domingo, 13 de fevereiro de 2011

TERRITÓRIO FEDERAL ou ESTADO DO MARAJÓ

desde a década de 1960 os fazendeiros da ilha do Marajó sonham com o Território Federal do Marajó... Quando se pensa que esqueceram lá vem a coisa, de novo. Caboco, desconfiado, pergunta: será bom pra quem? O exemplo do Amapá não deixa engano. Se território federal prestasse não tinha, com a Constituição-Cidadã (1988), passado a estado.

então, se a coisa fosse para resolver o IDH com a participação do povo o melhor era criar logo o Estado do Marajó no rasto de Carajas e Tapajós...

mas, espera! Por que tanta pressa com a divisão do Pará? O que é, na verdade, que está por trás deste movimento? Há algo de podre no reino da Dinamarca... Querem liquidar o outrora Grão Pará no Pará mirim. Imaginem o tamanho da encrenca! Os velhos caciques afiando os dentes para os cargos políticos, palácios, novas capitais aguçam o apetite de empreiteiras - tudo em nome do progresso e o bem-estar do povo, naturalmente -, mas o Sul e Sudeste deve estar preocupado com a possibilidade de uma bancada "amazônica" com mais 9 senadores e, mais ou menos, 30 deputados. Não é brincadeira!

cedo ou tarde a Amazônia dará lugar a novos estados. A questão é esta: por que o Pará tem que ser o primeiro a ser loteado? No fundo parece castigo à elite belenense tão com a cabeça nas nuvens e descuidada do interior. Caboco das ilhas, então, poderia dizer "bem feito". Mas, o diabo é que a corda arrebenta do lado mais fraco...

por que o superpovoado São Paulo e Minas Gerais ou a Bahia não criam primeiro os estados de Araçatuba, Triângulo Mineiro e do Recôncavo, respectivamente? Não! Nem por brincadeira, não é mesmo? Quanto ao Marajó velho de guerra a gente não é besta: melhor sermos a "Costa Rica" do Pará, república cultural Marajoara, com influência nas capitais do grande Pará e do verdejante Amapá.

Que sejam nossos netos a decidir a vez e a hora de proclamar o autônomo e próspero Estado do Marajó (território "federal" é a sesmaria do vovozinho).
Belém do Pará - 13 de fevereiro de 2011
José Varella Pereira


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Divisão do Pará: Marajó retoma debates

Domingo, 13/02/2011, 05:31:01
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Divisão do Pará: Marajó retoma debates (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)
A revisão geopolítica do Estado do Pará, mais uma vez, será o centro das discussões da bancada federal do Estado no Congresso Nacional. E, desta vez, com um novo ingrediente: a proposta de criação do Território Federal do Marajó, ressuscitada de um antigo projeto de Decreto Legislativo, datado de 2002, proposto pelo ex-deputado Benedito Dias, do PPB do Amapá. Quem faz pressão agora pelo retorno da proposta são os prefeitos e lideranças políticas do arquipélago, capitaneados pelo bispo Dom Luiz Azcona, da Prelazia do Marajó.
O bispo e as lideranças marajoaras defendem a retomada do projeto que, em 2006, teve uma nova tentativa de discussão, desta vez por parte da então deputada federal Ann Pontes (PMDB). Na época a deputada integrava a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional e solicitou a realização, na sede da Assembleia Legislativa do Pará, de uma reunião de debates da comissão.
O objetivo seria reunir deputados federais, estaduais, representantes da Associação dos Municípios da Ilha do Marajó (AMAM), da Universidade Federal do Pará (UFPA), bem como todos os prefeitos e vereadores dos municípios do arquipélago do Marajó e representantes dos Sindicatos de Produtores do Marajó para discutir o projeto de Decreto Legislativo apresentado em 2002 pelo deputado amapaense.
O projeto, que se encontra arquivado na Câmara dos Deputados, pode ser apresentado a qualquer momento por qualquer outro deputado que se dispuser a defender esta bandeira. E mediante os relatos feitos pelas lideranças políticas do Marajó, é muito fácil ser convencido de que a única salvação para acabar com o isolamento do arquipélago é mesmo permitir que ele receba repasses diretos da União.
De acordo com o projeto, seria realizado um plebiscito nos 16 municípios que integram o arquipélago marajoara para a criação do Território Federal do Marajó. Com a aprovação, um projeto de Lei Complementar seria apresentado para, desta vez, promover a criação definitiva do território.
As vantagens para a região seriam imediatas e, possivelmente, solução para os maiores problemas da região, conforme justifica o autor do projeto. Segundo o documento arquivado na Câmara, o reflexo imediato seria acabar com o isolamento político-administrativo da região devido à sua distância geográfica. “O desmembramento implicará, necessariamente, na efetiva integração ao restante do país e, sobretudo, obriga a uma efetiva atuação dos poderes constituídos”.
APARTADO
O Marajó possui uma área que abriga 16 municípios que juntos alcançam a extensão territorial de 104.606,9 quilômetros quadrados. Equivale a países como a Holanda e a Bélgica, juntas. A população ultrapassa 450 mil habitantes. O arquipélago apresenta, além da vocação agropecuária, um potencial turístico inexplorado.
Mas, apesar de tudo isso, a Ilha de Marajó está mergulhada na pobreza, em meio a um mar de dificuldades e abandono. As deficiências vão dos transportes e saúde à educação, incluindo a falta de um hospital regional, cuja construção foi concluída no município de Breves, mas que até hoje não entrou em funcionamento.
A distância média de Belém de seus municípios, por via fluvial, é percorrida em média por 36 horas - o que faz com que quase sempre as pessoas recorram ao município de Macapá, que acaba sendo bem mais próximo.
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2 comentários:

  1. Esses mesmos argumentos são utilizados para justificar outras diviões... mas será essa mesma a solução para os problemas? Para se resolver esse não se estaria criando outros???? essas e outras perguntas vem a calhar, considerando ainda a tradição das nossas ditas "lideranças" políticas...

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  2. Caras, muito obrigado, vocês foram muito úteis no meu trabalho de escola. Aliás gostaria tambem de parabenizar José Varela pelo primeiro texto "TERRITORIO FEDERAL ou ESTADO DO MARAJÓ", muito bom mesmo.

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