quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Educação continuada, que bicho é este?


sede mundial, em Paris, da Agencia das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.


Morrendo e aprendendo, já diziam os antigos. Hoje muito mais, não basta ter diploma para se considerar salvo da ignorância. O pior de tudo é que, muitas vezes, a superespecialização leva ao emburrecimento geral. O cara pode até ser catedrático num assunto especial e perfeitamente analfabeto em mil e uma coisas.

Mais vale um analfabeto curioso a respeito de tudo, do que um intelectual ocioso e entediado que não serve para nada nesta vida. 

Desletrato não quer dizer burro. A escola da vida forma mais doutores na arte de sobreviver às misérias do mundo do que a Sorbonne e Havard juntas, por exemplo. O que vale é a sede e a fome de saber. Isto que, no longo arco do tempo, fez o bicho rude nascido do chão da terra virar gente inteligente e sair da Terra em conquista do vasto mundo espacial.

"Olhem às estrelas - disse o "deficiente" Stephen Hawking na abertura dos jogos paraolímpicos de Londres, ano passado - pois foi de lá que viemos". Um ser dotado de razão e consciência - como somos todos nós, homens e mulheres deste planeta - ao ouvir estrelas, como disse o poeta, podemos aprender música, poesia, filosofia e muito mais. 

Aprendi (ou, pelo menos, deveria ter aprendido); de um índio que foi meu mestre, entre outros mestres meus, a historia oral de seu povo escrita nas estrelas pela memória coletiva transmitida de geração a geração. Qual civilizado poderia competir numa maravilha destas só e só com seu próprio cérebro registrando o ensinamento dos antepassados nem nenhum outro artifício?

O pior analfabeto é o analfabeto político. Na era da internet se deixar ser analfabeto político depois de ter todos meios de informação é comparável a um suicídio.

Uma estória pitoresca conta que certa vez um vigário de paróquia no interior da Amazônia pegou canoa e contratou remador para ir a uma paragem distante, onde vivia certa comunidade ribeirinha isolada e muito carente de assistência. 

Como a viagem resultasse tediosa, o padre começou a puxar conversa com o canoeiro tardo-mudo. "Filho, disse o vigário, você sabe matemática? O caboco respondeu, "não senhor, seu padre, não tive tempo". O padre exclamou, que pena, meu caboco! Perdeu metade da vida.... E a viagem deveras era longa. O caboco remava e o vigário cansava da espera da chegada que parecia nunca. De novo o padre pergunta, "caboco, você sabe ler e escrever? Sem suspender o remo, o pobre homem diz; "meus pais moravam longe e a gente não tinha escola". O padre, "que pena, meu filho, você perdeu metade da vida...".

Nesta altura da viagem, mais pra lá do que pra cá; o canoeiro pela experiência viu no horizonte umas nuvens de chuva e o vento de proa começar a levantar banzeiros pelo largo rio. Então, foi a vez do caboco falar, "padre, que mal lhe pergunte, o senhor sabe nadar?". O homem de Deus apavorou-se. "Filho, não aprendi a nadar... Por que pergunta?". O caboco, fitando ao longe o fim do estirão, serenamente, sentenciou: "Aí vem tempo seu padre e o senhor vai perder sua vida todinha".

Moral da história

muitos se diplomam nas melhores escolas do mundo, mas na escola da vida não aprenderam a aprender com o tempo em mudança permanente. 

Os sem escola podem, sim, perder muitas coisas. Todavia, enquanto aqueles escolados que não se atualizam sempre, na hora de crise, é como se tivessem perdido tudo. Aí vem o desespero, nem sempre súbito, pois que o tempo manda sinais a tempo sob diversas formas de aviso prévio.

Ninguém é tão estúpido que não tenha nada a ensinar aos outros nem bastante sábio que não tenha nada a aprender com ninguém.

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