federais, estaduais e municipais no Marajó começarem a se entender entre elas mesmas...

temos a UFPA, a UFRA, o IFPA, o Museu Goeldi, o ICMBio, a Embrapa... Acho que o Protocolo de Cooperação entre estabelecimentos de ensino e pesquisa no Estado do Pará, incluindo a UEPA e SEDUC precisa de um Anexo Específico para cada região do interior, a começar naturalmente pelo Marajó prevendo, expressamente, a perspectiva de desmembramento da UFPA para dar lugar à UnM.

tal Protocolo para o Marajó deveria, então, se debruçar com um Grupo de Trabalho (GT) sobre a Carta de Portel supracitada. Para que a EDUCAÇÃO RIBEIRINHA comece a responder às demandas desde o ensino infantil e a saúde materno-infantil. Pois será ponto pacífico que, desde o primeiro dia de funcionamento da UnM, será seu ponto forte a PESQUISA EM SAÚDE e EDUCAÇÃO RIBEIRINHA (de tal modo que, assim como já se diz hoje tema socioambiental, para significar que o social é inseprável do meio ambiente, também ficará entendido doravante que nas comunidades ribeirinhas a coisa é 'saúd'educação' dos pés à cabeça...

ALDEIAS, PALAFITAS E TESOS DO FUTURO 

OUTROSSIM, nós entendemos que a tradicional "universidade" pés descalços dos primórdios da Cultura Marajoara é raíz da nova e moderna universidade multicampi que queremos: naturalmente, os conhecimentos das comunidades tradicionais deverão ser estudados e protegidos na UnM, da mesma maneira como a C&T do trópico úmido deverá ser apanágio da mesma.

Deste engenhoso casamento se inventará o futuro de aldeias pós-modernas refeitas do desastre do malfadado Diretório dos Índios com o esquecimento e a solidão de rios e igarapés panemas. Queremos uma universidade-arquipélago, os municípios articulados por sistema multicampi com extensão direta ao interior em 500 e tantas localidades em geral onde escola, posto de saúde e centro socioambiental sejam "unha e carne" funcionando todos os dias da semana, e lá as famílias do lugar sintam-se em casa ligadas ao mundo ao mesmo tempo.

neste futuro imaginado, o saber popular fará boa companhia à Ciência: o caboco reapreenderá a construir aldeias sobre tesos, como jardins suspensos, que nem seu bisavô indígena. A palafita antiga receberá progresso da moderna tecnologia, e os saberes locais e a economia ribeirinha ainda terão a sua vez e sua hora para admiração geral.

Se alguém nos disser que tudo isto é uma desconforme utopia, nós concordaremos sem pestanejar. Pois, se fosse pra chover no molhado quem seria o besta a sair de seus cuidados para se deixar embrulhar em tamanho engano? Não, senhores; a gente ribeirinha sem eira nem beira quer dar um basta à Pobreza e à mediocridade pra sempre. Cuidar da vida numa região magnífica, como o delta-estuário do maior rio do mundo, onde há mil anos nasceu a ecocivilização amazônica cuja resiliência ainda poderá se salvar para o bem de todo vasto mundo. 

Acorda Pará! Desperta Brasil, nós estamos aqui fazendo a nossa parte!

Um comentário:

  1. A união é a única forma de realização legítima do coletivo, porque é a partir dessa união que as forças individuais se mostram e se direcionam para as soluções contextuais que lhes são peculiares. Parabéns ao povo marajoara pela brilhante iniciativa!

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