sábado, 21 de abril de 2012

BRASÍLIA, MARAJÓ E SÃO PAULO


Brasília-DF, lago Paranoá: réplica do lago Arari no Planalto?.

Inaugurada em 21 de abril de 1960, por Juscelino Kubitschek de Oliveira, Brasília teria para mim uma importância fundamental. Morei lá, uma primeira vez, de 1970 a 1974 quando fui solteiro de ônibus pela rodovia Belém-Brasília convalescente após dois anos de enfermidade (de 1968 a 1969 eu teria seguido camaradas rumo ao Araguaia se  tivesse as condições físicas necessárias; embora não tivesse noção exata naquele momento, por motivos óbvios, da guerrilha que ali iria estalar). 
 
Quando comecei a recuperar a saúde era pele e osso, um cabeludo esquelético de um metro e setenta centímetros de altura pesando pouco mais de 50 quilos, eu estava desempregado sem ter concluído o ensino médio depois de andar de seca a meca em busca de trabalho tendo experimentado ser marreteiro, empregado do comércio, repórter, político do interior, administrador municipal... Recuperado e com vida nova em Brasília retornei a Belém a bordo de avião a jato, casado, pai de filho pela primeira vez: cursando direito, titular de cargo de agente administrativo por concurso público do Ministério das Relações Exteriores transferido para a Primeira Comissão Demarcadora de Limites. 

Voltei a Brasília em 1980 para exercer função de secretário administrativo da Divisão de Fronteiras; promovido a oficial de chancelaria por concurso interno em 1982 e removido para Caiena, em 1985, para exercer cargo de vice-cônsul. Na Guiana francesa tive experiência do que digo ser meu "PhD" em estudos práticos amazônicos, com especialidade em migrações transfronteiriças, na universidade da vida, vestibular como repórter do Ver o Peso no inferno do contrabando e 'otras cositas más'.

Detalhe interessante: quando resolvi me mudar para Brasília estava eu terminando um período de serviço público municipal prestado à Prefeitura de Faro -- divisa do estado do Pará com o Amazonas e fronteira com a Guiana ex-inglesa -- como secretário-contador, em 1965. Foi aí que conheci o então governador Jarbas Passarinho e designado pelo prefeito Wladimir da Costa Rossy para falar em nome do município protagonizei uma fala memorável pela qual o notável político do regime militar apelidou-me de "o homem do discurso"...  

Achei uma maneira simplória mas significativa de ficar ao largo da comitiva eleitoral-governamental não comparecendo ao jantar oferecido pelo prefeito, sob a pífia alegação de não possuir um paletó requerido para a solenidade oficial... Era só o que me faltava! Vestir paletó e portar gravata lá pelos rincões do Espelho da Lua onde, segundo dizem, nasceram as icamiabas ou amazonas da lenda tal qual todos nós viemos ao mundo, nus entre fezes e urina. Então, como de hábito, fui ao bar do Isaac Hassan tomar cerveja e jogar conversa fora com a declarada intenção inclusive de vir a ser genro do dito cujo qualquer um dia daqueles.  E pensando no casório já eu havia cogitado uma mudança a Brasília achando eu, ingenuamente àquela altura; que meu conhecimento de repórter e experiência burocrática abririam alguma porta pelas muitas repartições do governo para arrumar um cargo público.

Pela manhã seguinte ao jantar o prefeito me perguntava, "onde você se meteu, rapaz? O governador perguntou por ti e quis saber se te posso liberar para trabalhar no governo do estado... Disse-lhe que agora não posso. Mas vamos a Belém tratar do assunto". Fomos de fato e chegando na Residência dos Governadores (hoje a sede da Secretaria Estadual de Cultura) ele estava de saída para assistir ao enterro do pai do general Linhares: mandou voltar o carro à garagem e nos atendeu brevemente terminando por dizer volte amanhã a estas mesmas horas... 

Mas, naquele dia ele amanheceu em Brasília chamado às pressas para assumir o Ministério do Trabalho enquanto um certo metalurgico chamado Lula sacudia o país com movimento de greve. Hoje é caso de agradecer a gentileza de Passarinho em querer mandar instruir a um caboco falador desgarrado no Amazonas e mais ainda ao companheiro Lula que, por acaso sem saber nadinha desta história das barrancas do Nhamundá, tirou-me duma enrascada danada quando o SNI soubesse.

Naquela improvisada fala de Faro (porém premeditada a fazer diferença à bajulação de costume no limite da segurança pessoal em tempos bicudos de cassações, prisões e desaparecimentos políticos) cotuquei onça com vara curta, sutilmente, críticando os políticos da calha Norte que perdiam oportunidade de falar cara a cara com o governador sobre problemas locais para adular os mandatários de Brasília e do Estado. Comecei, então, por chamar atenção do governador em campanha para eleição de seu sucessor Alacid Nunes (que viria a ser seu maior rival político no cenário regional) para existência de galeria de retratos de ex-governadores no salão pobre da prefeitura: detendo-me, astuciosamente, ao lhe mostrar a fotografia do ex-governador general Alexandre Zacarias de Assumpção, candidato de oposição pelo MDB, contra o candidato oficial da ARENA. Em contraponto, terminei propondo estudo para desenvolvimento de Faro de maneira integrada a todo vale do Nhamundá desde a foz do Igarapé dos Currais até o alto-rio junto às cachoeiras passando ao Trombetas, antes que se criasse o novo município de Terra Santa evitando, literalmente, que se "despisse um santo para vestir outro"... No dia seguinte o governador e comitiva fariam visita à escola municipal então sendo reformada, o casião quando lhe apresentei o sr. Marturano, descendente de imigrantes italianos e proprietário duma fazenda chamada Palestina no Igarapé dos Currais; eu era fã do cooperativismo e conversava bastante com Marturano sobre a possibilidade de criar uma entidade dessas no município. Passarinho sempre atencioso animou a conversa sobre um projeto assim. O candidato  Alacid Nunes foi eleito com votação expressiva no município cujo gestor eleito pelo PSD do cassado governador Aurélio do Carmo; por necessidade de sobrevivência passara a ser ARENA, "desde criancinha". Acho imbecil a crítica política das cidades modernas aplicada à realidade dos cafundós do Judas: que nem o cara que mora em apartamento achar graça da superstição de quem navegas os rios da Amazônia em horas mortas temendo topar com a malvada cobra grande...

Dono de memória prodigiosa Passarinho nas poucas vezes que nos entramos depois, inclusive no Senado com pedido de entrevista para tratar de algo que somente no governo Lula se ouviu falar em algo parecido com os consórcios intermunicipais chamados Territórios da Cidadania: um projeto federal de ajuda aos municipios mais carentes (no caso na região amazônica). Ele recebeu elegantemente a sugestão, deu-me um abraço e me levou até a porta do gabinete, não sem antes relembrar o apelido por causa do tal discurso. 

Naturalmente, Passarinho cercado de informantes sobre assuntos e pessoas do Pará sabia que sou sobrinho do comunista Dalcídio Jurandir, não obstante isto ele cogitou me oferecer bolsa de estudo sobre cooperativismo nos EUA. Finalmente, lhe fiquei devendo a gentileza de uma requisição de trabalho da estatal COBAL, onde me empreguei com ajuda de amigos cariocas em Brasília para ser lotado no gabinete do MEC, que pedi para ter tempo de concluir curso de direito, prejudicado pela coincidência de exames de fim de ano letivo e elaboração de balanços contábeis a que eu era obrigado de levantar dados pelo cargo que ocupava na divisão do patrimônio. Na verdade, assim como a fortuna conspirou para eu não ir aos EUA; apesar da requisição do MEC acabei no MRE incentivado por valioso conselho do chefe de gabinete dr. Armando Correa, para assumir sem demora vaga conquistada por concurso público. Verdade que entre o salário da estatal e os vencimentos do Itamaraty tive uma perda de cerca de metade do contracheque, mais aluguel de casa no Guará, tive que trancar matrícula no curso da UDF por falta de recursos financeiros. De todo modo, assim mesmo fiquei grato a Jarbas Passarinho e admirador de seu talento de polemista apesar das diferenças político-partidárias de sempre e das contradições tais como o decepcionante proclama ditatorial ao mandar "às favas os escrúpulos de consciência" ao manchar a própria biografia com assinatura do famigerado AI-5... Para alguns, o verdadeiro início da Ditadura num racha interno da cúpula militar.

Volto ao curso no rio da memória a que me leva hoje o aniversário de Brasília. Ao descer do Nhamundá até Santarém com destino a Belém fiquei "ilhado" por falta de passagem, então tive lembrança de ir ao porto aventurar alguma embarcação de escala. Foi aí que vi chegar um navio com jeito de repartição do governo, me apresentei donde estava na beira do cais como funcionário municipal com missão a cumprir em Belém. O oficial de bordo ou algo assim, não respondeu ao meu cumprimento nem me olhou direito e foi logo avisando: não damos passagens a estranhos, esta embarcação é da Comissão de Limites... Lia-se na proa "N/M Almirante Braz de Aguiar", dez anos depois o antigo Aviso da Marinha de Guerra e sua tripulação figurariam na incumbência do Setor de Material da dita comissão já sob meu encargo.  O personagem ficou meu amigo aparentemente sem jamais me reconhecer e recordar o acontecido e eu nunca lhe refresquei a memória.

Então, com a mudança de padrão de transportes fluviais para avião e estradas de fronteira o histórico Aviso tornou-se um estorvo para o MRE e o mesmo estaria fadado imediatamente ao ferro-velho não fosse antes o amigo e conterrâneo Fernando Malato Figueiredo, diretor administrativo da SUCAM; a meu pedido me ajudar a dar sobrevida ao velho vaso de guerra já a serviço da paz entre os países amazônicos, transferido com todos os trâmites burocráticos de praxe ao Ministério da Saúde para transporte de material da "Campanha de Erradicação da Malária" (CEM)... Terminou assim a história do "B/M Almirante Braz de Aguiar" sem glamour, porém numa outra guerra até hoje sem trégua contra o Plasmódio. O general Plasmódio, como diz o médico e ambientalista Camilo Vianna, sem o qual talvez a Amazônia já estivesse hoje definitivamente ocupada pela cobiça estrangeira. Cruel, todavia verdadeira a geopolítica das doenças tropicais...

Em uma aula do curso supletivo noturno do Colégio La Salle (Brasília, 1970) o professor de geografia estava ensinando sobre mortalidade infantil, eu e minha irmã corríamos contra o prejuízo de uma educação precária na ilha do Marajó e Belém; então ele sem saber da existência de dois papa-chibé na sala falou: "na ilha do Marajó, por exemplo, a mortalidade infantil é cem por cento por causa da malária...". Minha mana, disse "epa, professor olhe aqui dois sobreviventes!". Foi engraçado, o gaúcho fez cara de que não estava acreditando...

Quando estive em Brasília pela primeira vez, em 1967, estava secretário municipal de finanças de Ponta de Pedras, na ilha do Marajó; e ia a caminho de São Paulo para participar de um congresso católico como membro de delegação da Prelazia de Ponta de Pedras do movimento Focolares. Era a primeira parte do meu plano de mudança para Brasília e fui de avião da extinta companhia "Paraense Transportes Aéreos - PTA", que o povo traduzia jocosamente como "prepara tua alma"... para acompanhar minha mãe que ficou com minha irmã que lá morava com o marido mineiro, músico do Exército na banda presidencial e três filhas que são, portanto, minhas sobrinhas candangas.  

De Brasília prossegui em ônibus para Anápolis onde fui aguardar a delegação paraense que estava viajando de Belém com destino a São Paulo em quatro ônibus fretados da Empresa Braga (depois Transbrasiliana), dois para homens e dois para mulheres... A coisa mais estranha que vi em Brasília sete anos depois da sua fundação e ainda em meio ao deserto de terra vermelha que nem o planeta Marte, foi a ausência das grandes águas do Pará, em especial aquele mar de água doce que abraça a velha ilha de minha avó indígena nascida na aldeia da Mangabeira em face à baía do Marajó.
O Plano Piloto teve que se ajustar ao relevo do Planalto, com Lúcio Costa adequando o projeto para dar lugar ao lago Paranoá concebido em 1893 pela Missão Cruls, para armazenar 600 milhões de metros cúbicos de água. 

Por um instante, para minha alma ribeirinha sedenta, aquilo parecia um arremedo do lago Arari como se este fora abduzido por uma nave extraterrestre para prancheta da obra da Novacap... Outra coisa esquisita que eu achei foi o 'desconforme' frio das noites vazias do Planalto em contraste ao mormaço amigo da antiga Belém do Grão-Pará. Onde, na boca da noite, a gente ia tomar a fresca na porta da casa em longas conversas com os vizinhos sentados em cadeiras nas calçadas. Melhor ainda em Ponta de Pedras à margem do rio Marajó-Açu povoada de lendas, festas e novenas todo mundo dando voltas na praça da Matriz e proseando até a hora que a Usina de Luz piscava dando sinal de que o eletricista já ia encerrar o expediente, e aí de quem não desse pressa às canelas para chegar em casa antes da escuridão e suas visagens medonhas.

Ao saltar do ônibus de Brasília em Anápolis, manhãzinha gelada, um sol preguiçoso se desembrulhava da neblina e eu me ri sozinho como um louco ao ver, pela primeira vez, um cavalo de carroça soltando "fumaça" pela boca... O bicho fumava? Quem me acreditaria no Fim do Mundo se eu calhasse de contar uma besteira dessas. Égua, sumano! Que caso estúrdio... Muitos anos depois, ao saltar do avião em Amsterdam (Holanda) ao começar a falar a caminho do aeroporto para Utrecht eu mesmo soltava fumarentas baforadas e me lembrava do cavalo de Anápolis... 

Comecei a saber o que é frio de verdade e morrer de saudades da cálida Belém do Pará, em Montevidéu (Uruguai), 1982. A ditadura pelas margens do Prata ainda fazia estragos e eu escorado na embaixada a andar de livraria em livraria procurando a "Memória do Fogo" de Eduardo Galeano... Se demorasse mais tempo por lá teria forte probalidade de me tornar alcóolatra a peso do vinho branco forte que me ajudava a aquecer o cobertor no Residencial Madrid. Um caso engraçado foi o desgaste de meu portunhol ao tentar manter conversa com o dono do café de esquina e, de repente, começarmos a nos entender a mil maravilhas. Como, o senhor fala português? E ele, não; o senhor é que fala galego... 

Ainda estava eu em Anápolis a caminho de São Paulo. Me hospedei num hotelzinho perto da rodoviária e disse logo que estava de passagem. O dono me perguntou donde eu vinha, ao ouvir a palavra Pará me ofereceu não me lembro mais quantos alqueires de terra, tudo 'bonitinho' com registro em cartório, mapa de localização e tudo mais. Disse-lhe que não tinha dinheiro nem era meu propósito comprar ou vender terras. Ele riu e me disse que aquela papelada era um conto de vigário no qual ela havia caído acreditando ser proprietário no Pará. O ônibus de Belém que não chegava... O homem me traquilizou, com certeza, ainda não havia chegado... Havia mandado um menino ficar de olheiro para avisar quando chegasse algum ônibus da Empresa Braga. Gastou-se tempo e ele me contou a desventura de um gerente do Banco do Brasil e meia dúzia de agricultores ali: negócio doido... O gerente vendo que plantadores de arroz lutavam com grande dificuldade de crédito para expandir suas lavouras, liberou dinheiro e esperou a produção. Para seu grande espanto a produção de arroz despencou, mas os agricultores aparentemente prosperavam, mais de um comprou camioneta, sanfona e virou celebridade sertaneja. Mas, o prazo de pagamento do empréstimo chegou ao fim e o gerente coitado teve que executar a dívida, os agricultores ficaram sem terras, camionetas e sanfonas. O pobre e desastrado gerente mandado embora...


Os quatro ônibus chegaram: reconheci rostos da terrinha distante, na ilha do Marajó, pareciam cansados, sujos de poeira como retirantes... O Clóvis Malato ao lado do carpinteiro Chicão acenava e gritava, "Zé! Aqui..."... Tudo OK, fomos todos em frente São Paulo esperava. Mas que diabo íamos nós fazer na capital econômica do Brasil? Um história meio hilária: se Ponta de Pedras, antiga cidade de Itaguary; tivesse estrada de ferro alguém diria que foi montado ali um "trem da alegria".  Mas não, talvez fosse uma barcaça da fé... De boa ou má fé a Câmara de Vereadores aprovou lei em regime de urgência para conceder pela burra da Prefeitura ajuda de custo à delegação da Paróquia em encontro do movimento Focolares em São Paulo. O prefeito Antonico Malato era católico praticante, mas muito sizudo com a coisa pública, estava desolado com a lei saindo do forno levou-a a mim na secretaria de finanças. Olha isto aqui, que se pode fazer?... Com a ingenuidade de um aluno de direito no primeiro ano, disse-lhe: "vete a lei": a justificativa dizia, para "aprender a amar o próximo"... E o prefeito secamente vetou aquela lei absurda que mandava a gente ir a São Paulo para aprender a amar o próximo. Égua, mano! Eu estava trabalhando por dez em dois expedientes todos os dias úteis da semana, quando me dei conta de que diversos trabalhadores da prefeitura eram analfabetos e recebiam "a rogo" por serviços prestados. Então ainda arranjei tempo para ser voluntário de alfabetização em curso à noite no "Círculo Operário Pontapedrense". A cabeça cheia de uma palestra de Paulo Freire assistida por acaso em Belém. Aquilo não seria um curso prático de amar o próximo sem custar um vintém à Prefeitura?

Comunista! Moleque comunista na Prefeitura e o Antonico não vê? É por que ele é ateu que nem o tio que foi embora morar no Rio de Janeiro. Foi uma bomba! O veto ecoou até na Capela de Lourdes em Belém, a Prelazia entraria em choque com a Prefeitura por causa disto? Não podia, pois que a construção da catedral estava na contabilidade municipal por motivos muito mais justificados do que a jornada Focolares a São Paulo...  

Sábados e domingos, Antonico chamava seu secretário comunista dizendo-me, "José, deixa a canalha e vamos para o Paraíso"... De fato, o paraíso existia na forma de um sítio tranquilo onde com a família se tomava açaí fresco, comia-se peixe e dormia-se a sesta em maqueira (rede de fibra de miriti) à moda dos índios: falava-se de tudo no Paraíso, menos de prefeitura e política. Antonico Malato além de honesto e apaixonado pela boa governança municipal e música instrumental era um sábio... 

Disse-me ele que pretendia comprar um pequeno gerador de energia elétrica para o sítio, mas que só faria isso depois de terminar o mandato, para não dar gosto à canalha de dizer que ele comprou com dinheiro roubado da prefeitura. Então, eu lhe disse com pachorra: não se preocupe pois assim mesmo a canalha irá dizer, "o Antonico é tão sabido que esperou o mandato acabar para usar o dinheiro que tirou da prefeitura"... Pois ele foi eleito uma segunda vez e morreu sem jamais comprar o geradorzinho que queria para aposentar os lampeões de querosene do Paraíso. Claro, os sabidões de hoje e de sempre acham que ética é bobagem... Mas, quando o povo se cansa de esperar e perde a esperança é aquele tal Deus nos acuda!


O pessoal do amor ao próximo foi buscar um negociador italiano para discutir o veto com o secretário de finanças, por acaso este caboco que vos fala. O homem veio com fala mansa e ar seráfico. O caso mudou de conversa, agora o "comunista" estava convidado ele mesmo a participar da delegação paroquial. Não sei se o espírito de Maquiavel baixou no terreiro da paróquia naquele momento na vã esperança talvez de que o moço burocrata mostrasse seu lado ateu graças a Deus e não fosse com os outros a São Paulo aprender a amar o próximo.  Ora, o que se passou não estava no scrit: "convite aceito com a única condição de que cada um pague a própria passagem". Ou seja, poupe a verba pública e tenha fé em Deus e na humanidade...

Antes disto tudo, eu trabalhava como repórter do "Jornal do Dia", em Belém do Pará, e escrevia a crônica "Face Oculta do Ver O Peso" mostrando como atrás do cartão-postal se esconde muitas coisas feias, seja no Pará, São Paulo ou Brasilia... Mas, a nossa capital federal, cidade da Esperança, é bela como um poema concreto.

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